Apenas Juntos
22 Aula Particular
Notas iniciais
Era difícil pensar igual Júlia, mas ele iria tentar. Até porque fazia sentido o que ela dissera. Que eles não estavam em algum tipo de relacionamento. Nessa parte, Nathaniel ainda sentia culpa, mas se deixou levar pelo fato de Castiel ter dado mole, e também pelo vídeo que vira ontem.
Então, iria deixar as coisas soltas.
Ele respirou fundo e saiu de casa. Voltou para sua aula de boxe. Parecia que fazia muito tempo que não ia. Seu treinador chamou sua atenção algumas vezes, já que estava distraído, então ele colocou Nathaniel na parte dos exercícios de musculação. Tomou seu banho e foi para a escola, ansioso. Talvez mais do que os últimos dois dias.
Deu bom dia as mulheres da secretaria e foi para sua sala. Antes de entrar, parou e olhou para a última sala. Estava fechada e silenciosa.
Talvez ele não tenha chego ainda.
Entrou e fez o de costume. Apagou a lousa e passou suas lições, mas sempre olhando para a porta, achando que viu algum movimento de rabo de olho.
— Good morning, teacher.
Ele levou um susto, mas era um aluno. — Good morning — Eu vou acabar ficando neurótico.
A cada aluno que entrava, ele olhava rapidamente. E ficava mais frustrado. Pouco antes de bater o sinal, apesar do barulho de conversas, ele ouviu o som de várias guitarras sendo testadas.
Isso significa que ele está aí, só não veio me encher. Que bom...
Ele pensava que aquilo era bom somente para negar a si mesmo que não estava ligando. Ele sabia que aquilo era ridículo, negar algo que sabe que é verdade. Mas ainda assim sua mente insistia.
No almoço, como nos outros dias, não o viu. No período da tarde, estava no meio da aula, quando alguém bateu na porta e a abriu. Pareceu que todas as garotas da sala suspiraram ao vê-lo. Ele olhou para a sala com um sorriso de lado.
— Dá licença. — E olhou para o loiro. — Pode me emprestar uma caneta de lousa? A minha sumiu.
Nathaniel sentiu-se um pouco perdido, sentindo seu rosto esquentar, e olhou ao redor. — Só tenho uma vermelha, a azul estou usando. — Pegou a caneta vermelha e a mostrou.
— Serve. — Entrou na sala e foi em direção a ele, pegando a caneta delicadamente. — Obrigado, depois devolvo. — Antes de virar-se, olhou nos olhos do loiro, com aquele ar de sempre, e depois foi embora, fechando a porta.
Ainda mais confuso, o loiro virou-se para a lousa e voltou a passar a lição. Era torturante em como tudo naquele cara era sexual e atraente. Ainda bem que conseguiu controlar sua feição. Imagina o alvoroço da sala se eles desconfiassem de algo. Logo a escola toda estaria sabendo.
A sala começou a falar alto, provavelmente sobre o novo professor. Nathaniel continuou a passar a lição. Logo eles parariam de falar.
Agora estava ansioso para o final da aula.
...
Quando bateu o sinal, o coração de Nathaniel foi à boca. Conforme os alunos iam embora, suas mãos suavam mais. Depois que todos saíram, ele começou a arrumar suas coisas. Quando estava prestes a terminar, Castiel apareceu.
Entrou na sala e entregou-lhe a caneta. — Obrigado.
Nathaniel o olhou, e como se seus movimentos estivessem lentos, pegou a caneta.
— O que foi? — perguntou Castiel, e logo depois abriu um sorriso zombeteiro.
O loiro desviou o olhar para sua mesa, e balançou a cabeça negativamente. Guardou a caneta em uma gaveta. Castiel virou-se e voltou à sua sala.
Ele não esperava isso. Definitivamente não.
Ele não fez nenhuma brincadeira, nenhuma provocação. O que está acontecendo? O que...?
A confusão reinou na mente dele. Como assim o Castiel não fez nada? Era o fim do mundo se aproximando? Eles estavam sozinhos ali e ele não tentou nada.
Ficou sentado, pensando no que tinha acontecido. Ou melhor, no que não tinha acontecido.
— Vai ficar aí? — Pegou o outro de surpresa. — Você não tá muito bem hoje, né? — Castiel perguntou encostado no batente da porta. — Tá meio aéreo. — Fez um gesto circular com o dedo sobre a têmpora.
— Eu já estou indo. — Levantou rapidamente e terminou de guardar suas coisas na mochila.
Ouviu Castiel rindo, mas quando olhou para a porta, ele já tinha ido.
O que ele está tramando?
Ao chegar em casa, ligou para Júlia e contou o que aconteceu. Ela também ficou confusa, e disse que provavelmente ele queria provocar.
— Bom, geralmente é assim. Quando alguém está atrás de outra pessoa, mas ela não dá bola, acaba meio que desistindo, e aí sim a outra pessoa vai sentir falta e vai querer correr atrás. Talvez ele esteja esperando você tomar alguma atitude.
— Eu?! Mas sempre foi ele que tomou.
— Exatamente. Você nunca foi atrás dele, só ele de você. Ou ele cansou, ou quer que você faça algo.
— Ah, fala sério...
...
Seria engraçado se a situação continuasse a mesma depois de uma semana? Não, né? É uma merda.
Nathaniel estava frustrado, achava que Castiel tinha desistido dele, mas ele ainda dava aquelas olhadas de sempre. Só não se aproximava mais.
A Júlia está quase comendo minha cabeça, já que eu não consigo fazer algo. Não sei como ela mesma não quis dar uma de cupido. Ainda bem que não o fez, ou eu a mataria.
Nathaniel estava em sua sala na hora do almoço. Não estava com vontade de comer. Do nada, começou a ouvir uma melodia. Uma melodia que já conhecia. E claro que estava vindo da última sala. Levantou e foi até lá.
Encostou no batente da porta, e viu Castiel tocando uma guitarra, sentado em um banquinho de madeira na frente da lousa. Estava cantando baixinho.
— Baby, baby, lay down your arms...
O coração do professor de ingles começou a acelerar. — Vai ensinar essa música para eles?
Sem parar de tocar, Castiel respondeu. — Acho que sim. É uma música fácil de aprender.
Ele não sabia mais o que dizer.
As cadeiras estavam formando um círculo incompleto, de forma que todos os alunos pudessem olhar para o professor, e na frente de cada cadeira tinha uma guitarra com apoios.
Ele entrou na sala, e sentou-se na primeira cadeira, pegando a guitarra e a colocando no colo. Sabia pouco sobre instrumentos, mas tentou tocar algumas cordas.
Castiel começou a tocar mais lentamente, e Nathaniel tentou imitar seus movimentos. O moreno as vezes dava risada com a confusão que o outro fazia, mas continuava a mostrar.
— Você não vai almoçar? — perguntou ao loiro.
— Não estou com fome. E você não vai?
— Não. — Ainda tocando, mostrava as cordas certas. — Espera, você está tocando a de cima, é a de baixo.
— Essa? — Colocou o dedo na corda.
— Aqui. — Levantou e colocou seu dedo na corda certa.
— Não consigo tocar essa parte. — Riu, sem graça.
Castiel deixou a guitarra no banquinho e deu a volta, ficando atrás da cadeira de Nathaniel. Segurou a guitarra dele e dedilhou as cordas. Nathaniel começou a ficar mais nervoso. Fazia tempo que Castiel não se aproximava assim.
Ele deixou seu rosto ao lado do loiro, e olhava para baixo. O loiro tentava prestar atenção, mas era difícil.
Ainda tocando, Castiel abaixou mais o rosto, e encostou o queixo no ombro do loiro, ao mesmo tempo encostando a bochecha em seu pescoço. No mesmo momento que inspirou, virou o rosto, encostando a boca em sua pele, abaixo da orelha.
Nathaniel se assustou, mas se arrepiou ao mesmo tempo. Seu coração estava acelerado. Colocou a cabeça de lado sem perceber, dando mais área livre para Castiel, que obviamente percebeu, e aproveitou a situação, distribuindo beijos.
Nem prestou mais atenção na música. Ele estava concentrado naquilo. Era o que tanto sentia falta, e desejava, desde a primeira vez que Castiel fizera aquilo.
Castiel começou a brincar com a orelha dele, passando pra nuca, enquanto o outro se derretia.
— ... Castiel... Alguém pode entrar... — disse baixo.
Em um movimento rápido, Castiel tirou a guitarra do colo de Nathaniel, e o puxou pelo braço, indo até a porta. Olhou para o corredor, que estava vazio, e fechou a porta, puxando Nathaniel e o empurrou contra ela. Ele segurou o rosto do loiro com uma mão, e mordeu seu lábio inferior, em seguida, começou a beijá-lo desesperadamente.
Como Nathaniel sentia falta disso. Parecia que sonhava com isso faziam séculos.
Ele passou as mãos pelos cabelos morenos, e os segurava na altura da nuca.
Talvez nunca tivesse o beijado com tanto fervor. Parecia que Castiel também sentia aquele desespero. O calor entre eles só aumentava, assim como a vontade de tirar todas as roupas. Mas eles estavam na escola, não podiam fazer nada além daquilo. Na verdade, nem deveriam estar fazendo aquilo.
Castiel começou a passar as mãos pelo corpo de Nathaniel, e voltou a beijar seu pescoço. — Eu quero tanto tirar suas roupas. Por que não posso fazer isso aqui?
Nathaniel estava respirando alto. — E-estamos na escola, isso é errado.
— Ninguém está vendo. — Puxou-o pela mão, o fazendo virar e ficar de costas para ele. Começou a empurrá-lo contra a porta, e com sua coxa, o fez abrir mais as pernas. Continuou beijando sua nuca e passando as mãos por tudo o que alcançava.
Passou uma mão para a frente, e a enfiou por dentro da calça. Quando o loiro começou a suspirar mais alto, usou a outra mão para tapar sua boca.
— Para... para — falava, com o som abafado.
Castiel parou antes que acontecesse um acidente, e o puxou de volta para frente, voltando a beijá-lo. — Você... é... tão fácil. É tão fácil te deixar quieto — dizia contra sua boca.
— Isso é...ruim? — perguntou ofegante.
— Ah, não. Nem um pouco. Eu gosto disso. — Deu uma mordida no queixo dele. — E agora? Aceita minha carona?
Ele suspirou. — Acho que não tenho escolha.
— Finalmente. — Deu seu sorriso de lado e um último beijo. — Te espero no portão, então.
— Tudo bem...
O beijou de novo, e desgrudou da porta. Castiel se afastou, e então, Nathaniel abriu a porta, e saiu da sala. Foi para o banheiro que tinha no andar, e jogou água no rosto e pescoço, que a propósito, estava bem vermelho. Assim como suas bochechas.
Ele deu um longo suspiro, e riu de si mesmo, não acreditando ainda no que tinha acontecido ali.
Como será que as coisas vão ficar hoje?
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