Notas iniciais
Oi gentiii! Boa leitura!

O celular começou a tocar e Nathaniel acordou em um salto, assustado. O pegou, desativando o despertador, e viu que tinha chego uma mensagem.

“Bom dia, loirinho! Vamos começar o dia fazendo uma corrida”

Um sorriso apareceu em seu rosto, e logo respondeu.

“E eu começo o dia com aula de boxe. Bom dia” — Talvez agora, Júlia fosse a única que conseguiria me fazer rir.

Ele não sentia vontade de levantar, mas também não queria ficar no mesmo teto que Castiel. Esse último sentimento era mais forte, e o fez levantar. Deixou o celular no bolso da calça, e foi ao banheiro, depois, foi para a cozinha, e enquanto fazia um sanduiche, ouviu seu celular tocando.

— Alô?

— Sério, Nath, vem correr comigo.

— Eu disse que tenho aula de boxe — disse um pouco baixo, apoiando o celular no ombro e continuando a fazer seu café.

— Só meia hora, por favor! Você é a única pessoa que eu conheço que faz algum tipo de exercício de manhã... Que horas você vai pra academia? Quanto tempo faz?

— Daqui a vinte minutos, e faço uma hora e meia.

— Então, corre meia hora comigo e depois você vai pra aula.

— Mas como vamos fazer?

— Eu moro perto da avenida principal, eu sempre corro na ciclovia.

— Eu também moro perto... — Deu uma mordida em seu sanduiche. — Tudo bem, você ganhou.

— Yay! Te encontro no começo da ciclovia, daqui a vinte minutos.

— Ok. Até daqui a pouco.

— Até.

Júlia desligou, e ele terminou de tomar seu café. Arrumou sua mochila e trocou de roupa.

Seria ruim correr de mochila. Como a academia ficava mais para a esquerda de onde morava, e a avenida para a direita, decidiu deixar a mochila na cadeira da mesa. Iria correr, voltava pra casa, a pegava e ia para a academia. Sendo que quando voltasse para casa iria entrar, pegar e sair, para não correr o risco de dar de cara com Castiel.

Nathaniel saiu de casa e andou um pouco até o começo da ciclovia. Ao lado dela, havia uma parte gramada com algumas árvores, dividindo as avenidas.

— Nath!

Ele se virou, vendo uma garota se aproximando.

Ela parou em frente a ele. — Demorei? Ficou muito tempo esperando?

Nathaniel a olhou, olhou e olhou, sem dizer nada. Ela ficou confusa.

— O que foi? — Passou a mão no rosto. — Tô com meleca na cara?

Balançou a cabeça negativamente. — Tem certeza que você é a Júlia?

— Como assim?!

— Se não fosse pela sua voz, eu não ia te reconhecer. — Ficou envergonhado.

— Pff... — Riu, ficando corada. — Que susto você me deu... Eu tinha esquecido. A gente se conheceu em um lugar escuro, e eu estava de maquiagem. Hoje estou de cara limpa. — Deu de ombros.

Júlia estava com seu cabelo loiro quase branco preso em um rabo de cavalo, sem maquiagem alguma. Ela tinha sardas espalhadas pelo nariz arrebitado e maçã do rosto, e seus olhos eram verdes, grandes e expressivos.

— Sim, e eu só te vi sentada. Não ia imaginar que era baixinha. — Sorriu, enchendo o saco dela.

O topo da cabeça dela batia no queixo dele.

— Ei, qual é! — Deu risada. — Infelizmente isso não tem como esconder.

— E por que você iria esconder alguma coisa?

— Porque eu fico mais bonita.

— Mas você é bonita. Acho que fica muito melhor sem nada. — Apontou para as sardas em seu rosto, sorrindo.

Sorriu gentilmente. — Não estamos aqui para trocar elogios, estamos aqui pra correr. Vai! — Começou a caminhar na frente.

Sorrindo, a seguiu. Ela devia ter ficado envergonhada.

Começaram a caminhar, e dois minutos depois aceleraram o passo. Meia hora depois, Júlia o acompanhou até sua casa.

— Não faça barulho, eu só vou pegar minha mochila — disse a ela, antes de abrir o portão.

Ela fez sinal de zíper na boca, sorrindo. Parecia uma criança animada, brincando de esconde-esconde. Abriu o portão, tentando não fazer barulho. Fez o mesmo com a porta da cozinha, com Júlia atrás. Abriu a porta, e ela passou na frente, querendo olhar a casa.

Nathaniel foi até a mesa e pegou sua mochila. Por algum motivo, Júlia estava rindo baixinho.

Deu meia volta e foi para a porta. — Vamos — disse baixo.

Antes dela alcançá-lo, Castiel apareceu do nada, perto da mesa. Nathaniel estava segurando a maçaneta, esperando Júlia passar. Ela parou em sua frente, olhando para Castiel e sorriu, mostrando a língua logo depois, igual uma criança travessa.

Nathaniel não conseguiu segurar a risada, apesar de nervoso, e riu, a puxando para fora de casa, fechando a porta.

— Ele deve ter ficado puto com isso. — Ele disse ao chegar na rua. — Obrigado, viu?

— Ah Nath, ele vai ficar estressadinho, no máximo.

— Mas não é você que tem que aguentar o mau humor dele, né?

Ela sorriu, brincalhona. — Se precisar, eu te defendo.

— Ah é? — perguntou, irônico. — Se precisar, te chamo para segurar a perna dele.

Júlia caiu na gargalhada. — Vai cagar, Nath!

Ela o acompanhou até a academia, e depois voltou para casa. Ele fez sua aula, tomou banho e foi para escola.

...

— Eu decidi, Nath — disse Lisa, na hora do almoço.

— Sim?

— Eu vou aceitar a proposta.

— Já contou aos seus pais?

— Não. Eu quase não estou falando com eles... E só vou falar um pouco antes de ir, ou um dia antes. Eu estou arrumando minhas coisas aos poucos, no horário que eles estão na igreja.

Ele deu um meio sorrido forçado. — Pelo menos você pode ter sua vida agora. Vai ser um pouco estranho não ter você aqui.

— É, né? Você chegou bem depois de mim.

— Sim. — Remexeu a comida com o garfo.

Sim, vai ser estranho. Ela está aqui desde sempre. E sempre me ajudou como professor novato.

— Eu vou sentir falta disso. — Observou o refeitório. — Mas, vai ser a melhor coisa que irei fazer na minha vida. Estou me sentindo como se fosse um passarinho prestes a me libertar da gaiola. — Riu.

— Imagino. — Sorriu. — Mas você não acha que poderia avisar antes? Tudo bem, eu entendo o que eles fizeram com você, mas... Eles não fizeram por mal... E afinal de contas, eles são seus pais.

— Talvez... Eu vou pensar.

...

Depois das aulas, Nathaniel decidiu ficar na escola e foi para a sala dos professores. Não queria enfrentar o mau humor de Castiel, e muito menos olhar em sua cara.

Um lado seu queria que Castiel fosse embora logo, pois sabia que nunca teriam algo, e se tivessem, Castiel sempre iria sair com outras garotas. Já outro lado queria que ele ficasse, e tivessem mais momentos como aquele...

Ao lembrar daquilo, era automático seu corpo responder. E logo procurou um lugar para sentar. Seria vergonhoso se alguém visse aquilo e poderiam pensar coisa errada.

— Nath?

Ele deu um pulo na cadeira. — Lisa? — Nem tinha ouvido ela entrar na sala.

— Você está bem? — Puxou uma cadeira e se sentou ao seu lado.

— Sim, por quê?

— Você não parece muito bem. Fiquei tão preocupada comigo que não perguntei como você estava.

— Estou bem sim. Você não vai para casa arrumar suas coisas?

— Vou, daqui a pouco. Meus pais saem de casa as sete horas. Prefiro sair as sete, assim não tem risco de esbarrar com eles.

— Ah... — Apoiou os braços na mesa. — Às vezes queria poder ir embora assim também.

— Então vem comigo.

Ele a olhou e riu. Mas parou, pois ela estava séria. — Não, não é para valer... A vontade é sumir algumas vezes só.

— Você está com algum problema? Não quer conversar?

A olhou e pensou em falar, mas ela não era a melhor pessoa para se falar do assunto. Não que não fosse confiável. Nathaniel sabia que ela tinha alguns sentimentos por ele e seria ruim para ela ouvir de quem gosta uma coisa daquelas.

— Não é nada demais... É só o amigo que está morango comigo que me dá um pouco de dor de cabeça. Ele tem um gênio forte. É mal-humorado quase sempre, e eu não entendo muito as coisas que ele faz. Mas logo isso vai acabar, provavelmente ele vai embora nesse final de semana, talvez.

— Ah, menos mal, então. Daqui a pouco ele vai embora.

— Sim...

...

Nathaniel enrolou, corrigiu atividades, provas, bolou as próximas lições, e quando viu, já eram nove horas da noite. Lisa tinha ido embora as sete e pouco. Como tinha colocado fones de ouvido não tinha visto o tempo passar, e de vez em quando trocava mensagens com Júlia.

Se pudesse, passava a noite na escola, mas não tinha como. infelizmente. Ele só podia esperar que quando chegasse, Castiel já estivesse dormindo.

Saiu da escola, pegou o ônibus e chegou em casa. Abriu o portão em silêncio, e entrou lentamente. Estava tudo escuro. Passou pela sala, e felizmente, Castiel estava dormindo, respirando pesadamente.

— Obrigado — sussurrou, indo tomar banho.

Beliscou algumas coisas na geladeira e foi dormir.

Notas finais
Eu não sei, mas gosto tanto da Júlia! Ela é animada e legal :3 Gente, sério, me digam, vocês acham que desse jeito está bom? Tenho medo de detalhar demais outros lados (sem ser NathxCast) e acabar tendo pouco dos dois. Vocês acham que está bom assim? Acham que eu preciso escrever mais sobre eles ou sobre outros personagens? Me contem, por favor! Se vocês não comentarem, não tem como melhorar :c Não mordo, juro! Obrigada a quem leu até aqui!