Apartamento 16
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Hoje é sábado e eu ainda estou trancada no meu quarto escuro, faz exatamente 3 dias... que ele me trocou, ainda lembro de como ele estava frio comigo nos últimos meses, eu perguntava ''O que aconteceu? Você esta estranho'' e ele sempre dizia ''Nada Meiko, são meus problemas'' então, eu não insistia para ele me contar, eu não queria parecer uma mulher chata e obsessiva.
Nos últimos 3 anos, Kaito foi assim, um marido frio, mas nunca me disse o motivo, nós não temos filhos, na verdade, também moramos longe dos parentes, nós não saiamos muito e em 5 anos morando em uma cidade diferente, ainda não fizemos amigos, eu não trabalho, é Kaito que sustenta a casa e o que ele tinha era apenas colegas de serviço.
Era o que eu achava.
A 3 dias atras, eu descobri que ele tem uma amante, na verdade, ele me contou e eu fico pensando, se ele não tivesse me contado, quando eu iria descobrir?
Ele chegou tarde em casa, mais tarde do que o normal, era quarta feira, sentou no sofá e pediu para me sentar ao seu lado, então, foi me contado, eu não disse nada, apenas chorei, então ele saiu de casa sem me dizer aonde ia e não voltou até agora, eu também não liguei em seu celular.
Eu ainda o amo, claro, sou casada a 5 anos com ele, tirando os anos de namoro, mas... como eu não pensei que ele estava me traindo antes? Era tão obvio... Será que antes do casamento ele também me traiu?
Eu não tenho amigas pra desabafar essas coisas, então, eu não sei o que fazer... Será que eu sigo em frente, mas... ele, porque? — Sinto uma lagrima descendo no meu rosto, então a seco, vou em direção a janela para abri-la, vejo o sol, que queima minha visão por tanto tempo sem ve-lo.
Em seguida tomo um banho, me arrumo para sair, precisava de qualquer coisa para comer, fui na lanchonete perto da minha casa, enquanto esperava ser atendida, pego um jornal que estava em cima do balcão, enquanto o folheava, paro em uma reportagem escrito o seguinte: ''Detetive particular é um dos mais bem pagos da cidade.'' Foi ai que eu pensei, detetive? Porque não?
Anotei seu numero no meu celular e assim que cheguei em casa, liguei para ele.
– Aqui é o Gakupo, em que posso lhe ajudar? — ouvi sua voz do outro lado da linha, era grave, como a de um homem já feito.
– Olá, é a Meiko e... — gaguejei um pouco para falar, eu estava ansiosa para ver o seu trabalho — Eu vi um anuncio seu no jornal, queria um dos seus serviços, o de detetive.
– Ah sim, senhorita Meiko, não acha melhor marcarmos um lugar para nos encontrarmos e você me conta para quem é o serviço?
– Sim, mas é urgente, poderia ser para hoje?
– Claro, as 2 horas da tarde está bom para a senhorita?
– Está ótimo, que tal na lanchonete da avenida delgado? — mencionei a que fui hoje de manhã, a mais perto da minha casa possível.
– Sei aonde é! Nos encontramos lá.
Então ele desligou o celular, me dei conta que já era mais de 1 hora da tarde, peguei minha bolsa e fui para a lanchonete. Gakupo foi pontual, assim que chegou, parou a minha frente na mesa.
– É você a senhorita Meiko? — ele sorria, parecendo ser simpático, ele tinha longos cabelos arroxeados, vestia um jaleco preto e carregava uma bolsa consigo.
– Sim e você o Gakupo, vamos ser diretos, ok? — o vi assentir com a cabeça logo que sentou na mesma mesa em que eu estava, e continuei — Meu marido está me traindo, disso eu já sei, mas eu quero descobrir com quem é e aonde é.
– Claro, para isso, vou precisar de algumas informações da senhorita, poderia me passar o celular dele? — e então, as coisas que ele foi pedindo, eu fui lhe dando, até fui na minha casa com ele, tivemos uma longa e detalhada conversa sobre os últimos anos de meu casamento.
– Senhorita Meiko, agora, eu vou pedir que você ligue para seu marido, do seu celular — enquanto ele falava, o vi tirar um aparelho de dentro da bolsa que ele estava, logo dei conta que aquele aparelho, era para ouvir a conversa de pessoas no telefone, ou seja, grampear — E fale para ele vir buscar as roupas e seus pertences.
Sem excitar, eu liguei, Gakupo ligou o aparelho e assim que ele atendeu, eu fui forte, forte o bastante para ouvir a voz daquele safado.
– Alo, meiko? — fiquei surpresa por ele me atender na primeira.
– Sim, sou eu, quero que você venha buscar as suas roupas aqui em casa, e qualquer coisa que for seu e estiver aqui.
– Eu vou mais tarde.
– Tem de ser agora, ou eu queimo tudo.
– Argh — ele bufou — Certo, eu vou ai, mas, eu só vou pegar e vou ir embora.
– Exatamente — desliguei o celular na cara dele e Gakupo deu um sorriso, de satisfação.
Então, Gakupo foi para um carro do outro lado da rua, em frente a minha casa, ficou lá esperando Kaito chegar e eu, fiquei dentro da casa, de frente para a janela, olhando o carro em que Gakupo estava, esperando... a minha vingança.
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