Apenas Carnal.
48 Capitulo 48
Notas iniciais
Dois dias depois:
Ate onde podemos chegar pelas pessoas que amamos? O quão podemos suportar? Quantas humilhações, mágoas, decepções conseguimos tolerar? Até que o amor comece se esvair, e o amor próprio fale mais alto, e nos permita enxergar o quão ridículos podemos ser por amor, o quão fracos podemos nos tornar quando uma pessoa se torna mais importante em sua vida do que você mesmo, mas e se isso nunca acontecer? E o amor nunca se esvair? Nunca diminuir? Se tornar algo parecido com uma obsessão que te faz perder a noção do quão submisso você pode ser, do quão manipulável e desprotegido ele pode ter tornar, disposto a aceitar qualquer pedaço de carinho como recompensa, como um cachorro que ganha um biscoito ao sentar, deitar ou rolar. Assim, permitimos que o amor nos machuque, ate não restar mais nada alem de um coração falho e quebrado, apenas cacos, que viriam logo depois de você se rastejar, implorar, chegar ao mais baixo nível de humilhação... Apenas, para ver um sorriso voltado para si, um obrigado seguido de um beijo... Nada alem disso.
–Eu sou um idiota... – Sam concluiu seus pensamentos vagarosos com palavras, antes de tirar a roupa e se jogar na cama vazia, com um suspiro pesado, enquanto Kristin estava no hospital.
Ela simplesmente não saia mais de La. Nem mesmo voltava em casa para comer, tomar banho, e ate mesmo Luka passava mais tempo com ela ou com os gêmeos, do que em casa.
“Ele queria tirar o filho dela antes de tudo acontecer! Como isso não pode mais ser levado em conta?”
Sua cabeça martelava em mistos de raiva, mágoa, ciúmes, e insegurança, parecia mais uma mulher na TPM... Mas o que podia fazer? O amor que ele sentia por ela o deixava assim, fraco, sensível, vulnerável... Inseguro.
Ela o evitava sempre que podia, no pouco tempo em que passava em casa, nem ao menos um bom dia, nem ao menos o olhava, ele podia ver que ela fazia de propósito, ainda estava magoada com suas palavras, sobre isso não podia fazer nada, não se desculparia por falar o que pensava e outra, Kristin havia insistido para que ele se abrisse com ela.
Virou-se de lado, embrulhou-se como uma criança, fechando os olhos esperando que o sono chegasse, era mais difícil dormir sozinho agora, que havia experimentado dormir ao lado dela todas as noites...
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– Você precisa falar com ele Kris, Me da tanta pena de ver-lo sofrer daquele jeito, ao menos conversar. Ou tentar. – Carlie dizia, na sala de espera, em uma conversa baixa e privada apenas entre ela e Kris, ditas através de cochichos.
Todos estavam ali, os gêmeos, os pais de Patrick, e ate mesmo Luka, sentado no colo de Charlie, os sedativos de Patrick foram desligados hoje ele acordaria do coma induzido, todos estavam apenas esperando, pois ele podia despertar a qualquer momento.
–è difícil olhar para ele e não me lembrar das coisas que ele me disse, o olhar dele, foram palavras muito duras Carlie. E em um momento como esse, estou uma pilha de nervos, posso explodir a qualquer momento. E tenho medo de quantos danos poderei causar com isso, já não basta tudo o que houve...
–Pelo amor de Deus para de se culpar, todos nos aqui conhecemos muito bem Patrick, sabemos e ate podemos imaginar as circunstancias em que tudo isso aconteceu. Todos nos sentimos muito aqui.
–Carlie. – Kristin chamou, mas sem olhar pára ela, os olhos inchados e perdidos em algum pensamento torturante. – Você acha mesmo que sou submissa ao Patrick?
–Submissa não seria a palavra certa, eu diria que vocês são ligados, por algum laço difícil de quebrar, o que não é inexplicável Kris, Você e Patrick foram casados por seis anos, e se conhecem há quase dez, e tem um filho juntos, é uma historia muito longa para simplesmente ser esquecida e sair recomeçando tudo do zero. O que tanto Sam quanto você precisam entender, é que ao se separarem você e Patrick precisam fechar todas as portas que ficaram abertas entre vocês, e pelo que vejo não foram poucas, só assim você e Sam poderão seguir em frente sem serem atormentados por esses fantasmas do seu antigo casamento, eu sei que você esta ate disposta a tentar fechar essas portas, mas Patrick não, e isso o que esta atrapalhando tudo, ele não quer deixar você ir, e isso acaba fazendo você ficar presa a ele também.
Com tudo isso Kristin finalmente despertou e olhou de fato para sua amiga morena de olhos azuis, piscando tantas vezes como se estivesse acabado de descobrir algo obvio, tão obvio que se sentiu idiota.
–Carlie eu te amo... Você sempre soluciona meus problemas...
–Ah amiga, como eu li em um livro, solucionar problemas dos outros é fácil, solucionar os nossos é que são difíceis.
–É verdade – e um meio sorriso se abriu, nada como estar com os amigos.
Naquele momento uma enfermeira entrou na sala de espera. Fazendo todos ali esquecerem suas conversas e se concentrar nela.
–É, Kristin Kreuk? – ela perguntou.
–Sou eu. – Kristin logo se colocou de pé.
–O Sr. Patrick Sullivan Jr. Acordou neste momento, ele gostaria de falar com você.
–Não! – Desta vez a mãe de Patrick se levantou. – Nos veremos nosso filho primeiro, de todos aqui, somos os únicos que são da família! – ela vociferou, parando em seguida, como se auto corrigisse o que disse ao olhar para Luka.
–Desculpe Sra. Sullivan, mas foi pedido do próprio paciente, ele verá vocês logo em seguida.
Ela automaticamente ergueu o nariz ao ouvir as palavras da enfermeira, prestes a fazer uma cena, quando a mão do marido tocou suas costas, fazendo-a mudar sua posição ereta para tristonha e revoltada.
–Ainda não entendo o que ele vê em você – dirigiu-se olhando diretamente para Kristin, e desta vez Kristin notou sinceridade em seus olhos pela primeira vez.
Kristin apenas suspirou fundo e seguiu a enfermeira, respirando aliviada quando elas passaram direto pela entrada que daria a UTI, o que significava que Patrick não estava mais La, o invés disso, elas entraram diretamente na ala de quartos.
Um leve deja-vi lhe ocorreu ao lembrar de quanto tempo ela não ficou naquele mesmo hospital, porem na Ala infantil, no 15º andar com Luka.
–Srta. Kreuk, antes de entrarmos, eu preciso falar algumas coisas sobre as seqüelas do acidente.
–Se... Quelas? – ela mal consegui proferir a palavra.
–Sei que possui um bom conhecimento em medicina, isso facilitará bastante minha explicação.
Kristin respirou fundo, tomando outra postura, pigarreando, e tentando engolir o choro.
–Ok, pode começar.
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Ainda pensava nas palavras de Carlie quando ela adentrou o quarto. E também nas palavras da enfermeira, procurando buscar forças sabe-se La de onde, para tentar encará-lo depois de tudo. O encontrou meio deitado, meio sentado na maca, à coberta o cobria ate um pouco abaixo de seu peito desnudo, seu braço esquerdo envolto a gesso, encostado na cama, a cabeça virada para o lado, deveria estar contemplando a vista da janela, os cabelos negros envoltos da faixa que cobria os hematomas em sua cabeça.
Ela nem ao menos teve coragem de dizer seu nome, e ficou ali parada, na verdade paralisada, nem ao menos notou quando a enfermeira os deixou a sós, e como se notasse a presença dela, ele virou-se lentamente em sua direção, contorcendo o rosto como se o movimento causa se dor.
E quando Kristin pode ver realmente seu rosto, se desmanchou.
Não pelo hematoma roxo em sua testa ou os cortes espalhados pela sombracelha, pela bochecha esquerda,pelo queixo e sua boca, que estragavam notavelmente o rosto lindo, limpo e pálido que ele tem, nem pelos lábios inchadas como se tivesse tomado um soco bem ali.
Não, ela não se quebrou por isso, mas sim pelo que aqueles olhos lhe diziam, pela dor e a desolação que neles continham, tão assustados como os de uma criança perdida, e tão desesperados, lagrimas brotaram de seus olhos assim que seu olhar encontrou o dela.
–OI...—ele disse por fim.
–Oh querido... – ela correu ate ele, com medo de tocá-lo. As mãos iam, porem parando antes de tocá-lo. Levando-as por fim a sua boca para conter o choro – Patrick, é tudo culpa minha.
–Não meu anjo, não quero que se culpe. A enfermeira te falou não foi.
– Ela apenas me disse que você teve um grave ferimento na parte inferior do seu cerebelo, atingindo o bulbo e causando um inchaço na medula espinhal. O resto eu pude deduzir.
Ele lhe deu um sorriso melancólico.
–Você fica sexy falando em linguagem medica Srta. Kreuk.
Ainda olhando para ele, ela afastou-se ate seus pés, tocando-os de leve. Acariciando levemente ate chegar aos joelhos.
–Pode sentir isso? – ela perguntou em meio a um soluço.
–Não... – ele respondeu a um gemido fraco. – Estou com medo Kristin. Não sei se vou conseguir superar isso.
–Não se preocupe. – ela se sentou ao seu lado na maca, desta vez descansando a mão em seu peito. – Eu vou te ajudar a superar isso.
–E depois?
–Depois você vai me superar Patrick.
Seu peito doeu quanto ela notou a tristeza em seus olhos aumentar
–O que quer dizer?
–Tudo isso, toda essa merda fodida que é nos dois.
Então ele pode notar um olhar diferente em Kristin, diferente de tudo o que ele já tinha visto, algo havia mudado naquele momento, havia realmente mudado.
– O que esta fazendo?
–Fechando as portas, por mim, por você, por nos dois.
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