Apavorado
2 2° Capitulo – Dia 02° - 06 de Abril de 2013
Estava certo quando eu disse que naquela noite passada eu não conseguiria dormir, era inevitável a cada vez que eu fechava os olhos não sentir o aperto de leve ainda sobre meu pescoço, ter aquela sensação não era nada agradável. Ás sete horas da manhã daquela terça-feira resolvi levantar-me da cama, Yago ainda roncava, porco, não sabe o quanto odeio isso. Fui ao banheiro e fiz todas as minhas higienes, retirei-me do quarto indo direto para a cozinha, minha mãe ainda se encontrava ali.
— Bom dia meu filho! Está se sentindo bem? – Eu poderia simplesmente dizer: Olhe para minha cara e veja se estou bem! Mas com certeza não falaria aquilo com minha mãe e nem queria deixá-la preocupada.
- Estou ótimo mãe! Realmente foi um pesadelo o que se ocorreu esta noite, tenho certeza que tal coisa não irá se repetir. – Dona Beatriz sorriu, ela só queria meu bem e isso com certeza é o melhor desejo de uma mãe para com seu filho. Com o passar das horas eu já me encontrava no curso, fui o primeiro a chegar à sala naquele dia, professora Trudy encontrava-se á mesa fazendo algumas anotações enquanto isso eu estava sobre o meu caderno em uma página em branco tentando imaginar como poderia ser a forma daquilo que tentou me matar, mas de nada adiantava, eu apenas tinha sentido algo firme me puxar pelos braços na escada e uma força apertando meu pescoço, queria mesmo saber a forma física daquilo. Mas minha concentração foi quebrada pela voz da professora Trudy.
- Estudou o livro David? – Meio sem jeito fui levantando a cabeça bem devagar, ela bem sabia que quando eu fazia aquilo era a representação que não tinha estudado ou feito tarefa nenhuma.
- Desculpa professora, noite passada tive alguns problemas pessoais e infelizmente quando estava a conferir o livro tive que parar a tentar resolver outras coisas, mas prometo que ainda hoje o lerei. – Ela sabia que não deveria confiar em minhas promessas, mas mesmo assim sorriu e comentou.
- Por favor, não deixe de fazer isso, precisa de pontos no curso e isso será importante para você, amanhã o cobrarei novamente e quero uma resposta de retorno que seja positiva. – Com certeza! – Concordei evitando mais delongas.
Com o fim da aula decidir ir andando para casa, no meio do caminho passei em frente a uma lojinha da qual havia-se alguns santos pendurados em pequenas tábuas, isso representava várias representações religiosas de outros países, aquilo era interessante mas logo minha atenção foi tirada por um pequeno susto de um senhor que surgiu ao meu lado.
- Interessado em algo meu jovem? – O olhei atentamente, ele parecia ter uns cinqüenta e cinco anos, usava um chapéu ao estilo de Charlie Chaplin e um terno muito bem passado.
- Não senhor! Apenas estava observando, bonitas artes, mas agora preciso ir, tenha um bom dia. – O senhor acenou com o baixar do rosto e quando fui me apressando a sair apenas ouvir uma voz atrás de mim.
- Tenha cuidado jovem David, o senhor vai precisar! – Aquilo me assustou, mas ao olhar de volta para trás aquele senhor não estava mais ali, sem pensar duas vezes sair correndo, quanto mais rápido eu chegasse a minha casa seria melhor.
Abrindo a porta em grande velocidade entrei e encostei-me á frente do local. Aquela frase dita por aquele senhor não saia de minha cabeça, eu precisava descobrir mais á fundo o que aquele livro tinha a dizer para mim, foi então que me apressei ao sofá da sala, sentei e retirei o livro que ainda estava em minha mochila, deitei e comecei a lê-lo. Em certo momento comecei a pensar se aquela força poderia ser o meu pai. Mas porque ele estaria querendo me matar? Será que ele criou algum rancor por mim e minha mãe? Eram tantas questões que acabei adormecendo.
Em meu sonho já se era noite e eu estava na avenida ao final da rua onde eu moro olhando todas as casas, iluminadas e em cada janela que eu olhava meus olhos caminhavam-se em direção a sala de jantar, dava-se a observar as famílias unidas e sorrindo alegremente, aquilo por certo momento me fez abrir um pequeno sorriso e sentir uma sensação da qual eu nunca tive, foi quando comecei a andar pela rua, a única coisa que iluminava meus passos eram as iluminarias nos postes, mas algo em certo momento me assustou quando eu dei somente mais um passo. Todas as famílias começaram a olhar-me pela janela e a darem várias risadas, cada riso mais macabro do que o outro foi quando o pavor me possuiu e então decidir correr. Mas a minha frente um grande clarão surgiu foi quando a casa em minha esquerda explodiu e uma grande chama veio em minha direção, decidir voltar correndo para onde estava e todas as casas uma do lado da outra começaram a explodir em mesma sintonia fazendo toda a avenida virar uma grande bola de fogo, ao final da rua eu me deparei com uma árvore da qual eu comecei a subir, mas logo fui segurado por vários galhos que começaram a rasgar minha pele de meu braço.
- Socorro! – Gritava desesperadamente foi quando ouvir uma voz assustadora bem ao pé do meu ouvido.
- Você precisa morrer, morrer, morrer, morrer! – A grande chama me alcançou e eu gritei ao acordar. Reparei que eu tremia e soava muito, minha camisa estava rasgada e meu braço se encontrava muito vermelho, naquele momento não estava mais ao sofá e sim ao carpete da entrada da casa foi quando eu sentir a porta se abrir e minha mãe surgindo em uma pequena brecha.
- Meu Deus! David! – Ela gritou entrando em grande velocidade, largou as sacolas que possuía as mãos e me segurou aos braços, com muita dificuldade me arrastou ao sofá e começou a tentar me acalmar mesmo ela estando em choro.
- O que aconteceu David? Porque você está assim? Você brigou com alguém? – Não mãe! — Foi a minha última resposta antes de desmaiar de vez e deixar o livro que eu segurava em minha mão esquerda desabar ao chão. Minha mãe em prantos começou a pedir por ajuda a Yago que ainda não se encontrava ali, mesmo em agonia ela não deixou de enxergar o livro “O Poder dos sonhos”.
- O que você está fazendo David? – Perguntava-se ela em meio ao choro do alisar de meus cabelos enquanto esperava o retorno de Yago a nossa casa.
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