Notas iniciais
Ooooooooi! Então, como vocês podem ver, o capítulo chegou beeem mais rápido dessa vez né? Mesmo sem tempo os reviews de vocês me animaram a escrever kkk, dá pra ver que comentários realmente são importantes né? Mas é isso, espero que gostem!
Boa Leitura!

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Adormeci rapidamente após minha conversa com Fernando e dessa vez sem sonhos ou nenhum Matthew me assombrando, acordei quando passava das 14h e aflita pulei para fora da cama correndo direto ao banheiro. Ao sair a surpresa...

Brian estava sentado num dos sofás, mamãe mexia em algo na cozinha e Fernando não estava em meu campo de visão, só sei que meu olhar parou demoradamente sobre o do moreno que mirou demoradamente a blusa em meu corpo, ele engoliu em seco e eu não soube interpretar aquela reação. Fiz sinal com a cabeça para que ele me seguisse.

– O que você está fazendo aqui? – perguntei num tom moderado assim que o ouvi encostar a porta do meu quarto.

– Eu vim te buscar para irmos ao hospital, como vi que não estava lá embaixo, interfonei e sua mãe mandou que eu subisse. – respirei fundo me virando para encara-lo.

– Não sei se quero ir ao hospital hoje... – murmurei antes de me sentar aos pés da cama, a verdade é que eu ainda estava traumatizada pelo sonho, e pelo suposto “fantasma”.

– Tá tudo bem? – perguntou parecendo realmente preocupado, meneei com a cabeça antes de responder.

– Só estou meio cansada... – ele soltou um riso debochado me despertando.

– Já te vi em dias piores e mesmo assim você quis ir visitar meu irmão, se você quiser conver... – ele ia terminar a frase, mas se conteve. – Melhor eu ir então, já que você não vai.

Mas por algum motivo ele permaneceu ali, diante de mim, me olhando como quem não quer nada. Mesmo eu sabendo que no fundo aquela atitude queria dizer “Se quiser conversar ainda, to aqui”, mas eu não ia falar com ele sobre o fantasma do irmão, se eu já me achava louca por ter visto aquilo imagine o que ele pensaria.

Divagava ainda presa em seu olhar quando ouvi o movimento de seus calcanhares e o vi se virar de saída para a porta...

– Não! – exclamei o assustando e pondo a mão sobre a boca após meu protesto. – Quer dizer, eu acho que vou ao hospital se não for te atrasar em nada e... – minha voz tremia indicando o quão nervosa eu estava.

– Me atrasar? – ele sorriu como se desacreditasse em minha afirmação. – Eu não tenho mais compromisso com ninguém, o máximo que você pode me atrasar é do meu encontro com a bebida em casa... – seu comentário me partiu ao meio, apesar do tom frio em suas palavras eu enxergava a pontada de dor que ele teimava em esconder.

– Eu vou só trocar de calça, já volto. – ele fez um sinal com a cabeça e eu me apressei para o banheiro com o jeans nas mãos.

Prendi os cabelos num rabo e joguei um punhado de água no rosto a fim de me livrar da expressão morta, minhas pernas protestavam em sair de casa, meu corpo todo queria se agarrar ao travesseiro e permanecer no lar. Eu sabia que provavelmente entraria em pânico ao ver Matthew sobre aquela cama, mas mesmo assim tinha a obrigação sobre meus ombros gritando em meu ouvido para que eu me mexesse e fosse cumprir o que devia.

– Mãe eu vou indo ok? Qualquer coisa você tem o meu celular. – beijei sua bochecha enquanto Brian já me aguardava na porta de entrada, pelo jeito ela não tinha gostado muito dele.

Seguimos em silêncio para o carro, e quando chegamos à máquina preta me segurei antes de entrar. Eu sabia que uma vez sentada no banco teria que seguir viagem, e sabia que o destino dessa “viagem” não me agradava, não no momento.

– Você vem ou não? – perguntou o moreno gritando de sua janela que já estava aberta.

Acabei me lançando para dentro do carro e permaneci calada e petrificada o resto do caminho, era provável que alguém me lembrasse de respirar, porque a cada quadra percorrida ficava mais difícil.

Creio que seria exagero dizer que eu tive um colapso emocional assim que avistei a famosa fachada, e uma ambulância chegando logo em seguida com as sirenes ligadas... O incrível é que por mais que eu quisesse não conseguia me mover, era como se eu estivesse grudada ao banco.

– Eu... eu... eu não quero entrar ai. – confessei sem olhar o que estava ao meu lado.

– Você está passando mal ou algo do tipo? – indagou estalando os dedos diante de minha face que continuava sem expressão e voltada para frente.

– Só me leva embora daqui, por favor. – pedi baixinho e logo ouvi o motor do carro, estávamos nos movendo...

Eu queria gritar, brigar comigo mesma pela minha reação espontânea e infantil, me sentia arrependida e uma parte de mim queria pedir para Brian voltar ao hospital, mas a outra, predominante, resolveu ficar em silêncio e apenas observar o fluxo do trânsito nas ruas. Nem sei bem como, nem que caminho ele fez, mas quando percebi o carro estacionava na famosa garagem que eu não visitava há tempos.

Automaticamente sai do carro e o segui pelas escadas que guiavam a cozinha, ele ficou por ali observando meus movimentos estranhos que me levaram para a sala.

Assim que sentei no sofá me dei conta que estava agindo feito louca e realmente eu não estava no meu estado normal, eu não devia ter saído de casa, muito menos não ter visitado Matt... Quanto mais eu tentava achar a solução dessa loucura em que estava vivendo, mais confusa ficava.

– Amanda? Amanda? – a voz de Brian praticamente gritava em meu ouvido e só então despertei do transe. – Você tá pálida... Está se sentindo bem?

Meu estômago revirava e sabendo que a qualquer minuto poderia vomitar, levantei para correr até o banheiro, porém uma forte tontura me atingiu e eu cai de joelhos no chão.

– Eu acho que vou desmaiar. – sussurrei enquanto tentava me erguer do chão.

– Não, não vai. – o ouvi determinado atrás de mim e logo eu era colocada sobre o sofá.

Tudo a minha volta rodava, devia ser mais uma súbita queda de pressão.

Num borrão Brian voltou, trouxe consigo o que deveria ser uma toalha molhada colocou sobre minha testa enquanto fazia sinais e se comunicava, ou pelo menos tentava se comunicar comigo.

Aos poucos fui recuperando os sentidos e só então percebi que ele assoprava meu rosto, fazendo cócegas, foi impossível evitar a risada fraca e vi que toda sua preocupação diminuiu após meu gesto.

– Você não desmaiou. – comentou se levantando e eu diria que a frase saiu num tom de se gabar.

– Obrigada? – não sabia se devia agradecer por aquilo, mas ele riu descontraído.

– Não por isso. – então ele desapareceu de minha vista e eu respirei aliviada.

Após meu breve “quase-desmaio” tudo se tornou mais claro, eu ainda não tinha forças suficientes para levantar, mas sabia que quando tivesse iria parar no quarto de Matthew, eu ainda estava com medo, mas sabia que continuar desse jeito não seria bom para mim.

– Eu trouxe um pouco de água, acho que vai ajudar. – disse me entregando o copo enquanto eu juntava as poucas forças para me sentar.

Ri lembrando que antes Matthew não tinha água em casa, pelo jeito Brian não era desse tipo, mas eu duvidava que ele tomasse água frequentemente sua bebida diária deveria ser uma bela garrafa de cerveja.

– Por que você está fazendo tudo isso por mim? – perguntei meio que impensadamente e vi sua expressão mudar, ele tinha tomado um susto, ou se ofendido, não sei ao certo dizer.

– Digamos que eu não sou o monstro que aparento ser. – respondeu breve desviando o olhar para a mesa de centro da sala. – Eu já fiz muita coisa errada nessa vida, e eu já errei muito com você... Estou tentando me redimir. – engoli em seco com suas palavras, era difícil acreditar em tal declaração.

– Não estou entendendo a parte de ter errado comigo... – ele me olhou de canto com seu famoso sorriso que mais escondia do que mostrava.

– Há muita coisa que você ainda não sabe Amanda, e provavelmente nem saberá. – se fosse outra pessoa eu já estaria lotando de perguntas e torturando-a para que me revelasse essas “coisas”...

– Você também se sente culpado pelo seu irmão? – as perguntas fluíam fáceis e só depois de fazê-las que eu me dava conta de que Haner estava em minha frente.

– De certa forma sim... – ele me olhou rapidamente antes de voltar-se a mesinha novamente. – Eu não quis acreditar em quem ele era, ou melhor, em quem ele tinha se tornado... e trouxe todos os problemas de volta. – agora eu realmente não entendia nada, era mais como se ele estivesse falando sozinho.

Depois disso o silêncio predominou e ao passar dos minutos eu já me sentia melhor e “curada”, num dado momento levantei cautelosa e fui para o corredor com destino ao quarto de Matt.

Abri a porta aspirando toda sua essência de lá de dentro, o quarto estava perfeitamente arrumado o que saia um pouco da realidade já que ele nunca tinha se preocupado em deixar os lençóis e edredom esticados. Andei até seu armário, abrindo a porta do meio e dedilhando cada uma de suas camisetas perfeitamente dobradas... Não havia conjunto de cores, parecia mais uma massa negra de tecidos, era possível encontrar algo branco ou cinza em meio a tanto preto, mas impossível encontrar um colorido.

Agarrei uma de suas camisetas entre as mãos e levei ao nariz, aspirando o cheiro e fechando os olhos, relembrando cada momento vivido naquele quarto... Parecia cena de filme, aquelas cenas em que o mocinho vai embora por algum motivo e mocinha fica relembrando ele e para completar a “cena”... O vilão.

Surpreendi-me ao ver Brian recostado ao batente da porta me observando, não sei quanto tempo permaneci tentando decifrar seu olhar, o moreno era uma cripta inexistente a olho nu, nem mil pesquisadores seriam capazes de desvendar os segredos que ele escondia. De certa forma isso me instigava... o fato de não saber o que ele pensava, de não reconhecer exatamente cada um de seus sorrisos e o significado escondido por trás de uma simples palavra... Ele era um enigma.

– Acho melhor eu ir pra casa. – sugeri quase num sussurro enquanto guardava a blusa no local em que havia pegado.

– Eu te levo. – ele sorriu doce e fez um sinal com a cabeça para que eu o seguisse fora do quarto.

No meio do caminho seu celular tocou e ele se afastou para atender, fiquei no corredor esperando sua volta, o que não demorou a acontecer... E quando o vi consegui definir a expressão em seu rosto com apenas uma palavra: devastado. Sim ele parecia realmente devastado.

– Aconteceu alguma coisa? – perguntei já pensando se poderia o assunto haver com Matthew.

– Há um mês não tenho mais notícias da Bruna é como se ela tivesse sumido do mapa... – disse respirando pesadamente como se tirasse um peso de seus ombros. – E eu nem sei por que estou te dizendo isso, mas é que... – o interrompi bruscamente.

– Você gosta bastante dela né? – ele me olhou rapidamente enquanto eu me encostava à parede.

– É, mas você... Você não entenderia. – sua voz saia tão baixa que era quase impossível ouvir a agonia de suas palavras.

– Se você não me contar eu não vou entender mesmo. – por algum motivo eu queria ajuda-lo, um motivo ainda oculto.

– Bruna é minha prima. – abri a boca num “o” eu realmente estava chocada.

– Nossa... mas como isso? – minha pergunta não tinha sido coerente e ele percebeu isso.

– Longa história. – resmungou dando de ombros como se já tivesse se recuperado do baque inicial.

– Eu sinto muito. – foi o que consegui balbuciar.

– Tudo bem, já estou acostumado... ela sempre volta. – pude enxergar um pequeno sorriso se acumular na borda de seus lábios.

– Brian você se importaria se eu dormisse aqui hoje? – perguntei logo me questionando internamente.

Há dois minutos eu queria ir embora, e depois queria dormir ali, na cama de Matthew para falar a verdade. Se eu estava começando a me achar louca agora sentia a insanidade tomando conta de mim por inteiro, porque por mais que eu tentasse achar uma explicação para essa mudança repentina de estado, eu não conseguia.

– Hum, problema nenhum. – concluiu enfiando as mãos no bolso enquanto eu pegava meu celular e discava para minha mãe.

Não foi difícil convence-la ainda mais depois que concordei de ir ao médico no dia seguinte se ela me deixasse dormir fora. Com minha mãe sempre dava certo chantagem, ou qualquer coisa que envolvesse uma troca. O pior seria encarar o psiquiatra no dia seguinte.

Bocejei cansada, apesar de ter dormido algumas horas quando Fe chegou em casa mais cedo, o sono ainda me perturbava. Olhei para Brian que continuava com a mesma expressão, eu o julgaria uma pessoa sem emoções se não o sentisse tão envolvido em momentos como o de Bruna que tinha acontecido a pouco.

– Acho que eu já vou indo pra cama de qualquer forma.

– Ok, se ficar com fome deve ter algo na geladeira... – assenti muda me dirigindo ao quarto e entrando nele.

– Boa noite. – dentre seus lábios vi um sussurro dissipar algo como “durma bem”.

Deixei a porta entreaberta e fui direto para a cama. Meu corpo inteiro doía, parecia que eu tinha ido a uma luta ou algo do tipo...

Faltava pouco para dormir quando lembrei que havia passado o dia todo sem comer nada, mas eu estava sem fome e sabia que se comesse qualquer coisa acabaria vomitando. Optei apenas por agarrar mais o edredom de Matthew e seus travesseiros e entregar-me ao mundo da inconsciência.

Pela primeira vez eu havia adormecido sem ficar me torturando em pensamentos com relação à Mattie; pela primeira vez em três meses eu não havia me deprimido antes de dormir pensando no garoto adormecido. Só esperava que esse mesmo garoto não me perturbasse durante a noite.


Notas finais
Creio que vocês devem estar meio confusos do outro lado da telinha né? Mas calma, muita calma, logo tudo se ajeita ok? E ah, perdoem qualquer erro eu revisei umas duas vezes o capítulo, mas nunca se sabe né? Beeeeeijos garotas, espero vocês nos reviews!