Apenas Juntos
17 A Salvadora
Notas iniciais
A luz do sol estava baixa, começando a entrar através da janela da sala. Nathaniel abriu seus olhos, reconhecendo onde estava e lembrando da noite anterior. De Castiel irritado e saindo batendo a porta. Ele se mexeu e sentiu algo em seu braço. Olhou para o lado, e viu que Lisa estava deitada em seu lado, com a cabeça em seu peito, olhando para ele.
— Bom dia. — Sorriu, sonolenta.
— Bom dia. — Esfregou seus olhos.
— Nath... Eu apaguei ontem. Sinto muito. — Se sentou e também esfregou seus olhos. — O que aconteceu? Eu não vi seu colega indo embora.
— Ah... Nada demais. Ele pegou algumas coisas que ainda estavam aqui e foi embora.
— Vocês não estavam se dando bem, não é?
— É, mais ou menos. — Sentou-se. — Mas agora acabou. — Forçou um sorriso. — Não o verei mais.
Lisa deu um pequeno sorriso, e olhou ao redor. — Ah... Que horas serão agora?
Ele se levantou e foi até a mesa, pegando seu celular e olhando a hora. — São sete e dez. — E viu que tinham cinco mensagens de Júlia, mas resolveu responder depois.
Sentiu dois braços cercando sua cintura, e se virou, envolvendo Lisa com seus braços.
— Então está cedo ainda.
— Que horas tem que estar no aeroporto?
— Onze horas.
— Ainda temos tempo para fazer o que quisermos.
— É. — Abaixou o rosto, ficando corada.
— Está com fome?
— Não...
Nathaniel a olhou, talvez imaginando o que estaria passando por sua cabeça, e levantou seu rosto, dando-lhe um beijo demorado. Lisa abaixou as mãos, indo para a calça dele, colocando a ponta dos dedos por dentro.
Em um movimento rápido, ele segurou sua cintura e a levantou, a fazendo o envolver com as pernas, e apoiou suas costas. Lisa levou um susto, mas riu, e abraçou seu pescoço, com medo de cair.
— Se você não quer comer, quer fazer isso? — Começou dando beijos no pescoço dela.
— ... sim... — disse baixo, sentindo seus pelinhos do braço se arrepiando.
— Então acho que podemos ir para um lugar melhor — falou, indo para seu quarto.
Ainda com Lisa em seu colo, entrou no quarto e se posicionou na frente de sua cama, e a jogou no colchão, delicadamente. Ela riu, e o segurou, o fazendo cair em cima dela. E ali ele ficou, distribuindo beijos e aos poucos, tirando as peças de roupa que ainda restavam.
...
Enquanto Lisa tomava banho, Nathaniel preparou o café da manhã. Ele estava faminto, e com certeza ela também estaria. Arrumou a mesa, e esperou ela sair do banho. Quando ela se sentou, parecia estar feliz.
— Tudo bem? — Ele perguntou, servindo café para ela.
— Sim, está tudo bem. E com você? — Sorriu.
— Tudo bem também... Está pronta para ir embora?
— Pronta, pronta, não. — Riu. — Mas preciso ir. Acho que eu não poderia ter tido uma despedida melhor do que essa — Sorriu timidamente.
Nathaniel sorriu. Começaram a comer, e um tempo depois, chamou um táxi para ela. E antes de sair, ela o abraçou por um longo momento.
— Obrigada por tudo, Nath. Não vou te esquecer. E não se preocupe que irei mandar mensagens.
— Espero mesmo que sim. Tenha uma boa viagem.
Eles deram um último beijo, e Lisa saiu. Ele ficou olhando do portão até o táxi desaparecer na rua. Respirou fundo e voltou para dentro.
Parecia uma eternidade desde a última vez que esteve sozinho. Era estranho, o silêncio. Não ter alguém para falar algo, ou para fazer qualquer tipo de som. Havia apenas o som dos pássaros voando por perto. Era o som da manhã. Tranquilo, com o sol ainda baixo. O melhor horário, de acordo com Nathaniel. Mas hoje estava um pouco diferente do comum.
Ele pensou, olhou ao redor, procurando algo com o que se ocupar. E aí ele reparou em como a casa estava bagunçada. Nunca que ele a deixaria assim. Onde estava com a cabeça?
Coisas na mesa, louças na pia, camisa no chão, cama desarrumada...
Nathaniel sentou-se em uma das poltronas de costas à janela, e olhou ao redor, desanimado.
Normalmente, ficaria agoniado com aquela pequena bagunça, e iria querer arrumar tudo o mais rápido possível. Mas não. Ele não estava com a menor vontade.
Viu Branca saindo de seu quarto, indo em sua direção. Se esfregou em suas pernas, e depois subiu em seu colo, esfregando seu rosto no dele. Sorriu, a acariciando
Era estranho olhar para aquele sofá e não ver Castiel roncando sobre ele. Ou mesmo atrás dele vazio, sem as caixas.
Vazio. Era a palavra que descrevia aquela situação. Tudo parecia estar vazio.
Colocou a cabeça para trás, a poiando no encosto da poltrona, com as mãos na gata. Agora que estava sozinho, não tinha com o que ocupar sua mente. Todas as memórias vieram à tona. Coisas que queria evitar ao máximo.
Lembrar do que ele e Castiel fizeram lhe causavam arrepios. Daquela sensação de que estava derretendo debaixo do chuveiro. Não que tenha sido ruim com Lisa. Foi ótimo. Só não foi... igual.
Por que não foi igual? Por que não me senti do mesmo jeito?
Não seria mais fácil se fosse igual? Não seria melhor se eu gostasse dela? Ao invés de... gostar...
Não. Não seria mais fácil. Eu tinha que não gostar de alguém. De preferência alguém chamado Castiel...
Que droga.
...
Nathaniel pulou de susto quando seu celular começou a tocar. Até Branca tinha pulado com ele. Ele dormiu e nem percebeu. Levantou, e pegou seu celular em cima da mesa.
Por um momento ele pensou em ignorar, mas resolveu atender.
— Alô?
— Nathaniel! Achei que você tinha morrido! — Júlia berrou.
— Que exagero.
— Não é exagero, estou te mandando mensagem desde ontem à noite e você não responde!
— Eu disse que estaria na despedida da minha colega.
— É, mas e agora de manhã?
Não parece certo mentir para ela. E nem quero. — Eu... ainda estava com ela.
— HMMM! — Soou maliciosa. — Quer dizer que vocês passaram a noite juntos?
— ...sim... — Sentiu-se corando.
— Ah danadinho! — Riu. — Mas onde? Na sua casa?
— Sim.
— Ué, então o Castiel participou?
— Claro que não! Tá doida?!
Ela riu. — Calma, estou brincando.
— O Castiel... foi embora.
— ... Assim, do nada? Quando?
— Ontem... Bem, ele avisou na quinta feira. Tinha sido a última vez que o vi. Ontem quando voltei as coisas dele não estavam mais aqui. Mas ele fez o favor de aparecer quando eu estava... bem, acompanhado.
— E ele voltou pra quê?
— Tinha esquecido algumas roupas no varal e outras coisas. Bom, não preciso dizer que ele estava puto, como sempre.
— Ele estava é com ciúmes de você estar pegando uma garota. — Deu risada.
Nathaniel sentiu suas bochechas esquentando. — N-não diga besteira. Ele sempre está puto, não é novidade nenhuma. Ele foi embora, acabou a tortura.
— Hmm... Então vamos sair hoje?
— ... E-eu tenho muita coisa pra fazer hoje...
— Tipo...?
— Eu preciso limpar a casa, corrigir lições dos meus alunos. E estou cansado.
— Você só pode estar de brincadeira comigo.
— Não estou.
— Af Nathaniel. Vou parar de falar com você.
— Desculpa. Talvez amanhã?
— Vou pensar no seu caso. — E desligou.
Nathaniel olhou para o celular sem entender. O colocou de volta na mesa, e resolveu começar a fazer algo. Foi para a pia e lavou a louça.
Falar com ela me ajuda a ficar melhor. Talvez ela seja um scape para mim.
Depois que terminou, começou a guardar as coisas que estava na mesa. E a campainha tocou.
Ele nem sequer pensou em Castiel, mas seu coração disparou mesmo assim, com o mínimo de possibilidade. Assim que abriu a porta da cozinha, viu cabelos brancos brilhando com a luz do sol, e sua dona sorrindo.
— São quase duas da tarde e você ainda está de pijama. Que vergonha!
Rindo, e ao mesmo tempo envergonhado pelo pijama, foi até o portão e o abriu. Júlia pulou em seu pescoço e se abraçaram.
— Por que você veio? — perguntou trancando o portão de volta.
— Queria saber se era verdade o que estava dizendo — disse entrando.
Ele a seguiu. — É verdade.
— É, parece que sim — disse olhando ao redor. — Eu não lembro de estar bagunçada assim quando eu vim.
— Não estava. Esses últimos dias foram meio que corridos. Não sei o que aconteceu comigo, mas preciso limpar logo.
— Está certo. Vamos colocar a mão na massa.
— Vamos?
— Sim, eu vou te ajudar. Quatro braços são melhores do que dois. — Sorriu. — Assim você termina tudo rápido e podemos sair.
Nathaniel balançou a cabeça em descrença, mas sorriu. — Tá, tá.
— O que eu posso fazer?
— Bom, você pode cuidar das roupas. Tem várias no varal que estão secas, e tem as sujas no banheiro.
— Beleza! — Saiu correndo para a varanda.
Ele riu.
É, essa menina veio para me salvar mesmo.
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