Apenas O Tempo Falará...
18 Catelyn
Notas iniciais
O Rei não respondeu.
Catelyn estava temendo o pior. Ele poderia estar rindo dela e da desgraça da vida de Arya, que estava aninhada em seus braços. Ela estava certa, era uma menina com características Stark e parecia ser tão agitada que até mesmo Ned a comparou com a Rainha Loba. Catelyn odiava lembrar da reação que Robert Baratheon teve quando viu a menina, Arya.
- Agora temos nosso acordo, Ned – afirmou cinicamente, Catelyn realmente pensou que ele estava delirando e que talvez o seu marido poderia ir contra toda aquela... estupidez generalizada. Mas ele nada fez, sempre argumentou que era para o bem do Norte e que ela estaria perto de casa de qualquer forma. O problema era que a menina tinha acabado de nascer e já planejavam toda uma vida pra ela!
A vida das meninas é planejada, mas assim... não é assim que deve criar uma menina.
Arya cresceria desesperançosa com o futuro ao perceber o touro que era o seu prometido. Cada dia poderia passar e ela perceberia que seria usada apenas como um espelho da Rainha Loba, uma vítima de uma guerra que nunca deveria ter começado e que viveria sendo apenas uma ilusão. Uma ilusão para Robert Baratheon.
Catelyn duvidava que a menina aceitaria tudo.
Ela ficará com raiva de mim, de Ned e do resto do mundo.
Se for parecida com a Rainha Loba... aí que a confusão poderia ficar pior.
Ned queria andar pra trás no acordo mas faz parte da personalidade ser um homem que cumpre as suas promessas, geralmente isso é muito bom para o caráter e na criação de filhos corretos e sérios. Mas parece que até isso o destino deu um jeito de estragar, os olhos do seu marido se fechavam quando Robert Baratheon estava por perto.
De vez em quando ela pensava que o próprio Ned estava tentando criar uma ilusão do amigo que tinha, pensar que ele ainda era o melhor amigo dele, o irmão postiço lá do Ninho da Águia. Ele pode ter mudado, as pessoas nunca permanecem as mesmas e isso a deixava cada vez mais temerosa do que estaria por vir.
Robb gostava de Robert Baratheon, ele o fazia rir até chorar e isso era legal de se ver. Ned sempre comentava que ele tinha as mesmas piadas desde que o conheceu no Ninho da Águia. Naquele momento, Robert Baratheon parecia até ser um homem direito e correto mas era só voltar a falar sobre Arya Stark que... ele desandava. Agia como se fosse o pai da menina, mas tinha um olhar tão...
Catelyn temia.
Aninhou-a fortemente em seus braços, deitada na cama. Ela tinha um mês de vida e estava cada vez mais linda, a pele branca como um floco de neve e os cabelos escuros com olhos cinzentos tão característicos dos Stark. Foi a primeira que teve as características nortenhas em seu casamento, justo uma menina...
Catelyn sabia que Ned amava Arya.
Mas este gosta da expressão ‘por um bem maior’.
- Sabe que a mamãe fará qualquer sacrifício por você, viu? – começou a conversar com Arya, que a olhava curiosamente enquanto Catelyn sorria. Estava amanhecendo e Ned já estava no caldeirão, esperando-a para começarem o dia juntos. Ela pediu e o marido atendeu: não queria nenhum Baratheon por perto naquele dia. Queria a sua família unida, não a família e um puxadinho chamado ‘Robert’ – Chutarei Robert toda vez que ele tentar te pegar no colo, fique tranquila, meu amor.
- Deveria se conformar, querida – falou Ned, entrando no quarto de mansinho e pegando-a de surpresa enquanto brincava com Arya. Ela o lançou um olhar carrancudo, já demonstrando o quanto aquele assunto a aborrecia – Nós faremos com que isso se torne uma coisa boa. Ele ficará pe...
- ...perto de casa, eu sei! – exclamou impacientemente, levando ao seu marido erguer uma sobrancelha, surpreso com o temperamento explosivo dela, que suspirou – Me desculpe, hoje estou mais sensível e esse assunto não me ajuda. Onde está a ama de leite? Eu preciso comer e Arya, mamar.
Ned pegou Arya no colo, sorrindo para a mesma. Catelyn gostava de ver essas demonstrações de afeto dele, deleitando-se com a situação e até esquecendo aquele problema desgraçado. Cheirou-a e fechou os olhos, abraçando-a delicadamente. Ele parecia feliz por ela estar ali... mas será se ficaria feliz se o Rei tivesse aceitado... ?
Será se Ned ficaria tão decepcionado com ela a ponto de procurar outra?
Mas eu estou decepcionada com ele, nem por isso vou atrás de outros.
- Arya Stark, parece que será uma mulher de fibra, como a sua mãe – Cat sabia que quase que ele falava ‘...e sua tia’, seus lábios até pareceram se mexer mas ele finalizou com o ponto final. Seria a pior coisa que poderia comentar no momento, ela tinha certeza que Ned estava se orgulhando de ter uma menina assim como a irmã mais nova.
Mas Cat não entendia.
Como ele não vê o que está fazendo?
Vai acabar com a vida da filha por orgulho?
- Ela é bem agitada – comentou enquanto se levantava da cama, vestindo trajes confortáveis para aquela manhã, não sairia de dentro do castelo nem mesmo se o Rei estivesse lá fora. Ou não... – Creio que será um desafio educá-la.
- Não se preocupe, Cat.
Ela deu de ombros, saindo do quarto junto com o marido, que segurava a menina.
Não se preocupe.
- Onde estão Robb e Sansa? – perguntou quando chegaram no salão de Winterfell, Ned havia brincado com Arya o tempo todo desde que saíram de dentro daquele quarto. Cat sorria de vez em quando, era muito gostoso ver os dois interagindo – Eles não vão comer com a gente, não?
- Estão passeando com a Septã pelo Bosque Sagrado, logo estarão aqui – respondeu-a, entregando Arya delicadamente nos braços da ama de leite. Esta última comia igual um javali, parecia que Arya exigia muito dela. É uma loba-gigante... como a tia – Pare de pensar em nossos filhos por enquanto, você ainda está em observação pela Septã... não foi um parto fácil, Cat.
Ela assentiu, sentando-se em seu lugar no caldeirão junto ao Lorde Stark.
O parto não foi tão tranquilo quanto o de Sansa e Robb, mas deu tudo certo no final.
Seria mais uma tragédia para os Stark.
Pare com isso, Cat. Talvez você esteja exagerando... Robert não pode ser tão...
...não... ele pode sim.
Começaram a refeição lentamente, as torradas com mel e banana eram para Cat e Robb, já Ned preferia alimentos mais fortes, como carnes e ovos no desjejum. Era comum no Norte ver os homens comendo coisas atípicas naquela determinada hora do dia, pelo menos em um ponto de vista sulista, como o de Catelyn. Uma outra coisa que ela logo constatou ao chegar em Winterfell: nada de decorações desnecessárias, tanto no salão quanto em banquetes. Parecia que no Norte era assim, prático e útil. Mas com o passar dos anos, Catelyn se acostumou com esse jeito rude que se tornou um estilo de vida para os Stark. Ela ainda se lembrava o quanto que Lysa irritou-a comparando Bran com os selvagens do outro lado da Muralha, era inadmissível aquele tipo de comportamento e logo o pai deu um basta naquilo tudo. Mas claro que tudo foi influência de Mindinho.
Enquanto tomava o seu chá com uma rodela de limão, Catelyn pegou-se pensando no seu amigo de infância.
Espero que aquele ferimento que Bran fez esteja cicatrizado, Mindinho não é tão ruim assim...
- Está pensativa hoje, minha senhora.
Voltando seu pensamento para o salão de Winterfell, Catelyn voltou seu olhar para o marido. Os olhos dele, duros como sempre, espelhavam uma certa preocupação pois o próprio sabia que havia algo errado nela. Claro que havia, ele sabia, mas como um lobo-gigante, Ned sabia farejar um problema de longe, de muito longe.
Ned era o seu amor, pelo menos isso ela tinha certeza.
A incerteza se deve ao que o Rei esteja pensando.
Respirando fundo, ela ficou na dúvida se deveria contar o que tinha feito.
Será se ele me rejeitará?
- Espera que entenda a minha angústia, querido – começou hesitante, com o coração acelerado e uma dúvida do que deveria realmente fazer. Não era justo o que estava fazendo com o seu marido, o seu Ned... mas também não era justo ter que aguentar a inconveniência e as consequências de um viado – Sinto um aperto no coração sempre quando penso em Arya, creio que não acho certo que ela cresça e conviva com o pretendente. Na minha sincera opinião de mãe, gostaria que eles ficassem separados enquanto ela construa a sua... como que se diz?
Os olhos cinzentos estavam passando uma ideia de confusão. Catelyn sabia que era o melhor amigo dele... sabia que era normal ver Robert como irmão e lembrar-se da juventudade despreocupada com Ninho da Águia. Era justo que Ned tinha suas ilusões, igual à ela... Catelyn tinha a ilusão que, do nada, o Rei chegaria ali com os braços abertos para aceitar o pedido dela.
Completa ilusão.
Parando de comer momentaneamente, ele a encarou...
...e ela não desviou o olhar.
- Quer que nossa filha cresça longe de Robert, Cat? – perguntou-a com aquela expressão de que estava tentando compreender o que se passava, mas como Catelyn passou a notar com o passar dos anos era que o seu marido não tinha uma sensibilidade exemplar para assuntos familiares. Ned era muito bom no combate físico e político, mas a criação dos filhos, principalmente das filhas, era algo que ele ainda estava tentando aprender. Tentando compreender... – Entendo o seu ponto de vista, não se preocupe. Não me orgulho em falar que Robert estará aqui todos os dias da vida da nossa filha... mas pense pelo lado bom, minha senhora: ela pode se afeiçoar à ele com mais facilidade se crescer com ele por perto.
Catelyn suspirou discretamente, terminando de tomar o chá e colocando uma torrada com mel e banana fatiada na boca. Ele a observava e ela fingia que não estava acontecendo nada.
O jeito é fingir que não é culpada.
- Ned, querido... não passou por sua cabeça que Robert pode não se controlar? – perguntou disfarçando a sua culpa, claro que era extremamente difícil tomar uma atitude tão drástica como a que ela tomou, simplesmente mandando uma carta para o Rei! Para o Rei! O desespero justifica meus atos – Arya, crescendo como a Rainha Loba, será uma tentação para ele, meu amor. Imagine a nossa filha com dez anos e ele por perto? Robert é impulsivo, até você concorda com isso. Ned, compreenda-me, peço que me compreenda.
Ele a observou de uma forma curiosa, fazendo-a arrepiar.
- Eu sinto culpa de ter dado minha palavra à ele, Cat – começou ternamente, colocando a sua mãe em cima da dela, acariciando-a lentamente e permitindo a abertura emocional dele. Ned tinha muita dificuldade, devido à criação nortenha que ele teve, de expressar os sentimentos e o seu emocional. Catelyn já estava acostumada mas continuava sendo muito difícil de aceitar, mas ela o amava do jeito que ele era isso é o mais importante. Eu também sinto culpa... mas não voltaria a minha palavra e dessa vez não por orgulho, agora é por necessidade – Era final de uma guerra, Robert queria um duelo com o Rei após a minha irmã morrer. Estávamos em luto, Robert também estava mas todos sabem do temperamento explosivo dele, que colocou a culpa da morte de Lyanna no Rei, já vulnerável e com um recém-nascido no braços. O que faria para Robert não cometesse uma loucura? Robert morreria de qualquer forma e não duvido que o desejo dele de matar o herdeiro do Trono de Ferro talvez fosse maior do que o desejo de matar Rhaegar Targaryen. Se Robert matasse Jon, o que acharia que Rhaegar faria?
Dura realidade.
- Faria outra guerra – respondeu como uma criança sendo ensinada a contar, somar, dividar e multiplicar. Ned assentiu.
- E...?
Ela engoliu em seco.
- Deduziria que o Norte havia planejado junto com Robert – respondeu como se fosse uma criança. Catelyn sabia de tudo aquilo, sabia da necessidade do acordo... mas precisava ser justo a sua filhinha que nada tem a ver com isso? Ned ergueu uma sobrancelha, esperando um raciocínio melhor – Exterminaria os nortenhos até sobrar apenas a Patrulha da Noite como vingança, que é o tema da casa dos Targaryen: fogo e sangue. Eles são famosos pelas vinganças doentias e obcecadas e geralmente cozinhando toda Westeros. Humm... Correrio e o Ninho seriam punidos também.
Ned assentiu, agora satisfeito com o raciocínio dela.
- Eu e você morreríamos e não teríamos filhos – concluiu racionalmente, voltando a comer tranquilamente... mas com uma ruga entre as sobrancelhas que tremia ligeiramente. Pobre Ned... – Foi a única coisa que consegui pensar e, por sorte, acalmou Robert. Não posso dizer que deixei Stannis contente, mas infeliz ele não ficou, iríamos unir nossas casas de qualquer jeito e isso é muito importante aqui no Norte, não é tão comum assim um suserano oferecer sua filha para um vassalo. Provavelmente ele se sentiu mais importante depois disto. Acredite, Cat... se houvesse meio, eu voltaria atrás... mas não há.
Catelyn mordeu o lábio inferior e se perguntou o que poderia fazer naquele momento.
Contar da carta que mandei para o Rei?
Falar para matar Robert Baratheon escondido de todos?
Não, havia outra forma.
- Arya pode se casar com ele apenas quando estiver com quinze anos, não é? – perguntose já querendo assegurar-se do que estava falando.
Ned assentiu levemente, observando-a curiosamente... exatamente de um jeito que ela não gostava, simplesmente sentia que sua alma estava sendo examinada por aqueles olhos cinzentos.
- Sim, foi o combinado.
- Mas acha que ele vai esperar, Ned? – perguntou, procurando checar o território que estava pisando... novamente. Dessa vez é pra valer.
Eddard Stark de Winterfell hesitou
Te achei, desconfiança. Sinto ter este tipo de atitude, querido Ned.
- Robert não desonrará nossa família, Cat – respondeu como um leal amigo o faz... isso deixava-a contente, o seu marido era um homem correto, bom e de bem... mas cego quando ao melhor amigo que tem – Mesmo se eu concordar deixar com que Arya cresça com ele por perto, algo me alerta, Cat. É difícil aceitar uma sensação dessa em relação ao meu melhor amigo. Você é inteligente e sei que pensou muito mais além do que isso, o que pretende fazer, minha senhora?
Ela mordeu o lábio inferior novamente, Ned a conhecia muito bem.
O que quer dizer que se fosse tão contra como demonstra... já teria chamado a minha atenção.
- Além de ficar em Winterfell por muito tempo, o território deles não é longe... – começou hesitante, temendo usar as palavras erradas. Nada de titubear, Cat - ...o que não deixa espaço para Arya crescer em paz, longe dessa promessa que gerou paz no Norte.
- Continue, por favor – pediu lentamente, provavelmente já sabendo aonde ela iria chegar embora não tenha tido nenhuma reação contra.
Respire, Cat.
Uma pausa. Ela tinha que manter sua voz estável, levantar a questão que sua menina iria crescer longe dela era incrivelmente dolorosa mas necessária.
Nada de olhos curiosos e atentos.
- Como você foi mandado como protegido para Jon Arryn, porque não podemos mandá-la? – perguntou como se não estivesse planejando nada, isto é, como o Rei não respondera seria Correrio a única alternativa embora não seja nada prática por motivos de alianças óbvias, não é todo mundo que encara a fúria do Norte.
Ele ergueu uma sobrancelha, confuso.
- Robert causaria um estrago e pensaria que eu poderia estar quebrando a minha promessa, Cat – respondeu racionalmente, já afastando o prato de comida. A ruga característica dele não parava de pulsar, ou seja, o raciocínio dele estava correndo rapidamente por toda Westeros. Ele sabe que não pode mantê-la aqui, Ned sabe disto – Seria difícil mandá-la para Correrio, é perigoso Robert causar uma confusão desnecessária e descer ao Sul, o que é proibido pelo Rei segundo o acordo de paz que fizemos após a guerra. Robert não irá ficar calmo se não a tiver por perto, infelizmente.
Catelyn estava em dúvida se contava ou não o que havia escrito na carta que mandou para o Rei. De repente, Cat se sentiu uma traidora dos interesses nortenhos mas qual é o sentido disto quando o seu papel de mãe exige tamanho esforço? É o dever de mãe, apenas as mães podem falar a dor que sentem quando algo acontece com o filho.
É terrível.
Ela tomou coragem, não era justo esconder aquilo. Ele lançou-lhe outro olhar peculiar, como se estivesse cogitando a ideia de que Catelyn fez algo a mais que não estava lhe contando. Com o coração batendo aceleradamente em seu peito, ela engoliu em seco e...
O castelão entrou apressandamento no salão de Winterfell, as bochechas estavam vermelhas da pressa que estava de chegar até lá. Sor Rodrik era um cavaleiro honrado e digno da confiança de todos os Stark, ele nunca iria levantar a espada contra esta casa. Só que desta vez havia algo de errado.
Sor Rodrik está um tanto quanto surpreso.
Fazendo a reverência, ele teve que recuperar o fôlego antes de falar, posicionando-se na frente dela e de Ned.
- O que aconteceu? – perguntou um Ned já alarmado.
Ele nunca abaixa a guarda.
- Perdão por interromper a refeição, Lorde Stark – começou Sor Rodrik, pigarreando logo em seguida enquanto outros guardar de Winterfell entravam no salão rapidamente, escoltando... – Tem visitas.
...dois cavaleiros de manto branco?
Arregalando os olhos, Catelyn percebeu que o Rei havia aceitado o seu pedido antes mesmo de respondê-la. Pela expressão facial do seu marido, Ned conhecia aqueles dois cavaleiros da guarda do Rei e não conseguiu disfarçar a surpresa quando eles adentraram o salão de Winterfell. Na mente dele, não havia necessidade de subirem até o Norte para vê-lo pois os relatórios mensais estavam corretos, mas mesmo se não o estivessem, não seriam dois dos melhores guerreiros de Westeros.
Catelyn ficou tão nervosa que teve vontade de se encolher em um buraco e não sair nunca mais.
Ela não estava acreditando.
Está acontecendo, pelos Sete! Está acontecendo... !
Os dois fizeram as devidas reverências em frente ao Lorde Stark, ambos estavam sérios e nem um pouco inseguros por adentrar aquelas muralhas tão grossas de Winterfell... afinal... parecia que os dois estavam sós. Aparentemente, talvez.
- Perdoe-nos por não ter avisado que iríamos lhe visitar, Lorde Stark – falou Sor Arthur Dayne polidamente, como uma guarda real deve ser. Catelyn nunca havia os visto mas logo pensou...
...o Rei mandou dois cavaleiros de manto branco para levar Arya?
Logo o que foi praticamente o protetor da Rainha Loba... ?
Catelyn ficou com a sensação que havia entrado em realidade alternativa. Tudo ali parecia tão longe e tão perto.
- Não há nada o que perdoar, Sor Arthur Dayne – Ned se levantou, indo até os dois cavaleiros da guarda do Rei, cumprimentando-os devidamente e sem qualquer sinal de hesitação. Ned era assim, a hospitalidade sempre pois a política do pão e sal vale em toda Westeros, independente de quem seja os seus inimigos – Não que eu esteja querendo ser precipitado, espero que me perdoem mas o que fazem tão ao Norte?
Sor Arthur Dayne era tão... elegante.
Aliás, os dois parecem que saíram de um conto da Velha Ama.
Mas ambos com posturas que lembravam-na aço valiriano afiado, nenhuma demonstração de insegurança embora não pareciam ser arrongantes ou cheios de si.
São os cavaleiros do Rei, não podem abaixar a guarda e também não podem abusar do poder.
- Assim como falou, não há o que perdoar, Lorde Stark – falou educadamente o mais velho, Sor Barristan. Não era tão velho assim, mas se comparar Ned com ele... – Tem razão em desconfiar, eu e Arthur viemos até aqui sem deixar rastros então o melhor que faz é prezar por seu território, que é bem bonito, por sinal. Nunca tive a oportunidade conhecer o Norte.
Gentileza demais.
- Temos um motivo muito forte para estarmos aqui – começou Sor Arthur Dayne, concentrado em suas palavras, parecendo até mesmo determinado que aquela ‘missão’ saia como o planejado e que voltassem para Porto Real o mais rápido possível. Mesmo assim, Rhaegar Targaeryen mandou os dois para a minha Arya... ? Mas como você gostaria que ela fosse, Catelyn? Nas mãos de um mensageiro? Um cobrador de impostos miserável? Ned os observou com cautela, percebendo que era um momento não tão agradável quanto ele pensava... – Temo que a Lady Stark não o informou que trocou uma carta com o Rei há algum tempo.
Ned arregalou os olhos, voltando seu olhar chocado para Catelyn, que arrepiou-se imediatamente. Ele estava com um olhar tão intenso embora ela não soubesse explicar se aquilo transmitia uma coisa ruim ou uma coisa pior ainda. O coração dela estava se acelerando e foi inútil tentar falar alguma coisa, sua voz havia empacado e... desaparecido.
- Cat... ? – perguntou Ned, confuso – O que você escreveu? Aliás, o que você tem de tão urgente para falar com o Rei? Mesmo se houvesse algo assim, deveria vir até mim primeiro.
Ela agradeceu aos deuses ao ver que Sor Arthur Dayne percebera que ela não estava em uma posição de tranquilidade para explicar o acontecido. Sendo um bom cavaleiro que é, tomou as rédeas da situação e posicionou-se na frente de Ned para que ele prestasse atenção no cavaleiro de manto branco e não na Lady Stark.
Agora sei o porquê de Rhaegar confiar tanto nele a ponto de proteger a Rainha Loba ao cruzar toda Westeros.
Com um posicionamento seguro e determinado, Sor Arthur Dayne logo conseguiu prender a atenção do marido de Catelyn.
- Lorde Stark, receio ser portador de péssimas notícias e provavelmente causar um grande estrago em sua casa, entretanto, Lady Stark procurou o Rei em busca de ajuda com relação à Arya Stark, prometida ao homem que deveria estar morto. Sabendo do relato pelo senhor, o Rei disse que não inteferiria pois a casa Stark tem suas responsabilidades e deve arcar com as consequências e, novamente, interrompo este raciocínio pois a sua esposa pediu ajuda e proteção para que a menina não cresça por perto do prometido. O Rei também enviou uma mensagem... – ele mostrou o envelope com o lacre dos Targaryen, Ned escutava tudo aquilo sem conseguir processar a informação rapidamente em sua mente e ao mesmo tempo olhava para Catelyn, analisando-a. A mesma estava petrificada — ...e deve ler imediatamente, Lorde Stark, não sairemos daqui de Winterfell de mãos abanando. O Rei não pede, o Rei ordena e se quiser a minha opinião, devo dizer que cometeu um erro gravíssimo. Se a própria mãe pediu desesperadamente, e o Rei atendeu, devemos levar a menina. Perdoe-nos novamente, Lorde Stark, a vida é feita de escolhas e desta vez escolheu a errada.
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