Apenas Carnal.
46 Capitulo 47
Notas iniciais
–Meu Deus... – ela sussurrou, já não tinha voz, estava entrando em estado de choque —O que foi que eu fiz?
(Que tal começar a ler o capítulo ouvindo Three Days Grace – gone forever)
(www.youtube.com/watch?v=URblbwlpnLc&feature=kp)
A correria só a deixava mais tensa e nervosa à tudo o que estava acontecendo. Patrick foi entubado na ambulância, e recebia verificação de sinais vitais de cinco em cinco minutos.
Chegaram rápido ao hospital, o mesmo onde Luka fiou 10 dias internado, e o mesmo onde seu futuro marido residia e logo uma equipe já aguardava na emergência para socorre-lo.
Kristin acompanhava atônita a tudo, enquanto os enfermeiros atravessavam os corredores às pressas fazendo todos os exames rápidos que se precisava. Kristin só prestou atenção a última frase dita pela medica.
–Preparem a sala de cirurgia.
–Cirurgia?? – Kristin exasperou.
–Sra. Sullivan, seu esposo sofreu um traumatismo cerebral de grau dois, e possui uma hemorragia interna na área córtex motor, precisamos tratar isso o mais depressa possível. Aguarde na sala de espera, que voltarei com mais informações.
E dito isso a medica e a equipe de enfermeiros entraram em um enorme elevador, uma área proibida para Kristin.
Ela estava sozinha.
Kristin simplesmente ainda não sabia como tudo aconteceu, foi tudo rápido demais, tudo repentino de mais.
Era apenas, um café, apenas uma possível conciliação, apenas uma possível conciliação. E tudo aconteceu, por que? Qual o motivo de tudo isso ter acontecido?
Kristin estava entorpecida, ainda não acreditava que tudo estava acontecendo, estava estática no mesmo lugar, o rosto empalidecido e sem vida, Kristin não demonstrava nenhuma emoção, pois apenas ainda não tinha lhe caído a ficha, que tudo aconteceu.
–Sra. Sullivan, gostaria que eu lhe acompanhasse até a sala de espera?
Uma enfermeira muito simpática e generosa a conduziu com a mão em seu ombro até a bendita sala, e Kristin simplesmente se deixou levar, simplesmente não entendia aquele tratamento tão especial, talvez por que o paciente seja simplesmente o dono do hospital, mas por que a tratavam bem? Ela não merecia que lhe tratassem bem, ela não merecia a compaixão de ninguém, ela não merecia o conforto de ninguém. A culpa de tudo era dela.
Patrick sempre a amou, e mesmo com todas as crises de seu casamento, todos os problemas que ela passou, hoje ela sabia que se não tivesse desistido, se tivesse insistido um pouco mais em salvar seu casamento, toda essa confusão não teria acontecido.
Como um filme passando em sua cabeça, lembranças de sua vida vinham a sua mente e a fazia se arrepender de todas as decisões que a trouxe para cá, arrependeu-se de se divorciar de Patrick, de ter conhecido Sam, de ter engravidado, de ter se casado com Patrick, de ter aceitado sair com Patrick, de ter aceitado aquele maldito emprego no restaurante. Se ela tivesse deixado de tomar qualquer uma dessas decisões, ela não estaria aqui, se tivesse dito não a qualquer uma delas, ela não estaria aqui.
Mas também se ela não tivesse aceitado o emprego no restaurante, jamais teria conhecido Patrick, e jamais teria vivido uma história de cinema com ele, sim, antes de tudo, antes do amor esfriar, Patrick já foi um príncipe encantado para Kristin, Patrick e Kristin possuem seus momentos, assim como Kristin e Sam possuem os seus. E se Kristin não tivesse se casado com Patrick, ela jamais teria seu lindo, encantador, inteligente e maravilhoso filho, Luka foi sem a menor dúvida, a coisa mais linda que Patrick e Kristin fizeram juntos, a melhor prova de que o amor dos dois um dia já existiu, e um dia foi tão lindo quanto aqueles dos livros.
E se Kristin nunca tivesse tido Luka, seu casamento não teria entrado em crise, e ela jamais teria conhecido Sam, aquele streeper sexy, aquele garoto de programa que a fez se sentir jovem novamente, que devolveu toda a sua alegria de viver, que a ergueu do chão, que ofereceu o melhor amor que ele poderia dar a alguém, e que ela simplesmente não imaginava-se sem ele em sua vida, Kristin nunca imaginou amar tanto alguém quanto amava Patrick, até Samuel Winchester aparecer. E hoje, seu corpo, sua vida, sua alma, e seu coração são completamente deles. A maior parte pelo menos.
Isso lhe trouxe novamente as palavras de Patrick a sua mente; como ela pode se casar com Sam ainda estando ligada a Patrick?
Não era justo com Sam, não era justo com ela mesma, oh Patrick, por que tanta insistência? Kristin estava conseguindo esquece-lo de fato, estava aprendendo a esconder aquele amor dentro do peito, esconder dela mesma, mas que ele, insistia tanto em lembra-la, ela o ama sim, mas não o suficiente para tentar algo novamente, apenas o suficiente para machucar a todos envolvidos nesse drama, por que ele insistia? Insistia em lembra-la que o amava? Somente para depois faze-la enoja-lo. Olha o que ele fez consigo mesmo? E olha o que ele fez para ela? Olha o extremo que tudo isso chegou? Oh Patrick, por que você sempre teve que ser tão... Tão... insano? Essa insanidade que sempre o definiu, e que a fez se apaixonar, uma característica que ela achava tão charmosa e fazia dele o homem tão atraente sedutor que era, e olha onde essa insanidade foi parar!
Kristin não aguentava mais em desespero, quase uma hora de espera e nenhuma notícia.
(Pare a música aqui)
Aos poucos sua lucidez foi voltando junto com a cor de seu rosto. E Kristin decidiu dar a notícia aos outros. Ligou para o pai de Patrick, o mesmo que entrou em choque quando soube o ocorrido, e em seguida ligou para seus amigos gêmeos. Charlie foi o único a atender, e se predispôs a ir onde ela estava na mesma hora, Carlie estava operando um parto e mais tarde ele a avisaria o que aconteceu.
A clínica Jhonson’s não ficava distante do hospital onde ela estava e não demorou nada para Charlie chegar, com uma postura masculina que ele adotava sempre que estava em trabalho, abraçando sua amiga mais apertado o possível, e procurando saber os detalhes de tudo o que aconteceu.
Kristin ia aos soluços contando tudo o que aconteceu a Charlie, e já tomava seu terceiro copo com agua, Charlie apenas escutava, prestando atenção em tudo o que ela dizia.
–Querida, em relação a tudo isso, a única coisa que posso te dizer, é que tinha que ter ouvido seu noivo e não ter aceitado esse encontro. – Charlie proferiu, o mais ternura o possível para ela.
–Eu sei disso Charlie, e você não tem ideia de como eu me sinto, do quanto meu me arrependo, eu deveria saber, eu deveria ter a certeza de que nada saudável poderia vir de Patrick, mas mesmo assim, eu quis ir, quis saber o que ele queria, qual sua proposta, eu estava desesperada pela guarda do meu filho Charlie.
–Kris, meu anjo, fique calma, agora temos que orar para que tudo fique bem com o SR. Sullivan e que ele saia dessa sem nenhuma sequela.
Kristin de imediato fechou seus olhos, levando suas mãos juntas ao queixo, seguindo o conselho de Charlie e se prontificando em uma oração silencia em nome de seu ex marido em perigo.
–Sra. Sullivan? – uma voz feminina a chamou. Fazendo Kristin saltar de sua concentração.
Kristin ficou em pé rapidamente, Charlie se levantando junto, com a mão passada ao ombro de Kristin. Era a mesma medica que tinha levado Patrick para a sala de cirurgia.
–Dra. E então, como ele está?
–Seu marido sofreu uma hemorragia interna logo abaixo do crânio, na região do córtex motor –sensorial, mas a hemorragia já foi controlada e infelizmente não podemos dizer que não houve nenhum dano grave na região da cabeça so saberemos quando ele acordar. Mas vamos mantê-lo sedado pelas próximas horas pois ele poderá sentir muita dor. Contudo, ele está fora de perigo.
–Compreendo. – foi a única coisa que Kristin disse.
–Ele está sendo levado para onde agora Dra.? – Charlie perguntou.
–Ele está sendo levado para uma UTI, ele será mantido em coma induzido, enquanto seu corpo se recupera dos ferimentos e da cirurgia.
–Obrigado Dra.
A medica assentiu, e se retirou da sala de espera.
–Acho que está na hora de avisar a Sammy o que aconteceu. – Kristin estremeceu ao dizer tais palavras.
Então ela voltou a se sentar, tirou seu celular da bolsa, e hesitou alguns instantes antes de chamar. Respirou fundo e discou o número dele.
–Kristin, o que aconteceu? – a voz dele parecia urgente, como se soubesse de algo. Kristin estranhou aquilo.
–Sam, não posso te contar por telefone.
–Querida, está chorando?
–Queria que você viesse para o térreo, eu estou aqui na sala de espera. Você pode descer?
–Claro meu amor, espere alguns minutos, já estou indo.
Os vinte minutos que passaram, para Sam descer do vigésimo andar, onde ela o setor de psiquiatria, pareceram anos para Kristin.
Estava sentada com as duas mãos ao queixo e sendo amparada por Charlie quando ele entrou na sala, logo percebeu que algo não estava bem.
–O que houve Kristin? – ele fez a pergunta em um tom muito sério.
Ele se sentou ao seu lado, enquanto ela chorava ainda mais.
Com a ajuda de Charlie ela contou tudo o que houve a Sam. Que ouvia suas palavras com a expressão monótona.
Kristin esperou que ele dissesse algo, mas nada saia, ele apenas olhava o vazio, quieto, e pensativo. Kristin o observou alguns minutos, ainda esperando uma resposta.
Mas ao invés disso, ele apenas se levantou, e se dirigiu à saída, estava quase na porta quando Kristin conseguiu alcançá-lo.
–Hey. – ela articulou. – O que houve, não vai falar nada?
–Não há muito para falar.
–Por favor diga alguma coisa.
–Por favor não me faça dizer nada.
–Sam. – ela o repreendeu.
–Kristin, eu sinto muito por tudo o que aconteceu... Mas, eu preciso pensar um pouco.
–Por que não fala seus pensamentos aqui? Para mim?
–O que quer que eu diga? Que eu avisei? Que era uma péssima ideia você ir a esse encontro? Agora você tem uma ideia do que pode acontecer quando você tapa os ouvidos para mim quando se trata dele?
–Sam...? – ela se expressou em apenas um sussurro, ela esperava qualquer coisa, menos isso.
–Kristin, é exatamente isso o que eu penso, toda vez que falo algo desse cara, você se exalta para defendê-lo e tentar me provar que estou errado, sempre se fecha a qualquer conselho meu, nunca escuta o que eu falo, mas quando se trata dele, você se torna uma submissa facilmente manipulável. Você tem ideia do quanto isso é difícil para mim? Você o ama, eu sei que você ainda o ama, mas o que mais me dói, é que você não faz o menor esforço para se manter longe, para evitar a tentação, basta ele chamar, e não importa como, você sempre acaba indo, e minhas palavras, minhas ideias não representam nada quando se trata dele, é como se fosse uma forma de você dizer que eu não me comparo a ele, que ele é intocável, o pobre menino rico que teve uma infância difícil, Kristin, e olha tudo o que aconteceu? Tudo por que você nunca escuta a mim, mas sempre corre obediente cada vez que ele chama por você...
–Sam por favor, pare. – desta vez Charlie interviu, Sam não havia percebido que Kristin chorava como uma criança desesperada. Que agora era amparada por seu amigo. – Desculpe, eu pedi para não me fazer falar.
E desta forma, ele se retirou da sala, deixando Kristin desolada.
–Eu nunca o vi tão insensível desta forma. – Comentou Charlie.
–Ele só disse a verdade, nada além disso.
Ela comentou, enquanto voltava a se sentar, novamente uma pilha de nervos e a beira de um colapso.
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Algumas horas depois, os pais de Patrick apareceram, o pai com uma cara desolada, e logo atrás, entrou a mãe dele entrando com tudo dentro da sala.
–O que você fez ao meu filho! – não foi uma pergunta, e sim uma acusação.
–Maire! Para Agora. – o Sr. Sullivan a reprendeu.
–Sr. Sullivan, Sra. Sullivan. – Kristin os cumprimentou, sentindo sempre aquela sensação intimidadora que aqueles dois lhe causava.
–Kristin, conte-nos o que aconteceu.
E mais uma vez Kristin se perdeu em dez minutos de explicações e perguntas respondidas.
–Eu devia saber! – Maire exaltou-se. – No momento em que eu conheci você, eu soube que você nunca fez bem ao meu filho, você o transformou completamente desde o momento em que se casou com ele, sempre o manipulou, e até hoje ainda faz isso com ele, isso é tudo culpa sua!
–Maire, eu juro por Deus, que se não calar a boca eu a faço esperar amarrada no carro.
–Não pode me impedir de falar o que penso Richard. – ela comentou, a voz mais branda, como se as palavras de seu marido tivesse efeitos fortes sobre ela. Era apenas ele mostrando de onde veio a personalidade mandona e intimidadora de Patrick.
E para concretar que Kristin estava certa no que pensava, apenas um olhar mais sério do Sr. Sullivan sobre ela, que a mesma abaixou a cabeça.
–Isto foi um incidente lamentável Srta. Kreuk. Mas se não se importasse, gostaríamos de saber se podemos ver nosso filho. Qual foi a medica que o atendeu?
–Foi Dra. Alba. Sr. Sullivan.
–Nós iremos procura-la agora querida. Precisamos de informações.
Richard Sullivan a olhava seriamente, Kristin sabia que com mesmo toda sua educação ao se dirigir a ela, ele pensava igualmente à Sra. Sullivan, e desta forma ele se retirou da sala, sendo seguido pela cobra sua esposa.
Patrick não acordaria por dois dias, e ela sabia que não era permitida a entrada na uti. Tudo o que lhe restava era ir para casa agora. E esperar por mais notícias.
Luka, a esperava em casa, e ele seria a única pessoa que a reconfortaria no momento.
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