Notas iniciais
Espero que gostem!

Depois da leitura do testamento, Elizabeth puxara William para o canto para se decidirem como é que iriam fazer para contar a seus irmãos que eles haviam perdido os pais e que se mudariam para um lugar longe de onde moravam. Eles entraram em desespero. Adiaram e adiaram esse momento, mas ele havia chegado e era hora. Voltaram à sala para falar com os três que pareciam não estar tendo uma conversa muito produtiva. Elizabeth viu o olhar penoso do Coronel e por algum motivo, gostava dele. Não era muito velho, aparentava ter uns 45/50 anos por apresentar já um pouco de cabelo grisalho, tinha uma barriguinha saliente (nada que um bom terno não esconda) e um bigode que chegava a ser engraçado. Andava todo pomposo e sentava em uma postura perfeita.

– Erm...vamos falar com as crianças sobre as...novidades.– disse William.

Os três assentiram e, fazendo uma mesura, os irmãos subiram as escadas para o segundo andar. Pararam de frente para a porta do quarto das meninas e nenhum dos dois teve coragem de abri-la. Seria muito difícil ver aqueles sorrisos inocentes se derreteram e se formarem em rosto tristes e chorosos. Mas teria que ser feito, se não fosse contado por eles, seria pelo George e a situação seria ainda pior (se é que era possível). William levantou a mão para abrir a porta quando Elizabeth o impediu. Não se sentia preparada para soltar uma notícia devastadora dessas logo cedo.

Não! Não vamos contar a eles!– ela disse com um olhar de súplica — Não estou pronta para isso ainda.

– Lizzie, a questão não é você estar pronta ou não. Nós temos que contar a eles o que acontecia o quanto antes. Você sabe o quão explosiva Georgine é em relação a segredos não contados!– ele murmurou - Deus sabe lá o que essa menina faria caso descobrisse isso depois e ainda pela boca de George.

Elizabeth ficou pensativa. William também não parecia estar pronto para contar isso, mas estava determinado a passar por essa fase da vida como o homem que deveria ser. Ela tentou contar até 10 para ver se seu coração acalmava. Não era ansiedade o que sentia, era dor pura e física. Ela assentiu para ele tristemente e eles entraram no quarto.

Os três brincavam alegremente em cima da cama de Elizabeth, chegavam a dar gargalhadas. Elizabeth sorriu para eles quando a olharam, mas seu sorriso não havia chegado aos seus olhos como sempre acontecia e Raphael notou isso. Ele era muito observador para um menino novo e estava prestes a perguntar o que tinha acontecido quando William puxou Elizabeth para um canto.

AI! Doeu maldito!– ela disse, batendo no irmão — O que foi?

Vamos deixar para contar quando chegarmos em Northwampton...

Ela o sondou com os olhos e assentiu. O que será que havia feito ele mudar de ideia tão subitamente? Eles voltaram para os irmãos e falaram que iam se mudar. Falaram para as crianças arrumarem as malas com todas as roupas e que, ao chegarem na casa nova, iriam explicar o que estava acontecendo.

Eles começaram a fazer as malas e empacotar as coisas para as mudanças. Georgine olhava Elizabeth como se estivesse analisando-a, tentando encontrar algo em seu olhar que afirmasse que ela estava mentindo. Elizabeth corria pela casa toda, pegando as coisas e não percebeu o que Georgine fazia. Quando todos terminaram as malas, desceram as escadas e encontraram a sala ainda quieta, porém agora uma tensão no ar. William e Elizabeth olharam os três homens que estavam ali, porém não quiseram falar nada.

Quem são essas pessoas?– perguntou Raphael alto. Não sabia ainda como se comportar perante pessoas que não conhecia.

Raph, explicaremos quando chegarmos lá, está bem?– sussurrou William para Raphael. George sorriu prepotente. Elizabeth viu que agora que havia descoberto que eles não tinham contado para os irmãos, iria aprontar alguma coisa no caminho.

Ela viu ele observando-a e soltou um olhar de aviso como se estivesse dizendo: "Uma palavra e você está morto."

Bom, sem mais delongas, me sigam por favor.– disse o Coronel, pegando a mala nas mãos de Elizabeth que carregava Rosalie. Ela ainda não havia quebrado o olhar com George até que alguém a empurrou.

Haviam duas carruagens no lado de fora os aguardando. Ao sair de casa, os vizinhos das crianças estavam em suas portas para dar o último adeus. Parece que sabiam o que havia acontecido. Elizabeth entrou na carruagem sem olhar para trás, pois sabia que se olhasse, iria surtar e querer voltar.

Em sua carruagem fora ela, suas irmãs e George que não parava de observar Elizabeth. Ela estava começando a se sentir incomodada durante o caminho quando percebeu que ele não tirava os olhos dela. Após meio dia de viagem, a carruagem passara pelos portões da grande mansão onde viveriam. Georgine parecia encantada e falou:

Nossa! Mamãe e papai compraram essa casa para nós?– essa pergunta partiu o coração de Elizabeth e não segurou as lágrimas que estavam presas desde a hora da saída de casa. Georgine a observou, se perguntando porque ela chorava e George a observava com um olhar de divertimento. Ele sabia que ela não conseguiria contar para os irmãos sobre a morte.

O que aconteceu, querida prima?– perguntou George com um tom sarcástico na voz.

– George...vá para o inferno está bem?– Elizabeth virou para olhá-lo com, agora, lágrimas de fúria. – Você sabe muito bem o que aconteceu e eu tenho certeza que está morrendo de vontade para contar! Depois te contarei o que aconteceu Georgie...

Contar o quê?– indagou Georgine, olhando de George para Elizabeht — Hein Lizzie, o que está acontecendo?

Elizabeth preferiu ignorar as perguntas, contudo ainda havia George ali e como não era ele que perdera os pais, não iria doer falar para a prima o que estava acontecendo. Rosalie estava dormindo no colo de Elizabeth por isso não acordara nem com o solavando que a carruagem dera após passar por cima de uma pedra.

Aconteceu, minha querida priminha, que seus pais estão mortos!– ele disse com um sorriso vitorioso no rosto. — Mortos! Mortinhos, mortinhos...alguém matou-os e agora vocês vão ter que viver no inferno comigo e sua querida avó, que diga-se de passagem, não é flor que se cheire...

Elizabeth o olhou estupefata. Como ele conseguia ser tão cruel e brincar com os sentimentos dos outros? Antes que Elizabeth pudesse falar alguma coisa, antes ao menos dela conseguir olhar a irmã, a carruagem parou e ela não pôde impedir o que aconteceria a seguir. Georgine pulou da carruagem e correu para a floresta que estava atrás da mansão gigante.

Elizabeth não teve tempo de analisá-la, pois desceu da carruagem com Rosalie em seu colo e entregou-a a um William recém-saído da carruagem bem confuso. Ela só teve tempo de falar antes de sair correndo:

Segura ela! Georgine descobriu!– e saiu correndo atrás da irmã na floresta escura e desconhecida a sua frente.

Notas finais
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