Apenas Carnal.
37 Capítulo 38
Notas iniciais
Então tudo ficou turvo, quando ela olhou irritada para a pessoa no qual tinha esbarrado. Sentiu seu coração passar de 70 para 120 em questão de segundos, suas pernas tremeram, tudo começou a girar, santo deus! A menina ia desmaiar a qualquer momento!
E o que dizer da pessoa com quem ela esbarrou?
Estava tão sem ação, quem nem havia se tocado que ainda a segurava nos braços.
-Kristin? – saiu quase um sussurro.
-Sam?
Um longo silencio se alastrou pelo lugar, só então Sam teve a coragem de soltá-la.
-O que está fazendo aqui? – ambos perguntaram ao mesmo tempo, fazendo com que o constrangimento aumentasse.
Mas quando Kristin notou que ele usava um jaleco branco ela inferiu que ele trabalhasse aqui.
-Pensei que seria aceito no hospital de Manhattan. – ela comentou, eles mal conseguiam se olhar no rosto.
-Recebi uma oferta daqui depois que me formei, ainda estou fazendo residência, mas aqui o salário é... – ele bufou, é claro que ela não queria saber disso. – Bom, e você, o que faz aqui?
-Eh... – ela começou a falar, mas seu olhar perdido se chocou com outro par de olhos, que estava parado à uns dois metros de onde ela estava.
Sam percebendo que seu olhar estava muito fixo em alguma coisa, decidiu olhar em direção, seu rosto se contorcendo discretamente num misto de raiva e constrangimento.
Patrick estava parado, as duas mãos no bolso, com cara de quem viu e não gostou, no meio do corredor do hospital.
Kristin percebeu que o clima estava ficando pesado de mais, e foi embora, sem dizer uma palavra a nenhum dos dois, foi para o quarto de Luka, sendo seguida por Patrick.
-O que ele fazia aqui? – ele perguntou em tom autoritário.
-Eu é quem tenho que perguntar o que aquela vadia fazia aqui, tudo bem que ela é sua namorada, mas Patrick, o Luka é um assunto somente nosso.
-Ei fica calma, Kristin a Mag não é minha namorada...
-Ela era minha melhor amiga Patrick, você ficou com minha melhor amiga? Há mais de três anos você me traia, e eu achando que tinha minha parcela de culpa nisso, mas não, o problema não era eu, você é que não vale nada, nunca valeu nada. É um cretino sem escrúpulos.
Ela parou quando viu que as palavras tinham baixado de nível, Luka brincava tranquilamente no berço, e não percebeu o clima tenso entre os dois.
Patrick, ficou mudo, o que ele iria falar? Ela estava certa no final de tudo.
-O que aquele cara fazia aqui Kristin?
- Não interessa a você, ok? Nada que faz parte da minha vida que não seja o Luka interessa a você entendeu?
-Ele ainda faz parte da sua vida?
Dessa vez foi ela que ficou calada, desviando seu olhar para seu filho, andando até o berço.
Era impossível não olhar para o pequeno, e não escutar aquela voz tão fina repetindo “Papá” cada vez que o via, e com isso trazer de volta todas as lembranças do tempo tão curto que passou com ele mas que o sentimento valeu por uma vida inteira, era impossível não escutar o “Tia Zesica” e junto aquela voz aguda e irritante, mas que para ela era engraçada, babando o ovo de seu filho, era impossível não sentir a nostalgia de saber que ele está sob o mesmo teto que ela, e sentir aquela tremedeira típica de um amor de adolescente. Mais impossível ainda, era tentar esquecer as palavras, os carinhos e os beijos trocados, das noites e dos dias em que ele a enlouquecia, de cada frase sussurrada ao ouvido, cada toque, de sentir aquele corpo tão bem desenhado a aquecendo... Sim Patrick, Sam ainda faz parte da vida de Kristin, e como faz.
Estava tudo tão fácil até o momento, enquanto ele estava sumido, como se nunca tivesse existido, ela estava quase conseguindo seguir em frente... Mas agora, bastou ela olhar naqueles olhos esverdeados, aquele rosto, os cabelos crescidos...
E tudo o que ela pensava que era fixo, mudou completamente.
-Você o ama? – a voz de Patrick a fez despertar de seus pensamentos.
-Por que isso importa para você?
-Ama ou não ama?
Ela respirou fundo.
-Eu não sei, Patrick... – ela disse por fim. – Tinhamos... Uma ligação... forte. Mas já estamos a tanto tempo separados...
-Kristin, como você aceitava a... “Profissão” dele?
-Da mesma forma que eu aceitava suas traições.
Isso pareceu ter bastado para ele, pois depois disso ele ficou calado. Somente voltou a falar depois de duas horas, quando o enfermeiro veio trazer mais medicamentos para Luka.
-Kristin, vou passar em casa, pegar algumas roupas, quer que eu te traga algo?
-Queria algumas roupas também, as que eu deixei lá ainda estão na mansão?
-Algumas... As que você mais usava, o resto eu doei para um leilão beneficente, tinha muitas peças únicas de marcas famosas, que valiam mais de cem mil.
-Como o vestido que me deu no nosso aniversario de casamento?
-Sim, mas esse ficou. Ficava tão bonito em você. – silencio constrangedor. – Bom, eu vou indo.
Ele se retirou do quarto e Kristin continuou ali com Luka.
-Divorciados recente? – a enfermeira perguntou.
-Sim.
-Menina, para você se divorciar de um pedaço de homem como ele, a coisa estava preta mesmo hein?
-Não imagina o quanto. – ela sorriu amarelo.
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-Não existe dor pior no mundo, do que ver seu filho sofrendo na sua frente... – a jovem mulher loira de aparência abatida dizia aos prantos. – Pedi varias e varias vezes para ficar no lugar dele, mas... Eles não permitiram. E simplesmente mataram meu filhinho...
-Sra. Couper, seu filho era um bom rapaz, e ele sabia o tempo todo que sua mãe estava ali do lado dele, e ele se sentiu melhor, se sentiu protegido. Isso é o mais importante. Agora o que a senhora não pode fazer é se culpar pelo o que houve.
-O senhor tem filhos Dr. Winchester?
-Não tenho, mas tenho uma pessoa a quem cuidei como se fosse minha filha.
-Como se sentiria se ela morresse na sua frente?
-Quando ela era criança, ela sofria violência do meu tio. Mas, teve um coisa que manteve a gente forte durante muito tempo. – ele olhou nos olhos daquela mulher. – Eu me mantive forte, e ela sabia que podia contar comigo sempre que precisava, e foi graças a isso que ela cresceu sem traumas, é uma garota muito feliz. Pra ela nada importava desde que eu dizia que estava tudo bem. Ultimamente tenho me mostrado uma pessoa fraca, e isso a está afetando, a está tornando uma pessoa infeliz. Mas agora eu sei disso e vou continuar me mostrando uma pessoa forte Sra. Couper. Por que sei que com isso ela ficará bem onde quer que esteja.
Ele deu uma pausa para respirar, a mulher que já havia parado de chorar, sentada em uma poltrona de frente para ele.
-E é isso que seu filho queria sra. Couper, ele quer que a senhora seja forte, por que assim não importa onde ele esteja, ele vai ficar bem. Ele sabe que a senhora fez tudo o que podia. Então a senhora vai ser forte, e vai testemunhar, e assim colocará as pessoas que fizeram isso atrás das grades, e fará justiça pela morte do seu filho. Precisa se mostrar forte.
-Me mostrar forte. – ela repetiu, enxugando suas lágrimas. – Obrigada Dr. Winchester.
-Obrigado Você Sra. Couper. Vemos-nos amanhã?
-Sim. Até amanhã. – ela disse simpaticamente, levantando da poltrona, e se retirando da sala.
Ele levantou-se em seguida, mas foi abordado por uma outra médica que entrou no consultório.
-Está fazendo um trabalho excelente Dr. Winchester.
-Obrigado Dra. Homes.
-Você sabe que está se destacando aqui entre os residentes, pelo menos da minha equipe você é o melhor. Já pensou sobre a minha proposta?
-Ainda, não, ir para a Europa não é algo que se decide de um dia para o outro.
-Mas você sabe que indo participar da minha pesquisa pode abrir muitas e muitas portas na sua carreira Samuel. E você sabe que é difícil se destacar na Psicologia.
-Bom, de qualquer forma você me deu até o final do mês que vem, então ainda tenho tempo não é?
-É claro.
Dra. Katharine Homes, era um Psicóloga especializada em doenças da mente, e estudava principalmente a Psicopatia, e era a Medica chefe do grupo de residentes do instituto, há algumas semanas, ela convidara Sam para participar da pesquisa sobre a Psicopatia no instituto forense especializado na doença, que ficava em Monique, na Alemanha. A pesquisa levaria cerca de cinco anos, e se Sam participasse, abriria portas em qualquer lugar do mundo para ele trabalhar, seria reconhecido em todo o mundo, e com certeza sua carreira tomaria um rumo completamente diferente, ou seja, era a maior oportunidade que apareceria em sua vida.
Ele saiu da sala, indo direto para o térreo do prédio. Na sala da recepção. Onde três mulheres conversavam tranquilamente atraz do balcão.
-Julia, queria que fizesse um favor para mim. – ele pediu para a que estava mais perto do computador.
-Pode pedir, Dr. Winchester.
-Queria que procurasse o prontuário de entrada de qualquer pessoa com o sobrenome Sullivan. Pode fazer isso para mim?
-Já estou fazendo. – ela disse sorridente enquanto digitava no computador, aguardaram alguns segundos até o sistema carregar. – Temos dois Sullivan internados aqui. Temos um Robert Sullivan, internado no ultimo andar, fazendo um tratamento de Câncer no esôfago. E temos um bebê. Luka Sullivan, internado no décimo quinto andar, na ala de pediatria, está tratado uma Asma acompanhada de Bronquite.
-Luka Sullivan? – ele sentiu uma pontada no coração. – Em que quarto ele está internado?
-Ele está no bloco três, no apartamento sete.
- Ok, obrigado Julie.
-De nada. – ela sorriu mais uma vez.
Sam saiu apressado até o elevador. Digitou quinze, e colocou as mãos no bolso do jaleco. Esperando até que ele chegasse lá.
Ele andou pelo bloco até entrar no corredor dos apartamentos, e logo encontrou o apartamento sete, um adesivo de girafa enfeitava a porta, ele hesitou pelo menos dez minutos antes de tocar a maçaneta, milhares de coisas lhe vinham à cabeça.
E se aquele cara estivesse lá dentro? E se sua entrada no quarto causasse algum transtorno? E se ela o expulsasse de lá? O que aconteceria? Por que ele queria tanto entrar lá?
Mas logo aquele aperto de preocupação voltou a tomar conta do seu peito. Luka estava bem? Seu estado era grave? Mas por que essa preocupação?
Bom, era inegável. Luka era uma criança especial para ele, uma criaturinha com o qual ele pegou uma afeição fora do esperado, ele não podia negar, amava aquele garoto como se fosse um filho.
Com esse pensamento, deixou de hesitar – coisa que ele tem feito muito ultimamente – e tocou a maçaneta da porta, suas mãos tremiam quando ele a girou e decidiu abrir a porta.
Ouvir (quem quiser) Marketa Iglova – Crosrroard
(https://www.youtube.com/watch?v=anIaAcPugzo)
O quarto ia sendo revelado conforme ele abria a porta. Aos poucos uma decoração infantil se revelava. Então sentada numa poltrona branca muito confortável, ela estava, segurando ele nos braços, o pequeno tomava uma mamadeira olhando para seus olhos, ah, aqueles lindos olhos cor de esmeraldas. O sorriso meigo de mãe, a tornava ainda mais jovem, como uma adolescente. Porem as marcas escuras abaixo dos olhos demonstrava que ela não dormira direito nos últimos dias, mas com um filho em um hospital, qual mãe conseguiria?
Ela estava tão linda, que deixou hipnotizado, tamanha era sua admiração; trajava uma calça jeans colada ao corpo, então ele lembrou-se que nunca a viu usando calças jeans, um suéter branco que cobria todo os seus braços, e seu pescoço, a deixando com o rosto mais pálido, os cabelos presos em um rabo de cavalo, alguns fios da frente soltos naturalmente. Linda, ela estava linda, nunca esteve tão linda, ou era somente a saudade exorbitante que ele sentia dela, que fazia seu coração palpitar em batidas aceleradas. E a vontade de correr até ela e tomá-la nos braços, era sem igual.
Uma lágrima solitária escorreu por seus olhos, quando ela finalmente parou olhar para Luka e levantou o olhar ainda distraída.
-Você foi rápido Patrick. – ela disse distraidamente quando levantou os olhos. O sorriso de desfazendo no momento que seus olhos percorriam por seus traços. – O que faz aqui?
-Eu... – seu corpo tremia tanto, que ele mal conseguia falar, e sua vontade era de sair correndo dali, começava a se questionar se aquilo foi a escolha certa a se fazer. – Apenas queria saber como ele está.
Ela levantou com cuidado, Luka estava em seu colo e em seu bracinho estava conectado ao soro onde ele recebia os remédios.
-Acho que isso não é mai da sua conta Sam. – ela respondeu rispidamente, virando de costas para ele, tentando esconder o menino de sua visão.
Aquelas palavras saíram como pontas afiadas em seu peito, não, foi bem pior.
-T...Tem razão, é melhor eu...
-Papai! – os dois se espantaram quando o menino se sobressaltou no colo de Kristin. Tentando a todo custo ficar em pé ou se libertar dos braços de Kristin.
Mais uma lágrima solitária e dolorosa caiu de seus olhos, paradoxando com seu sorriso, ao ouvir aquela palavra. Mas logo ele se fechou, quando viu que Kristin não estava nenhum pouco satisfeita com aquilo.
E Luka continuava a se espernear para tentar sair do colo de Kristin. Quando viu que não iria conseguir, seu rosto de contorceu em uma careta de choro, e o som agudo choroso ecoou pelo local, era o ponto fraco de Kristin, ela não conseguia ver Luka chorando.
E Sam também não.
Foi até Luka, o pegou dos braços de Kristin, que ficou imóvel, sem reação. Ele não estava preocupado se ela iria protestar ou não.
-Papai – ele o chamou mais uma vez, aconchegando-se em seu peito, enquanto recebia um beijo no alto de sua cabeça. – Dói.
-Dói? – Sam indagou. – Onde dói?
-Atí. – era o modo dele de dizer “aqui”, ele disse colocando a mão no peito.
-Dói aqui? -- ele perguntou mais uma vez, tocando seu dedo indicador onde a mãozinha de Luka estava apoiada.
-É. – ele confirmou.
Com o braço livre Sam o abraçou, como se seu abraço o fosse livrá-lo da dor. E foi que aconteceu, poderia não ter diminuído a dor que Luka sentia, mas era o suficiente para ele ficar bem, Sam sabia disso.
-Isso não é justo. – ela balbuciou, enquanto caminhava em direção a janela, a expressão ameaçando que ia chorar a qualquer momento. – Pensei que ele tinha esquecido de você, mas nem mesmo ele conseguiu.
-Também sinto falta dele Kristin, de vocês dois.
-Por que você tinha que aparecer Sam? Estava tudo voltando ao normal, eu estava seguindo em frente, estava me recuperando... Por que?
-Estava seguindo em frente... Ao lado dele?
-Isso não é Ada sua conta, não é mais.
-Então depois de tudo, depois das humilhações que ele te fez passar, depois das traições, das mágoas, você voltou para ele?
-Não fale assim dele Sam, você não foi um exemplo de homem perfeito.
Isso o fez se calar, ela tinha razão, ele a magoou muito, não tinha nenhuma moral para ficar falando de Patrick, em sua mente a única coisa que gritava era, que não foi uma boa idéia ele ter vindo encontrá-la, mas o que ele podia fazer era uma reação automática, seu corpo agia sozinho, ele queria, implorava para estar ao lado dela.
-Então vocês estão juntos de novo. – ele afirmou, a mágoa era visível em cada letra das palavras.
- Estamos. – ela respondeu, quase que imediato, uma gota de lágrima caindo em seus olhos.
Sentiu seu coração partir em milhares, quando olhou para ele e o viu respirar fundo, engolindo em seco, sabia que estava com vontade de chorar, que estava sofrendo, era certo, ela ainda o amava como antes, talvez até mais forte, mas era melhor para os dois ele achar que ela estava junto de Patrick. Talvez assim ele desaparecesse de vez de sua vida. Talvez ele a, talvez ela conseguiria arrancá-lo finalmente de seu coração.
Um longo momento, um silencio constrangedor se alastrou pelo quarto, eles apenas se olhavam nos olhos, em uma conversa silenciosa, carregada de dor e sofrimento. Por fim ele balançou a cabeça afirmando, como se respondesse a um pedido silencioso. Colocou Luka no berço, lhe dando um beijo no alto da cabeça. Sem olhar para os lados andou até porta, que estava entreaberta, sua silueta parecia ainda maior com jaleco branco, ele não olhou para ela, não olhou para traz, apenas abriu mais a porta, o suficiente para ele passar.
-Eu te amo, Kristin. – ele sussurrou, porem alto o suficiente para ela ouvir. Fechando a porta atrás de si.
Chorar, ela não sentiu tanta vontade de chorar, mas de pegar a primeira coisa que lhe vier a vista e jogar na parede, ah isso ela teve, e muito, raiva, seu coração foi tomado por uma fúria inexplicável.
Como ele ousava sumir por todo esse tempo? E depois simplesmente voltar dizendo essas palavras? Ele não tinha o direito de simplesmente ser um tormento em sua vida, ele não tinha o direito de dizer que a amava e fazê-la sentir vontade de correr e abraçá-lo da forma mais apertada que ela podia. Ele não tinha o direito de fazê-la sentir-se assim, não tinha.
Seus punhos cerraram de tal forma que seus dedos ficaram brancos e suas unhas chegaram a cortar a palma de suas mãos.
Ela somente se acalmou quando o enfermeiro chegou trazendo o almoço de Luka, e em seguida Patrick chegou com uma pequena mala nas mãos.
Então Kristin pode se recompor melhor, tomou um banho, trocou de roupas, e deu uma risada sem humor quando o vestido que antes lhe cabia perfeitamente, agora ficava frouxo em seu corpo, só ali ela percebeu o quanto emagreceu, coisa que ela tanto lutou para conseguir, e que já achava impossível, aconteceu em tão pouco tempo em sua nova vida.
Voltou para o quarto de Luka, Patrick o ajudava a comer a papinha de verduras e feijão, que ele se esforçava muito para comer. Era como Luka havia dito para Sam, com as medicações os pulmões de Luka ficavam muito sensíveis, e doíam até mesmo para respirar.
-Preciso deixar um atestado médico no meu trabalho. – ela comentou.
-Posso fazer isso para você amanhã. – ele respondeu de imediato, hesitando em olhá-la nos olhos. – Kristin, sobre a Mag, eu...
-Tudo bem, esquece isso, não existe mais nada entre nós dois, não tenho mais motivos para me magoar com você. O que fez no passado ficou no passado, precisamos apenas nos concentrar no nosso filho, que é a única ligação que teremos de agora em diante.
-Entendo. Tudo bem. – ele pareceu levemente frustrado com suas palavras. Ela estava certa, depois de tudo, ele não tem mais o direito de ter esperanças de recomeçar tudo ao lado dela.
Alguns dias depois... ( faltando dois dias para o Natal.)
-Nem acredito que amanhã vai ser véspera de natal, não sei para você, mas esse ano passou tão rápido. – ela comentou, enquanto colocava a estrela no topo da arvore de natal. A casa estava impecavelmente decorada. – Então, vai ter folga ou vai ter que ficar de plantão Sam?
-Vou ter que ficar de plantão, eles vão precisar de pelo menos um psicólogo no andar Psiquiátrico, e já haviam decidido dar folga a todos.
-Inclusive a você.
-Mas mesmo assim me predispus a ficar, somente a Psicóloga chefe não iria conseguir. Pode não parecer, mas Psicólogos, são muito requisitados no hospital, nossas funções estão muito alem de somente “aconselhar”.
-Ou talvez alguém esteja arranjando uma desculpa para passar o natal perto de uma certa garota que também vai estar lá no natal.
-Isso não tem a ver com Kristin, Jessica.
-Falando nisso, como está Luka, faz tanto tempo que não o vejo.
-As noticias que tenho são as que as enfermeiras me passam as vezes, soube que ele está resistindo bem ao tratamento, e que talvez sairá de lá antes do ano novo.
-Queria poder vê-lo.
-Nem pense nisso Jessica, eles não merecem nossa intromissão.
-Você também não merece sofrer meu irmão. Ate agora não acredito que eles estão juntos de novo. Kristin é uma boba.
-Talvez ela só esteja pensando no filho.
-É por isso que tenho medo de crescer, ser adulto é tão complicado. Vocês sofrem de mais.
-Eu só queria que ela ficasse ao meu lado, que entendesse, que me aceitasse... Acabei adotando eles como minha família, eu a amo Jessica.
-Então por que não luta por ela? Só está acabado quando ela dizer que sim.
Ela foi para o quarto, enquanto ele terminava de tomar o cereal, o olhar perdido, as palavras de Jessica o tocou mais do que ela imaginava.
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-Mamadeira. – Patrick repetia milhares de vezes.
-Madeira. – Luka tentava repetira palavra, mas sempre errava algumas silabas.
-Não filho, é mamadeira.
-Mamamamama.
-Acho que ele não vai aprender tão cedo. – Kristin entrou no quarto com a sacola da lanchonete, trazendo o café da manhã dos dois.
-Veja pelo lado bom, ele aprendeu a falar madeira.
Ela sorriu debochada, colocando o saco com o café da manhã na mesinha do quarto.
-Ele está cada vez mais parecido com você. – ela comentou, enquanto eles tomavam café na mesinha, um de frente para o outro ao lado da janela cm a vista do 15º andar do prédio.
-Os lábios deles são completamente os seus, existe uma participação por igual de nos dois nele, não tem como dizer se ele se parece mais comigo ou com você, ele herdou nossos traços por iguais. – ela sorriu delicada, ambos olhando automaticamente para Luka no Berço. – Ach que ele foi a melhor coisa que fizemos na vida.
-Concordo. – ela voltou a olhar para ele. – estava pensando em trazer uma arvore de natal para o quarto, ou pelo menos algumas luzes, já que vamos passar o natal aqui.
-Ah, Kristin, era sobre isso que queria te falar. – ele mordeu os lábios, constrangido. – Infelizmente agendei uma reunião para amanhã. Tenho que ir para Washington. Isso está agendado há mais de um mês. E seu eu cancelar somente poderei marcar para o segundo semestre do ano que vem. Estou tentando vender algumas ações para esse grupo a mais de quatro anos e...
-Em outras palavras você não vai estar aqui no natal. – ela disse, ríspida, levantando da mesa.
-Kristin eu sinto muito, eu nunca me imaginei em uma situação como essa quando marquei a reunião.
-Tente desmarcar, agende para o final do ano que vem se for o caso, Patrick, é o seu filho.
-Kristin, se eu não conseguir vender essas ações. A Campânia vai perder o estatus de mais lucrativa desse ano.
-Está querendo dizer que você corre risco de entrar em falência?
-Não, mas isso quer dizer que vou parar de ficar em primeiro, isso significa uma perda muito grande na renda per capta.
-Ok, tudo bem. – ela sorriu, mas podia se notar a diferença, ela estava visivelmente decepcionada. – A empresa sempre foi mais importante para você. Isso não se muda.
-Kristin, será somente na véspera, no natal estarei aqui.
-Eu já disse que estava tudo bem não é? – ela alterou o tom de voz em meio tom, respirou fundo, tentando disfarçar que estava magoada e decepcionada.
O dia seguiu muito longo, pois os dois passaram o dia sem se falarem. Kristin estava começando a se acostumar com o hospital se mudou sua rotina para se adaptar ao lugar.
Eram quase onze da noite quando ela adormeceu no sofá. Pensou que nem conseguiria dormir aquela noite, pois nunca pensou em tantas coisas ao mesmo tempo.
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Véspera de Natal...
Quando ela acordou ele não estava mais no quarto, já devia ter ido embora, ela suspirou e sorriu ao ver que Luka já estava acordado. Fez a higiene matinal e o tomou no colo em seguida.
-Feliz natal meu filho. – ela disse, o abraçando apertado.
-Natal... – ele repetiu, arrancando um sorriso bobo de seu rosto.
-Meu amor, aprendeu a falar natal, fala de novo? Natal.
-Natal.
Então ela ouviu a porta abrir, pensou ser Patrick entrando, mas quando reconheceu o salto altíssimo preto, o corpo magro e alto, seu coração bateu aceleradamente.
Ela ficou sem reação, não sabia o que dizer para aquela pessoa.
-Kristin, precisamos conversar. – foi a primeira coisa que ela disse.
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