Notas iniciais
Ooooi gente tudo bem? Então mais um capítulo pra vocês, e gostaria de divulgar minha one nova se chama Silence o link:https://www.fanfiction.com.br/historia/241113/Silence/
É com o brian como principal e vou deixar um trecho da sinopse nas notas finais, enfim é isso... Boa leitura!

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Acordei com o cheiro de Matt impregnando meu nariz, minha cabeça latejava e eu optei por não abrir os olhos apenas abraçando mais as cobertas contra mim e aspirando mais o cheiro inebriante que marcava o quarto.

De repente as lembranças me atingiram feito um jato, pulei na cama agoniada e verificando, já de olhos abertos, que estava no quarto de Matthew. Imediatamente corri até o banheiro, vomitando a bile e me jogando ao lado do vaso sanitário.

Olhei para minhas roupas da blusa emanava o cheiro da erva que estava presente em meus cabelos também. Permaneci sem reação por um momento, eu tinha sido uma idiota, uma completa estúpida... E agora só me vinha o peso da culpa de ter feito tudo aquilo na noite passada. Sem que eu notasse as lágrimas já rolavam.

Levantei sustentando o peso nas pernas e encostei a porta do banheiro, aos poucos me despi, peça por peça e parei em frente do espelho apenas para constatar o que eu já sabia: meu corpo estava praticamente esquelético, os ossos do trapézio já saltavam e como se não bastasse, meu rosto estava tão fino que poderia ser comparada a uma anoréxica por quem me visse na rua.

Entrei debaixo do chuveiro tremendo com o jato de gotas frias que dali saia, a água em meu corpo fazia o doer mais ainda pela ressaca, enquanto minha cabeça explodia pelas marteladas de dor.

-Amanda? Você está bem? – a voz ecoou do outro lado da porta me fazendo levar um susto.

- Estou sim. – murmurei fraco.

E permaneci debaixo do chuveiro por mais alguns minutos. Sequei-me com uma toalha felpuda branca e depois peguei um roupão azul marinho, vestindo-o e fazendo um grande laço na cintura. Penteei os cabelos para trás e evitei ao máximo olhar meu reflexo no espelho novamente, acho que só queria minimizar a dor do choque inicial.

Sai para o quarto novamente e o cheiro de comida o invadiu, meu estômago enjoou e eu soube que não aguentaria comer nada por hoje... Lentamente me sentei aos pés da cama, eu já tinha que viver com a culpa pelo acidente de Matt e agora com o que tinha acontecido na noite passada meu desejo de acabar logo com tudo isso só aumentava.

Enterrei a cabeça entre as mãos, apoiando o cotovelo nos joelhos e respirando sofregamente, tudo girava ao meu redor e a voz do garoto dos olhos verdes era presente em minha cabeça. “Você não faz nada certo...” puxei os cabelos numa maneira de conter a alucinação “Acha que beber e fumar vai adiantar alguma coisa?”, as frases se repetiam junto à risada marcante... De repente um sorriso brotou em meu rosto, um belo sorriso sarcástico eu passava a apreciar minha insanidade.

Ergui a cabeça mirando ao fundo o retrato meu e de Matthew que se postava em cima da cômoda escura, andei até a foto pegando o porta-retrato nas mãos e passando o dedo cuidadosamente sobre a face do que se estava atrás de mim na foto. Ele tinha um sorriso enorme no rosto habilitando suas covinhas esse mesmo sorriso estampava minha face, parecíamos tão felizes... Éramos tão felizes.

- Bonita foto. – mal notei que o moreno estava parado na porta, um sorriso escorria de seus lábios. – Eu fiz o almoço, você devia comer algo... – completou assim que continuei em silêncio.

- Não to com fome. — resmunguei deixando o porta-retrato no lugar de início e voltando a sentar na cama.

Brian continuou a me mirar com os terríveis olhos castanhos, ele me intimidava a ponto de eu querer me esconder de tudo e todos... Não consegui desconectar nossos olhares mesmo quando ele se aproximou e sentou ao meu lado.

- Você pode me levar ao hospital, eu preciso muito ver o Matthew. – pedi com a voz trêmula levando meu olhar as mãos.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou inocentemente e eu que já não aguentava segurar todo aquele sentimento dentro de mim, acabei despejando.

- Aconteceu! Aconteceu que eu sou a pessoa mais idiota do mundo... Quando foi que eu pensei que era certo me divertir enquanto o Meu namorado está numa cama de hospital? Eu sou uma estúpida Brian, se o seu irmão me visse no estado em que eu estava ontem ficaria no mínimo muito decepcionado. – solucei apertando uma mão na outra.

- Ei, ei calma... Não tem problema tomar um porre de vez em quando e sinceramente acho que até demorou muito para acontecer isso. – olhei para ele com os olhos embaçados pelas lágrimas que já o ocupavam. – Digo, normalmente quando a gente tá mal, remoendo algum sentimento ou sofrendo, é de praxe que tomemos um porre apenas para esquecermos os problemas. – suas palavras saiam tão sinceras que eu senti o peso da bebedeira deixar meus ombros.

- Mesmo assim, não foi certo o que eu fiz... – meneei com a cabeça sem coragem de olhá-lo.

- Eu sei que eu não sou a melhor pessoa pra te falar alguma coisa, mas eu acho que você não devia se culpar por ontem, muito menos por tudo que aconteceu com o Matthew. – o olhei atônita, em momento algum eu havia dito a palavra culpa. – Está estampado na sua cara Amanda, não tem como negar... Desde o dia em que o encontramos naquele acidente eu vi em seus olhos. Mas sinceramente, não tem cabimento isso, afinal, não é porque meu irmão foi inconsequente que todo esse problema diverge para você.

- Se eu não tivesse brigado com ele, ou melhor, se eu não tivesse terminado com ele nada disso teria acontecido! Nada disso! – elevei o tom voltando a encarar a parede, de algum modo manter o olhar muito tempo em Brian não me deixava confortável.

- E você teve seus motivos para brigar e terminar com ele certo? – assenti com a cabeça. – Então não há porque se culpar tanto, ele nunca foi sua responsabilidade, tanto eu como você sabemos que esse ato de infringir a culpa a si mesma é só uma forma de poder se punir por ele está deitado numa cama de hospital, mas a culpa não é sua... Nunca foi. – virei para encará-lo seus olhos demonstravam a mais terrível das dores.

- De qualquer forma, você pode me levar ao hospital hoje? Há dois dias que eu não o vejo e... – ele me interrompeu demonstrando um longo e doce sorriso nos lábios antes de dizer.

- Eu levo claro, mas antes... Você vai almoçar. – dito isso se retirou antes que eu pudesse protestar e fechou a porta.

Levantei contrariada da cama e fui procurar algo para vestir, nem cogitei as roupas do dia passado, estavam podres... Assim, peguei uma muda de calcinha e sutiã que sempre deixava em meio a sua gaveta de cuecas, para se caso eu precisasse em uma emergência. Após vesti-los optei por uma camisa de Matt que era enorme e me serviria de vestido.

Fui para sala me largando em um dos sofás não me importando em deixar no filme sangrento que passava, na verdade, filmes sangrentos e que não colocavam o amor em primeiro plano vinham me agradando mais que o normal.

- Espero que goste de macarrão ao molho vermelho. – o moreno chegou dizendo antes de se sentar ao meu lado e colocar um prato em minha frente.

- Precisa mesmo disso Brian? – perguntei ainda encarando a comida e ele arqueou uma das sobrancelhas. – Não aja como alguém que se preocupa ok? – ele revirou os olhos depositando o prato com o pano sobre minhas pernas.

- Eu to tentando fazer a coisa certa, você devia ser no mínimo educada... Agora coma logo isso se não nada de ver o namoradinho no hospital. – ri com seu comentário.

- Tá parecendo minha mãe. – comentei levando a primeira garfada de macarrão na boca e o assistindo se levantar.

- Querida você ainda não viu nada! – exclamou fazendo gestos gays e eu fui obrigada a rir novamente, ainda mais quando ele saiu rebolando.

De certa forma eu não podia acreditar no que havia acabado de acontecer, pela primeira vez o moreno fúnebre me fez rir... Será que estava alucinando também sobre ele? Algo estava errado, mas eu preferi deixar todas as minhas preocupações de lado e aproveitar a hospitalidade, frisando que o macarrão realmente estava bom.

- Você não tem nojo de comer assistindo isso? – indagou enquanto se sentava ao meu lado com um prato de comida também.

Só então notei que na TV passava uma cena em que um dos homens dilacerava o outro aos pedaços, mutilando cada membro do corpo da pobre vítima. Dei de ombros, não era algo que me causava nojo ou medo.

- Nunca tive nojo disso, se bem que o intestino desse cara tá meio zoado hein, olha só... Nem pra fazer uma coisa descente, Hollywood está se acabando mesmo.

- Cara, você é estranha... – murmurou rindo enquanto tirava do filme e colocava num canal de esportes onde homens se atracavam uns aos outros.

- Você tirou do filme pra por nesse monte de gay se agarrando? Pelo amor né Brian...

- Não é um monte de gay ok? Chama-se futebol americano. – dei de ombros e levantei para levar meu prato à cozinha, pois já tinha terminado de comer.

- Eu vou escovar os dentes enquanto você termina. – avisei apesar de ter certeza que ele não havia escutado, seus olhos estavam fixos no esporte idiota.

Já tinha feito toda minha higiene quando me dei conta de que não tinha nenhuma calça por ali que eu pudesse usar, e ir apenas de camiseta (embora parecesse um vestido) ao médico seria no mínimo vulgar, recorreu-me então se ainda teria aquelas peças de roupa da Amy por aqui... Resolvi perguntar a Brian.

- Ei, será que sua irmã ainda tem aquelas roupas por aqui? – perguntei parando em sua frente.

- Minha irmã? Que irmã? Ficou louca? – soltei uma risada pelo nariz, depois eu que era louca.

- A Amy, sabe... irmã do Matt, sua irmã também. – ele fez uma careta se levantando.

- Amy não é minha irmã. – concluiu e eu o segurei pelo braço antes que ele pudesse se retirar.

- Você está louco Brian? – perguntei indignada.

- Não, eu não estou louco... Amy é filha da Kim, assim como o Matt. – assenti já sabendo daquela informação.

- Sim, mas depois quando a Kim se separou e casou com seu pai ela teve você então você é meio-irmão da Amy e do Matt. – ou pelo menos era isso que eu achava até o momento.

- Não, não... Isso é humanamente impossível. – ele soltou uma risada fraca. – Meu pai me teve com outra mulher, eu e Matthew temos a mesma idade, na verdade eu sou alguns dias mais velho que ele. – abri minha boca num “O”.

- Então ele mentiu pra mim. – admiti com a voz trêmula e não entendendo qual era o objetivo para Matt mentir daquele jeito.

- Eu não sei o que ele te contou, mas garanto que essa é a verdade... Agora sobre as roupas da Amy deve ter algo lá dentro ainda, ela nunca mais vai usar então pegue o que quiser.

Ele voltou a se sentar, porém se manteve inquieto zapeando os canais da TV, já eu, continuei estática no lugar. Nada que pudesse explicar esse fato me vinha à cabeça, Matthew havia mentido para mim, mas qual o motivo? Nada explicava...

- Tá com cara de quem viu um fantasma, está bem Amanda? – perguntou o moreno se levantando e me pegando pela mão, mal percebi e estava sentada no sofá.

- Eu não entendo porque ele mentiu Brian, não havia motivos pra ele fazer isso comigo... Justo comigo!

- Não sei... Juro que não sei, mas ele deve ter tido seus motivos. Agora, eu acho que você devia terminar de se arrumar para eu te levar ao hospital. – levantei contragosto e fui para o corredor

Por mais que Brian tivesse dito sobre os tais “motivos de Matthew” eu ainda não engolia essa história direito, e me sentia completamente impotente por saber da mentira e ter sido atacada com a verdade de forma tão brusca. O pior é que eu não tinha a quem recorrer, ninguém deveria saber os motivos dele para ter mentido.

Achei o quarto rosa rapidamente, entrei lá e puxei um short de umas das gavetas da cômoda marfim, a peça era tamanho infantil, mas com minha magreza súbita sabia que serviria e talvez ficasse um pouco largo até.

Vesti o short constatando minhas expectativas e resolvi ficar com a camiseta de Matthew mesmo, ela possuía uns desenhos de caveira interessantes, mas por ser muito grande dei um nó na ponta ajustando-a ao meu corpo.

- Estou pronta. Vamos? – falei assim que cheguei à sala terminando de amarrar o tênis.

- Estava sua espera madame. – um sorriso saiu de seus lábios enquanto passávamos pela cozinha até a garagem.

...

Chegamos ao hospital e eu fui diretamente ao quarto de Matt, enquanto Brian continuou conversando um pouco com o pai na recepção. Kim não estava no quarto, Papa já tinha me avisado, disse que ela tinha ido à lanchonete ou algo do tipo.

Assim que adentrei o local me comovi ao ver Matthew deitado na maldita cama e escutar o aparelho que media a frequência dos batimentos cardíacos, nada adiantava, sempre que eu o via era a mesma sensação... Impotência, culpa, arrependimento, tanto sentimento negativo e que eu nunca conseguia controlar.

- Ei Matt, será que sentiu minha falta esses dois dias que passaram? — indaguei já me sentando na costumeira poltrona ao lado de sua cama. – Desculpe não vir antes, as coisas estavam meio difíceis em casa. Começando por minha mãe que teve um surto após minha ida ao médico... É eu fui ao psicólogo e ele me mandou ao psiquiatra, imagina o estado da minha mãe? Quase nada brava, imagina... – suspirei repousando a cabeça numa das mãos e apoiando o cotovelo na borda de sua cama. – Eu preciso contar que ontem fui numa festa com os meninos, você não ia gostar do meu estado. Mas acho que tudo bem né? Por que você não me viu daquele jeito... De qualquer forma, só estou contando porque nesses dias não tive tempo de escrever no diário. – arfei tombando a cabeça no colchão e sentindo seu corpo raspar em meus cabelos. – Sinto tanto sua falta Matt... Hoje eu vi um porta-retrato nosso e... Eu não suporto mais ficar sem você.

“ Eu estive pensando esses dias naquelas brigas que nós tivemos sabe? Dois idiotas... Se eu tivesse me policiado um pouco mais, se eu tivesse deixado de implicar com coisas tão pequenas... Provavelmente você estaria acordado, e ainda estaríamos namorando.

As pessoas dizem pra eu não me culpar, mas como? Como eu não vou me culpar se eu sei que foi minha maldita paranóia que causou tudo isso!”

Ergui a cabeça procurando sua mão para segura-la, uma lágrima escapou solitária eu não sentia uma real vontade de chorar era mais um impulso. Continuei a contemplar os traços belos do garoto adormecido, ele deveria ter perdido uns dez quilos, se não mais, porém continuava lindo.

“Mas você vai sair dessa ok? Você vai acordar e eu vou fazer de tudo pra recuperar nosso amor, porque eu sei Matt eu sei que você me amava o tanto quanto eu te amo, e nós vamos vencer todas essas dificuldades, está bem? Nós enfrentaremos isso juntos e logo eu vou estar ao seu lado mais uma vez.”

Sorri por fim admirando mais uma vez seu rosto e só notei que estava há muito tempo ali quando a porta do quarto foi aberta, logo me recompus e acenei com a cabeça para Brian que acabar de entrar.

- Às vezes eu esqueço que é verdade, que eu to aqui nesse quarto vendo meu irmão desse jeito. – ele sentou no sofá azul claro de dois lugares que era encostado a uma parede, encostando a cabeça para trás.

- Não é só você que pensa assim... – respondi desgostosa e afundando na poltrona.

— Os médicos disseram que ele pode acordar com sequelas. – fechei os olhos apertando com força.

- Graves? – perguntei me erguendo novamente e vendo-o assentir com a cabeça.

- Pessoas que passam muito tempo no coma tendem a ter dificuldade com a fala, com os movimentos, perca de memória... Ainda mais que ele sofreu um traumatismo craniano. Você sabe que ele tem 85% de chance de acordar, ou morrer, ou pior ainda, permanecer em estado vegetativo, certo? – engoli em seco com a enxurrada de informações que me eram dadas.

- Mas ele vai acordar Brian! – exclamei forte e fechando as mãos em punho, ele se levantou e caminhou até posicionando as mãos uma de cada lado dos meus ombros.

- Eu nunca disse o contrário, só estou te passando as informações do médico... E acredite Amanda você não é a única mal com isso. Minha mãe está aos prantos lá fora, é algo que temos que aceitar... Matthew pode acordar amanhã bem, com todos os sentidos normais, como ele pode acordar com a fala e os movimentos comprometidos, ele pode acordar sem lembrar até mesmo quem ele é. Como também há o caso dele não acordar nunca mais. – estremeci pensando nessa hipótese, imediatamente levantei e me abracei ao moreno.

- Mas ele é forte né? Ele vai acordar Brian eu tenho certeza! – continuava a afirmar diversas vezes sentindo lágrimas escorrerem.

- Eu não deveria ter te contado isso... – resmungou afagando meus cabelos e eu me afastei limpando as lágrimas, voltando meu corpo em direção a Matt.

- Acho que no fundo eu nunca vou conseguir aceitar nenhum desses fatos. Eu vou continuar ao lado dessa cama todos os dias de minha vida esperando ele acordar...

- E se isso nunca acontecer? – indagou meio aéreo.

- Morrerei esperando que isso aconteça. – respondi de súbito.

Era verdade, eu permaneceria ao lado dele mesmo que durasse uma eternidade, pra mim não importava se estava certo ou errado deixar minha vida de lado, não que eu fosse parar de viver pelo garoto adormecido, mas com certeza não teria uma vida normal como as de outras pessoas.

Notas finais
E então gostaram? Dessa vez mais um pouquinho de drama pra vocês ein...
E agora um trecho da sinopse de Silence: "O que fazer quando se descobre o amor tarde demais? Quando não adianta gritar e chorar para o tempo voltar? "
Pequeno né? Mas é só pra deixar vocês com o gostinho... É isso, vejo vocês nos reviews! Beijos garotas ;;*