Apenas Juntos
3 Novo Amigo
Notas iniciais
Antes de entrar em casa, Nathaniel deixou Dragon cheirando o quintal. Obviamente não deixaria o cão do lado de fora, então precisava se certificar de que ele não avançaria na gata. Ele pensou, mas tinha certeza que não tinha uma corda, muito menos uma coleira. Entrou em casa e foi para o quarto. Branca estava deitada na cama, e olhou para o dono quando as luzes foram acesas.
— Não fique brava comigo, tá? — perguntou procurando algo no guarda-roupas. — Pensa pelo lado bom... Não é outro gato.
Nathaniel achou o que queria. O cinto mais maleável que ele tinha. Voltou ao quintal e se aproximou do cão, deixando que ele cheirasse o cinto, e depois colocou no pescoço do cachorro, não muito apertado. — Ok, vamos ao exame final.
O loiro guiou Dragon para dentro de casa, e parou próximo a sua escrivaninha. — Branca! — A chamou e esperou, mas nem sinal dela. — ... Branca, comida!
A gata saiu do quarto, meio desconfiada, e parou na frente da porta quando viu o cão.
Segurando firme a coleira improvisada, rezou para que ele não avançasse. Os dois se olharam por um tempo, e Dragon levantou, querendo se aproximar. Nathaniel o levou mais para perto, o segurando firme. Dragon começou a cheirar Branca, e ela nem ligou. Só depois que ela quis cheirá-lo também.
O cão abanou o rabo, e Nathaniel suspirou, aliviado. — Ah... obrigado.
Em todo caso, deixou o cinto no cachorro, por precaução. Abriu o saco de ração que tinha comprado e colocou uma porção em um prato, e água em uma tigela. Os deixou no chão, próximo a pia, e Dragon correu para lá, cheirando a comida, e logo começou a comer. Ele parecia estar morrendo de fome.
Quanto tempo será que você está andando por aí?
...
Na hora de dormir, Nathaniel pensou em colocar umas cobertas em cima do tapete, mas quando foi ao quarto, Dragon estava deitado no final da cama. Provavelmente estava acostumado a dormir com Castiel. Nathaniel se deitou, e mesmo mexendo as cobertas e fazendo barulho, o cão não acordou. Devia estar realmente cansado.
Branca apareceu na porta, deu um pulo na cama, e se assustou quando viu o cachorro deitado. O cheirou e fez um leve chiado. Talvez estivesse o xingando por roubar seu lugar.
Nathaniel riu e a puxou para perto, a fazendo deitar. — Para de graça, tem espaço suficiente para todo mundo.
Branca ronronou quando foi coberta, e logo caiu no sono.
...
— O que eu faço com você? — Nathaniel perguntou tomando café e vendo os dois bichos comendo.
Assim que acordou, Nathaniel deixou a porta dos fundos aberta, e Dragon foi lá fora. Cheirou algumas partes do quintal e fez suas necessidades.
Ele só tinha um período de aula hoje, e não sabia se deixava a porta fechada ou aberta.
Entre ser roubado e ter um cocô na sala, melhor a segunda opção, certo?
Nathaniel fez as últimas coisas na casa, checou água e comida, e fechou as janelas e a porta do fundo. — Comportem-se, tá? Tentem não fazer bagunça.
Tinham alguns brinquedos e bolinhas espalhados. Talvez Dragon se interessasse e deixasse os móveis intactos.
Saiu de casa e foi para a escola. Lisa queria saber sobre o cachorro, e ele contou todos os detalhes. Ela ficou feliz que Dragon tinha se dado bem com a gata. O resto do dia passou tranquilamente. Dragon não fez nenhuma sujeira ou bagunça, e enquanto o loiro corrigia algumas atividades, brincava de vez em quando com eles.
No sábado, Nathaniel deu uma geral na casa e decidiu ir ao pet shop. Queria comprar uma coleira para Dragon, já que ele parecia estar acostumado a passear. Quem sabe não encontrava Castiel de novo?
Assim que chegou ao pet, deu uma volta no lugar. Estava cheio, e ele olhava mais atento para as pessoas, tentando achar um rosto conhecido. Mas não achou. Foi para a seção de coleiras, mas ficou na dúvida em qual pegava. Até pediu ajuda a uma vendedora, explicando como o cachorro era. Ele pegou a que ela tinha indicado, e pegou outro pacote de ração. Foi ao caixa. Enquanto a moça passava as coisas, Nathaniel viu o mural atrás dela, onde haviam vários folhetos e um deles falava sobre as vacinações daquele ano.
Branca já estava vacinada, mas e Dragon?
Deu o dinheiro e colocou as coisas na sacola. Olhou de relance para onde as sacolas estavam e viu um montinho de papel colorido. Pegou um e olhou para a foto, reconhecendo o cachorro que estava nela.
“Procura-se cachorro perdido chamado Dragon. Desapareceu quinta feira a tarde. Falar com Castiel. Número xxxx-xxxx (celular)”
Finalmente, te achei!
...
Nathaniel andou o mais rápido que pôde. Chegou em casa e pegou o telefone, olhando para o papel. Estava ansioso para avisar que Dragon estava bem. Discou o número. Chamou várias vezes mas não atenderam.
Só faltava essa. Ele colocar um número e não atender.
Resolveu esperar. Enquanto isso, testou a guia em Dragon, e ficou perfeita. Agora não ia mais levar ele para passear. Nathaniel até se sentiu um pouco triste, já estava se acostumando com o cão. Até pensou em não ligar, mas seria errado. Ele sabia que Castiel devia estar desesperado.
Discou novamente, e na terceira chamada alguém atendeu.
— Alô? — Escutou a voz de Castiel, um pouco rouca.
Por um momento, Nathaniel não sabia o que falar. — Castiel?
— Sim, sou eu.
Ele achou que Castiel reconheceria sua voz, mas não o fez. — Oi... é o Nathaniel.
— ... Nathaniel? — Estranhou. — Como conseguiu meu número?
— Ah, não foi você que perdeu um cachorro?
— Não, espera! — Quase berrou. — Você achou meu cachorro?
— Aparentemente, sim.
Castiel suspirou, e deu para ouvir ele se sentando ou deitando. — Você tem noção do quanto eu queria ouvir isso? — perguntou numa voz baixa, um pouco abafada.
— Eu acho que sim. — Nathaniel se sentou no sofá, e Dragon deitou-se ao seu lado, colocando a cabeça em sua perna. — Ele está aqui do meu lado. Acho que está com saudade.
— Você vai dar aula hoje?
— Vou...
— E amanhã? Você não trabalha de domingo, né?
— Não. — Riu. — Amanhã estou livre.
— Me passa seu endereço. Vou passar aí de tarde.
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