Notas iniciais
Olá garotas! Mil perdões pelo atraso, como expliquei nas notas do capítulo anterior, estou com alguns probleminhas familiares... Mas se vocês viram eu consegui responder todos os reviews atrasados! Uhul!
E mais um capítulo para vocês, e o mais esperado com certeza... Por algumas.
Boa Leitura!
p.s. só pra deixar claro que as fotos usadas para a capa do capítulo não tem as características dos personagens, é mais uma representação.

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Despertei com o som pesado da guitarra ecoando pela casa, rolei pela cama a procura de um relógio e constatei que não passava das 3h da manhã. Levantei cambaleando e segui a música forte que vinha do andar debaixo da casa, logo estava na garagem, Brian tocava rudemente as cordas da guitarra.

Permaneci um tempo ainda nos últimos degraus da escada, petrificada com o talento do garoto, pela primeira vez eu sentia vontade de chorar com apenas um simples solo e um choro que não era meu, era dele, lágrimas de Synyster Gates... Em passos leves fui me aproximando e sentindo a emoção aumentar.

Ao final do solo ele caiu sentado no chão com as lágrimas saindo sem controle, corri ao seu lado e o abracei forte, sentindo seus braços envolverem e meu corpo apertar até que faltasse o ar... eu não me importava a atmosfera do local era tão pesada que o abraço tornava tudo melhor.

Sem querer eu chorava também, Brian movia emoções com seus dedos ágeis sobre a guitarra, e era impossível me manter forte com tanto guardado em meu peito. Eu queria gritar e berrar feito ele, uma dor envolvia meu coração, uma dor diferente, a dor de ver um amigo, mais que amigo, chorando. Mas eu não me rendi a essa emoção, sabia que ele precisava de mim e seu chorasse não conseguiria dar o suporte que era necessário.

Por cima de seu ombro vi a quantidade de garrafas de cerveja no chão e o cinzeiro lotado de bitucas de cigarro... Além disso, ele fedia a fumaça, era como se não tomasse banho há dias, e o cabelos desgrenhados lhe conferiam essa característica.

Com um pouco de esforço consegui nos levantar do chão, ele apoiava apenas parte do seu peso em mim o que me fazia pensar que ainda restava um pouco de consciência nele, de certo que eu não aguentaria carrega-lo sozinha.

Cheguei ao andar de cima exausta e ofegante, mas não desisti, eu o carregaria para o banheiro nem que para isso usasse todas as forças que me restavam... No meio do corredor ele se tornou inconstante, tropeçando em si mesmo e dificultando meu trabalho. De algum modo inexplicado eu consegui joga-lo para debaixo do chuveiro, girei o registro e deixei a água gelada cair. Ele não reclamou, parecia fraco demais para isso.

Enquanto o banho gelado curava da bebedeira, corri para cozinha a fim de cozinhar algo, pois ele parecia não se alimenta há dias. Optei por macarrão, coloquei a água para ferver e voltei para o banheiro onde tinha o deixado, ele continuava na mesma posição debaixo da água e parecia divagar sobre algum pensamento.

Munida de uma toalha, fechei o registro e o puxei pela mão para que levantasse, num tranco ele veio mole e ainda desajeitado, o sentei sobre a privada e passei a toalha gentilmente sobre seus cabelos, massageando e secando ao mesmo tempo. Depois esfreguei seu peito nu, e mais uma vez usei da minha força o levantando, abaixei sua calça deixando-o só de cueca e passei a secar suas pernas.

Não me sentia desconfortável naquela posição, era como se eu estivesse fazendo algo que ele obviamente faria para mim se eu precisasse. Já todo seco eu levei a toalha mais uma vez a seus cabelos e massageei um pouco mais, ele parecia relaxar com aquilo. Senti suas mãos em minha cintura e tirei a toalha o encarando, ele mantinha o semblante em branco, mas algo me dizia que estava melhor do que antes.

– Desculpe te acordar. – murmurou rouco e com a voz fraca.

– Não tem problema... Estou fazendo algo pra você comer, então vem, vou te ajudar a ir pro quarto. – ele assentiu meio lesado ainda, e com meu apoio o carreguei até o quarto, deixando-o em sua cama.

Voltei para a cozinha onde a água já fervia e coloquei a massa lá dentro, em alguns minutos estaria pronto... Com a massa feita, fiz um macarrão estilo alho e óleo, uma receita fácil e boa. Separei uma quantidade generosa em um prato, enchi um copo com suco de laranja que havia acabado de fazer e levei tudo numa bandeja para Brian.

– Ei garoto, hora de comer. – anunciei brincando e ele sorriu de leve, se remexeu na cama e eu percebi que ele tinha conseguido vestir uma bermuda.

– Obrigada. – agradeceu assim que coloquei a bandeja sobre seu colo, sentei ao seu lado na cama e ri de leve quando ele atacou o prato vorazmente.

Ele consumiu a comida em pouco tempo e eu fui incapaz de não rir mais quando vi sua boca toda lambuzada, ele parecia uma criança... Eu gostava dessa visão frágil de Brian, pela primeira vez me sentia útil em todos esses tempos por estar cuidando de alguém, do que ao contrário.

– Vem cá, me deixa limpar essa sujeira... – peguei o pano de prato pendurado em meu ombro e limpei sua boca, ele parecia em estado hipnótico observando cada pequeno gesto que eu fazia. – Quer conversar sobre o que aconteceu? — pela primeira vez seu olhar desviou do meu. – Tudo bem se deixar levar às vezes Brian, mas você estava péssimo quando eu te encontrei ontem e agora na garagem...

– Eu ainda não consigo me conformar, Bruna foi sempre tudo que tive depois que fui preso, Matt apesar de me visitar fazia aquilo por obrigação... Mas ela não, eu a amava, como mulher, como prima, como amiga... Bruna sempre foi tudo. – senti uma pequena pontada de dor atingir meu estômago, era possível que mesmo depois de morta aquela menina conseguisse me irritar?

– Eu sei que não posso fazer muito por você, mas tudo que puder eu faço, eu estou aqui pra você hoje e todos os dias que precisar... – ele sorriu de leve.

– Tem muita coisa por trás disso, mas não posso te falar agora, isso me mata. Mas eu estaria desrespeitando algo além de mim. – franzi o cenho, confusa e ele percebendo isso mudou de assunto rapidamente. – Você fez bem esse macarrão... Pensei que não gostasse de cozinhar.

– E não gosto, mas por você eu tento e faço... Acho que na verdade você estava com fome, por isso achou o macarrão bom. – ri fraco me aproximando do mesmo e tocando sua mão de leve. – Eu não pensei que fosse tão bom na guitarra, na verdade, nunca quis enxergar isso... – confessei.

– Mas você já me viu tocar, não estou entendendo...

– É, mas na época você era um idiota e eu tinha raiva de você, na verdade te odiava... Nunca prestei atenção, pra mim qualquer coisa que vinha de você era podre. – ele pareceu ofendido.

– E agora? – passei um dos braços por sua nuca e fiz com que olhasse diretamente para mim.

– Agora você é algo que eu não poderia encontrar em ninguém, um sentimento que cresce em mim a cada dia, não sei descrever ao certo... Só sei que me faz um bem gigante e que eu não me vejo mais nenhum dia sem você, continua um idiota, mas é o meu idiota. – consegui arrancar seu primeiro sorriso realmente verdadeiro e me senti extremamente bem por isso.

Senti seu braço passar por minha cintura e nos abraçamos, nos abraçamos como nunca. Meu coração martelava em batidas aceleradas e o frio na barriga começava, era uma sensação boa, como uma experiência nova... Ou talvez um mau pressentimento.

Quando nos separamos senti o quarto escurecer um pouco, como se uma maré ruim estivesse se aproximando, de repente o frio na barriga aumentou e uma agonia cresceu em meu peito, minha respiração começava a se tornar acelerada quando de repente o telefone começou a tocar.

Brian não teve reação, permaneceu estacado no lugar, enquanto isso eu agonizava cada vez mais, um nó apertava minha garganta e minha mente tentava resolver o que acontecia com meu corpo... Um mau pressentimento rondava o quarto, a casa, a mim, e eu sentia que mais um pouco e começaria a chorar. Não tinha voz para manda-lo levantar e atender, assim, aguardamos a secretária eletrônica.

“Brian! Você não atende ao telefone há dias! Brian!” Kim parecia alterada, a voz embargada pelo choro e eu começava a embarcar num desespero.

“Brian, se você estiver me ouvindo... Matthew, ele acordou”.


Notas finais
E então? Gostaram? Espero que sim... Seguinte, quero comentários sobre esse momento histórico viu? Todo mundo tava esperando, então fantasminhas me digam se foi da forma que imaginaram kkkk
Beijos da Shadows ;*
p.s. ei gente a história já ta sincronizada com o animespirit, quem quiser acompanhar por lá vou deixar o link aqui, me adicionem também tá?
link: http://animespirit.com.br/fanfics/historia/apenas-um-pesadelo-415421