Apenas Juntos
15 Despedida?
Notas iniciais
Nathaniel foi para a escola já pensando no momento em que teria que voltar para casa. Hoje não tinha atividades para corrigir, e nenhum outro motivo para ficar na escola após as aulas. Teria que ir. Ou achar um lugar para enrolar.
Um de seus medos era que Castiel estivesse puto por causa de Júlia. Não sabia exatamente o que ele ainda sentia por ela, mas o fato dela estar andando mais com ele o incomodava de alguma forma, e talvez isso causasse mais discussões. E é claro, ele queria evitar ao máximo ficar sozinho com Castiel. Depois daquele telefonema, logo após o que tinha acontecido entre eles, deixou claro que Nathaniel não poderia confiar nele, e obviamente, se deixar levar pelos momentos a sós.
No almoço, Nathaniel pegou sua comida e se sentou em uma mesa mais ao fundo. Não estava com vontade de ficar rodeado de outros professores.
Seria legal se Júlia estivesse aqui.
Ele sentiu seu rosto corando quando se tocou no que tinha pensado.
O que eu estou pensando? A Júlia anda muito em minha cabeça ultimamente. Ela não me deixa em paz. Não que eu esteja reclamando. Ela tem me alegrado, mas...
— Nath? — Lisa o acordou de seus pensamentos. — Você está bem? — Se sentou em sua frente, colocando a bandeja de comida na mesa.
— Ah, sim. Estou. E você?
— Estou bem. Será que posso pedir sua ajuda para uma coisa?
— Claro.
...
Ele ficou feliz. Seus pensamentos foram ouvidos. Lisa pediu ajuda para ajudá-la a pegar algumas caixas que estavam no sótão. Ela não aguentava pegar todas sozinha.
Então, as sete e pouco da noite, foram para a casa dela. Lisa puxou a escadinha do sótão, subiu e foi pegando as caixas escolhidas, passando para ele, que ficou na escada. Elas eram realmente pesadas. Lisa poderia cair tentando levá-las para baixo.
— Eu não vou levar tudo. Nem tenho malas para isso — comentou enquanto estavam sentados no chão abrindo as caixas. — Tem muita coisa da minha faculdade, da escola... — Tirou uns cadernos e começou a folheá-los. — Saudade dessa época. Você sente falta da escola?
O ensino médio passou pela cabeça dele. Lembrou dos colegas de sala. A época em que ele e Castiel eram brigados por causa da Debrah... Quando ele o ajudou a tomar a decisão de se emancipar dos pais... — Bom, não sei bem. Acho que sim.
— Com essa demora para pensar não parece que sente — Sorriu.
— Eu não aproveitei muito. Eu era representante do grêmio estudantil. Estava ocupado tentando agradar meus pais e deixá-los orgulhosos, então, só tenho lembranças melhores depois que me emancipei deles.
— Entendo. Eu também era quase assim. Meus pais sempre foram rígidos, então nunca me enturmei muito. Sempre tive medo de fazer algo e eles descobrirem.
— Somos parecidos nisso.
Depois de pegar tudo o que ela queria levar, Nathaniel levou as caixas de volta para cima. Eles arrumaram alguns materiais e roupas dentro das malas, e Lisa as colocou em um canto do lado do guarda roupa. E depois foram para a cozinha preparar um lanche enquanto conversavam.
...
— Desculpa, Nath, vou ter que te expulsar. Daqui a pouco meus pais chegam. — Levantou.
— Ah, tudo bem. Acho que não seria nada bom se eles me encontrassem aqui, né? — Levantou também.
— Não mesmo. — Sorriu e andou até ele. — Obrigada por ter me ajudado. — Levantou os braços.
Nathaniel abaixou e a abraçou. — De nada. Se precisar de ajuda de novo é só falar.
Lisa levantou o rosto, ficando de frente ao rosto dele. Se olharam, e Lisa o beijou, começando a ficar vermelha.
— Lisa... — Ele disse entre a boca dela.
— Nath, eu sei que você não gosta de mim — falou, ainda encostada em sua boca. — Mas eu não quero me arrepender de não ter expressado meus sentimentos. E eu sei o que estou fazendo, não precisa se preocupar. — E voltou a beijá-lo.
Ele não sentia vontade de se afastar, mas também não achava que era certo, já que não compartilhava o mesmo sentimento dela. Mas... acabou retribuindo o beijo, a segurando pela cintura. Ela abraçou o pescoço dele, e pouco depois afastou o rosto. — Eu vou embora no sábado, Nath. Será que podemos fazer algo diferente amanhã?
— Diferente tipo o quê?
— Eu não sei... Os outros professores querem fazer uma reunião de despedida no mesmo bar de sempre. Mas eu queria fazer algo diferente depois.
— Tudo bem. Podemos pensar em algo.
Ela sorriu. — Obrigada. — E deu um último beijo antes de se afastar.
...
Eram dez horas quando Nathaniel chegou em casa. Castiel estava deitado no sofá, então passou rápido, indo para o quarto. Se sentou na beirada do final da cama.
Ele sabia que era errado ter beijado Lisa, mas apesar disso, se sentiu bem ao saber que ela gostava dele. Foi uma demonstração pura da parte dela, e de certa forma ele entendia. Ela não queria ir embora sem antes deixar seus sentimentos claros. Assim poderia recomeçar no novo lugar.
Nathaniel gelou ao ouvir a porta de seu quarto abrindo. Seu estômago se apertou.
— Onde você estava? — Castiel entrou no quarto, com cara de sono.
— Por que quer saber? — O olhou.
— Só estou perguntando. — Andou até o guarda roupa e encostou nele, cruzando os braços, ficando quase ao lado do loiro.
Essa pose rude de Castiel o deixava irritado. Em qualquer lugar que fosse, ele teria essa pose de durão, esse ar de autoridade. Que ao mesmo tempo que o irritava, deixava seus hormônios a flor da pele.
Nathaniel apoiou o pé direito na cama e começou a desamarrar o tênis.
— Qual o problema, representante? — Castiel se aproximou, ficando na frente dele, pegando seu rosto com uma mão e o levantando. — Ocupado demais com a Júlia? — Se abaixou, ficando com o rosto no mesmo nível que o dele. — Ela dá trabalho, não é? — disse baixo, com o rosto bem perto.
— Qual o seu problema? — Pegou a mão de Castiel e a tirou de seu queixo, se afastando.
Antes que conseguisse se mover, Castiel o empurrou pelos ombros, o fazendo deitar, e ficou em cima dele, segurando seus punhos contra o colchão. Apoiou um joelho do lado de fora de sua perna direita, e o outro joelho ficou entre as pernas de Nathaniel.
— Você está se achando, não é? Só por que ela tá de dando mole.
— Vai se foder, Castiel. Se ela estivesse ou não, isso não é da sua conta.
Não dava pra saber o que Castiel estava pensando. Sua cara não mostrava nada.
Castiel não disse mais nada. Apenas continuou o olhando, e aproximou seu rosto levemente. Moveu sua perna direita mais para frente, encostando entre as pernas do loiro, o fazendo pular de susto.
— Parece que ela não terminou o serviço. — Deu um sorriso de lado, sarcástico.
O loiro ficou vermelho. Nem tinha percebido que tinha ficado duro. Esse era o poder que Castiel tinha sobre ele. O pior de tudo era que não dava para disfarçar.
De repente, Castiel soltou os pulsos do outro, descendo a mão, e começou a beijá-lo. Começou a passar as mãos nele por cima da calça, e logo em seguida, desabotoou-a e abaixou o zíper.
— Cast... Par...
Castiel tapou a boca de Nathaniel, o olhando. — Shhh.
Com a ponta dos dedos, puxou sua cueca para baixo, o deixando a amostra.
— Você estava com a Júlia?
Nathaniel não respondeu.
— Não vai falar? — Esperou uma resposta, mas nada. — Acho bom você dizer, sim ou não.
Ainda com a mão sobre a boca dele, Castiel abaixou o corpo, descendo.
— Castiel, não! — O som de sua voz saiu abafada.
Já era tarde. Castiel já estava com a boca lá. Que chantagem suja. Suja e tão boa.
Nathaniel tentou empurrar a cabeça dele para longe, mas ele nem se mexia. Suas forças estavam começando a sumir, conforme sentia a língua quente brincando com ele.
— Castiel...! Para! Para...! — Puxou seus cabelos para cima.
Castiel subiu de volta e tirou a mão da boca do loiro. — Estava ou não?
— Eu não estava com ela — disse, ofegante.
Aproximou seu rosto a base do pescoço dele, e cheirou sua camisa, levemente. — É, parece que não.
— E como você sabe?
— Esse perfume que está na sua camisa não é dela.
Seu coração começou a bater mais rápido. De raiva. — Então você sabe muito bem qual perfume ela usa, não é?
— Sei. Ela usa o mesmo desde que eu a comi pela primeira vez — disse, levantando rapidamente. — E a propósito, eu vou embora amanhã. — E saiu, batendo a porta atrás dele.
— ... Imbecil — disse, subindo sua calça.
Deu para ouvir Castiel pegando suas chaves e saindo para o quintal. Logo depois, ligou a moto e saiu para a rua.
Por que ele ficou com raiva? Eu é que deveria ficar com raiva aqui. Você é um babaca, Castiel. Um idiota completo.
— Que ótimo que você vai embora! — disse para o alto. — Nem sei por que tive a brilhante ideia de deixar você ficar aqui.
Só me deu dor de cabeça. Só mexeu com a minha vida... A única coisa boa foi ter conhecido Júlia... O que será que ela falaria se eu contasse tudo isso? Ela já ficou com Castiel, e ainda deve ter algum interesse nele. Talvez ficasse com raiva de mim. Eu não sei... Bom, ela não tem culpa de nada disso. Nem deve imaginar o quanto o nome dela foi falado em nossas discussões.
Tateou o bolso da calça, e pegou o celular. Tinha uma mensagem dela.
“Estava pensando em sair amanhã, topa?”
“Amanhã... Não posso. Irei em uma reunião de despedida de uma colega da escola.”
“Ok, então sábado.”
“Vou pensar na sua proposta.”
Ele não estava afim de sair. Muito menos agora, depois daquilo. Ele iria pensar em uma desculpa, talvez uma gripe ou uma ressaca. Qualquer coisa.
Se ele vai embora amanhã, vai aproveitar quando eu estiver trabalhando pra pegar suas coisas. Então acho que hoje foi a última vez que o vi. Que bela despedida...
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