Apavorado

5 5° Capitulo – Dia 04° - 08 de Abril de 2013


Era uma manhã chuvosa naquela segunda-feira que pelas expectativas dadas pela previsão do tempo seria de intenso sol por toda a cidade, eles estavam errados. Não conseguia mexer meu braço esquerdo direito, talvez tenha sido pelo quebrar que sofri na noite anterior. Mas o terrível de tudo é está sobre essa cama enquanto minha mãe, Yago, Trudy e com certeza Robert conversavam na sala sobre mim.

- Vocês querem o quê? Não vou deixar de maneira nenhuma vocês fazerem isso com meu filho. – Minha mãe estava irredutível de acordo ao que Robert havia proposto para a minha libertação.

- Precisamos fazer isso dona Beatriz ou o seu filho acabará sendo morto por esta coisa da qual nem sabemos o que é, pode ser um espírito, demônio, extraterrestre, seja o que for, temos que invadir a mente dele e com isso teremos total controle. – Yago olhava a todos com bastante atenção foi quando ele resolveu opinar.

- Talvez seja melhor isso mesmo Tia! Já vimos que a sanidade dele está ótima e o que realmente está acontecendo é isso, por favor, precisamos arriscar.

- Confie dona Beatriz! – Trudy tentava passar algum tipo de conforto a minha mãe, mas saber ao certo se aquilo lhe fazia bem era o grande problema.

- Posso responder mais tarde? – Todos olharam entre si.

- Claro que sim dona Yates, mas veja que quanto mais cedo realizarmos esse processo mais cedo você terá seu filho de volta. – Assim acenou em positivo minha mãe retirando-se do local. Yago tentando prestar hospitalidade resolveu ir até a cozinha preparar um suco com alguns biscoitos, Trudy havia gostado da idéia.

Algumas horas mais tarde eu estando em meu quarto descansando de olhos super abertos sentir a fechadura do meu quarto ser girada, era Yago que entrava com uma pequena bandeja de alimento para mim.

- Está melhor cara? – Perguntou-me ele com bastante afeição.

- Acho que sim primo! Um pouco dolorido e com muito sono, mas o remédio que Robert me passou está ajudando a evitar meus micros sonhos, pelo menos por enquanto. – Saber que eu estava causando uma preocupação sentimental em Yago me demonstrava que realmente eu tinha uma grande importância para ele, sabe, difícil para irmãos serem assim, ainda mais primos.

- Obrigado pelo alimento, você poderia agora chamar o Robert? Queria dá uma palavra com ele. – Yago sem expressar outra atitude retirou-se do quarto deixando a porta aberta, em alguns minutos ele retorna com novas.

- Ele está subindo, qualquer coisa pode me chamar, estarei com sua mãe.

- Obrigado! – Agradeci com um bom sorriso.

- Nem agradeça! Irei cobrar por horas no Xbox. – Nós rimos, ao sair de Yago foi em menos de instantes para que Robert entrasse ao quarto, ele olhou-me atentamente e sentou-se a cadeira na qual servia de acento ao meu acesso de computador em meu dia a dia.

- Então meu jovem, parece que você me conhece não é? – Perguntou Robert atentamente.

- O senhor da loja! Responda-me, você sentiu que isso estava acontecendo comigo quando me disse aquela frase quando eu estava saindo de sua frente? – Robert pareceu muito pensativo, mas ele aparentava ser muito sábio.

- Claro que sim! Mas eu não poderia ainda o alertar de forma direta, deveria dá tempo ao tempo, por Trudy ser uma médium assim como eu, tinha a absoluta certeza que ela chegaria a você em questioná-lo sobre o livro. – Eu ainda parecia mais curioso em relação ao conhecimento de Robert.

- Você já tinha visto ou ouvido falar desse livro antes do caso que Trudy o chamou não é? – Robert sorriu.

- Muito esperto jovem David! Mas sim, com certeza esse livro já me trouxe grandes perdas, passei vinte e sete anos de minha vida tentando de todas as formas entrar em contato com essa coisa para assim o destruir de uma vez por todas e agora que você está tendo esse caso é a ocasião mais perfeita a isso. – Robert era um senhor muito atento e culto, com certeza ele tinha grandes feitos em sua mocidade.

- Acredito em você Robert! Sei que poderá me livrar disso, por tanto ainda esta noite eu quero que você faça todo o processo possível para a libertação. – Robert levantou-se indo em direção á saída.

- Espero que esteja preparado! Se tudo realmente vier a dá certo será a última vez que passará por todo este tormento.

- Assim espero! – Concordei o deixando sair.


Pela noite todos se encontravam em meu quarto, a senhorita Trudy, Yago e minha mãe haviam espalhado velas por todo local e Robert estava ao meu lado de olhos fechados meditando sobre seus próximos feitos. Nisso acabei chamando minha mãe para perto de mim.

- Oi meu filho! – Ela me recepcionou, nisso acariciei seu rosto com afeto.

- Desculpa por qualquer coisa mãe, você sempre demonstrou um enorme esforço em nos sustentar, em ser a mulher e homem da casa, somente tenho a lhe agradecer hoje, amanhã e sempre. – Ao terminar de minhas palavras minha mãe se encontrava em prantos chorando intensivamente sobre meu corpo foi quando Yago a levantou tentando acalmá-la. Em poucos instantes Robert havia aberto seus olhos e olhando fixamente para Trudy se pronunciou.

- Chegou á hora! – Levantando e passando uma corrente entre meu braço e o dele, Trudy pegou um pequeno cadeado e o trancou em nosso meio.

- Peço a vocês que mesmo se o David ou eu mesmo pedir para que nos libertem não o façam. Poderemos está sendo usados e isso não seria nada bom.

- Tudo ficará bem Robert – Comentou Trudy com afeto. Em seguida com Robert do meu lado, minha mãe, Yago e Trudy nos observando logo fomos invadidos por um pequeno som instrumental que nos levava realmente a descansar, mas o mais cansado ali era eu e inevitavelmente vim a dormir e em mesma sintonia Robert fez o mesmo.

- Agora só aguardar! – Comentou Trudy tentando manter a tranqüilidade entre os presentes.


Uma escuridão predominava todo o espaço, eu não sentia vento, calor e nem frio foi quando em um piscar de olhos várias luzes se ascenderam, aquele clarão me veio muito forte, esfreguei meus olhos para assim voltar a enxergar. Com a minha total visão analisei o local a perceber que estava no corredor da rede de ensino do meu curso, Robert se encontrava sentado a parede.

- Robert! – O chamei tentando acordá-lo.

- Oi! – Ele respondeu abrindo os olhos rapidamente.

- Vamos! Precisamos andar por ai, a coisa pode está por perto. – O levantei e começamos a andar pelo lugar, todas as salas estavam vazias, nenhuma voz, nenhum barulho, algo estava estranho comparado às outras vezes em que adormeci.

- Será que desistiu de mim? – Perguntei analisando a face de Robert que parecia preocupado.

- Com certeza não! Ele deve está esperando o momento certo de atacar, fique atento. – E não demorou para que a conclusão de Robert estivesse certa, ao final do corredor uma porta se abriu.

- Silêncio! – Alertou Robert. – De repente uma pessoa se arrastando somente com metade do seu corpo saiu da sala, seu sangue deixado atrás de si marcava uma linha da qual em se analisar já me causava náuseas pela quantidade de sangue.

- Meu Deus! Precisamos correr Robert. – Estava tenso, mas Robert parecia mais do que eu. Foi quando as outras portas abriram-se em conjunto e novos corpos surgiram em mesmo formato, todos se arrastando por metades vindo em nossa direção.

- Corra David! – Saímos em grande disparada pelo corredor foi quando olhamos para trás e os corpos haviam ganhado velocidade, estes agora se seguravam pela parede e vinham em nossa direção como verdadeiros carros de corrida.

- Mais depressa Robert! – Nos guiamos até uma sala da qual entramos e fechamos com um grande armário.

- Tente achar alguma luz! – Opinou Robert atropeçando em alguns objetos, foi quando eu passei a mão pela parede e sentir um interruptor, mas ao ligar deste nos surpreendemos, ou melhor, nos assustamos, estávamos em uma grande floresta.

- Mas que porcaria é essa? – Robert estava impressionado foi quando a porta que escorramos começou a ser forçada pelos corpos, continuamos a correr e de repente das árvores vários morcegos começaram a surgir em nossa direção, alguns nos alcançaram e começaram nos morder, em grande rapidez conseguir tirar um de meu ombro do qual com dentes afiados já levava consigo um pedaço de carne do meu corpo, sem saber por onde estávamos acabamos de mau jeito caindo em um desfiladeiro em grande lamaçal, Robert se enrolando em muitos galhos rasgou sua calça assim deixando exposta sua perna tendo a oportunidade de um galho afiado sair rasgando a carne deste local em grande corte. Ao pararmos de correr começamos a analisar nossos devidos cortes.

- Precisamos estancar esse sangue Robert. – A perna deste jorrava sangue em grande quantidade, Robert estava branco e começou então uma chuva pelo local.

- Nunca pensei que um pesadelo como este poderia ser tão real! – Comparado ao que eu vi Robert ainda não tinha visto nada, foi quando uma ventania nos arrodiou e eu sentir que toda aquela floresta iria se fechar contra nós.

- Temos que voltar a correr! Ande, se apóie em meu ombro. – Em grande rapidez comecei a correr arrastando Robert comigo foi quando nos depararmos com uma cabana, em grande rapidez arrombei a porta, joguei Robert ao canto da sala e fechei o local com bastante pressa.

Enquanto isso na realidade minha mãe tentava enxugar meus novos cortes e Trudy fazia o mesmo ao corpo de Robert.

- O que será que está acontecendo lá? – Perguntava Yago apreensivo.

- Eu não sei, mas espero que eles voltem logo. – Respondeu Trudy quase chorando.

Ao sonho eu olhava por uma janela antiga da cabana a notar se algo estava próximo de nós.

- David! – Chamou-me Robert que parecia está desfalecendo pela falta de sangue.

- Você precisa atrair essa força para perto! – Aquelas palavras de Robert me amendontravam.


- Não sei como fazer isso Robert! – Comecei a chorar por notar que o único homem naquele local que poderia me ajudar estava prestes a morrer.

- Mas eu sei como! – Nesse momento ele retirou a faca da qual eu tinha visto Trudy tirar do pequeno pano quando ela me contou que era uma médium.

- Essa coisa precisa de um receptor, quando você me matar ele irá entrar em mim nesse momento você terá que me matar novamente e assim terá conseguido se livrar disso para sempre. – Eu estava aterrorizado com o plano.

- Não posso fazer isso Robert! – Ele segurou minha mão firme.

- Sim! Você pode. – E junto a ele cravou em seu peito a faca. O desespero tomou conta de mim ao notar Robert estava gofando sangue, eu tentava amenizar, mas cada vez mais seu liquido vital saia. Em realidade o corpo de Robert começou a sangrar por seu peito. Trudy entrava em pânico e pedia por ajuda.

- Ele está morrendo! – Yago rasgou a camisa do homem e tentou colocar vários panos e estancar o local. Em sonho Robert olhava pra mim já com seu corpo imóvel enquanto eu estava andando por toda a cabana em pleno pavor quando de repente o corpo daquele homem começou a levitar.

- Meu Deus – Gritei ao ver todo seu corpo sendo quebrado em várias partes e uma voz grossa sair de sua boca em minha direção. — QUEREMOS VOCÊ DAVID! PRECISAMOS DE VOCÊ! – Nesse momento o corpo de Robert foi esquartejado e meus gritos ecoaram por toda a cabana, o sangue deste jorrou sobre mim e fui arremessado contra a parede de madeira, nisso todo o local começou a se destruir, ao abrir de meus olhos eu estava levitando no meio da floresta em um grande temporal, minhas lágrimas desciam meu rosto misturando-se a chuva.

- Por favor! Não me mate. – Eram minhas palavras a serem ditas perante a respiração forte na qual eu sentia á minha frente, foi quando várias vozes surgiram ao meu redor.

- Precisamos de você! Tem que vim conosco! Nosso mundo precisa de uma nova alma, queremos, queremos, queremos, queremos, VOCÊ! – Aquela última palavra entrou em minha mente fazendo todas as veias do meu corpo serem dilaceradas, meu corpo começou a ser quebrado em várias partes até que sentir como se duas mãos segurassem minha cabeça até que um suspiro firme foi feito sobre mim.

- Chegou à hora! – Uma última frase ao pé do meu ouvido e meu pescoço foi quebrado, meu corpo imóvel e sem vida desabou do ar caindo pela grama daquele local. Em realidade minha mãe gritava sobre meu corpo que já não se encontrava mais sobre a cama, metade de mim estava em um canto do quarto e outra minha mãe segurava firme em seus braços, Yago chorava em desespero pelo medo de ter visto aquela cena e Trudy ainda lamentava sobre o corpo de Robert.

Ao longe eu pude abrir meus olhos e ao redor de mim apenas se tinha um espaço todo em branco, parecia neve, mas era um branco angelical, a cena daquela imensa tristeza passava á minha frente como um grande filme de terror, foi quando eu sentir uma mão fria, com enormes garras afiadas segurar meu ombro, nisso sentir me afastando daquela imagem, aos poucos, devagar, até que não pude ver mais nada a não ser o local onde me encontro agora, várias pessoas sendo amordaçadas, chicoteadas ou sofrendo uma grandiosa tortura, ao passar de meus olhos por todo o lugar conseguir enxergar uma jovem garota da qual tinha atrás de si uma sombra escura com uma mão sobre seu ombro e garras afiadas também ao possuir, eu não hesitaria em dizer, aquela era a jovem da qual havia sido morta há anos atrás, inevitavelmente comecei a chorar, sabia que ali agora era o meu lugar, um lugar de sofrimento onde muitos dizem ser o lugar das dores, prefiro ser popular, eu não veria mais a minha mãe, a senhorita Trudy nem tão pouco Yago, afinal, eu havia chegado aos confins do inferno. Ao fechar de meus olhos meu corpo começou a ser envolvido por grandes asas escuras e meu corpo tornou-se uma grande fumaça cinza da qual subia-se por todas as rochas daquele lugar, sim, eis que agora este é o meu novo lar.



Notas finais
Agradeço a todos por terem acompanhado essa história até o fim!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!