Apenas Um Pesadelo
10 Capítulo 9
Notas iniciais
p.s. roupa da Amanda:http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=55786093
p.s.2 LEIAM AS NOTAS FINAIS!
O dia tinha começado ruim, Brian havia me acordado mais cedo do que devia e eu não estava muito bem... Não era como todas as outras ressacas que tive, mas ainda assim meu corpo doía.
Estávamos em frente ao condomínio, todos já tinham entrado restava apenas eu e o moreno dentro do carro. Por algum motivo eu precisava de mais um tempo para a longa despedida queria me certificar de que aquele Brian meu amigo de agora ainda estaria presente quando eu voltasse de viagem.
- Vai me ligar todos os dias? – perguntei me aproximando de seu corpo e segurando a ponta de sua jaqueta entre os dedos.
- Vou sim, porque se depender de você para ter notícias, fico sem. – ele revirou os olhos e eu ri fraco apoiando uma das mãos em sua perna e me aproximando mais.
- Eu prometo que ligo também... – suspirei me afastando.
- Fica tranquila, eu vou continuar visitando Matthew todos os dias e... – o interrompi desenrolando de uma vez o que queria dizer.
- Não é isso. Eu, eu só quero que você prometa que vai continuar o mesmo quando eu voltar... Porque eu gosto tanto de você agora Bri e... – suspirei meneando com a cabeça e senti seus dedos na base de meu rosto o acariciando de leve e o erguendo para que eu o encarasse.
- Eu também gosto de você Amanda, sempre gostei. – admitiu sorrindo e eu corei levemente. – Nada vai mudar, eu prometo. – o nó em minha garganta aliviou após sua última palavra, agora eu tinha certeza que nada mudaria.
- Tá bom, então eu vou indo... – peguei meu presente embaixo do banco e abri a porta do carro saindo.
Esperei que o moreno saísse do carro, ele tinha a mania de querer me deixar em frente ao portão, e logo estava postado ao meu lado, passando o braço por meus ombros e nos dirigindo ao lugar.
Preparei-me para despedir-me como das outras vezes, numa troca de beijos no rosto, mas ele me surpreendeu. O garoto me envolveu num abraço apertado e tudo que pude fazer foi corresponder, seus braços apertavam minha cintura num gesto de carinho primordial e eu sentia sua respiração entre meus cabelos.
- Eu sei que você odeia isso, mas eu não podia deixar você viajar sem te irritar um pouco. – sussurrou em meu ouvido nos soltando devagar e eu rolei os olhos sorrindo.
- Tudo bem, abraços de despedida eu até posso aturar... – comentei dando de ombros.
- Acho que é isso então, se cuida viu... Qualquer coisa sabe meu número. – assenti com a cabeça e ele depositou um beijo em minha testa.
- Tchau Syn. – murmurei baixinho antes de abrir o portão e entrar acenando de longe para ele que já partia para dentro do carro.
A cada passo que me aproximava de casa meu coração se comprimia, eu apertava a embalagem do presente em minhas mãos deixando a ponta dos dedos num tom esbranquiçado e parecia que minhas pernas tremiam a cada passo. Eu não queria viajar, eu não queria ficar longe dos meus amigos, longe de Brian.
Estava a um passo da porta e resolvi permanecer mais alguns minutos ali na tentativa de me acalmar, o tremor com o tempo foi passando e percebi que enfim tinha parado de apertar o que tinha nas mãos, eu poderia entrar e fingir que estava “bem”.
- Vai viajar hoje? – perguntou mamãe assim que entrei e tomei um susto com sua presença.
- Nossa mãe não faz mais isso... – pedi ofegante colocando a mão sobre o peito. – Mas então, vou sim, só preciso colocar mais uma coisa na mala.
- Ganhou presente? – perguntou apontando para a caixa amarela e imediatamente desviei de seu campo de visão, sabendo que só assim conseguiria que a mentira passasse despercebida.
- Aham, nada demais, umas cartinhas dos garotos... – comentei seguindo para o quarto o mais rápido possível.
Lá dentro estavam Rafa, Bruno e Fernando, a morena em sua cama ressonava tranquilamente, seu namorado estava deitado no colchão de Fe com o rosto enfiado debaixo da cama e o nerd deitado em minha cama com um livro nas mãos.
- Você nunca cansa de ler? – perguntei já retirando os sapatos e os jogando num canto.
- Nunca. – disse me olhando rapidamente antes de voltar sua atenção a leitura.
- Olha o que eu ganhei do Brian... – iniciei revelando apenas metade da garrafa e ele revirou os olhos. – Ei, precisamos comemorar o ano novo naquele fim de mundo né?
- Vamos viajar hoje? – perguntou metodicamente sem tirar atenção do que lia.
- Sim! – exclamei fingindo animação.
- Você é tão falsa às vezes... – comentou rindo pelo nariz e eu joguei a cabeça para trás.
- Está tão na cara?
- Que você não quer ir nessa viagem? Sim. – bufei irritada e me arrastei até a cama sentando ao seu lado.
- Eu não quero mesmo, todos meus amigos aqui e eu vou ter que ficar trancada numa casa no meio do mato. – um bico fez-se em meus lábios aumentando a risada de Fernando.
- Para de agir feito uma criancinha, você nem conhece o lugar... Talvez seja legal.
- Legal pra você que vai ficar com a cabeça dentro de algum livro! Eu juro que se você não ficar entediado comigo eu vou te bater tá? – ele riu mais uma vez me empurrando de leve e logo depois me juntando para um abraço.
- E eu finjo que sinto dor... – soquei seu ombro fazendo-o pronunciar um “ai” sonoro.
- Acho que você não vai precisar fingir. – conclui levantando e seguindo para minha mala que já estava pronta.
Coloquei a garrafa lá dentro, e fui à procura de meu diário para anotar o começo do dia de hoje, alcancei a agenda preta com detalhes dourado e sentei-me num canto isolado perto do berço de Luna a fim de começar minha escrita.
Dia 12 de Dezembro
Mais um dia pela frente...
Acordei um pouco ruim hoje, a festa do Zacky foi até legal, eu não bebi tanto quanto você está acostumado a me ver bêbada, mas consegui ficar alegre e bastou para eu acordar com dores no corpo. Você sempre disse que eu era fraca para bebida, e agora eu posso concordar.
Hoje eu vou viajar com meu pai, confesso que não estou nem um pouco animada, até porque não queria deixar os garotos aqui e me enfiar no meio do mato não é algo legal, e principalmente, porque não queria deixar de te visitar... Mas eu já disse mais e mil vezes aqui que todos estão praticamente me obrigando a viajar pra esse fim de mundo, e você sabe o quanto eu odeio que me obriguem.
Não sei quantas horas terei que aturar dentro do carro fervente, e provavelmente vou tomar algum remédio para dormir... E é nessas horas que eu me pego pensando o quanto seria bom ter você aqui comigo, eu não precisaria viajar, nós estaríamos juntos fazendo algo mais interessante.
Sinto tanto sua falta, a cada dia aumenta mais, eu não deixo mais que os outros saibam o poder que sua ausência exerce sobre mim, até porque tempo atrás em que me mantive praticamente como uma depressiva, todos enchiam minha cabeça... Além do mais, eu não podia simplesmente continuar daquele jeito, não era bom pra mim, pra ninguém e eu sabia que você não gostaria de me ver daquele jeito.
Mas dentro de mim eu sei que nada é igual sem você e
Fechei o diário rapidamente ao ouvir a porta se abrindo, era mamãe trazendo uma jaqueta de moletom minha nas mãos. Olhei para Fernando de soslaio e notei que o idiota ria de meu desespero. Apenas ele e Rafaela sabiam que eu escrevia nesse meu diário, nunca quis que mamãe soubesse, porque ela provavelmente surtaria e iria querer saber o que estava escrito nele.
- Você esqueceu essa jaqueta sua, melhor levar, no interior a noite faz frio. – peguei a peça de suas mãos e andei até a mala já aberta colocando a jaqueta ali.
- Obrigada.
- Seu pai me ligou e disse que passará aqui daqui uma hora, é bom que vocês se arrumem. – assenti com a cabeça enquanto esperava ela sair para guardar a agenda em minhas mãos.
Enfiei o diário com a caneta entre as roupas e fechei a mala, ainda suspirava pelo ocorrido e vi que Fernando colocava alguns livros em sua mochila. Decidi tomar banho, afinal a viagem seria longa e eu ainda sentia o aroma da noite passada grudado em minha pele.
Após o banho vesti uma regata que continha a cabeça de um tigre estampada, short e tênis... não queria me arrumar muito, por isso arrumei o cabelo num coque e acrescentei poucos acessórios, além de um gloss nude nos lábios.
Fernando estava impecável sentando num dos sofás da sala com a mochila a seu lado e minha mala em seus pés, sorri agradecendo mentalmente por meu amigo ser tão prestativo.
Sentei ao seu lado e liguei a televisão, coloquei num canal para crianças, passava um daqueles desenhos legais que nunca conseguimos deixar de assistir e permaneci na mesma posição até o telefone anunciar a chegada de meu pai.
Corri no quarto pulando em cima de Rafaela a assustando.
- Sai de cima de mim piranha! – exclamou me jogando para o lado e eu ri.
- To indo embora Rafa, vim me despedir... Você vai pra casa dos seus pais esse ano? – perguntei a cutucando para que não dormisse.
- Vou... no final dessa semana.
- Tá bom, eu te ligo! – ela assentiu grogue e eu a abracei forte enforcando-a de propósito e sendo enxotada da cama.
Segui o caminho até Bruno e me joguei em cima dele o acordando também.
- O que aconteceu? – perguntou com um olho aberto e outro fechado.
- Vim falar tchau... – beijei sua bochecha e o apertei num abraço leve antes de levantar e sair andando.
Provavelmente ele não se lembraria direito do ocorrido, mas mesmo assim, não suportava partir para uma viagem sem antes me despedir de todas as pessoas... Os garotos tinham se irritado quando eu acordei a todos pela manhã antes de sair da casa de Jimmy, eu fiz todos se despedirem.
- Por que você não escolheu fazer despedidas antes? – indagou mamãe nos guiando para a porta.
- Ai, foda-se meu pai espera. – murmurei rabugenta antes de nos abraçarmos.
- Toma cuidado, e eu te ligo... – nos soltamos e eu sorri enquanto ela e meu amigo se despediam.
Aproveitei o meio tempo para apertar o botão do elevador e logo ele tinha chegado em meu andar...
- Tenta melhorar essa cara, seu pai só está tentando fazer a coisa certa. – aconselhou Fernando quando já estávamos perto da portaria.
- Eu sei... Vou tentar. – sorri para o garoto antes de sairmos pelo portão.
Papai veio me receber num abraço caloroso e logo em seguida sua esposa, nesses últimos tempos eu tinha começado a gostar dela...
- Tata! – ouvi a voz conhecida me chamar e agachei para receber o baixinho em meus braços.
- Senti sua falta bebe! – murmurei ainda abraçada a meu irmão.
- Vamos! A gente vai viajar! – exclamou em meu ouvido me puxando fazendo com que eu caísse de quatro no chão.
Olhei para trás e todos riam de meu estado, acabei entrando no clima e sentei no chão rindo também, Fe estendeu a mão para me ajudar ignorando as objeções de meu pai sobre deixar eu jogada no chão.
Os dois já tinham grande intimidade desde as vezes que levei Fe para passar alguns fins de semanas comigo na casa de meu pai. Enquanto eu permanecia em meu estado catatônico ele e meu pai se divertiam.
- Melhor irmos, temos um longo caminho pela frente. – disse o mais velho enquanto guardava as bagagens no porta-malas.
- Onde fica exatamente esse lugar no interior? – perguntei entrando no carro e sendo seguida por meu irmão e Fernando, respectivamente.
- Digamos que é bem longe daqui, é meio isolado tudo mais, é um sítio com piscina! – exclamou animado e eu vi a esposa menear com a cabeça e logo após rebater.
- Eu falei pro seu pai não levar a gente no meio do nada, mas ele está convicto de que precisamos de algumas semanas sem contato com o mundo exterior. – ouvi o motor do carro roncar ao mesmo tempo em que meu coração acelerava surpreso.
- Sem contato com o mundo exterior você quer dizer...?
- Não tem sinal lá, não dá pra falar no celular, não tem telefone... Nenhuma alma viva! – ela parecia inconformada e eu fiquei mais ainda.
- Você ficou louco? Vai levar a gente pra morte? Se um psicopata aparecer lá e quiser matar a gente, como faz? Não tem como chamar a polícia... – eu fazia meu pequeno show sobre assassinos, mas no fundo minha real preocupação era não saber sobre o estado de Matt todos os dias.
- É um risco que vamos correr... – murmurou o homem acelerando para passar no farol verde e eu suspirei sentindo meu coração apertar.
- Eu não quero ir mais, eu não vou... Não posso ficar sem notícias do Matthew! – ele freou bruscamente e só então eu notei o trânsito que se formava.
- Você vai Amanda! Agora sou eu fazendo meu papel de pai e obrigando você ir. – seu tom era incontestável e eu resolvi não teimar, havia brigado poucas vezes com meu pai e preferia continuar desse modo.
- Eu não vou esquecer isso. – resmunguei baixo com o ódio extravasando pelos poros e lancei meu melhor olhar rancoroso pelo retrovisor ele fingiu não ver e ligou o rádio.
Tirei a pequena cartela de comprimidos para dormir, que havia roubado de minha mãe, do bolso e destaquei um sem que ninguém visse, o colocando na boca e engolindo de uma vez. Eu pretendia toma-lo quando chegássemos à estrada, mas após esse atrito com meu pai preferi tomar antes e evitar que ficasse mais irritada.
Eu já conhecia o efeito do remédio e em pouco tempo minha cabeça já havia tombado no banco e os olhos fechavam sozinhos, e eu apaguei...
Notas finais
Primeiro: queria divulgar minha fic nova em parceria com a CrazyGates é uma coleção de shoots bdsm, espero vocês lá também! O link: http://www.fanfiction.com.br/historia/250849/Submission/
Segundo: estou devendo responder os reviews do capítulo 7 e 8 vou responder todos hoje sem falta ok!
É isso, espero todas vocês nos reviews! Gostaram do capítulo? Beijos
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