Notas iniciais
Obrigada pelos comentários, meninas ;) o rumo dessa história é bem diferente de qualquer outra, muitos acharão estranho mas... sinceramente, escrevo essa fic para mim... já vocês, é uma consequência HAHAHA mesmo assim, obrigada pelos comentários e por favoritarem :D

Era difícil organizar um reino sem uma Mão.

Rhaegar estava tendo essa difícil missão desde que o Lorde Stark recusara sua proposta, mas o Rei não o culpava. Perdera o pai, o irmão mais velho e a irmã para a guerra, era difícil deixar a sua família em formação para trás. Independente disto, não havia mais ninguém que poderia levar aquele cargo com confiança e firmeza. Oberyn recusou por motivos óbvios: libertinagem.

Ele não teria a privacidade e muito menos o sangue frio de decidir o que fazer politicamente. Era como colocar um fogo-vivo na mão dele, algo que o próprio Rei temia. Também não poderia fazer com que seus cavaleiros virassem Mão, não faz parte do juramento deles e isso Rhaegar tinha que respeitar pois foi a própria família Targaryen que inventou aquelas regras.

Claro que ele não iria contra os espíritos da sua dinastia.

Então o cargo sobrou para o próprio Rei.

Pelo menos estou garantindo que não há uma Mão à la Tywin Lannister, mesmo que isso me custe muita coisa. Partindo deste princípio, Jon crescerá em um ambiente saudável.

Fazia pouco tempo para que Jon completasse cinco anos, deixando o pai cada vez mais coruja. Tinha todas as características da mãe, os olhos cinzentos e cabelos escuros dos Stark... mas era um dragão por dentro. A força que ele tinha era fora do comum, lembrando o pai a sua própria infância. Não deixaria que Jon fosse criado igual ao Rei, seria mais livre para conhecer as coisas que quer.

Mas tem uma coisa: Jon não terá a liberdade de escolher de se quer o Trono de Ferro ou não.

Era um dever.

Um dever Targaryen.

Já conseguia segurar uma espada e Arthur Dayne o ajudava na postura. O primeiro dever de um guerreiro é usar o próprio corpo, depois disto que começa introduzir as aulas de esgrima. Os cavaleiros de manto branco, quando Rhaegar não tinha tempo para mostrar ao filho como se posicionava, mesmo de brincadeira, assumiam esse papel. Confiava inteiramente neles e de início foi difícil aceitar que não teria como conciliar a sua rotina de Rei com a rotina de Jon o tempo todo.

Daenerys era uma menininha quieta, gostava de observar as coisas e não se dava muito bem com Jon. Isso não o preocupava, ainda eram novos e estranhavam um ao outro por causa da aparência. Já Viserys... esse estava impossível. Sendo quatro anos mais velho que Jon, Viserys já tinha uma noção do peso que os Targaryen carregam nas costas e claro que arruma confusão por conta disso.

Lembra o pai, infelizmente.

Jon, que não sabia nada de nada, ficava sem entender o porquê do seu ‘tio’ não gostar dele, mas enquanto Viserys o ignorava estava tranquilo. O problema foi quando o seu irmão mais novo ficou com raiva ao ver que a diferença dos tratamentos aos Targaryen era bem grande, principalmente entre ele e Jon.

Que tarde conturbada foi aquela...

- Jon não é um de nós! – berrou, no auge dos seus sete anos. Rhaegar estava lendo os relatórios mensais dos principais Lordes de Westeros enquanto Jon dormia na cama e Dany brincava com suas bonecas no tapete felpudo. Ela nunca dava atenção ao irmão, sorte a dela.

Tem que ter muita paciência...

Respirando fundo, Rhaegar voltou seu olhar para aquela criança Targaryen que tanto dava problema para ele e aos cavaleiros de manto branco. Vários relatos de rebeldia chegavam até o Rei, que sempre repreendia o irmão mais novo. Viserys só respeitava Rhaegar.

- Vá procurar o que fazer, Viserys.

Como uma criança teimosa, ele fechou a cara diante da indiferença do Rei.

- Jon não tem o cabelo e os olhos de um Targaryen! – insistiu novamente, apontando o dedo indicador para o menino com características nortenhas que dormia na cama tranquilamente. Jon era quieto demais para criar uma confusão como esta, tímido demais – Eu que deveria ser... !

...o herdeiro.

Poupe-me, Viserys.

Analisou-o por alguns instantes, era um menino revoltado porque tinha perdido a mãe na sua frente em uma cama sangue.

Isso não é motivo para um comportamento deste.

Problemas são problemas, devemos aprender a lidar com eles por mais impossíveis que pareçam.

- A diferença é que Jon é o meu filho.

Uma espada venenosa, Viserys. Não provoque-me.

- Rhaegar... – agora começava a birra, a chantagem emocional que nunca comove o Rei. Rhaegar simplesmente ignora e Viserys parava depois de algum tempo, era sempre assim mas o trato que fez com Oberyn ainda estava de pé. Se Viserys continuar assim... Oberyn fará com que ele mude radicalmente - ...não é justo.

Se com sete anos é assim...

- A vida não é justa – cortou-o novamente, querendo que ele ficasse em silêncio enquanto lia a carta do Lorde Stark, oficializando o ‘não’ dele. Era de se esperar, mas a resposta oficial estava sendo dada naquele momento. Suspirou ao ver o irmão mais novo de cara amarrada e com os braços cruzados, esperando uma resposta favorável para a sua birra – Mas você conhecerá Dorne em pouco tempo mas devo dizer que lá em muito diferente da Fortaleza Vermelha.

Ele revirou os olhos, a raiva transbordava. Viserys estava em ira draconiana após receber a ordem do Rei para que fosse viver em Dorne com Oberyn, sujeitando-se como protegido. Era o melhor a se fazer, Rhaegar não estava dando conta de lidar com um tímido Jon e uma quieta Daenerys, um obcecado pelo poder como Viserys não é um fardo agradável de se carregar.

- Eu não vou! – exclamou irritado.

Se continuar assim, eu que vou ficar irritado.

Rhaegar odiava ser questionado por Viserys, ele sempre dava um jeito de iniciar discussões desnecessárias em lugares onde nada disso deve ocorrer. Principalmente se for para fazer um espetáculo para os vassalos. O irmão mais novo do Rei adorava espetáculos e muita pompa.

Igualzinho ao pai.

- Você vai.

Ele balançou a cabeça imediatamente, como uma criança birrenta.

- EU NÃO VOU!

Foi nesta hora que Rhaegar perdeu a paciência com o irmão mais novo.

- Você disse que se comportaria, Viserys – falou tentando conter a impaciência com o irmão mais novo, não seria bom se os dois perdessem a cabeça. A verdade era que Viserys sempre ofendia indiretamente a Rainha Loba, deixando o Rei com muita raiva pois o reino inteiro respeito o amor que ele sente por ela, porque o seu próprio irmão mais novo não poderia respeitar? – Você disse que se comportaria, assim eu não precisaria pedir para que Oberyn o tomasse como protegido.

- Mas eu me comporto! – insistiu com os olhos lacrimejados, era um manha para pressionar o emocional do Rei, que nunca se deixava comover por situações como esta. Rhaegar só se comovia quando Jon ficava triste ou quando Daenerys tinha pesadelos. Eram casos diferentes, mas ele se comovia. – Só quero o que é meu!

Rhaegar suspirou, derrotado.

O jeito era mandá-lo para Oberyn.

Onde foi que eu errei com Viserys?

(...)

Ele chorava e esperneava, mas Rhaegar nada fazia.

Ele pediu isto e apenas Oberyn pode mostrá-lo como a realidade é dura.

Os criados iriam junto com Viserys, mas apenas Gerald iria com ele. No resto, Dorne seria a nova casa do seu irmão mais novo. Oberyn estava lá apenas para receber o ‘pacote valiriano’, como o mesmo falava de Viserys.

Fala que pacote é a mesma coisa que fardo.

Daenerys estava escondida atrás da perna do Rei e Jon, como sempre, quieto, tímido e observando o que estava se passando. Dany gostava de Viserys mesmo com as brincadeiras cruéis que ele fazia com ela, mas Jon... Jon era diferente, sentia uma aversão por ele que o próprio Rei ficara preocupado caso essa rixa entr os dois crescesse na Fortaleza Vermelha. Seria impossível contê-los.

- Prometo que cuidarei dele, Vossa Graça – falou Oberyn, fazendo a mesma reverência típica, mas geralmente, vinda dele, irreverente – Mas sabe que ele tem a responsabilidade de responder por seus atos, não?

Rhaegar assentiu levemente enquanto via o seu irmão mais novo com raiva dele, entrando no barco sem olhar para trás.

É melhor assim, Rhaegar.

De vez em quando ficava imaginando o que o seu pai faria caso estivesse vivo.

Provavelmente me queimaria.

- Ele me forçou, meu amigo – justificou-se, sentindo um pouco de culpa agora que via o irmão mais novo ir embora com raiva dele.

Oberyn deu dois tapinhas em suas costas, sorrindo como se aquilo não precisasse de justificativa.

- O Príncipe Jon sempre foi atacado por seu irmão mais novo, Vossa Graça – começou Oberyn, dando de ombros e preparando-se para entrar no barco e voltar para a casa dele, Dorne – Entre eles, tinha que escolher algum. Seu irmão mais novo é considerado por você como um filho, mas se o seu real filho está sendo ameaçado por ele... não há o que se pensar duas vezes. Preciso voltar para casa, as minhas serpentes de areia estão me esperando.

Oberyn só tem filhas... e filhas bastardas.

Rhaegar assentiu novamente, compreendendo que, para o bem de Jon, Viserys tinha que deixar Porto Real e, consequentemente, a coroa.

- Vá em paz, meu amigo.

(...)

Fazia alguns meses que Viserys havia ido embora e as coisas na Fortaleza Vermelha estavam melhores, harmônicas até. Jon estava mais solto, era nítida a sensação de liberdade que estava tendo depois que o ‘tio’ foi embora para Dorne.

Daenerys também estava mais alegre, só que os dois não se misturavam.

É a mesma coisa que tentar misturar fogo e gelo.

Já era de madrugada e Rhaegar observava Jon dormir em seu quarto. Com muita insistência, a Septã convenceu-o a dar um quarto para o filho, criticando a proteção do Rei. Era errado, ele sabia... mas tinha um medo anormal de perder o seu filho para qualquer outra coisa, então era mais que natural mantê-lo junto a si, não é?

Mas ele concordou.

Observava os traços nortenhos daquele menino e logo lembrava da sua Rainha Loba. Toda dia ele sonhava com ela, parecia que o espírito dela estava sempre por perto e pensar desta forma o confortava. Nunca mais teve nenhuma outra mulher, o seu coração estava trancado e a chave só se chamava Jon. Perto disto, nem mesmo Daenerys conseguia alcançar.

Lyanna era o seu Jon.

Escutou uma batidinha de leve na porta do quarto de Jon, alertando-o e já colocando a mão no cabo da espada. Outra coisa: Rhaegar só andava armado. Neurótico por segurança, ele nunca deixava a guarda baixa.

- Quem está aí? – perguntou baixinho para não acordar o filho.

A porta se abriu.

Era o Meistre, ele tinha um candelabro em uma mão e uma carta na outra. Meistre Pycelle, não era tão velho e Rhaegar sabia muito bem no vício dele em prostitutas de um bordel de um homem que sabia fazer dinheiro. Esse homem era ligado aos Tully, pelo que Pycelle andava comentando. Por essas e outras que a Fortaleza Vermelha TINHA que ter segredos, senão a desilusão correria solta por toda Westeros. Ele era um bom Meistre, só deveria tomar cuidado para que ninguém saiba das orgias que fazia.

O problema é exclusivamente dele.

- Vossa Alteza, perdoe-me por interrompê-lo tão tarde.

Rhaegar se levantou da cama e deu de ombros, ele nunca conseguia dormir mesmo.

- O que aconteceu? – perguntou diretamente, queria ficar um pouco mais com Jon já que no outro dia teria que ver como que ele poderia mandar um dos seus mensageiros até Porto Branco para coletar os impostos no Norte – Sabe que não gosto de ser incomodado quando estou com a minha família.

O Meistre assentiu rapidamente, ficando com um nervosismo típico de quem aborda o Rei quando o próprio está em sua intimidade. O Dragão não era dócil, todos sabiam disto.

- Acabei de receber esta carta com o selo do lobo-gigante, Vossa Alteza.

Eu sempre recebo cartas dos Stark. Não é surpresa.

- Não vejo nada de especial nisto, Meistre Pycelle.

Meistre Pycelle sempre ficava nervoso e enrubescido quando o Rei Dragão o encarava diretamente.

- Olhe por si mesmo, Vossa Graça.

O Meistre lhe deu a carta rapidamente, fazendo a reverência e saindo dali assim como entrou: silenciosamente. Um pouco intrigado, Rhaegar sentou-se em uma poltrona perto dos candelabros e observou o envelope que tinha em mãos.

Não demorou para perceber o que estava incomum ali.

‘Que seja entregue diretamente ao Rei’.

Não era a caligrafia do Lorde Stark, esta caligrafia era delicada e suave, lembrando jovens mulheres. Com o selo do lobo-gigante, Rhaegar teve um momento de delírio ao imaginar que aquela carta poderia ser de sua Rainha Loba... se ela estivesse viva.

Suspirando, ele resolveu romper o lacre.

“Não sou uma Stark por nascimento, mas uso o selo como Stark de casamento. Antes de ser a Lady Stark, eu fui a primogênita dos Tully de Correrio, Catelyn Tully. Como uma sulista, sei que os costumes nortenhos às vezes são rigorosos e severos, os costumes são levados ao pé da letra e a palavra vale mais do que uma guerra. Como deve saber, sou mãe do herdeiro de Winterfell, Robb Stark, e da minha segunda filha, Sansa Stark, já grávida e perto de dar a luz ao meu terceiro filho. Creio que posso estar sendo precipitada, mas espero que Vossa Graça compreenda que um instinto feminino é algo místico e que deve ser levado em conta, assim como a Rainha Loba preveu o nascimento do Príncipe Jon Targaryen. Estou consciente que também sabe do acordo absurdo que meu marido e Robert Baratheon fizeram caso este bebê que eu estou carregando for uma menina parecida com a Rainha Loba, desagradando-me o fato de que independente do que eu faça, a palavra de um homem no Norte vale mais que mil mortes. Meu marido, Eddard Stark, deu a sua palavra, palavras mal ditas, para o homem que vive à espreita em Winterfell por uma cópia da Rainha Loba. Estou na minha terceira gravidez e sinto que será uma menina, forçando-me a uma tristeza inconsolável ao ver que Robert Baratheon a tirará dos meus braços e logo a fará noiva dele. Sei que Vossa Alteza preza muito a família e talvez corresponda a minha angústia como uma mãe vítima de palavras mal ditas. Tentei de todas as maneiras e nada consegui. Não sou capaz de expulsar Robert Baratheon de Winterfell porque é o vassalo do meu marido e não posso enviar a minha menina para Correrio por não ter motivos políticos o suficiente que faça com que os Baratheon não arrumem confusão no Norte. Peço que compreenda o meu ato de desespero, não é fácil para uma mãe assistir tudo isso e nada ser feito. Como sangue é sangue, o Príncipe Jon é o meu sobrinho por casamento e a família materna dos Stark, sendo a minha última opção de desespero. Pense em sua Rainha, se lembra quando ela foi prometida ao mesmo homem? Se lembra como que o meu marido tem os olhos vendados quando se trata dele? Peço humildemente que considere a minha proposta, espero que não permita que uma menina inocente seja vítima de um passado conturbado. Vossa Alteza poderia proteger o sangue do Príncipe Jon? Poderia proteger a minha filha? Em menos de duas semanas, ela nascerá e assim pode ser será vítima daquele olhar que tanto me persegue em Winterfell. Pelo desespero de uma mãe, pelos Sete e por tudo que há de sagrado na família, poderia aceitá-la como protegida? Espero, e muito, que considere todo o meu desabafo e desespero de mãe. Atenciosamente, Lady Stark de Winterfell.”

Rhaegar ficou atônico quando terminou ler a carta.

Resolveu ler outra vez para ter certeza do que estava acontecendo, esperando ter se confundido... mas não, ele havia entendido o certo. Lady Stark parecia ser uma mulher de fibra para enfrentar a fúria do marido e dos Baratheon ao mesmo tempo, sendo extremamente questionável a conduta desses dois. Mas como ela falou, os nortenho são teimosos, duros e rígidos com as suas promessas. Mas como ela disse...

Palavras mal ditas, palavras malditas.

O Rei não tirava a razão dela mas prometeu não se envolver... até reler algumas partes da carta.

Uma ira tomou conta do Rei Dragão.

“Pense em sua Rainha, se lembra quando ela foi prometida ao mesmo homem? Se lembra como que o meu marido tem os olhos vendados quando se trata dele? Peço humildemente que considere a minha proposta, espero que não permita que uma menina inocente seja vítima de um passado conturbado”.

Agora sim a culpa o invadia mortalmente.

A culpa é minha.

A culpa é minha por causar esse estrago na vida dessa menina que nada tem a ver com todos esses problemas.

Lady Stark não falara que a culpa era dele, mas claro que estava implícito.

Ela deve nascer em duas semanas...

Mandarei Arthur e Barristan com os coletores de impostos.