Apenas Um Pesadelo
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Boa Leitura!
p.s. roupa da Amanda e da Rafa: http://www.polyvore.com/aup/set?id=54455596
Passei o colete rendado pelos ombros e mirei-me mais uma vez no espelho... Eu parecia outra pessoa, meus cabelos em cachos largos contrastavam em harmonia com o tecido florido do top e a maquiagem no tom rosa. Com certeza vestida para arrasar.
Rafaela passava mais uma camada do gloss vermelho, apesar da simplicidade em se vestir ela continuava linda dentro do traje preto. Eu permaneceria brigando mais algumas horas com ela sobre seu sapato, mas nossa carona havia chegado.
Mamãe havia concordado em cuidar de Luna por uma noite, no outro dia eu partiria para viagem com meu pai, então a festa de Zacky seria como uma festa de “despedida” para mim... Eu ficaria longe por algumas semanas.
Os dias que antecederam o da festa ocorreram normais, visita ao Matt todas as tardes e na maioria das vezes eu passava o resto do dia na casa de Brian com os meninos ou apenas com o moreno, após toda a desconfiança ele havia se mostrado um ótimo amigo e não era tortura durar horas fritando no sofá da sala jogando videogame ou assistindo filmes sangrentos.
- Lindos! – exclamou mamãe assim que saímos do quarto, eu, Rafa e Fernando.
- Nossa ein... – murmurou Bruno envolvendo a cintura de sua namorada.
- Brian já está esperando, melhor nos apressarmos... – sugeri caminhando até a porta.
- Juízo todos viu, e vê se você aproveita filha. – assenti muda abrindo a porta e sendo seguida por meus amigos.
Como previsto o moreno já nos aguardava apoiado em seu carro, ele trajava-se num tom preto monocromático conferindo-lhe o ar sombrio enigmático de quando eu o tinha conhecido, a diferença é que agora não me causava mais medo, na verdade, pela primeira vez eu notava sua real beleza por trás de toda a armadura que ele teimava em usar.
- Ei Brian... – murmurei dando um soco leve em seu braço e ele me puxou para si afagando meus cabelos.
- Tá bonita Mandie. – meu interior ferveu ao ouvir o apelido carinhoso no tom de sua voz.
- Obrigada. – soltei num sussurro enquanto os outros já se acomodavam no banco de trás do carro.
- E a ideia de se manter sóbria durante essa noite? Confere? – ri me jogando no banco do passageiro e esperando que ele entrasse para responder.
- Sim. Acordar de ressaca pra viajar com meu pai não é a melhor opção... – ele me olhou sugestivamente como se duvidasse de minha palavra. – Que foi? Eu estou falando que não vou beber... – engasguei com uma risada no final.
- Conta outra querida! – exclamou Rafa sendo seguida pela risada geral, revirei os olhos.
- Tá, tudo bem, eu posso beber uma ou duas cervejas... No máximo três ok? – admiti me rendendo e recebendo a risada mais alta deles.
- Fica tranquila eu já falei pra sua mãe que talvez você não esteja em condições de viajar amanhã, e bom, se isso acontecer os planos estão adiados. – comentou Fe e eu o olhei brava.
- Cara, desce jeito minha mãe vai pensar que eu sou uma viciada ou qualquer coisa do tipo. – comentei rindo pelo nariz.
- Melhor ela pensar isso do que você ir mal pra viagem, todo mundo aqui sabe que você fica acabada depois de uma noitada... – concluiu o nerd fazendo jus ao apelido e eu fui obrigada a concordar com a cabeça.
- Eu acho que com meu presente você vai mudar de ideia... Fernando pega essa caixa ai no seu pé? – pediu Brian e arqueei uma das sobrancelhas imaginando alguma armação para mim.
- Se você me zoar eu te mato Haner! – ameacei apontando o dedo em seu rosto.
Segundos de tensão me atingiram, Fe passou o pacote para o motorista que o depositou sobre seu colo e logo depois deu atenção ao rádio do carro trocando a música que tocava, eu conhecia o som, mas não estava instigada a prestar atenção no que tocava, eu só queria descobrir qual era o presente misterioso.
...
- Chegamos! – despertei com a voz do garoto ao meu lado e me assustei, calculando mentalmente quanto tempo havia gastado fazendo suposições sobre o presente.
- Você não vai me dar isso? – perguntei olhando a caixa amarela mais uma vez antes de encara-lo.
- Acho melhor deixar pra depois da festa... – comprimi os lábios me soltando do cinto e abrindo a porta do carro com força, pronta para sair.
- Você é um insuportável quando quer sabia? – falei alto feito uma criança mimada pulando para fora.
- Volta aqui bebê! – exclamou numa voz aguda enquanto ria e por mais que meus nervos estivessem estourados eu voltei e sentei no banco. – Eu vou te dar o presente ok? – assenti reprimindo minha alegria e olhando rapidamente em volta, notando que o resto dos passageiros já tinha saído.
Brian colocou a caixa retangular sobre minhas pernas e eu puxei a fita de cetim branca que a envolvia, abri a tampa e puxei o que parecia ser uma garrafa junto com uns entulhos que imitavam palha... “Jack Daniel's” estava escrito em branco num rótulo branco eu vibrei dando conta do que tinha em mãos.
- Você é demais! – exclamei pulando em seu pescoço e o abraçando forte. – Nunca na minha vida pensei que ganharia uma dessas, você é tão legal Brian... – o apertei mais forte recebendo seus braços confortáveis em minha cintura e só então percebi o que estava acontecendo. – Credo, eca, o que eu estou fazendo? Desinfeta... – reclamei nos empurrando e rindo enquanto sentava em meu banco.
- Sabe, eu preferia a Amanda fofinha de agora pouco... – resmungou entediado e eu lhe dei uma cotovelada.
- Não seja um bebê chorão ok? E obrigada pela bebida... Vai ser útil em meus dias no interior. – levei a mão à maçaneta da porta abrindo-a novamente enquanto deixava meu presente embaixo do banco.
- Eu tinha certeza que ia gostar. – ouvi o guitarrista dizer antes que eu zarpasse para fora do carro.
Na entrada da casa alguns garotos fumavam e bebiam junto a algumas meninas, que se insinuavam para eles, enxerguei Jimmy saindo pela porta e corri até ele pulando em seus braços magros.
- Meu moranguinho veio! Vamos fazer sua despedida com estilo hoje! – praticamente gritou em meus ouvidos e eu ri o empurrando.
- Um dia você ainda me deixa surda tripa seca... – comentei percebendo Brian atrás de mim e dando espaço para que cumprimentasse o amigo.
Segui o caminho conhecido para dentro e tentei localizar Zacky com os olhos, um aglomerado de pessoas se juntava no centro da sala todos gritavam e faziam festa, resolvi tentar a sorte e ver se o gordo estava no meio de tantas vozes.
Espremi-me em meio aos idiotas suados e as garotas alvoroçadas para ver o que acontecia no meio daquela roda. Tive que tomar cuidado para não tropeçar no ser-humano que estava ajoelhado ali no centro enquanto despejavam algo em sua boca que estava conectada a uma mangueira grossa.
Em minutos me empurraram para a mesma posição do cara e colocaram a mangueira em minha boca, eu não tive muito tempo para processar, de relance assisti Zacky levantar do chão com os joelhos bambos e logo após a cerveja praticamente transbordava de minha boca e eu fui obrigada a engolir o líquido que era cedido.
- Amanda o que você tá fazendo ai? – ouvi Rafa gritar por um minuto e acenei com as mãos pedindo socorro. – Parem com essa merda! – gritou a morena arrancando a mangueira de minha boca e espirrando o líquido num idiota que estava sentado sobre o barril em que a mangueira estava conectada.
- Me ajuda aqui. – pedi ainda sóbria, levaria segundos para os sentidos falharem.
Apoiei-me nos ombros da garota e depois fui colocada num sofá grande cheio de almofadas, do lado estavam duas garotas com cara de nojo e Fernando no meio delas tentando manter uma conversa racional.
- Pensei que não ia beber hoje.
- E eu não ia, mas colocaram aquela coisa na minha boca... – minha língua enroscava para falar e eu me martirizava por ter consciência do tanto de álcool que tinha ingerido.
- Fica aqui, eu vou chamar alguém pra ficar com você! – acenei com a cabeça antes de afundar mais no sofá e fechar os olhos por um segundo, respirando fundo.
Então a onda veio forte e arrebatadora, de repente a música fazia sentido e eu levantei do sofá em passos incertos seguindo para onde o som fosse mais alto, eu queria dançar enquanto a sensação de torpor ainda estivesse dentro de mim.
Esbarrei numa grande muralha e dei três passos para trás rindo e encontrando Gates em minha frente.
- Isso porque falou que não ia beber. – comentou suspirando e eu ri mais alto.
- Eu não ia ok? Colocaram aquela mangueira na minha boca e se eu não bebesse...
- Você usou algum tipo de droga também? – perguntou se aproximando e verificando minhas pupilas.
- Não, eu to falando a verdade... Mas agora vamos dançar! – pedi o puxando pela mão para um lugar mais escuro onde luzes coloridas faziam a festa.
- Vamos lá pra fora, ai você toma um ar. O que acha? – perguntou em meu ouvido por conta da música alta.
- Não, aqui tá legal. Na verdade, preciso encontrar o Zacky e o Jojo. – peguei sua mão de novo e sai o arrastando pela casa. – Você sabe onde eles estão? – comprimi os olhos tentando identificar alguém dentre tantas pessoas.
- Depois nós os encontramos, agora vem, vamos beber água.
- Não cara, eu to legal ainda ok? Ali! Achei eles! – exclamei correndo em direção ao anão e o agarrando por trás.
- A rainha da festa chegou! – disse em meu ouvido enquanto nos abraçávamos o soltei e me atirei para cima de Zacky.
- Parabéns meu gordo lindo, eu amo você demais! – só fui capaz de dizer isso, pois seus braços me apertavam forte, roubando o ar.
- Obrigada loira. De presente você podia me descolar a Rafa né? Ela tá gata... – pediu manhoso nos soltando e eu ri bagunçando seus cabelos.
- Ela tá com namorado seu idiota! – ele deu de ombros fazendo bico. – Você não presta Z... Se contenta com alguma putinha da festa porque minha amiga tá de coleira hoje. – ri me apoiando em Johnny que escutava a conversa.
- Você é uma estraga prazeres ok? Podia muito bem arranjar ela pra mim, mas fica falando desse lance de namorado, tenho certeza que sou bem melhor do que qualquer gay que ela esteja junto tá? – revirei os olhos o ignorando pelo nível de álcool já existente em seu sangue.
- Mais tarde a gente conversa... – terminei antes de deixa-lo e voltar para a pista, percebendo uma sombra, ou melhor, Brian atrás de mim. – Você vai ficar me seguindo a noite inteira?
- Só estou cuidando pra que nada aconteça. – respondeu sorrindo e eu assenti apenas me movendo junto à batida da música.
Continuamos o resto da festa naquele local, Haner não me deixava por nenhum minuto o que lhe custou uma boa noitada, afinal com ele me seguindo feito um fantasma obsessor nem teve tempo de curtir com alguma garota no andar de cima... Eu dei graças por não terem me oferecido mais nenhuma bebida, com aquela quantidade exorbitante de cerveja eu já tinha ficado “feliz” o suficiente para dançar sem cansar a festa toda.
- Estou cansada... – murmurei me agarrando a camisa de Brian, ele continuou paralisado como se ainda pensasse o que faria comigo naquele estado.
- Vem cá, vou te tirar daqui. – sussurrou baixinho em meu ouvido com a voz entrecortada e eu consenti deixando que seus passos me guiassem.
Primeiro vieram as escadas, depois um corredor longo e por fim o barulho de porta fechando, eu não tinha visto nada, pois no meio do caminho Brian tinha me pego em seus braços.
Senti o colchão macio em minhas costas e arrastei até os travesseiros colocando a cabeça sobre um e sorrindo enquanto fechava os olhos, o espaço vazio afundou ao meu lado eu virei o corpo em direção ao do moreno, abrindo os olhos e o encarando.
- Você sabe ser um bom amigo... Pensei que não servia pra esse tipo de coisa. – ri fraco passando a mão em seu rosto e entrelaçando meus dedos em seus cabelos. – Por que o Matt nunca quis me deixar ser sua amiga? Por que ele não era seu amigo? – eu tinha tantas incógnitas rondando meu pensamento, e parecia que uma noite não esclarecia a todas.
- Tem muita coisa que você não sabe, e nem precisa saber... Vou resumir assim, eu subestimei meu irmão, e tudo que ele queria era proteger o que tinha com essa garota maravilhosa ao meu lado. – corei com o elogio levando o olhar para ponta da cama.
- Quando ele acordar você ainda vai ser meu amigo? – perguntei receosa agarrando o colarinho de sua camisa em minha outra mão.
- Claro que vou, sempre... – suspirei relaxada, me aproximei mais do mesmo e deitei a cabeça sobre seu peito.
- Tudo bem se eu dormir um pouco agora né?
- Dorme tranquila... – concedeu-me a voz que sabe tudo e eu deixei os olhos fecharem.
Meu sono era inundado pelas batidas suaves que o coração do meu travesseiro fazia, o cheiro forte de tabaco e perfume era como a essência que faltava para bons sonhos, e eu me sentia completamente segura dentro daquele pequeno quarto com meu “ex” pior inimigo.
Notas finais
p.s.Os reviews do capítulo passado responderei a noite está bem?
Beeeijos ;**
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