Notas iniciais
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Raito e Kaori dirigiram-se a uma banca de doces. Um vendedor velhinho e já meio surdo perguntou o que o jovem casal ia querer. Kaori ficou incomodada com a observação. «Será que parecemos realmente um casal?»

– Um saco de pipocas salgadas para mim. O que vais querer, Kaori?

Ela saltou de surpresa e percebeu que tinha deixado os pensamentos divagarem demais. Demorou alguns segundos a perceber ao que Raito se referia.

– Ah, eu não vou querer nada. Não trouxe dinheiro.

– Eu pago!

– Uma maçã doce, então! – Respondeu Kaori. Observou o sol que ainda ia alto no céu. Ela só queria que o dia terminasse e que se pudesse ver livre enfim daquele rapaz aparentemente perfeito que escondia a sua maldade por trás de um charmoso sorriso. Enquanto ele passava uma nota para o velho murmurou: — Porque não estou admirado?

O rapaz entregou a maçã doce a Kaori. Ela ficou a encará-la durante o resto do percurso. Era muito mais apreciativo encarar o doce caramelizado de tom vermelho do que suportar os constantes olhares de Raito em si. Era como se ele tivesse ficado subitamente interessado nela. Kaori estranhava isso. Não lhe passou sequer pela cabeça que fosse interesse, sinônimo de atração, ela sabia que não era. Mas ainda assim, ela achava que Raito tinha realmente um interesse nela. Curiosidade? Talvez. Ou talvez ela fosse simplesmente um meio para atingir um fim e todo aquele aparente interesse fosse apenas exatamente isso. Aparente, falso. Se Raito pensava que ela ia cair de amores por ele só por ele lhe andar a deitar olhinhos, ele devia achar mesmo que Kaori era uma completa idiota. «Pois bem, eu não sou idiota. E se ele acha que vai conseguir usar-me para mais um dos seus fins obscuros, ele está muito enganado. Vou mostrar-lhe que eu não sou boba! Para isso só preciso ficar sempre com um pé atrás! Nada de me distrair com bobagens e... hum, essa maçã é muito gostosa.»

Enquanto Kaori comia deliciada a sua maçã doce, Raito notou uma movimentação atrás deles. Era a líder de torcida, Suzuna, com a sua guarda costas, Rina. Resolveu largar a bomba. O tempo que passara com Kaori já devia ter dado frutos naquela mente controlada pelo diabinho verde da inveja. Afastou-se com a desculpa de que tinha de ir à casa de banho e não precisou de ver para saber o que aconteceu na sua ausência.

Quando Raito desapareceu do seu campo de visão, Kaori soltou um suspiro de alívio. Levantou os olhos para o Shinigami que pairava na sua frente.

– Sabes que mais Ryuuk? Uma pena que o Raito não te comprou uma também. – Provocou Kaori dando mais uma mordida na maçã doce. – Elas são muito boas.

Teve que rir da cara de pidão que ele fez.

– Hã... Kaori... vais mesmo comer a maçã toda?

– Tudo bem, podes ficar com o resto. Não quero que fiques com uma crise de abstinência.

Ryuuku não esperou o consentimento uma segunda vez. Mas, na sua pressa em pegar o doce, acabou por tropeçar num dos fios soltos e caiu com aparato no chão. Kaori não deu outra. Começou a rir incontrolavelmente.

Os mecânicos que estavam a ajustar o som, olharam para ela com estranheza. Pensaram que ela pudesse ter caído, porque tinham sentido um puxão no fio, mas afinal, ela estava ali, de pé, a rir de algo que eles não compreendiam.

– Olhem só, a maçã podre a rir sozinha como a louca que é! – Ouviu-se uma voz.

Lá estava Suzuna, a morena de corpo bem definido e enormes unhas de gel coloridas sempre de uma cor intensa. Rina estava logo um passo atrás, com os braços cruzados em frente ao musculoso peito, esperando ordens.

– Muito bom dia, Suzuna. Não se pode estar mais de bom humor, é?

Suzuna não gostou da resposta. Avançou até ficar de frente para Kaori. O contraste das alturas era quase assustador, já que Kaori tinha a cabeça na altura dos volumosos seios de Suzuna. Ela fez questão de espetá-los ainda mais, como um gesto de superioridade.

– Bem sei que tipo de bom humor é esse! Vou ser clara e direta! FI-CA LON-GE DO RAI-TO! – Cada sílaba era acompanhada por um arranhar de unhas na cara da loira. – Entendeu, ou quer que eu desenhe? Não tentes voar para fora do ninho senão eu corto-te as asas. Lembra-te do teu querido papá.

– Eu não pretendo ficar perto do Raito. – Defendeu-se Kaori e realmente ela não pretendia. Mas quem diz que Suzuna acreditava na veracidade das suas palavras?

– Bem sei o quanto és doidinha por ele. Como se ele alguma vez fosse olhar para ti. Patética! És patética, Kaori! Eu vou ficar de olho em ti e se te aproximares a menos de 5 metros do meu Raito, tu estás morta! Asso os teus membros e dou-os de comer aos cães. Ou melhor, entrego o nome do teu papá detetive ao Kira.

Kaori baixou a cabeça. Não podia retaliar. O que diria? «Vai em frente»? Era o que ela menos queria dizer. Era horrível estar nas mãos daquela rapariga obcecada por Raito. Ela ficara assim desde que levara um fora dele.

«Tudo isso por causa da Mai!» Kaori pensou, rangendo os dentes. A sua melhor amiga que tinha entregado o precioso segredo da família Maki. Pelo menos um deles. A família de Kaori tinha muitos mais segredos. Apesar de Kaori ter perdoado a amiga, não conseguia deixar de guardar um leve rancor.

Suzuna e Rina foram embora, a primeira com o maior ar de vencedora, a segunda com o semblante inexpressivo de sempre. A emproada e o Pequinês, como gostaria de lhes chamar Kaori. Suzuna era a emproada por razões óbvias, Rina era o Pequinês, por ter os dentes de baixo que sobressaíam levemente da mandíbula inferior encobrindo parte da superior, tal e qual o raivoso cachorro.

Raito voltou. Tinha dado um tempo na casa de banho, porque sabia que Suzuna iria implicar com Kaori. Pela cara abatida da mesma, ele previa ter acertado em cheio. Ao aproximar-se, Kaori recuou.

– Tenho que voltar, encontrar umas amigas! – Desculpou-se a loira. Ela tentou passar pelo estudante, mas este agarrou-a firmemente pelo pulso impedindo-lhe a fuga. Os seus olhos observadores tinham detetado uma presença nas árvores mais afastadas. Suzuna. E Rina também devia estar por perto. Independentemente do que elas tivessem dito, Raito sabia que ia quebrar a vida da Kaori com um simples ato.

E por isso a beijou! Kaori não pôde deixar de ficar abismada, toda a surpresa se espelhava nos olhos verde intensos. Ele realmente não esperava que o rapaz chegasse a tanto. A sua mente desesperou com um só pensamento «Suzuna vai me matar! Isto é bem menos do que 5 metros!».

Quanto ao shinigami parecia que ele tinha sido atropelado por um caminhão que transportava dois elefantes. A sua expressão era impagável. Não pode deixar de fazer a nota mental: Trucidar Raito quando tivesse a primeira oportunidade.

Kaori debateu-se até conseguir libertar-se e assim que o conseguiu deu o maior bofetão em Raito que até sentiu por momentos o que significava a expressão «ver estrelas». Encarou-a com algum desprezo, porque o orgulho não deixava que ele continuasse com a farsa. Ele tinha imaginado uma reação negativa... mas nunca aquela. Ele nunca tinha sido rejeitado, muito menos esbofeteado. As gargalhadas de Ryuuku ainda o espicaçaram mais.

De qualquer maneira, já conseguira o que queria. Voltou costas e afastou-se sem uma palavra.

– Hei, Raito! Estás com a bochecha inchada! Pareces um esquilo a armazenar para o Inverno. – Comentou o shinigami, pairando ao redor do rapaz, com maliciosa satisfação. Raito limpou o canto da boca onde tinha sangue.

– Nunca imaginei... que aquela nanica tivesse tanta força! – Resmungou Yagami Light e foi a única coisa que disse até chegar em casa.

Enquanto isso, Kaori estava de joelhos no chão e chorava porque sabia que estava perdida. Quando chegasse em casa podia encontrar o seu pai morto. Morto por Kira. Era algo com que ele tinha vindo a sonhar muito desde que ele aceitara o caso. Atraída pelo choro da amiga, Mai aproximou-se hesitante e colocou um braço sobre os seus ombros, tentando consolá-la, embora ela soubesse que não era a mais indicada para o fazer.

– Kaori. Kaori, olha para mim! – Pediu Mai, levantando a cabeça da amiga com o indicador no seu queixo. Kaori fitou os olhos azuis arrependidos da loira. – Eu realmente queria pedir desculpas por tudo. Eu nunca devia ter sequer tido ciúmes de ti. E... eu não aguento ver-te assim. Não disse nada até agora, por medo de Suzuna, mas eu... eu nunca cheguei a dizer nada, Kaori. Eu não disse qual era o nome do teu pai! Aquela víbora passou o tempo todo blefando...

Kaori arregalou tanto os olhos que sentia que estes podiam saltar das órbitas a qualquer momento.

– Blefando? Tudo não passou de um truque? – Repetiu sem querer acreditar. Mas logo um sorriso voltou ao seu rosto.

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– Se queres saber, foi muito bem feita! Não sabes que é o que acontece quando se tenta agarrar uma garota à força? Estás habituado a que elas caiam aos teus pés, ora, desta vez deste-te mal! – Volveu Ryuuku, deitando-se na cama de Raito. Apoiou-se no cotovelo e ficou à espera da resposta torta do universitário.

– Pensas que eu não sei porque é que estás aí todo alegrinho? Aposto que não gostaste nada quando eu a beijei. Maneira aí no ciúme que isto foi necessário! E acredita que não me agradou nem um pouco. Nem durante, nem depois. – Replicou referido-se respectivamente ao beijo e à chapada. Ligou o computador. Enquanto esperava que a máquina começasse a funcionar, tictaqueava com os dedos no tampo da secretária. – Neste momento, algures na rede, está o nome do detetive que me persegue, pai da Kaori!

Iria começar a ver os sites pelos mais populares, os primeiros que apareciam quando se pesquisava «Kira». Não iria demorar a encontrar o que pretendia, sempre fora bom a navegar na net. Mas... ninguém consegue encontrar algo que não existe pelo que todos os esforços de Yagami Light foram infrutíferos. Depois de horas de pesquisa ele finalmente se deu por vencido.

Esfregou os olhos, devido ao cansaço. Uma ideia começou a surgir na sua mente. Ou melhor, duas. Uma era a aceitação da derrota, outra era o plano seguinte.

– Será que tudo o que aquela Suzuna disse não passava de um blefe? – Pensou em voz alta. Não deu tempo ao shinigami de responder, logo ele continuava. – Sim, sim, era blefe, ela não sabe de nada!

– Vais desistir? – Perguntou Ryuuku rezando interiormente para que ele realmente erguesse a bandeira branca.

– Não! Vou jogar pesado na chantagem! É hora de eu me livrar dessa miúda e do pai dela! Nem que tenha de o fazer pelos métodos tradicionais. Decerto que alguns bandidos não hesitarão em fazer um serviço em nome de Kira... especialmente se eu ameaçar as suas vidas.

Ryuuku engoliu em seco. Aquilo não lhe estava a cheirar nada bem. Bandidos? Chantagem? Raito estava a ficar louco por não estar a conseguir os seus intentos. E foi então que o shinigami percebeu que ele iria até ao fim... custasse o que custasse.

Notas finais
No próximo capítulo a história vai atingir o clímax! Só mais 4 capítulos até terminar a fic. Sim, essa é uma shortfic (ou pelo menos eu considero como uma). Espero que tenham gostado do capítulo, comentem, onegai ^ ^