Apenas Juntos
1 Vida nova
Notas iniciais
— Bom, finalmente — disse Nathaniel para o ar, no meio da sala repleta de caixas de papelão.
Olhou ao redor, procurando sua gata mas não a viu. De repente, viu uma caixa se mexendo e viu Branca pulando dela.
— Ah, você está aí. Por um momento achei que tinha te esquecido lá. — Agachou e começou a acariciá-la. Branca miou e se esfregou em suas mãos. Nathaniel voltou sua atenção às caixas, tirando roupas e utensílios.
Hoje já poderia ficar, já que os eletrodomésticos haviam chego. Depois de vários meses dando aulas particulares de inglês, conseguiu juntar dinheiro para comprar sua própria casa.
Apesar de gostar do loft em que estava, o lugar ainda lembrava seu pai, de certa forma, mesmo não pagando mais suas despesas. Queria ficar em seu próprio lugar, e comprar uma casa com seu próprio dinheiro. Assim que acabou a escola, passou pelos exames de uma ótima faculdade e começou a trabalhar meio período, e no mesmo período seu pai parou de o sustentar. E mesmo por ter se esforçado muito, estava tremendamente feliz. Feliz por onde havia chego até o momento.
Alguns meses atrás, fez uma entrevista para trabalhar em uma escola particular, como professor de cursinho de inglês. Desde então, juntou ainda mais dinheiro para começar sua nova vida. Ele estava muito feliz, mas sentia que ainda não fazia tudo aquilo que poderia fazer. Tudo o que antes seu pai não deixava. Só não sabia exatamente o quê.
Terminou de desempacotar as coisas e começou a arrumar tudo. Uma das coisas que não perdeu foi a organização. Ele sempre ouvira que deveria arrumar e deixar cada detalhe impecável, e agora valorizava isso, ainda mais por que não tinha alguém gritando em sua orelha. Mas não conseguia conviver com bagunça, muito menos sujeira.
O lugar era pequeno, mas sabia que devia cuidar para que nunca ficasse bagunçado. A casa era daquelas germinadas. E a de Nathaniel tinha dois quintais e um corredor ao lado esquerdo do terreno. Olhando da rua, dava pra ver a porta de entrada centralizada na parede e duas janelas de cada lado. Ao entrar, havia uma mureta do lado direito. Do lado dela estava o fogão seguido da pia, que encostava na outra parede. De frente a eles, ficavam os armários e a geladeira, também perto da parede.
Do lado esquerdo, estava a sala de jantar, com uma mesa redonda de vidro e quatro cadeiras. Seguindo a posição da mesa, para frente, haviam duas poltronas e, atrás delas, uma grande janela. Mais para a frente, ficava a escrivaninha e uma estante lotada de livros, encostados na parede de onde era o quarto.
Olhando para a direita, do outro lado da sala, encostado na parede da cozinha, ficava o rack e uma TV de LCD. De frente a eles um sofá em formato de L. Atrás do sofá, ficava a parede do banheiro. A entrada dele ficava no pequeno corredor que formava com o quarto, juntamente com a porta do próprio quarto. Nesse mesmo corredor, tinha a porta dos fundos, onde dava para a lavanderia, no quintal de trás.
Depois de arrumar tudo, Nath foi cozinhar algo. Fez uma porção de macarrão à alho e óleo. Antes de levar seu prato a mesa, parou em frente ao armário, pegando um pote de plástico.
— Branca, hora do jantar — disse colocando ração no pratinho colorido, no chão. — Preciso comprar mais ração, está acabando — constatou para si mesmo. Guardou o pote de volta e pegou seu prato, indo para a mesa. Branca veio e os dois começaram a comer.
Quando terminou, deixou seu prato na pia e foi pra sala, ignorando seu impulso de limpeza. Ligou a TV e se jogou no sofá. Passou os canais, mas não tinha nada de interessante.
Nathaniel suspirou. — Saco... — E levantou.
Foi para a cozinha e começou a lavar a louça.
...
— Agora sim — disse aliviado quando terminou.
Apagou a luz da cozinha, e foi ao quarto, para pegar algumas roupas e foi tomar banho. Quando voltou, Branca já estava deitada na cama. Apagou as luzes e se deitou, exausto.
Nathaniel acordou “tarde” — na sua opinião — nove e meia, e decidiu limpar a casa. Tomou café, deu comida pra gata e começou a limpar. Fez uma pausa pro almoço, terminou a limpeza e colocou as roupas sujas na máquina.
Branca o olhou enquanto se trocava.
— Eu sei que hoje é sábado — disse a ela —, mas é o único dia que dá para ir comprar sua ração. Cuida da máquina pra mim? — Ela miou em resposta, e ele sorriu. — Então tá. Já volto.
Saiu do quarto, pegou suas chaves na mureta e saiu, trancando a porta. Andou dez minutos até o bairro mais movimentado e foi ao pet shop. O pet dali era grande, quase um supermercado. Foi para a sessão das rações e procurou a marca que costumava comprar.
Estava olhando as prateleiras quando viu um cachorro grande no final do corredor. Ele estava com a guia, mas sem o dono. O cachorro olhou diretamente para Nathaniel e latiu. Não alto, nem agressivo, mas de um jeito engraçado, porque não foi muito alto, quase um sussurro. Ele correu e chegou perto, cheirando a calça de Nath.
Nathaniel abaixou, e o cão cheirou sua cara, e abanou o rabo. — Eu te conheço de algum lugar, é? — perguntou fazendo carinho nele.
O pelo do cachorro era preto, brilhante, e haviam duas manchinhas marrom acima de seus olhos.
— Dragon?! Volta aqui agora! — Escutou alguém gritar.
Dragon? Não é possível...
Alguém parou onde o cão havia parado antes e olhou diretamente para os dois. Parecia aliviado por saber onde o cão estava, e ao mesmo tempo surpreso por quem estava fazendo carinho nele. O rapaz andou até eles, e parou perto do cão.
Nathaniel levantou. — Castiel.
Castiel deu um sorrido de lado. — Nathaniel.
...
Nathaniel ficou surpreso ao ver Castiel “normal”. Estava com o cabelo da cor natural, mas ainda grande, na metade do pescoço. Não o via desde a graduação da escola.
— Quer dizer que você virou gente? — O loiro zombou.
Castiel riu. — Talvez. E você continua na mesma.
— Mais ou menos — disse sem graça. — Como você está?
— Na merda — Riu, irônico, se abaixando e pegando a coleira.
Nathaniel riu. — Imaginei que diria isso. Mas por que exatamente na merda?
Castiel suspirou, aparentemente cansado. — Bom, digamos que as coisas não estão ao meu favor — Cruzou os braços. — Você pelo jeito está bem.
— É... Estou bem. Você está morando aqui perto?
— Por enquanto, sim.
Dragon levantou em um salto e Castiel o segurou. — Ele não gosta de ficar aqui. Vamos para outro lugar.
Nathaniel pegou a ração que escolhera, e viu que Castiel também tinha pego uma, um pouco maior, e foram em direção ao caixa.
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