Apenas Juntos
2 Cachorro Perdido
Notas iniciais
Os dois foram para uma lanchonete ali perto, e ficaram em uma mesa ao ar livre.
Uma garçonete veio até a mesa. — Boa tarde. Desejam pedir algo?
— Um expresso. — Castiel falou sem a olhar.
Nathaniel olhou o cardápio. — Hm... um suco de laranja, por favor.
— Ok... — Anotou em seu bloco e voltou para dentro.
Dragon se deitou debaixo da mesa, ficando com a cabeça perto dos pés de Nathaniel e o rabo perto dos pés do Castiel.
— Então — começou Nathaniel —, o que quis dizer com “por enquanto”?
Castiel cruzou os braços. — Eu vou ter que sair de onde estou. Preciso achar um lugar mais barato, o que está difícil por aqui.
— Foi demitido do trabalho?
Ele deu um meio sorrido forçado. — Quase isso.
A mesma moça de antes voltou com uma bandeja. Colocou um copo de suco na frente do loiro, e uma xícara branca na frente do moreno, o olhando por mais tempo que o necessário.
— Obrigado — agradeceu Castiel.
— Querem mais alguma coisa?
— Não. — O outro respondeu. — Obrigado.
Com uma última olhada para Castiel, a moça saiu. Nathaniel riu, fazendo o outro o olhar com cara feia.
— Enfim — Castiel tomou um gole da xícara. — Se eu não conseguir arranjar um emprego logo, terei que ir procurar uma casa em outra cidade. Tenho um mês pra sair de onde estou, já que já paguei o último aluguel.
Nathaniel achou engraçado. Não pela situação dele, mas como ele tinha explicado. Era a primeira vez que o via falar de seus problemas assim, na boa.
— Bom, por que você não fica na casa de um amigo... Lysandre — Lembrou do nome. — Não fala mais com ele?
— Até falo, mas ele está estudando fora do país.
Uau. — E não tem outros amigos que moram aqui?
— Não. Os que tenho vivem se mudando, nunca param em um lugar só — disse brincando com os saquinhos de açúcar da mesa.
— E seus pais?
— Nem ferrando vou pedir algo pra eles. Tá de brincadeira comigo, é?
Nathaniel levantou as mãos. — Tá bom. Esquece o que eu falei.
— Ainda tenho tempo. Estou procurando.
Ele pode ter mudado um pouco, mas continua com a mesma neura com os pais.
Olhando de relance em seu relógio de pulso, se assustou com a hora. Tateou os bolsos da calça, procurando sua carteira.
— Tem compromisso? — Castiel perguntou se recostando na cadeira.
— É... Esqueci que tenho aula hoje à noite.
— Está estudando o quê?
— Não estou estudando, estou dando aula. — Tirou uma nota de cinco da carteira e a guardou de volta.
As sobrancelhas de Castiel se levantaram e ele sorriu. — É, bem sua cara.
O loiro terminou de tomar o suco e colocou a nota perto da xícara de Castiel. Levantou, pegando a sacola. — Então... boa sorte.
Castiel balançou a cabeça, agradecendo. Nathaniel fez um último cafuné em Dragon e saiu andando.
...
Assim que chegou em casa, desligou a máquina de lavar roupas e tomou um banho rápido. Deu comida a Branca, pegou suas papeladas e colocou em sua mochila. Saiu de casa, e pegou o ônibus, que levava vinte minutos até a escola.
Nathaniel não tinha tido mais notícias de Castiel, e se passaram algumas semanas. Em um dia após o expediente, depois das seis da tarde, iria em um barzinho com alguns outros professores. Entre eles, tinha uma professora de história, Lisa. Ela quase sempre ficava ao lado de Nathaniel, no almoço ou em alguma reunião. E nessas saídas não era diferente.
Eles pegaram uma mesa perto da rua, ao ar livre.
O loiro gostava de Lisa, ela sempre fora simpática e falava sobre todo tipo de coisa, sempre tinha assunto.
Todos da mesa estavam falando sobre seus alunos. Quase sempre eles eram o assunto principal. Nathaniel percebeu que Lisa não estava falando, como o costume. Ela olhava para a rua.
— Algum problema? — perguntou Nathaniel em um tom baixo.
— Eu... Eu acho que vi um cachorro.
— E o que tem ele?
— Eu não gosto de ver cães na rua... Acho que vou pegá-lo. — Levantou-se.
— V-você nem sabe se ele é bravo. — Levantou também.
— Se ele for bravo eu volto.
A seguindo, foram para perto da esquina, e eles viram o tal cachorro. Estava cheirando um poste.
Lisa chegou perto dele. — Oi cachorrinho... — O cão se virou e rosnou alto. Ela deu uns passos pra trás.
— Opa, calma aí. — Nathaniel disse ficando ao lado de Lisa. – Ah, não...
— O que foi?
— É... — O cachorro latiu para ele, mas abanou o rabo, se aproximando.
— É o que? Você conhece ele? Sabe de quem é?
Nathaniel deu um passo pra trás quando o cachorro pulou nele, pedindo carinho. Passou a mão no cachorro. — Sim... Ele se chama Dragon... Só não sei como ele veio parar aqui. — Notou que ele estava apenas com a coleira de identificação.
Lisa tentou passar a mão nele, mas ele rosnou de novo.
— É. — O loiro riu. — Ele é desconfiado... Foi assim comigo também. — Lembrou da primeira vez que o viu, na praia, a alguns anos atrás.
— Então você vai devolver ele para o dono?
— Eu gostaria, mas... não sei onde ele mora.
— E não tem na coleira? — Ela ia pegar o pingente mas recuou antes de chegar perto.
Nathaniel abaixou e olhou o pingente. — Não tem nada... Só o nome dele.
No mínimo, Castiel deve ter achado que era besteira colocar um endereço ou telefone.
— E agora?
— Agora... acho que vou ter que levá-lo pra casa.
— Mas e a sua gata? Não vai dar problemas?
— Das vezes que a Branca encontrou com cachorros nunca saiu briga, então... acho que não vai dar em nada.
— Tomara. — Sorriu, mais aliviada.
— Eu vou... tentar achar o dono dele por aí... Avisa todo mundo, por favor?
— Aviso sim.
— Até amanhã, então.
— Até.
Vamos Dragon... Vamos tentar achar seu dono idiota.
Dragon andou ao lado de Nathaniel tranquilamente, mesmo sem coleira. Eles deram algumas voltas, mas nada. Nem sinal de Castiel.
— E agora? Pior é que eu não tenho ração para cachorro. A menos que você coma de gato. — Dragon o olhou, virando a cabeça, como se tivesse entendido. — É... não, né?
Ele resolveu ir ao mercado mais perto, e comprou um pacote pequeno de ração para cachorros. Os dois foram para casa, e Nathaniel estava torcendo para que ele não brigasse com Branca.
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