Apenas Acaso?

1 um incidente, uma paixão P.O.V. Nadja


Notas iniciais
É isso aí gente!! Pra quem pediu estou fazendo uma continuação de A paixão de Nagihiko! Espero que esteja bom, mas isso vocês que irão decidir.

– Chegamos, Tainá. — Disse para minha chara enquanto abria a porta de meu novo quarto.

Novo quarto, nova casa, nova cidade... Minha vida está uma verdadeira montanha-russa esses dias. Desde que minha mãe morreu a três anos, as coisas ficaram complicadas e agora, graças ao meu pai, a minha vida e dos meus irmãos virou de cabeça para baixo.

– Olha, que lugar legal! — Exclamou Tainá, como sempre sem conter sua empolgação. — Viu só, Nadja? Mudar de casa não é tão mal assim.

– Mudar de casa não, mas ir para outra cidade do outro lado do país é. — Respondi, colocando uma caixa com minhas coisas em cima da cama. A casa já estava toda mobiliada, só faltavam nossas coisas. — O Jiro bem que podia ter escolhido um lugar mais perto, não?

– Ora, se era para ter uma mudança de ambiente, não podia ser perto. — Odeio quando a Tainá tem rasão. — Se anime, vamos. Que tal uma volta para conhecer a cidade?

– Antes temos de arrumar o quarto. — Respondi, contendo um sorriso cínico. Percebi que ela congelou.

– A-arrumar tudo? Tudinho??

– Claro, vamos ficar um bom tempo aqui. Na verdade, não sei nem se voltaremos pra casa,então vou precisar de um quarto arrumado.

– Mas.. nós não podemos nem dar uma voltinha antes? Diz que sim, por favor. — Ela pediu com desespero

– Está bem. — Me rendi. — Mas quando voltarmos, não tem escapatória.

– Eba! Vamos, vamos, passear... — Ela começou a cantarolar.

Ajeitei meu cabelo como sempre, o mesmo penteado de Asuna do S.A.O, dizem que sou muito parecida com ela, exceto que o ruivo do meu cabelo é mais forte, de um vermelho-fogo. Desci as escadas e dei de cara com Kouji, meu irmão mais novo, que estava brincando com algumas caixas já vazias. Ele me viu e deu um daqueles sorrisinhos bobos de criança que derretem qualquer um.

– Onee-chan, vem brincar! — Ele me chamou.

– Não posso agora, Kouji.

– Por que? — O sorriso dele sumiu em um segundo. — Você sempre brinca comigo, vai ficar chata igual ao Jiro?

– Eu ouvi!. — Jiro, meu irmão mais velho, protestou lá da cozinha.

– Eu quero brincar, Kouji, mas agora não dá, vou sair.

– Quem disse?! — De repente, Jiro surge da porta da cozinha. Nem me assusto mais com isso.

– Eu só vou dar uma volta, tá? Minhas pernas ainda estão formigando de ter ficado tanto tempo no carro, e também quero ver onde e como é a escola que vou começar semestre que vem. — Eu disse calmamente, mas senti que vinha bronca.

– Você não vai andar por aí numa cidade estranha! — Sabia.

– Mas se eu não conhecer, ela sempre vai ser estranha. — Retruquei.

– Pode até sair mais não vestida assim! — Ah, agora foi demais!

– De novo, Jiro?! Qual o problema com minha roupa a final?? — Eu estava vestindo uma blusa simples branco com detalhes verdes na manga e na gola, uma calça azul clara nada apertada, e por fim um casacão cor-de-creme que era da minha mãe. Adorava aquele casaco e Jiro sabia o quanto era importante para mim, mas sempre que o coloco é quando ele mais implica com minhas roupas.

– Ao menos feche esse casaco. — Ele disse mais calmo e eu nem acreditei. Fechei o casaco o mais rápido que pude e dei um beijo nele e no Kouji antes de sair pela porta com Tainá a escanteio.

Nós passamos por cada parque lindo que dava até gosto de ver, mas não podíamos parar porque eu queria mesmo conhecer minha nova escola e o maluco do Jiro me matriculou em uma do outro lado da cidade!

Faltavam apenas algumas ruas para chegar a escola quando de repente um barulho alto me desperta. Me encolhi de vergonha, segurando minha barriga. Muito bem, Nadja, é isso que dá não comer nada o dia todo!

– Nadja, olha lá, no outro lado da rua. — Tainá chamou minha atenção para um restaurante com uma placa enorme escrito "Grande Inauguração".

Atravessei a rua, entrei no lugar, que não estava tão lotado, e me sentei em uma mesa para uma pessoa. ão sabia o que pedir, tinha tantas opções, e Tainá mudando de ideia sobre qual era o melhor o tempo todo também não ajudava. Por fim, decidi pegar um dos maiores pratos que eles tinham, a atendente até me olhou assustada e olhou para os lado procurando se tinha mais alguém comigo.

Olhava pela janela, vendo as pessoas passarem, me perguntando se alguma delas estava com a vida tão conturbada quanto a minha, até que fui me dispersando e, quando dei por mim, encarava a parede a minha frente como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

– Ei, Nadja. — Tainá sussurrou no meu ouvido, se encolhendo atrás de mim, embora aquilo não fosse realmente necessário. — Tem um garoto olhando pra você. — Quase dei um pulo da cadeira. Um garoto olhando pramim?

Virei a cabeça bem devagar e vi que minha chara não estava ficando doida, tinha mesmo um garoto olhando na minha direção. Me observava somente com o canto do olho então não pude ver a cor direito, mas seu cabelo era roxo, liso e... comprido?

Ficamos nos encarando por um bom tempo, até que o pedido dele chegou. Era o mesmo que o meu. Ele passou a se concentrar na comida, mas não conseguia desviar meu olhar. O que está acontecendo com você, Nadja?! Acho que fiquei encarando muito, porque uma hora ele simplesmente soltou os hashis e, se virando para mim, perguntou:

– Algum problema?

– Você estava me olhando antes e eu não disse nada. Só acho que você pediu muita comida para quem aparenta estar sozinho. — Falei a primeira coisa que veio na minha cabeça. Nessa mesma hora, uma atendente me entregou meu prato, que era o mesmo que o dele.

– Olha só quem fala.

– Pra sua informação, eu não comi nada o dia inteiro. E qual é a sua desculpa?

– Apenas gosto de comer, algum problema com isso?

Olhei-o de cima a baixo não acreditando muito, ele não tinha corpo de quem come muito e... Peraí, eu pensei o que?!

– Não deixe ele falar assim com você, Nadja! — Tainá protestou. — Vamos mostrar pra ele o que uma garota que passou o dia trancada com fome em um carro é capaz de fazer. CHARA CHANGE!

Ih, ferro...

– Veremos! — Peguei meu prato e coloquei no lugar a frente dele antes de me sentar. — Vamos ver quem está com mais fome?

– E o que eu ganho com isso?

– Meu respeito? — Só de olhar na cara dele deu pra ver que não era o suficiente. — Fazemos assim: Quem perder, paga a conta dos dois.

Por um segundo achei que ele fosse recusar, foi aí que vi uma criaturinha flutuando perto do ombro dele. Ele também tem um Shugo chara. Fui tirada de meus pensamentos por seu grito

– Agora falou a minha língua, eu aceito! — Dei um sorriso cínico.

– Então, preparar, apontar... Já!

Começamos a comer e ele era bem rápido, tinha de admitir. Quando faltavam apenas dois para mim, o garoto levantou as mãos e falou bem auto, ainda de boca cheia:

– Ganhei! – Não sei por que, de repente o sorriso dele desapareceu e ele cobriu a boca e o rosto corado com as mãos. Que gracinha que é esse menino corado, meu Deus!

– Até que foi divertido, parabéns. – Estendi minha mão para cumprimentá-lo e ele aceitou. Tive que me segurar para não corar. A mão dele transmitia um calor tão agradável, aconchegante, que quase tive vontade de nunca mais soltá-la. – Agora é só ir lá no caixa pagar a conta. – Sorri falsamente ao ter de soltar a mão dele.

Senti uma enorme dor em meu coração ao medir o peso de minhas palavras. Quando pagasse a conta, eu seguiria o meu caminho e ele o dele. Nunca mais o veria de novo... Mas por que isso me incomoda tanto? Fui tirada de meus devaneios por uma coisa que ele disse e que me surpreendeu.

– Por que não deixa que eu pago o jantar e você a sobremesa? Que tal um sorvete? – Minha cara devia estar muito boba, minha boca aberta em um “O” perfeito.

– Você está me chamando... pra sair? – Tive de confirmar, garantir que não estava ficando doida.

– Não! Q-quero dizer... Ahh! Você quer ou não?

– Humm... – Eu queria aceitar, mas na minha cabeça só vinham imagens do Jiro, que com certeza me mataria se demorasse muito mais para chegar em casa. – Não, sou nova na cidade e não vou sair por aí com um cara que mal conheço. – Disse as palavras que, tinha certeza, Jiro usaria se visse aquela cena.

– Meu nome é Fujisaki Nagihiko, tenho 14 anos e meu passatempo preferido é jogar basquete. Está bom pra você? – Arregalei os olhos, surpresa com a velocidade que as palavras saíram de sua boca. Impressão minha ou ele estava desesperado? Claro que é apenas impressão, Nadja. Não seja burra.

– Nagihiko... – Falei baixo e um sorriso involuntário surgiu em meus lábios. Minha garganta e meu coração pareciam sem vezes mais leves, como se tivessem esperado anos para que aquele nome saísse de meus lábios, meu corpo inteiro parecia uma pluma. – Então esse é o seu nome? É bem bonito. – Meu Deus, tenho certeza de que meu rosto ficou da mesma cor que meu cabelo.

– O-obrigado. – Ele agradeceu sem me encarar.

– Meu nome é Suzumaya Nadja, tenho 14 anos e meu passatempo preferido é brincar com meu irmãozinho. – Me apresentei também. – Agora eu aceito o sorvete.

Nagihiko pagou a conta e nós saímos a caminho da sorveteria. Ou melhor, eu o segui até a sorveteria, já que não fazia a menor ideia do caminho. Ficamos em silêncio durante o caminho até que, quando estávamos atravessando uma praça, resolvi falar alguma coisa.

– A propósito, seu chara é muito fofinho. – Sussurrei em seu ouvido. Quando me aproximei, senti um cheiro tão, como posso descrever... delicioso, viciante, gostoso de sentir. Só então percebi que o tal cheiro vinha dele. Não parecia ser colônia ou coisa do tipo, Nagihiko simplesmente tinha esse cheiro. Discretamente, dei mais uma fungada bem forte, queria sentir aquele cheiro ao máximo. Que horror, estou virando uma pervertida! Nunca fiz uma coisa dessas, então por que agora, porque com ele?

– Você pode vê-lo?! – A pergunta dele me trouxe de volta pra terra. Rapidamente, retomei o assunto e respondi.

– Sim, eu também tenho uma. Essa é a Tainá. – Apontei para a pequena indiazinha no bolso do meu casacão. A danada se escondeu ali quando sai depois de me fazer pagar aquele mico. – Eu só te lancei o desafio de comida porque ela fez o Chara Change comigo.

– Então... você sente falta do que? – Ele me perguntou receoso, acho que estava com medo de parecer intrometido. De fato, nunca conversei sobre aquilo com ninguém, mas, não sei o que deu em mim, comecei a falar.

– De poder me expressar. — Abaixei a cabeça, pensando no dia em que Tainá nasceu. Foi um dos piores e melhore dias da minha vida, ao mesmo tempo. – E não é só para demonstrar alegria. Sempre tive medo do que as pessoas vão pensar de mim, então, quando tenho um sentimento forte, eu o contenho.

– E eu mostro como ela está se sentindo de verdade com cada situação. – Tainá me completou.

– Com o Nagi é quase a mesma coisa. Yo, eu sou Rhythm. – O chara de Nagihiko se apresentou. Ele é tão fofo! – Como ia dizendo, o Nagi sempre teve dificuldade para agir como realmente queria, fazer as coisas no seu próprio ritmo. E foi desse desejo que eu nasci.

Se pensar bem é realmente quase a mesma coisa. Olhei pro Nagihiko e ele não parecia muito confortável, então tive uma ideia.

– Rhythm, poderia mostrar a cidade para a Tainá?

– Claro, vamos lá.

Os dois sumiram de vista e nós chegamos à sorveteria. Eu pedi um de pistache, como sempre, e ele de chocolate (A: Rimo). Sentamos na calçada com o sol já se pondo e eu não pude evitar em dar umas olhadas pro Nagi enquanto isso. Peraí, “Nagi”?! Não, eu não posso chamá-lo assim sem nem antes perguntar! Ou ao menos conhecê-lo, né? Mas isso é o que mais me intriga, porque ele está sendo tão gentil comigo, alguém que acabou de conhecer? Bem, se ele está disposto a fazer amizade, acho bom mostrar que também estou.

– Nagi. – Mais um sorriso bobo escapou. – Posso te chamar assim? – Perguntei. – Ou o Rhythm só te chama assim para te irritar?

– N-não! E-esse é o meu apelido mesmo.

– Sabe, te conhecer foi a melhor coisa da minha semana. – Comecei a falar de repente. Era verdade, desde que o vi naquele restaurante, nenhuma das loucuras daquela semana me incomodou mais.

– Eu também gostei muito de te conhecer. – Meu coração deu um pulo ao ouvir aquilo e uma felicidade, junto com uma vergonha imensa, me invadiu.

Poderia passar o resto da minha vida ali, com ele. Mas se demorasse muito mais a voltar pra casa, Jiro me trancaria em casa até o sol explodir! Toda minha felicidade se dissipou. Ainda de cabeça baixa, comecei a falar:

–Nagi, acho que já preciso ir para casa.

– Eu posso te levar se quiser. — Finalmente o encarei, surpresa.

– Obrigada, mas acho que vai ser meio... incômodo. – Eu queria que ele me acompanhasse, mas e se não pudesse, se só estivesse fazendo aquilo para ser educado?

– Eu não me importo, não é certo te deixa ir para casa sozinha.

– Se não tem problema mesmo... – Me “rendi”.

Acho que devia ter dito ao Nagi que morava do outro lado da cidade, ops. Chegamos a minha casa quando a lua já brilhava no céu, estava uma noite tão linda.

– Bem, é aqui. – Disse, assim que paramos na porta. – Obrigada mesmo por me trazer.

– De nada. – Ele respondeu. Foi aí que nossos olhos se encontraram. Deus, os olhos dele eram de um castanho lindo! Quando dei por mim, estávamos nos aproximando lentamente. Nossos olhos iam se fechando a mesma medida que nossos rostos se aproximavam, e então, quando nossos lábios estavam prestes a se tocar, a porta é aberta e nós nos separamos.

– Onee-chan chegou! – Juro que, se não amasse tanto o Kouji, eu matava ele!

Mas eu não poderia fazer isso depois do abraço de “oi” que ele me deu. Depois de me cumprimentar, ele se virou para o Nagi e ficou encarando ele por uns bons segundos antes de entrar em casa berrando:

– Jiro, a onee-chan trouxe um namorado! – Retiro o que disse, eu vou sim matar esse moleque!

– Kouji, não é nada disso! Volta já aqui! – Gritei tarde demais. Virei-me pro Nagi super-envergonhada. – Me desculpe por isso, Nagi. O Kouji tem uma língua muito grande para alguém tão pequeno.

– Tudo bem, mas quem é Jiro?

– É meu irmão mais...

– Sou o irmão mais velho dela e não permito que ela namore com qualquer um! – Lembram-se quando eu disse que nem me assustava mais com essas aparições surpresa de Jiro? Pois é, dessa vez eu me assustei. Ele estava usando um avental rosa que a vovó deu, mas com o tamanho que o Jiro é, até parece que o Nagi reparou nesse detalhe, principalmente pela cara assassina que meu irmão maluco fazia.

– O Nagihiko é só um amigo, Jiro. – Falei, sem saber direito se era aquilo mesmo que ele queria ouvir.

– Acho bom ser só um amigo mesmo, porque não gosto e não deixo que qualquer carinha fique arrastando asa pra cima da minha irmã! Agradeça logo a ele por te trazer e entre, te dou três minutos. – E fechou a porta com um estrondo.

– Me desculpe por isso também, Nagi. – Eu sou mesmo uma estúpida! Meu irmão ameaçando ele de morte e eu peço desculpas?! – O Jiro é meio protetor, mas acho que ele gostou de você. – Tentei acalmar o coitado, que estava pálido, de algum modo.

– Por que diz isso?

– Se ele não tivesse ido com a sua cara teria logo me puxado para dentro de casa. – Respondi meio sem graça.

Se você contasse para alguém que seu primeiro beijo foi com um completo estranho que você nunca mais viu e provavelmente nem vai, esse alguém diria que você ficou maluco, não é? Mas é exatamente isso que eu estou com vontade de fazer, aqui e agora, e pra ser bem precisa, com o Nagi. Aqueles olhos cor de mel pareciam me atrair de algum modo, aquela postura ereta e inabalável me passava tanta segurança, e até mesmo aquele cabelo comprido e de cor distinta lhe dava certo charme. Ora, vamos, sua franginha! A Tainá não está aqui, se quiser que algo aconteça vai ter de tomar uma atitude sozinha! Antes que pudesse me controlar, o chamei:

– Nagi, eu preciso fazer uma coisa e... V-você pode até me chamar de doida, mas eu vou faz. – Uma súbita corajem me invadiu e fui me aproximando. – Eu estou querendo fazer isso desde que te vi no restaurante hoje. – Rapidamente, sem dá-lo tempo para pensar, eu rompo os últimos centímetros que nos separavam e o beijo.

Fiquei assustada no inicio porque, embora não oferecesse resistência, ele não correspondeu. Ah não, será que ele já é comprometido?! Ou pior, é... Por favor, não!! Seria muita sacanagem se um cara gato desses fosse Yaoi! Meu subconsciente finalmente se aquietou ao senti-lo corresponder o beijo. Que sensação mais maravilhosa! Os lábios dele tinham um gosto delicioso de hortelã e ele me beijava com tanto carinho e cuidado... Se me perguntarem algum dia se me arrependi de dar meu primeiro beijo a um estranho, responderei que não e que faria de novo se o reencontrasse alguma hora. O ar começou a falta e eu me separei dele, ambos estávamos com a respiração ofegante. O rosto dele estava meio corado e tenho certeza que o meu também.

– Bo-bom... Era isso. – Eu disse para não ficar aquele clima tenso de pós-beijo-em-alguém-que-não-é-seu-namorado. – Obrigada de novo e tchau. – Corri para dentro e fechei a porta.

Deslizei pela mesma, mordendo meus lábios para não gritar.

– Onee-chan... Ah... Tá tudo bem? – Kouji me olhava como se eu fosse uma maluca. Não posso culpá-lo, nunca agi assim antes, é estranho até mesmo para mim.

– Quem é aquele cara, Nadja?! – O estraga prazeres do Jiro me perguntou. – Nós mal chegamos aqui e você já tem um namorado?? Nada disso, eu não permito e...! – Ele continuou falando, mas nem isso será capaz de abalar meu bom humor. Levantei-me e fui andando lentamente até as escadas.

– Eu estou ótima, Kouji. Melhor do que nunca. – Respondi ao meu irmãozinho com um sorriso, mas o mesmo morreu quando encarei meu nii-san. – E você, não quis tanto se mudar para termos novas oportunidades e para que eu fizesse novas amizades? Então que tal tentar me ajudar ao invés de criticar cada pessoa que chega perto de mim?? – Nem esperei que ele respondesse, subi as escadas correndo, mas pude ouvir mais gritos e reclamações de Jiro que, como sempre, pensava estar fazendo tudo certo.

Droga! Ele não é o papai, nunca foi e nunca será! É tão difícil assim entender?! Atirei-me na cama e abracei meu travesseiro. Meus olhos ficaram marejados, mas eu não podia... não queria chorar. Foi quando me lembrei daqueles olhos castanhos e todas as minhas preocupações se dissiparam como num passe de mágica. Fujisaki Nagihiko... Nagi... será que te verei de novo?

As sensações do beijo me invadiram novamente: O calor que seu corpo emanava aquecendo o meu, o cálido gosto de hortelã de seus lábios, o beijo tão calmo e carinhoso. Meu sorriso só aumentava e, bem na hora que Tainá chegou, uma pena branca, igual a que minha chara tinha no topo da cabeça, apareceu em mim e não consegui mais me conter. Rolava de um lado pro outro na cama, rindo tanto que até o Coringa ficaria com medo.

– Que é isso Nadja, ficou lelé?? O que é que houve com você e o Nagihiko, ele tava congelado lá embaixo, olhando para a porta com a maior cara de besta! – A indiazinha tentava falar comigo, mas eu não respondia. Somente ria, ria e pensava no Nagi. – Socorro, acudam!! Minha dona ficou maluca, minha dona ficou maluca!! – Tainá berrava, voando em círculos por todo o quarto.

– Me deixa, vai. Não estraga minha alegria! – Respondi e taquei um travesseiro nela. A chara começou a me xingar de coisas que fariam-na precisar benzer a boca depois, mas eu já não prestava mais atenção, tudo em que pensava era naquele garoto e se nossos caminhos se cruzariam novamente.

Kami-sama, se você está aí, por favor faça-me vê-lo outra vez!

Notas finais
Pelo amor de Kami, deixem reviews!!!! Nem se for para dizer que está horrivel.