Apenas Juntos
20 Volta às Aulas
Notas iniciais
Como eles aproveitaram aquela viagem! Foram para todos os cantos da cidade, andaram, tomaram banhos de piscina, rio, cachoeiras e fizeram tudo o que tinha disponível. Todos os dias dormiam igual pedra, pois quase nunca paravam quietos.
Os dias passaram voando, e quando menos esperavam, o último dia tinha chego. Os tios de Júlia fizeram uma mini festa, só entre eles. Nathaniel agradeceu muito, estava imensamente agradecido por terem o acolhido tão bem.
E, no meio da tarde, pegaram o ônibus de volta para casa.
...
Nathaniel chegou em casa, e a festa que Dragon e Branca fizeram foi engraçada. Ele estava morrendo de saudades dos seus bichinhos. Depois de abraçá-los várias vezes, foi até a casa do vizinho, o agradeceu e pagou.
Mesmo cansado, desfez suas malas, colocou as roupas sujas para lavar, fez algo para comer e foi se deitar. Já estava tarde. Queria demorar a levantar no domingo. Nem percebeu que dormiu, e no outro dia, acordou meio dia. Acordar tarde o deixava com muita preguiça, mas não se importou. Hoje era o último dia de férias e o queria aproveitar preguiçosamente.
Limpou a casa vagarosamente, fez seu almoço e passou o dia vendo filme. Lá pras seis horas, Júlia veio e pediram pizza.
...
Depois de cumprimentar quase todos os professores e saber das novidades, foi informado que iriam ter novos cursos. Então teriam mais alunos por ali.
A escola ainda estava vazia, poucos alunos tinham chego. Nathaniel foi para sua sala, mas antes de entrar, algo chamou sua atenção. As duas últimas salas estavam abertas, sendo que elas não eram mais usadas, exceto quando a moça da limpeza estava ali, mas aquilo não acontecia em horário de aula.
Talvez fossem alunos mexendo nas coisas.
Nathaniel foi até a penúltima, mas não tinha ninguém. Olhou na última e viu alguém agachado, mexendo em algo. Antes que abrisse a boca para falar, a pessoa levantou.
Ele congelou no lugar. Não tinha como não reconhecer aquele cabelo e aquelas costas. Ele sentiu seu coração esquentar e acelerar rapidamente, fazendo suas costelas doerem.
Não é possível. Tem certeza que é ele? Não pode ser, eu estou confundindo. Não tem como.
O homem estava mexendo em vários fios, tentando desenrolá-los. Ele se virou um pouco, e Nathaniel conseguiu ver um pouco de seu rosto. Sim, era ele, mas como?
Castiel começou a se virar, e rapidamente o loiro se encostou na parede. Ouviu os fios sendo largados no chão, e, como uma criança se escondendo dos pais, correu de volta, entrando na primeira sala que estava aberta. Esperou um pouco, mas não ouviu passos como esperava.
Arriscou olhar para o corredor, e não o viu. Correu para sua sala e fechou a porta.
Parecia que seu coração ia rasgar seu peito, seu estômago parecia ter uma convulsão e seu cérebro parecia não querer destravar.
Não consigo entender. O que ele está fazendo aqui? Ele não estava em outra cidade? O que eu faço? Não posso olhar para ele. Como vou descobrir o que ele está fazendo aqui?
Nathaniel além de nervoso, estava confuso. Tentou se concentrar em suas coisas, e começou a passar para o quadro a lição da primeira aula. Depois que a aula começou, explicou a lição e deixou os alunos a fazendo e conversando ao mesmo tempo, enquanto se torturava mentalmente mais um pouco.
— Você viu? — Uma aluna que estava sentada na primeira carteira cochichou para a outra ao seu lado. — Um novo professor?
— Não — cochichou de volta. — Qual?
— Um que estava na sala no final do corredor. Lá é a sala de música. Ele estava conversando com o professor Marcus. Ele é muito lindo!
— Nossa, eu preciso ver!
— Quando bater o sinal do intervalo ficamos no corredor, provavelmente ele irá passar.
— Okay. Não sabia que tinha sala de música.
— Sempre teve, mas não tinha professor. Acho que o último se demitiu e não conseguiram outro.
— Uau. Deve ser legal ter aula de música! Sempre quis aprender violão.
— Eu também. Imagina ter aula com um professor gato desses. — Elas riram.
Claro que Nathaniel sentiu uma pontada de ciúmes. Não tinha como evitar. Era angustiante ouvir aquilo. Na verdade, ele não sabia o que era mais angustiante. Ouvir aquilo ou saber que Castiel iria dar aulas lá.
O que faria? O que ele falaria? O que o loiro iria responder? Tantas dúvidas, e todas cobertas de medo.
— Tudo bem, professor? — Uma aluna veio até sua mesa com o caderno.
Ele se assustou. — S-sim... Já acabou?
— Já. — Entregou-lhe seu caderno. — Você não parece estar muito bem.
Nathaniel deu um visto. — É, estou com algumas coisas para pensar. Nada demais. — Forçou um sorriso. — Pronto. — Devolveu o caderno.
— Obrigada. — E voltou ao seu lugar.
Melhor tentar melhorar minha cara, ou todos os alunos irão perguntar o que eu tenho.
...
Quando bateu o sinal da última aula, todos os alunos foram embora. Essa era a hora que Nathaniel mais temia. Ele queria fechar a porta e ficar trancado ali até o próximo período começar, mas tinha que almoçar, apesar de não estar com fome.
Pegou seu celular do bolso da calça, e começou a digitar uma mensagem para Júlia.
“Castiel está aqui. Não sei o que fazer.”
Meio minuto após mandar, seu celular começou a tocar. Claro que ela iria ligar.
— Como assim ele está aí? Nathaniel, o que está acontecendo?
— Eu não sei, ele simplesmente estava aqui quando cheguei. Estava na sala de música, o vi mexendo nos instrumentos. E ouvi uma aluna falando que havia um novo professor de música, e o chamou de gato.
— Há, ficou com ciúme né? Mas como ele foi parar aí?
— Não sei, Júlia, não sei. — Debruçou na mesa. — E também não sei o que fazer. Não quero olhar para ele. Como queria poder ir embora. Mas não adiantaria, amanhã o veria de novo, e depois de novo e de novo.
— Bom, não tem muito a ser feito. Uma hora você vai dar de cara com ele.
— Acho que vou me demitir. Vou procurar outra escola. Não vai ser difícil arranjar outro emprego.
— Você realmente acha necessário?
— Estou pensando seriamente nisso.
— Ai, Nath... Precisa ter coragem. Vai ter que encarar essa e...
— Castiel! Não vai almoçar? — Alguém falou alto no corredor.
Nathaniel gelou, levantando a cabeça instantaneamente, e ficou em silêncio.
— Nath...? — Júlia falava.
— Já estou indo. — Ouviu a voz de Castiel longe, fazendo eco no corredor.
— Nath?
— Ele estava aqui... — sussurrou. — Ele estava no corredor.
— Ele te viu?
— Não. Minha porta está fechada. Se estivesse aberta teria visto. — Apoiou a cabeça em uma mão.
— Eu realmente não sei o que te dizer. Eu também não saberia o que fazer se estivesse no seu lugar.
— Achei que você teria uma resposta sarcástica. — Deu um riso forçado.
— Eu poderia dizer para você mandar tudo pro inferno, e quando o visse, só o ignorasse. Mas sei que não tem como.
— Não mesmo. Estou tão nervoso que não consigo rir disso.
— É, não tem como ajudar nessa situação. Só depende de você.
...
Nathaniel deu sorte. Castiel não estava no refeitório, então pode comer um pouco sem se preocupar, e depois, foi ao banheiro da sala dos professores. Enquanto lavava as mãos, outra pessoa entrou e foi para o mictório. Ele não queria olhar. Seu nervoso crescia mais a cada milissegundo. E se fosse ele?
Pegou uma toalha de papel rapidamente, e secou suas mãos. A jogou no lixo e deu um passo à porta.
— Eu fui buscar meu cachorro... — A mão de Nathaniel congelou na porta, igualmente seu coração. — Mas alguém não estava em casa.
O loiro sentiu sua boca seca, e sem muita coragem, olhou para Castiel. — Eu estava viajando.
— Você deixou meu cachorro sozinho enquanto viajava?
— Não! Meu vizinho estava cuidando dele. Ele está bem.
Castiel cruzou os braços. — Viajou, hein? Foi com sua namorada?
— Namorada? Não. Eu não tenho namorada.
— Não deu certo com aquela garota que estava com você?
Era estranho lembrar daquilo. Parecia que tinha se passado uma eternidade.
— Nunca foi a intenção dar certo. — Como me sinto idiota.
— Hmm. — Se virou, ficando de frente para o mictório.
Sem dizer mais nada, Nathaniel virou-se e saiu. Foi direto para sua sala e fechou a porta, se encostando nela. Respirou fundo, passando as mãos pelo cabelo. Seu coração parecia que iria rasgar seu peito. Seu corpo todo vibrava e suas mãos estavam geladas.
Não foi tão ruim assim, calma.
Não dava pra saber o que Castiel estava pensando. Nathaniel não sabia exatamente do que tinha medo. Dele ficar puto e querer resolver isso na porrada, ou querer ferrar com a vida dele de alguma forma, ou pior, ficar se pegando com alguém em sua frente. O que seria pior? Os dois últimos, já que uma briga ficariam alguns hematomas que logo sumiriam. Já os outros dois deixariam marcas mais profundas.
Em todo caso, ele queria evitar todos os tipos de marcas. As únicas que queria, talvez já não fosse possível tê-las. Ele só queria ir para casa, se deitar e pensar no que aconteceu. Mas tinha mais um período pela frente. Tinha que se segurar no lugar.
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