Apenas Um Pesadelo
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Para completar perdi um ente querido e não consegui mais me concentrar para nada, muito menos em escrever capítulos para fic... Ainda estou com certa dificuldade, mas por vocês estou fazendo meu máximo!
Perdoem qualquer erro ou se o capítulo ficou muito fraco, mas ta ai...
Boa leitura!
Olhei para Brian rapidamente enquanto sentia um turbilhão de sentimentos me atingirem, pulei da cama e corri para a porta do quarto, parei perto do batente e virei para trás olhando o moreno permanecer sentado na cama... Voltei.
- Nós precisamos ir ao hospital Brian, agora! – exclamei o puxando pela mão.
- Fica aqui, comigo. – pediu baixo me abraçando pela cintura.
- Não! É o Matthew, acordou, um milagre! Tudo que eu sempre quis durante esses meses... Brian, ele acordou! – dizia aquelas palavras mais para mim mesma enquanto o levava comigo para fora do quarto.
Meu coração martelava forte e apesar das ações de Brian ser totalmente estranhas nada amenizava minha alegria e emoção por saber que Matt finalmente havia acordado. Eu corria pela casa arrastando o moreno comigo até a garagem, ele se mantinha cabisbaixo, diria até um pouco triste.
- Você sabe que ele pode acordar com sequelas, certo? – perguntou enquanto dava a partida no carro.
- Não importa. – respondi segura.
Aquele poderia ser considerado o melhor dia da minha vida, os três meses de tortura tinham tido um fim, eu sabia que cada tarde gasta naquele quarto de hospital me traria uma recompensa maior e agora era a hora de recebê-la.
Todo o sofrimento fluía para fora de meu corpo, sentia-me mais leve, um peso a menos para carregar nas costas... Liberdade... estava livre para não sentir culpa, para esclarecer tudo, para viver ao lado de Matthew.
O silêncio dentro do carro pareceria amedrontador em outras situações, porém nessa se tornava necessário. Brian mantinha os olhos fixos na pista, enquanto eu divagava sobre lembranças e momentos em que estive com Matt, desde a primeira troca de olhares.
Sentia algo intenso crescer em meu peito, um sentimento novo que fazia dupla com o medo. Medo da rejeição, de que ele não me quisesse mais após todo o drama do ano passado. Eu não me arrependeria jamais de toda a luta durante esses meses, toda a lamúria e sofrimento, meu maior desejo seria realizado o desejo dele acordado.
Com o carro estacionado me preparei para sair o mais rápido possível, mas fui segurada por Brian.
- Eu não vou entrar. – afirmou engolindo em seco.
- Como assim?
- Desde o início da semana ele vem apresentando melhoras, eu já sabia e foi esse mais um dos motivos que me fez “sumir” por um tempo... Eu precisava de um tempo comigo mesmo. Mas isso não vem ao caso, o que eu quero dizer é que – não o deixei terminar, segurei sua mão forte.
- Não quero ouvir Brian, não diz nada, por favor. – implorei ao mesmo tempo em que uma terrível agonia me perseguia.
- Amanda, Matthew acordou, tudo muda agora. Não somos mais eu e você, nunca foi e nem deveria ter sido... Eu vou embora, já estou com a passagem de volta para Califórnia, você tem que seguir sua vida agora e é ao lado dele. – prendi a respiração demorando em processar as informações que me eram dadas.
- Você... Você não pode fazer isso comigo! – lágrimas grossas delineavam as maçãs de meu rosto e eu podia ver que seus olhos marejavam. – Eu não posso ficar sem você!
- Mas precisa, eu sou apenas um peso morto, servi apenas como uma válvula de escape durante todo esse tempo... Não temos nada, nunca tivemos.
Aquela última frase soava como um término de relacionamento, e eu realmente me sentia em um, porém mil vezes pior, pois dessa vez estava perdendo um amigo e pelo jeito não havia nada que podia ser feito.
- E se eu pedir pra você ficar?
- Você é o motivo de eu ir embora... Agora vá logo, prometo que não partirei sem nos despedirmos. – dizia enquanto enxugava as lágrimas em meu rosto.
Sem mais palavras o abracei forte, tão forte que sentia o ar faltar com seu aperto, Brian tinha sido tudo para mim durante os últimos meses e eu não suportava a dor de ter que deixa-lo ir, doía demais.
- Eu preciso de você. – sussurrei baixinho.
- Matthew, é dele que você precisa. – choraminguei enquanto ele me empurrava para longe. – Melhor entrar logo Mandie. – acenei com a cabeça abrindo a porta do carro.
- Não vou desistir de você. – disse antes de sair e ele pareceu negar com a cabeça enquanto um pequeno sorriso formava-se em seus lábios.
Corri para ultrapassar as portas de vidro do hospital e sem nem mesmo pedir informações andei pelos corredores, já decorados, em busca do quarto 251, torcendo para que tivessem mantido Matt lá.
Minhas expectativas foram confirmadas assim que vi Kim conversando com um médico em frente ao quarto. No mesmo minuto tornei as passadas mais rápidas e longas, sem cumprimentos entrei diretamente no quarto sendo obrigada a me apoiar na porta com mais firmeza assim que seu olhar me atingiu.
- Matthew... – seu nome escapou de meus lábios num sussurro.
Andei até ele segurando o choro e parei ao seu lado na cama, passei a mão por seu rosto sentindo a textura da macia da pele e assistindo seus olhos caminharem por meu corpo, despertando algo que eu não sentia há muito tempo.
Eu custava em acreditar que aquilo era real, difícil segurar o choro diante de tanta emoção, finalmente eu tinha tudo que sempre esperei. Todos os meses difíceis serviram de provação ao amor que sentia pelo garoto, agora eu tinha mais certeza desse sentimento, tinha certeza que sem ele eu era metade, sem ele eu era nada.
Prematuro dizer que passaria o resto da vida ao seu lado, mas era o que eu desejava; o que sentia ser o certo... Um amor tão grande que não cabia dentro do peito, que transbordava e sufocava... tanto amor que chegava a arder, amor sobrenatural talvez.
- Senti tanto a sua falta. – disse me curvando para encará-lo mais de perto, ele fechou os olhos e bufou.
Afastei-me um pouco, com certeza não era a reação que eu esperava, mas ele devia estar magoado depois de tudo e eu precisava entender isso.
- Além de tudo deixam uma vadia entrar aqui no quarto... – resmungou se remexendo na cama e eu dei um passo para trás.
- Vadia? Matt, sou eu, Amanda... Sua namorada. – em minha voz era denunciado o nervosismo.
- Namorada? – ele riu alto, olhando-me dos pés a cabeça. – Não me importa se você é Amanda, Carla, Julia... Tem que aprender que as promessas que um cara faz antes de te levar pra cama não significa que estão namorando ok? Então você pode fazer o favor de sair do meu quarto agora? — o choro preso em minha garganta já era demonstrado nas pequenas lágrimas que desciam por meu rosto.
- Eu não... Eu não acredito nisso, você não me reconhece? – solucei alto.
- Presta atenção, foi bom te comer, agora pode ir embora. – dei mais dois passos para trás indo de encontro com a parede e sentindo uma dor forte no peito.
- NÃO VOU EMBORA! – gritei desesperada e ele riu mais uma vez, porém irritado. – Você tem que se lembrar de mim, eu sei que vai!
- ENFERMEIRA! TIRA ESSA VAGABUNDA LOUCA DO MEU QUARTO! – gritava alto tirando o tronco da cama e fazendo sinais com o braço para que pudessem ver através da janela.
Cai de joelhos no chão já não suportando mais, enterrei as mãos nos cabelos puxando-os forte enquanto chorava copiosamente, doía como tudo não ser lembrada, ter sido apagada de sua mente... era insuportável.
Num segundo fui arrancada do quarto, eu não queria ver quem era. Apenas me arrastavam pela cintura enquanto eu mantinha o rosto entre as mãos chorando sem parar.
- Amanda? – a voz me despertou e eu ergui a cabeça para constar se era possível que ele estivesse ali. – Tá tudo bem... – consolou me trazendo junto de seu peito e eu me sentia ao menos segura em seu aperto.
Por um minuto chegava a considerar a ideia de Matthew em coma novamente uma benção, eu não me conformava com o fato de ter sido esquecida, como se nunca tivesse existido... Como se não fosse nada.
Sentia-me derrotada, queria sumir, desaparecer, eu apenas gostaria de regressar no tempo e modificar meus atos... Preferia um Matthew que me odiasse, a um que não se lembrasse da minha existência.
Notas finais
Espero que tenham gostado, beijos da Shadows! ;*
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