Notas iniciais
Saudações humanos da terra. Eu vim em paz. Vocês vão perceber que nesse capítulo já está perto do final. Então não vou tomar o tempo de vocês. Leiam!

A matriarca da família Powell estava sentada atrás de uma mesa de vidro, como fazia todas as manhãs, a sala de seu marido ficava próxima a sua e ela podia vê-lo em uma reunião com alguns clientes. No papel ele era o CEO da empresa, mas todos sabiam que quem tomava as decisões definitivas era Carmen. Mas enquanto as decisões não precisassem ser tomadas, ela tratava de ficar longe de reuniões como essa e tramar o novo passo, como uma assassina traçando caminhos que podem lhe levar a próxima vitima. E um nome estava grudado em seu consciente desde que Azazel apareceu na mansão. Joshua. Apenas Joshua, pois ele não merecia o peso que tal nome tinha diante da sociedade londrina. Sua prioridade não era Ivan, o fugitivo e nem Chester – que para ela permanecia preso, dissecado em uma cela. Mas sim o demônio de olhos azuis, se a notícia que ele voltara chegasse ao ouvido de alguma família da alta sociedade, daria trabalho para limpar. E Carmen nunca foi boa em limpeza, sempre acabava sujando as mãos de sangue.

Estava tão concentrada em seus diversos planos de como acabar com Joshuaque não notou a loira do setor de TI aproximar-se da porta também de vidro e bater, na terceira batida ela abriu a porta, chamando a atenção da mulher.

– Sra. Powell? – chamou.

– Entre. – ordenou. – O que tem para mim Olivia?

– Eu investiguei a Natasha como pediu. As contas, os e-mails...

– Seja direta, por favor. – pediu com o tom frio, que já era habitual.

– Certo. – ela vasculhou na pasta que levava em mãos e pôs a frente de Carmen alguns deles. – Eu achei esses e-mails encriptados recebidos há pouco tempo, ela não teve tempo de lê-los. O e-mail é de seus pais, mas o IP é de Londres, Natasha achou um jeito de burlar o nosso sistema antiespionagem.

– Por quê? Nós nunca proibimos que ela falasse com os pais. – Carmen falou mais para si e pegou um dos papéis, lendo seu conteúdo. Assim que ela passou os olhos pelo e-mail, ela soube. – Ela era uma traidora, como eu suspeitava.

– Tem mais senhora... – ela se apressou em pegar os outros papéis e afobada entregou a sua chegar. – Este é o movimento de uma conta que Natasha mantinha no exterior, há alguns dias atrás uma boa quantia de dinheiro foi movida para essas duas contas. – ela apontou no papel.

Chad Bailey. Wayne Evans.

– Eles são seguranças em um escritório de advocacia. O endereço está ai. – a mente de Carmen estalou quando viu o endereço, mas manteve a calma.

– Obrigada Senhorita Walker, agora você pode ir. – diz já se levantando da cadeira. De pé ela observou a recatada Olivia se retirou de sua sala. Os planos malignos contra Joshua teriam que ficar pra depois, agora tinha outros assuntos para lidar.

•••

O silêncio incomodava uma Victoria presa à parede, manteve-se acordada a noite toda, e foi perturbador ouvir a voz de Anne e não poder abraçá-la. Ela conseguia ouvir as vozes acima dela, mas eles não conseguiam ouvir seus gritos, que eram prejudicados pela sua falta de força. Naquele momento ela contava com a misericórdia de Francis, mais cedo ou mais tarde ele contaria a Anne onde estava e pensando nisso percebera que não queria morrer, mas que de certa forma merecia aquela tortura. Estava com fome, sede, em um estado miserável. Pela milésima vez ela fechou os olhos e não conseguiu dormir, não sabia se era noite ou dia, mas quando abriu os olhos não estava mais sozinha.

Quem estava sentada na cadeira não era Azazel ou qualquer outra pessoa da mansão. Ela tinha um ferimento na cabeça e o sangue estava seco, o que causou ânsia em Victoria. A pele estava branca e ressecada, assim como seus lábios rosados. A principio apenas encarou a bruxa na parede, não respirava e não mexia nenhum músculo. O azul de seus olhos estavam mais claros. E o cabelo, embaraçado e sem brilho.

– Você mentiu para mim. – diz, a voz era de Amber, mas seu rosto estava quase irreconhecível. Victoria achava que estaria morta quando Amber decidisse assombrá-la e ficou em silêncio diante dela. O corpo de Amber flutuou para perto dela. – Agora eu estou presa entre esse mundo e o que costumava ser o meu. Mas você o tirou de mim!

– Eu sinto muito. – decide dizer para não piorar as circunstâncias. O cheiro de formol que emanava de Amber entrou por suas narinas e a fez desejar desmaiar. – Você tem que seguir em frente se quiser encontrar Aaron.

– Não vou conseguir seguir em frente enquanto você não tiver o que merece. – ela segurou firme no pescoço de Victoria e o toque frio de sua mão a fez estremecer. – A morte lhe espera Victoria. Eu vim lhe buscar...

O clima na mansão havia mudado aquela manhã e fitando o teto branco do quarto de Azazel, Rebecca não sabia explicar o por que. Não sabia se o tempo nublado, o vento denso entrando pela janela tinha algo a ver com essa sensação estranha. Só sabia que não tinha a ver com ter passado a noite ao lado do apanhador, era algo mais sombrio se aproximando. A coberta branca vinha até acima de seu busto, seu corpo estava nu deitado na cama que julgava mais confortável que a sua. Ao olhar para Azazel, que dormia tranquilamente, ela não sorriu, apenas o observou cautelosamente e com certo afeto no olhar.

A sua atenção foi arrancada a força para os passos apressados de pessoas no corredor, ela ouvia murmúrios afobados que ficavam cada vez mais perto. Enrolada no lençol embaixo da coberta, ela saiu da cama e abriu na porta quando uma pessoa estava prestes a abri-la do lado de fora. Era Anne, com o rosto em chamas. Francis estava atrás dela e soltou um som de espanto ao vê-la na porta. Ignorando Rebecca questionou o porquê do afobamento com o olhar.

– Eu havia esquecido... Que era uma maldita mentirosa. – diz entre dentes. Rebecca consegue ouvir Azazel se remexendo na cama.

– Certo. – sussurrou para ela, um tom raivoso, o apanhador parecia estar em um sono profundo. – É sua tia que você quer não é?

– Parabéns pela descoberta. – Rebecca olhou para trás e ouviu. Azazel ainda dormia, agradeceu por ele dormir profundamente aquela manhã. Aquela situação daria muita dor de cabeça se ele acordasse. Virou-se para Anne e por dois segundos a fitou.

– Espere aqui. – fechou a porta em sua cara, mas a abriu de volta, Francis segurava o ombro da menina. – Vou levá-la até ela.

Vestiu-se o mais rápido que pôde, por fim vestiu a blusa regata que estava pendurada aos pés da cama. Deu uma ultima olhada em Azazel antes de sair, ajeitando o cabelo como podia. No corredor agora não estavam apenas Francis e Anne, mas Joshua, Chester e Ivan também estavam. Todos calados, encarando Rebecca de um jeito que a fez revirar os olhos e depois seguir escada a baixo.

Ela foi seguida por todos eles até o fim do corredor, passando pela sala de estar, parando para repreender os sussurros. Suspirou e torceu para que a senha não tivesse mudado. Ivan viu quando ela digitou Karol e a porta foi destrancada.

– Apenas Anne vem comigo. – Francis a olhou com dor, mas Anne deu um passo à frente sem olhá-lo. – Fique atento a Azazel no andar de cima. – diz para ele, que assente.

Anne desce na frente, e Rebecca não pôde deixar de torcer o nariz para o cheiro que sentia. De carne queimada. Mesmo de costas ela podia notar que Anne tivera a mesma reação e por isso deixou de ser cautelosa e desceu as escadas rapidamente, mas empacou quando atingiu o chão branco. Rebecca que chegara segundos depois constatou o que fez Anne paralisar, passaram segundos em silêncio, a apanhadora fechou os olhos para a cena e girou um pouco o corpo, cobrindo o nariz com a mão.

O corpo estirado no chão tinha as roupas rasgadas, as correntes que a prendiam antes haviam sido arrancadas de tal maneira que deixara buracos na parede. Os pés em carne viva, hematomas nos braços e pescoço, mas foram os olhos, completamente sem vida que fizeram Anne não se aproximar dela. No próximo segundo ela explodiu, levou a mão na boca e começou a chorar convulsivamente.

– Vamos, não há nada que possamos fazer. – Rebecca segurou em seu braço, Anne se permitiu ser levada por alguns milésimos, até que se soltou bruscamente dela.

– Não! Ela não merecia tudo isso. Azazel não tinha o direito. – então uma luz se ascendeu na mente da mais velha, a apanhadora que assistia ao desespero da menina.

– Azazel não a matou, as marcas no pescoço dela não tem mais que uma hora. Ele não tinha como mata-la sem eu perceber sua ausência no quarto. Ele a torturou, mas não a matou como pensa. – Anne percebeu o que havia acontecido. Os erros de Victoria a mataram, mas...

– Isso não o faz menos culpado. – ela impulsionou seu corpo pra frente, mas Rebecca a impediu de subir as escadas.

– Você não vai querer se meter com Azazel. – afirmou com veemência.

– Eu posso ao menos dar-lhe um enterro descente?

Rebecca assentiu.

– Eu lido com Azazel.

•••

Carmen bateu a porta do carro com raiva, achava que nunca mais precisaria se deslocar aquele lugar imundo, mas não podia confiar em mais ninguém para esse trabalho, tinha que ser ela. Sempre com um ar superior ela caminhou para dentro do prédio de dois andares, os funcionários a reconheceram e a cumprimentaram com algo que parecia uma reverência. Procurou por Wayne e Chad, mas lhe informaram que eles haviam pedido demissão fazia há alguns dias. É claro que pediram demissão, Carmen pensou, com o dinheiro que Natasha desembolsou para os dois daria pra viver tranquilamente pelo resto da vida.

O segurança novo na porta que dava para o subsolo acenou com a cabeça antes de abrir a porta para a mulher. Ela desceu as escadas graciosamente, o guarda Bill que tinha as pernas em cima da mesa levantou-se, assustado com a presença ilustre da Sra. Powell. A cumprimentou exageradamente.

– Sra. Powell, o que a traz aqui? – beijou sua mão, o que fez Carmen torcer o nariz.

– Vim visitar o 507. – ele se virou para pegar as chaves e ela passou o lenço na mão que ele havia beijado. O velho tinha cheiro de lavanda misturado com mel, um cheiro enjoativo.

– Duas Powell nos visitando em um dia só, é uma honra.

– O quê? – franziu o cenho, começando a ferver.

– Sua filha esteve aqui mais cedo... – diz, percebendo que não era pra ter mencionado coisa alguma.

Ela cuidaria de Abbie mais tarde. Por agora deu as costas para o guarda.

Carmen ficou feliz em deixar de sentir o cheiro dele ao adentrar o corredor escuro. Sem muita dificuldade ela achou a cela de Chester, empurrou a porta pesada para encontrar – para o seu não tão extremo espanto – a cela completamente vazia. Só o que se ouvia eram as gotas de água pingando no chão. – Bill! – ela chamou pelo guarda. Seu celular tocou.

O velho guarda se aproximava correndo quando ela o atendeu, fez sinal para que ele esperasse.

Carmen! – Joel exclamou do outro lado da linha. – Onde você foi?A esposa de um dos nossos clientes quer conhecê-la.

– Estou em Croydon.

Um minuto. – ele tampou o telefone, mas Carmen ouvia as vozes. Bateu com salto no chão três vezes antes dele voltar. – O que você está fazendo ai? Você disse que nunca mais botaria os pés neste lugar.

– Eu precisava ver com meus próprios olhos... Chester fugiu.

O quê? – ele elevou o tom de sua voz, mas tornou a abaixá-la. – Mas como isso aconteceu?

– Natasha aconteceu, não seja estupido Joel! – ela sabia que Abbie não seria capaz de tal coisa. Só podia ter sido Natasha.

Certo. – ele responde parecendo afetado. – O que fazemos agora?

– Guerra.

•••

Quando Rebecca fechou a pdorta atrás de si Azazel estava saindo do banheiro, mas diferente da noite anterior, ele estava completamente vestido e não ficou surpreso ao vê-la de volta ao quarto. Ela permaneceu encostada a porta, o fitando de um jeito que ele julgou estranho. Ele permaneceu junto à cama, também a encarando. Podiam ficar conversando por olhares durante muito tempo, mas Rebecca precisava quebrar o silêncio. Não se aproximou dele, apenas falou da onde estava, só que o fez foi desencostar da porta e pôr as mãos na frente do corpo, entrelaçadas.

– Anne sabe sobre Victoria. – começa, atenta a cada pequeno detalhe da expressão de Azazel. – Eu a levei até ela.

– Você o quê... – ele fez menção de se aproximar dela. Mas ela estendeu uma mão para impedi-lo.

– Antes que aperte meu pescoço, tente me matar e depois desista ou algo assim... Victoria está morta. – esta revelação trouxe confusão a Azazel. – Não tente entender, mas Anne entendeu e sabe que não foi você.

– Certo. Mais alguma coisa? – ele estava levemente irritado.

– Na verdade sim. Eu disse a Anne que deixaria fazer um enterro descente para Victoria.

– Rebecca... – ele se aproxima, fazendo-a encostar-se a porta novamente. Com os braços ele a encurrala. Olhos nos olhos, os lábios dela atraindo os dele, mas antes de beijá-la ele abriu um sorriso que Rebecca nunca esqueceria. Não parecia com nenhum outro sorriso que ela já o viu dar. As mãos dela foram parar em seu pescoço, ficariam mais tempo daquele jeito se a porta não fosse aberta em um rompante, Rebecca segurou no braço de Azazel e os dois foram de encontro ao chão do corredor.

Os dois olham para cima, onde Joshua disfarça o riso tossindo.

– Oh, desculpe-me. – ele levou a mão ao peito.

– Sempre me perseguindo... – Rebecca comenta com Azazel ainda em cima dela. Ele é quem levanta primeiro e estende a mão automaticamente para que ela se levante.

Azazel abre um sorriso vitorioso.

– Consegui domá-lo primeiro, irmãozinho. – ele passa por Joshua, indo em direção as escadas.

– O quê? Domá-la? Azazel Friedrich! – diz, indo atrás dele. Joshua permanece no mesmo lugar, cruza os braços e vai em direção ao seu quarto.

Era chegada a tarde e eles se encontravam na floresta atrás da propriedade Azazel, que não se atrevera a assistir ao enterro, permanecendo na mansão onde Joshua e Ivan também ficaram. Enquanto assistia o corpo de sua tia ser tampado pela terra úmida se entristecia por não poder enterrá-la junto dos pais. Junto ao peito de Francis ela soluçava, Rebecca estava logo atrás, os braços cruzados, tentando ser indiferente a situação, estava obtendo sucesso. Antes do corpo de Victoria ficar totalmente imerso na terra, Anne se aproximou e com as mãos tremendo colocou o anel de esmeralda no dedo de Victoria e voltou ao aconchego do braços de Francis.

Em silêncio eles caminharam de volta a mansão, o táxi não demorou a buzinar na frente dela. Chester e Rebecca foram os únicos que foram atrás deles para se despedirem. Ele recebeu um abraço de Anne e um aperto de mão de Francis.

– Essa não é uma despedida Francis Rosseau. – ela diz ao amigo. – Não se livrará de mim tão fácil.

– Eu sei Rebecca Moore. – com toda sua espontaneidade ele abraça Rebecca, ela retribuiu sem pestanejar, eles ficaram assim por um tempo. – Você é muito importante pra eu te deixar pra trás.

– Ok ok. Agora vá, antes que algo os impeça. – Anne também abraça Rebecca, o que a deixa espantada.

– Obrigada. – ela sussurra antes de largá-la e entrar no táxi junto com Francis.

– E coma seus cereais direitinho Francis! – ela grita antes do táxi virar a esquina. Chester passa a mão pelo ombro da apanhadora e eles voltam assim para a mansão.

Notas finais
Eae, gostaram? O que acharam da parte do Azz+Becca+ Josh? E a Vick, o que acharam da morte dela? E a ida do bebê Francis? Falem tudo, comentem! Dessa vez sem ameaças, mas... Mas nada, coloquem sal nas portas e janelas antes de dormir. Ah uma noticia, os próximos capítulos postados serão os dois últimos. É, os últimos. Não morram até lá. É isso, abraço da Hunter.