Notas iniciais
OOOOOi gente! Tudo bem com vocês? Então eu sei que eu demorei, mas eu acho que devo explicações então la vai... Eu estava com o começo desse capítulo preparado desde que postei o 3º, e eu sabia exatamente o que ia acontecer nele, mas sabe quando você não encontra as palavras e expressões certas? Pois é, foi isso que aconteceu... Acho que foi um espécie de bloqueio né? Bom, o importante é que o capítulo está ai!
Boa Leitura!

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Acordei sendo chacoalhada por Brian enquanto gritava estridente sem motivo, minha primeira reação foi desatar em choro... O pânico preenchia meu peito e eu não sabia o porquê disso. Chorava copiosamente e entre as lágrimas podia ver o moreno retido, sem saber o que fazer comigo naquele estado, seu lado solidário resolveu aparecer e logo eu era acorrentada nos grandes braços.

Ele me deixou chorar, não sei quanto tempo ao certo, apenas sei que quando toda a aflição saiu de mim eu continuei agarrada ao mesmo sem querer sair daquele aperto. Pela primeira vez eu me sentia segura ao lado de Brian, seus braços pareciam uma muralha gigante que me defenderia de qualquer um que tentasse fazer algo ruim.

- Quer conversar sobre o que aconteceu? – perguntou afrouxando os braços a minha volta.

Permaneci um tempo quieta lembrando o decorrer da noite, nenhum sonho ou pesadelo me vinha em mente e eu começava a considerar o fato de acordar gritando mais uma de minhas loucuras.

- Eu não sei, eu... Eu acordei gritando. – respondi atordoada enquanto me afastava do mesmo, ainda anestesiada por seu perfume não identificado.

- Teve um pesadelo? – neguei com a cabeça. – Estranho. – concluiu pensativo e enquanto eu me ajeitava na cama.

- Te acordei?

- Na verdade não, já é mais de meio-dia estou acordado desde as dez. – ele sorriu me confortando, porém seus olhos inchados indicavam o contrário do que tinha dito.

- Fodeu! – exclamei pulando da cama e correndo para o banheiro.

- O que foi? – ele me seguiu e viu enquanto eu tentava achar a nécessaire que tinha trazido para a casa de Matt.

- Meu médico é ás 13h30... Minha mãe com certeza vai passar aqui mais cedo e eu ainda não vou estar pronta. – apoiei a cabeça no mármore da pia, senti seus dedos dedilhando minha coluna, quase me provocando um arrepio.

- Calma, se ela chegar mais cedo digo que está se arrumando... – sua voz pacificou o ambiente e eu quase cai aos seus pés com o tremor que passou por minhas pernas.

Apenas sai do transe quando ouvi a porta do quarto bater, endireitei a coluna e vi a nécessaire brilhar sobre a prateleira em frente ao espelho... Ela estava bem a minha frente e eu ainda não tinha notado.

Entrei no chuveiro para um banho rápido, e depois, ainda enrolada na toalha aproveitei para escovar os dentes e pensar no que faria com meu cabelo molhado... Penteei-os para trás e prendi com duas presilhas que encontrei em minhas coisas.

As roupas... usei as mesmas, exceto pela camisa, peguei uma das menores de Matt que ainda parecia uma camisola em mim. Não dei importância, enfiei o celular no bolso, arrumei a cama e sai do quarto.

Da sala podia se sentir o cheiro de comida, sorri pensando na cena de Brian cozinhando se caso isso realmente tivesse acontecendo eu zeraria meus conceitos sobre ele e passaria a acreditar que realmente havia um cavalheiro por trás da capa em que ele se escondia.

Segui silenciosa para a cozinha e me escorei ao batente quando vi a cena...

O moreno estava apenas com uma bermuda jeans, mexendo em uma frigideira sobre o fogão, seus braços e costas expostos eram um real chamariz para qualquer garota que visse. E eu quase parei de respirar quando o mesmo se virou para mim exibindo um enorme sorriso.

- Omelete é uma das únicas coisas que eu sei fazer que não fica tão ruim... Espero que goste. – demorei em processar suas palavras.

Aquele realmente era o Haner? O Haner que tinha em jurado de morte há meses? Aquele por quem eu temia até a sombra? Era ele mesmo?

- Chega dessa merda! –exclamei alto o assustando enquanto ele terminava de colocar a omelete num prato. – Você vai falar pra mim agora porque está agindo assim! E eu estou falando sério... – meu tom falhava ao encontrar os olhos do outro.

- Você é impossível sabia? Bem que o Matt disse que não era como as outras... – ele sorriu com a última frase e eu me aproximei do mesmo com um olhar incisivo. – Acontece baby, que certas coisas nessa vida não se devem ser ditas.

- Se você realmente está tentando manter uma relação ao menos “boa” comigo, é melhor que diga logo essas “certas coisas”. – apertei forte a mão em punho, eu começava a ficar com raiva.

- Preste bem atenção porque eu só vou dizer uma vez... – dessa vez ele se aproximou e eu quase dei um passo para trás se sua mão não tivesse me segurado no lugar pelo pulso. – Eu sou um fodido na vida ok? Já fiz muita, mas muita merda, então se eu estou tentando ser no mínimo gentil com você é porque o filha da puta do meu irmão fez questão de arrumar uma namoradinha... Eu só acho que pro seu bem, você devia apenas deixar todas as suas “dúvidas” de lado, e encarar o fato de que eu não estou querendo matar você por enquanto. – um sorriso sádico brotou em seus lábios, engoli em seco.

- Eu não tenho medo de você. – murmurei com os lábios trêmulos.

- Que bom! Afinal, bons amigos não temem um ao outro certo? – logo sua figura pacífica de olhar encantador estava de volta, e eu ainda presa nas orbes pretas apenas assenti com a cabeça.

Dei as costas para o mesmo me recuperando do breve confronto... O prato com o omelete bem feito apareceu em minha frente, eu recusaria em outras ocasiões, mas o cheiro que ele emanava era tão bom...

- Eu realmente quero ser amigo. – sussurrou em meu ouvido antes de me deixar a sós na cozinha.

De repente eu tinha dois ideais em minha mente: o primeiro do Brian que eu realmente conhecia; o frio e calculista (vulgo meu pior inimigo) que tinha praticamente me estrangulado meses atrás... E o segundo Haner; gentil, amigável e disposto a mover céus e mares... tudo apenas pela minha amizade.

Um grande ponto de interrogação me preenchia e a dúvida era: Em qual dos “dois” supostos Brian’s eu deveria acreditar?

Meditei sobre isso enquanto comia o omelete, que por sinal, estava delicioso... Acabei concluindo que talvez ele realmente estivesse tentando se redimir, e mesmo se não fosse isso, pelo menos eu teria alguém que conversasse comigo sem me perguntar a toda hora se eu estou bem.

Acho que na realidade Brian é único que agiria “normal” comigo, afinal, ele não faz questão de saber como estou... O único que nunca se importou com o fato de eu sofrer pelo seu irmão.

Talvez eu realmente precisasse dessa nova “amizade”.

Quando terminei meu raciocínio já tinha lavado a louça e notei que pelo relógio minha mãe chegaria a qualquer hora, ou seja, tinha pouco tempo para deixar explícito a Brian que queria ser sua amiga.

- Eu acho que nós podemos fazer isso dar certo. – pronunciei rapidamente enquanto me jogava ao seu lado no sofá.

- Fazer o que dar certo? – perguntou assim que desviou o olhar da tv para mim.

- Ah, você sabe... Esse lance de sermos “amigos”. – um sorriso vitorioso abriu-se em seus lábios.

- Você não vai se arrepender. – disse de forma assustadora enquanto me encarava.

Não sei por quanto tempo permanecemos na mesma posição apenas apreciando a troca de olhares, mas a campainha estridente cortou o momento e eu a agradeci mentalmente por isso.

- Sua mãe. – ele voltou dizendo e eu me apressei em sair.

Já ia ultrapassar a porta quando voltei me segurando ao batente e dizendo:

- Obrigada por tudo Brian. – sorri sincera e ele retribuiu.

Fechei a porta atrás de mim e corri para alcançar o carro, mamãe já estava lá dentro e sua expressão só combinava todas as minhas expectativas dos julgamentos dela sobre o Haner Jr.

- Eu não gosto desse cara. – murmurou já dando a partida.

- Ninguém gosta dele no começo. – sorri lhe confortando e reprimindo todas as obscuridades que já tinha passado ao lado do garoto sombrio.

- Nós vamos ao psicólogo ok? – dei de ombros e vi pelo canto do olho que ela dirigia com certa raiva.

- Aconteceu algo mãe?

- Nada que não possa ser resolvido. – respondeu ríspida.

Ela me assustava falando daquele jeito, minha mãe nunca tinha sido daquelas que sempre se aborrece por qualquer coisa, para ela ficar brava a esse ponto o problema devia ser grande... E provavelmente eu já sabia qual era.

...

Já tinha contado todo meu relato ao doutor Cláudio que ficou pronunciando coisas como “Vá em frente...” ou “Aham”, comentários desnecessários. Ele dizia que a primeira sessão era para analisar a proporção do problema. E bem, com tudo contado ele continuou olhando para sua prancheta, enigmaticamente, enquanto eu terminava de examinar cada detalhe de seu consultório, incluindo as cortinas amarelas horríveis.

Ele não devia passar dos 40 anos, o óculos de armação grossa e preta lhe dava um ar hipster macabro em conjunto a suas calças marrons e a camisa social azul bebe, além do paletó num tom marrom mais escuro. Seus olhos castanhos não transpareciam nenhuma emoção, e os lábios finos acompanhado do nariz ereto, lhe conferia uma postura imponente.

- Bom Amanda, pelo o que você me contou dos sonhos, dos gritos e das “aparições” repentinas do seu namorado em coma. Acabei chegando a conclusão de que não poderei tratar do seu caso sozinho. – eu quase suspirei ao ouvir suas primeiras palavras, mas me preocupei apenas em levantar da chesi o encarando com uma das sobrancelhas arqueadas.

- Como assim? O que você está querendo dizer com isso? – ele me observou por cima dos óculos, colocou a prancheta de lado e se levantou.

- Acalme-se, primeiro, chamaremos sua mãe. – permaneci muda e só tomei atenção quando vi a figura de cabelos loiros entrou um tanto aflita.

- O que foi doutor? Algum problema? – perguntava preocupada enquanto eu continuava a encarar atônita para a estante repleta de livros velhos.

- Creio que o caso de sua filha não será resolvido apenas com minhas pequenas sessões, por isso, estarei te indicando esse psiquiatra... – olhei por cima do ombro e ele lhe entregava um cartão branco. – ele dará todo o suporte que ela precisa e então vocês duas podem voltar aqui. – um sorriso sociopata pairou em seus lábios.

- Você está querendo dizer que minha filha é louca, certo? – indagou já com a voz alterada enquanto se levantava.

- Não senhora, não me interprete mal, mas alucinações e noites mal dormidas não se resolvem comigo. – mais uma vez ele lançou o maldito sorriso e então eu previ sua morte.

- Escute bem o que eu vou te dizer: minha filha não precisa de MERDA de psiquiatra nenhum, você é quem precisa, seu louco depravado! MINHA FILHA NÃO VAI TOMAR NENHUM REMÉDIO ESTÁ ME ENTENDENDO? – ela gritava ensandecida e eu jurava que mais um pouco e trariam a camisa de força. – VAMOS EMBORA DAQUI AMANDA! – gritou se dirigindo a mim e eu apenas sai de cabeça baixa .

Ouvi o soar da porta batendo e optei apenas por seguir até o elevador, sem nem mesmo falar tchau para a recepcionista... Não sabia se estava envergonhada pelo show, ou com medo do que eu poderia ouvir dentro do carro.

Seria exagero se eu dissesse que em segundos eu já estava dentro do carro, mas foi exatamente isso que aconteceu. Talvez porque minha mãe praticamente corresse quando estava com raiva... E seu comportamento dentro do mesmo só piorou o medo que eu sentia por sua próxima reação. Ela estava na mesma posição no banco há minutos e seu olhar continuava preso na rua sem movimento; em outro dia eu até diria para irmos logo, mas não dessa vez.

- Eu estou cansada dessa merda... – murmurou baixinho batendo com as mãos abertas no volante. – VOCÊ ESTÁ DEFINHANDO GAROTA! SERÁ QUE NÃO PERCEBE ISSO? – gritava apontando para mim enquanto seus olhos já deixavam escapar as primeiras lágrimas. – NÃO COME, NÃO BEBE, NÃO DORME... ESTÁ PRATICAMENTE UM ZUMBI! E TUDO POR CAUSA DAQUELE FILHO DA PUTA QUE ESTÁ NO HOSPITAL.

- ELE NÃO É FILHO DA PUTA NENHUM OK? É O MATTHEW, E EU O AMO! – gritei mais alto, ela não devia ter falado dele daquela forma.

- Então me diga o que seu querido Matthew diria se soubesse que você perdeu praticamente uns dez quilos ou mais, nesses meses que se passaram? – seu tom baixou repentinamente, e agora sua voz possuía uma pontada de dor indecifrável.

O que ela dizia era realmente verdade, mas dentre esse tempo que tinha passado eu nunca notei o que acontecia comigo, eu respirava Matthew, vivia por ele... Tudo bem que minhas calças caiam, e eu voltara a usar os shorts de quando era criança, mas quando eu iria perceber isso sendo que minha cabeça estava apenas focada nele?

- Você não vive mais... DIZ QUANTO TEMPO VOCÊ NÃO SAI DA MERDA DO APARTAMENTO SEM SER PRA IR AO MALDITO HOSPITAL? – permaneci muda, contando o dia anterior que tinha ido para a casa de Matt, eu não tinha mais saído de casa com outro propósito.

- E o que você pretendia que eu fizesse? Que eu fosse festejar enquanto meu namorado está na cama? – um nó se formava em minha garganta e eu me forçava a deixa-lo ali.

- Não Amanda... O que eu quero dizer é que você parou de viver por si mesma. – baixei a cabeça atordoada e ela aproveitou meu silêncio para continuar. – Você quase reprovou de ano ok? Se não fosse pela minha conversa com a diretora, você nunca passaria no conselho... – solucei deixando a primeira lágrima cair.

- Não era esse meu objetivo ok? Eu não pretendia acabar com minha vida, nem ao menos previa que isso ia acontecer com o Matt. – de repente ela m envolveu em um abraço apertado, daqueles que só mãe sabe dar.

- Desculpe-me eu só quero seu bem... Não suporto ver você desse jeito, filha. – assenti chorando mais agarrada a ela.

De certo, nenhum psicólogo venceria esse momento, minha mãe tinha aberto meus olhos e dali em diante eu prometeria a mim mesma que faria de tudo para voltar, ou pelo menos tentar voltar ao normal.

Notas finais
E então? Gostaram do capítulo? Quem se impressionou com a mãe da Amanda dando a louca? Será que as coisas vão mudar por aqui? Huuuuuuum, vejo vocês nos reviews!
Agoooora me contem uma coisa, quem de vocês já está de férias???? UHUUUUL eu estou! ooo amo férias kkkkkkkkkkkk
Beeeijos e me contem o que planejaram para aas férias de vocês! *-*