Apenas Juntos

12 Problemas Alheios e Ligações Ignoradas


Notas iniciais
Yay olha só quem já está aqui! Quero compensar o atraso da semana passada, então lá vem o próximo capítulo! Ouvi um amém? -nn Boa leitura! o

Nathaniel acordou, foi ao banheiro, e passou pela sala em silêncio. Mesmo sabendo que Castiel dormia igual uma pedra, não queria dar de cara com ele logo cedo. Deu comida para os bichos, tomou café e arrumou suas coisas. Foi para a academia e depois para escola.

Antes de entrar pelo estacionamento, viu Lisa pegando alguma coisa de dentro de seu carro, o que fez seu coração disparar.

Ah, não. Eu esqueci dela... O que eu faço?

Suas mãos ficaram geladas, mas mesmo assim, se aproximou do carro. — Precisa de ajuda?

Lisa deu um pulo, batendo a cabeça no teto do carro, e o olhou assustada. — Nath... — Começou a ficar vermelha.

— Olha... — Ele levantou as mãos, com as palmas em direção a ela. — V-vamos esquecer o que aconteceu... Você tinha bebido além do que estava acostumada e...

— Nath, por favor. — Colocou a mão na cara. — Me perdoe, eu fiquei me torturando o fim de semana todo, além de ter ficado com uma dor de cabeça terrível. Eu não pensei antes de fazer aquilo... — Seus olhos começaram a se encher de água.

— Ei, ei! — Nathaniel colocou as mãos em seus ombros. — Calma. Não foi nada demais, já passou, ok? — Ela abriu a boca para falar, mas nada saiu. — O que foi? Não é só isso, é?

— Não.

— A gente conversa no almoço, tudo bem?

Balançou a cabeça, afirmando. — Tudo bem.

Ele a ajudou a pegar suas coisas e os dois entraram na escola.

...

— Então, agora me conte.

Nathaniel e Lisa foram para o refeitório dos professores e pegaram seu almoço. Se sentaram no canto, um pouco afastado dos demais. Lisa parecia abatida.

— Bem... Basicamente, eu não aguento mais morar com meus pais. Na sexta, geralmente quando saímos, eu sempre acabo chegando tarde, e eles sempre me esperam para dormir. Por mais que eu diga que não precisa, quando eu chego eles estão lá. E sempre querem me dar sermões... — Nathaniel a olhou como se dissesse “mas você não é mais criança”. — Eles são religiosos, Nath. Não aprovam esse “comportamento” — Fez sinal de aspas. — Então, para não encherem tanto, combinamos que eu iria à igreja sábado e domingo, para me limpar das impurezas, como eles dizem. — Revirou os olhos. — Mas... dessa vez passou dos limites. Eles viram que eu bebi, e me fizeram passar a maior vergonha da minha vida naquela igreja.

— Mas Lisa... Você não ganha mal, porque não aluga uma casa? Ou um apartamento.

— Bem que eu queria, Nath. Mas não consigo mais juntar dinheiro. Eu sempre tenho que ajudar em casa, tenho que comprar coisas, pagar algumas contas. Isso quando eles não inventam que tenho que doar dinheiro para a igreja...

Nathaniel não sabia o que dizer. Não sabia como ajudar. Não era igual ao seu caso, que desde a escola tinha se emancipado dos pais, e seu pai pagava suas contas. Lisa sabia dessa história.

— E Nath... Eu recebi uma proposta de emprego... Em outro estado. Eu ganharia melhor do que aqui, e teria um lugar para ficar nos primeiros meses... Mas estou com muito medo.

— Medo de quê?

— De não me adaptar. A princípio, fiquei muito feliz, a primeira coisa que me veio à mente era que eu iria poder sair daquela casa. Mas... Eu tenho medo de não me enturmar, ou não gostar de lá... Ficar com saudade daqui... Eu perguntei se podia pensar, e me deram um prazo de duas semanas. O que você faria, Nath? Se estivesse no meu lugar?

— Eu iria, sem dúvida. Lisa, tudo é questão de costume. Você iria se acostumar com as coisas de lá. E seria impossível você não se enturmar.

Ela remexeu a comida com o garfo. — Acho que sim...

...

O clima com Castiel estava um pouco estranho e distante. Trocaram poucas palavras durante a noite. Não que antes conversassem muito.

A única coisa que o loiro reparou foi que o celular de Castiel não parava de tocar, mas ele não atendia. Olhava a tela e jogava o aparelho de volta onde estava. Logo começou a ficar irritado e um tempo depois o deixou no silencioso.

Antes de ir para o quarto, Nathaniel viu o celular aceso no sofá. Estavam ligando de novo.

Castiel estava no banho, então pegou o celular para dar uma olhada. A chamada tinha sido finalizada. Olhou os registros e tinham vinte chamadas perdidas e cinco mensagens já vistas.

Não tinha nome, nem foto, então olhou as mensagens.

“Castiel, atende essa bosta”, “Qual seu problema? Por que não quer atender? Não tô interessada em você, quero que me passe o número do Nath”, “Pelo amor de Deus, só me passa o número dele, caramba!”, “Pf Castiel, nunca te pedi nada” e “Eu vou te ligar até você atender e me passar”.

Ele riu. Imaginou Júlia ficando nervosa e xingando Castiel através do celular.

Ela voltou a ligar, e Nathaniel atendeu, indo para o quintal. — Alô?

— NATH?! É você?

— Sim. — Deu risada.

— Ai meu Senhor, não acredito nisso! Finalmente esse idiota passou para você!

— Ele não passou, ele está tomando banho e peguei o celular dele. Ele não sabe.

— Maldito! Por que ele não queria me passar teu número?

— Não sei, de verdade.

— Enfim. Que bom que você atendeu, Nath! Aff, estava quase desistindo.

— Sua persistência deu certo. — Sorriu.

— Sim! Agora me passa logo teu número.

Nathaniel passou seu número e depois desligou, deixando o celular no mesmo lugar em que o pegou. E depois foi para seu quarto, rindo sozinho com a animação de Júlia.

Notas finais
Sinto cheiro de treta no ar huhsuas