Apavorado

4 4° Capitulo – Dia 03° - 07 de Abril de 2013 – P02


Aquele dia tinha sido muito movimentado para mim. Descobrir que a professora Trudy “Agora tendo a oportunidade de apenas chamá-la de Trudy” é uma médium que consegue ter contatos com o plano astral. Que o que está acontecendo comigo já se houve há anos atrás e se eu não vier a descobrir se isso realmente é meu pai posso está correndo um sério risco de vida, sinceramente eu estou super encrencado.

Cheguei á porta de minha casa e reparei que a entrada se encontrava uma ambulância, corri até a janela da varanda, já se eram sete e meia daquela noite, Yago e minha mãe se encontravam na sala com um senhor e outros dois rapazes. Nisso comecei a reparar em toda aquela ação quando Yago ergueu a voz.

- Acho desnecessário isso Tia, pelo menos por agora. – Minha mãe levantou-se olhando seriamente meu primo.

- Desnecessário Yago? Seu primo está enlouquecendo, precisa de tratamento, o doutor Stevens é um bom profissional e cuidará perfeitamente de meu filho a fazê-lo esquecer desses pesadelos e voltar a ter uma vida normal. – Sentir que Yago havia se sentido mal com a repreensão.

- Desculpa Tia, só estava tentando acalmar as situações, mas a senhora sabe o que faz, preciso ir ao meu quarto, quando o David chegar me chame, por favor. – Ela concordou acenando em positivo com a cabeça. Eu realmente não estava acreditando naquela situação, minha mãe havia chamado um médico para levar-me a ser internado. Eu teria que tomar certas providências e teria que ser o mais rápido possível. Com certa cautela avancei pela varanda e analisei a altura que se dava até meu quarto, com uma certa dificuldade comecei a escalar um pequeno arvoredo próximo até alcançar a janela de meu espaço. Pulando e com um pouco de força conseguir entrar ao local. Comecei então a esvaziar minha mochila, abrir meu guarda-roupa, joguei algumas peças de roupas, acessórios de higiene e não poderia esquecer o principal, o livro. Com muita pressa estava em uma busca pelo tesouro perdido, parecia que o livro não se encontrava ali foi quando inesperadamente a porta do local se abriu e Yago se deparou comigo, corri a tempo de tampar sua boca com uma de minhas mãos em evitar que ele chamasse a atenção de minha mãe.

- Por favor, ajude-me a sair daqui! Preciso apenas do livro e sairei novamente pela janela, não posso me livrar disso sem antes fazer o que é preciso. – Yago com força se soltou de minha mão e falou em tom baixo.

- Cara! Sua mãe está louca atrás de você, ela vai te internar, precisa sair daqui agora, vá, eu te dou cobertura. – Em tom de nervosismo voltei a falar.

- Preciso do livro Yago, onde ele está? – Mas não se houve resposta, Yago estava sério em não me contar nada.

- Precisa ir sem ele David! Isso vai te matar, saia daqui, suma por uns dias e depois volte, mas esqueça esse livro. – Entre nossos olhares sérios conseguir pensar aonde o livro poderia está, corri até o pequeno baú em que Yago guardava alguns pertences antigos, ele vendo que realmente eu havia descoberto o lugar me concedeu uma rasteira em minha perna esquerda, caindo ao chão ele correu a minha frente, mas em uma nova investida puxei uma de suas pernas fazendo o cair também, joguei-me por cima de seu corpo e concedi um soco firme de esquerda em seu rosto. Meio tonto ele tentava levantar, apressei-me a abrir o baú.

- Desculpa Yago! Mas precisava fazer isso. – Mas em um lance rápido e surpreendente quando fui a pegar o livro no mesmo instante fui arremessado ao teto e o livro se fixou ao meu corpo me fazendo desmaiar.

- David! — Gritou Yago se jogando sobre meu corpo imóvel.


Muitas vozes eram soadas ao meu redor, eu me encontrava preso em correntes em minha cama, não havia teto sobre meu quarto e meu olhar somente ia de encontro à lua e muitas estrelas. Meu pensamento desviou para o último acontecido, a coisa que está ao livro queria entrar em contato comigo, por isso me fez desmaiar. Sentia-me completamente agoniado estando naquela situação, com muito esforço conseguir quebrar uma das correntes até alcançar um pequeno alicate que se encontrava a beira de minha cama, saber por que ele estava ali eu não sei, mas deve ser que faz parte do show. Quebrando as correntes que faltavam conseguir me levantar e sair do meu quarto, pelo corredor de minha casa eu via sangue pelas paredes e mais gritos.

- Meu Deus! O que será isso? – Eram as únicas coisas das quais eu me perguntava, desci as escadas correndo e minha única visão foi a de minha cozinha, minha mãe se encontrava amarrada com sua cabeça baixa.

- Mãe! Vamos sair daqui. – Mas ao momento que tentei tirá-la dali sua cabeça voltou-se para cima e um grande corte em sua garganta foi mostrado.

- Não! – Gritei em grande choro, de repente sua boca começou a se mexer direcionando sua voz a mim.

- Você precisa morrer David! Precisa, precisa, precisa. – Foi então que cansado de tudo aquilo decidir confrontar a coisa.

- Desgraçado! Revele sua verdadeira face, vamos, enfrente-me se for capaz. – De repente fui jogado em imensa velocidade contra a parede da sala, meu corpo caiu em grande impacto ao chão. Com a boca em sangue comecei a me arrastar ao sentir grandes pisadas atrás de mim foi quando meu corpo começou a ser levitado.

- Por favor! Acorde-me, eu preciso acordar. – Essas palavras demonstravam o imenso medo do qual eu sentia. Foi quando aquela força fez meu corpo ser arremessado por toda a sala, batia-me contra ao sofá, estante, televisão, tudo que era alvo ou enfeite para meu corpo destruir. Enquanto isso em minha realidade Yago via meu corpo ser levantado de um lado para o outro no quarto.

- Tia! Socorro! – Foi sua última opção, minha mãe junto ao doutor Stevens e os enfermeiros invadiram o quarto, quando então meu corpo foi arremessado á fora do local em direção às escadas, com grande pressa sair rolando por cada degrau até chegar à sala na qual fui de grande impacto a estante e uma grande placa de vidro que segurava muitos quadros cair sobre mim.

- Não! David meu filho! – Minha mãe saiu desesperada a descer as escadas em tentar me ajudar, Yago logo a seguiu, o doutor Stevens com seus enfermeiros assustados com tudo aquilo resolveram os acompanhar, mas em direção a saída.

- Por favor! Preciso de vocês. – Minha mãe chorava em pedir de ajuda.

- Desculpa dona Yates, mas esse caso é algo sobre exorcismo e não algo sobre a ciência dos médicos, adeus. – Retirando-se do local Yago com minha mãe colocaram meu corpo sobre o sofá, eu possuía grandes cortes sobre meu corpo, estava com um braço quebrado e ainda desacordado. Em sonho eu estava já á fora de minha casa tentando me arrastar pela avenida onde moro, foi quando em sinal de uma prévia de despedida ouvir ao pé de meu ouvido novamente.

- Nosso próximo encontro será fatal! Esteja preparado. – Foi quando eu acordei em muitos gritos, minha mãe segurando firme meu corpo enquanto Yago trazia alguns panos e um balde d’água a enxugar meus ferimentos.

- Isso vai me matar mãe! Agora eu sei que isso não é meu pai, ele se afastou de mim, preciso me livrar disso, chame a professora Trudy, ela sabe o que fazer. – Minha mãe meio sem saber do que eu estava falando resolveu ainda me questionar.

- Como assim filho? O que ela pode fazer? – Foi quando a campainha da porta de entrada da casa tocou, Yago caminhando levemente entre os estilhaços de vidro abriu o local, ali estava à senhorita Trudy junto ao senhor dono da loja de santos religiosos.

- Parece que chegamos na hora exata Robert! – Trudy olhava espantada ao senhor.

- Com certeza Trudy, com certeza. – Respondeu o senhor olhando atentamente ao meu estado físico.