Apaixonados pelo destino
5 Capítulo 5
Anne me puxou da banca. Eu caí no chão e estranhei a sua reação.
Brian veio correndo. Todos os alunos nos olhavam, assustados.
Quando ele viu o símbolo desenhado na minha banca, deu de ombros e olhou para Anne.
– Não é para tanto. Você sabia que mais cedo ou mais tarde, ele começaria a atormentá-la.
Anne o encarou.
– Quem fez isso?
– Não sei, não. Mas não precisava de tudo isso.
Kyle se aproximou e olhou o desenho.
Ele pegou a sua borracha e tentou apagar. Ele não conseguiu. Acho que haviam marcado com um estilete.
Me levantei e sentei-me do outro lado da sala.
A garota ruiva olhou para mim. Sua íris era completamente preta. Chegava a ser assustador, já que a expressão da garota era tão maldosa. Ela sorriu maliciosamente para mim e depois continuou conversando com umas garotas esquisitas. Eu estremeci. Aquela sensação de que eu já a conhecia veio.
Quando o professor chegou na sala, ela fez algo que me deixou mais assustada ainda. Ela sentou-se na banca que tinha o símbolo, pegou um estilete e continuou a fazer aquele desenho macabro.
***
– Como é o nome daquela garota ruiva? – perguntei a Kyle, que estava sentado na mesma mesa que eu, no refeitório.
Ele me olhou com a cabeça baixa, mas depois voltou a comer o seu hambúrguer gorduroso.
– Luna Lonaly. Ela é meio esquisita.
Meu coração acelerou. Luna?
– Como?
– Você não a achou esquisita?
– Luna Lonaly. Ela é a minha melhor amiga. E não me lembro dos olhos estranhos dela e nem do seu rosto tão pálido e magro.
– Há quanto tempo você não a vê?
– Dois dias.
Kyle ficou calado.
Avistei a cabeça loura de Anne e o cabelo escuro de Brian.
Eles vinham em nossa direção, e Anne parecia meio perturbada.
Brian deslizou no banco e sentou-se ao lado de Kyle. Anne sentou-se ao meu lado, com calma.
– Brian. – chamei, e ele logo olhou para mim. – Ela é a mesma garota de ontem.
– Eu sei. Os seus olhos eram verdes, não eram?
– Sim, eram. O que aconteceu?
Ele olhou para Anne discretamente, e ela abaixou a cabeça em resposta.
– Eu não faço a mínima ideia.
Ficamos em silêncio por alguns minutos. Era estranho falar com ele depois de ontem. “Obrigado. Obrigado por existir.” Eu sentia vontade de beijá-lo. Fechei os olhos e senti que ele estava me observando. Espiei, e percebi que a minha intuição estava mais que certa.
***
Estávamos nós quatro sentados no mesmo jardim que eu estava quando comecei a ver sombras estranhas. Eu estava sentada no mesmo banquinho de pedra. Brian me observava como se tentasse decifrar o que eu estava sentindo. Mas ele não precisava. Já estava tão óbvio. Eu nem mesmo o conhecia direito, mas eu já estava tão apaixonada por ele...
Kyle e Anne falavam sem parar. Tentavam descobrir mais e mais sobre Luna, a garota que eu esperava que não estivesse louca ou coisa do tipo.
Olhei para Brian. Kyle e Anne pararam de falar e olharam para nós no mesmo segundo.
– Por que você está me olhando assim? – perguntei.
Ele deu um breve sorriso, e corou. Mas não desviou o olhar.
– Não sei. Sério mesmo, não sei por que eu não consigo parar de olhar para você.
Anne esboçou um sorriso. Kyle pareceu feliz, mas só relaxou os ombros.
Ambos suspiraram e continuaram a falar sem parar.
Eu e Brian continuamos nos encarando. O azul dos seus olhos estava faiscando. Parecia eletricidade.
Eu queria sair com ele de novo. Queria falar algo que fizesse com que ele imaginasse que eu era uma menina legal, ou inteligente, ou... Não sei.
Uma parte de mim falava para eu contar o que eu sentia. Já estava tão óbvio... Mas não. Eu sabia que iria congelar na hora.
Abaixei meu olhar. Mas eu ainda sentia que ele me observava. Era como se alguma coisa se remexesse dentro de mim. Como um alerta. Como um aviso de que o garoto por quem eu estava apaixonada estava por perto, e me olhava.
De repente, me veio um tipo de tristeza. Uma lembrança que eu não consegui ver, nem ouvir e nem imaginar destacou-se em minha mente.
Abri os olhos.
– Eu vou ali. – os olhares voltaram-se para mim. – Volto em um instante.
Levantei-me e corri até as escadas.
“Pare de fugir. Você é dele agora, mas já me amou um dia.”
Uma voz grossa e fria ecoou em minha mente. Olhei para trás em busca da atenção de Brian, e a encontrei. Ele me olhava com olhos arregalados. Acho que ele ouviu também.
***
Eu estava sentada na minha cama, observando o que havia fora da janela. Eu só conseguia ver o pátio e, claro, estrelas, bem acima de mim.
Eu comecei a contá-las. Mas era impossível contar todas. Eu começava a me perder em pensamentos. Eu começava a sentir-me observada, perseguida. Olhei para Anne, que dormia como um bebê recém-nascido; um sono profundo, onde nem o ronco mais poderoso podia acordá-la.
E ela não estava roncando esta noite. Estranhei, mas ignorei a ideia de que ela pudesse estar me espiando, discreta.
Levantei-me. Senti os meus pés tocarem o chão frio e tive a sensação de que eu estava em casa novamente. Me lembrei do dia em que cheguei aqui. Parecia que havia acontecido há uma eternidade. Eu iria sair do quarto. Aproveitei que estava com uma roupa que não era pijama e que era quentinha e abri a porta com cuidado.
Desci as escadas sem fazer barulho. Então pensei; que tipo de colégio interno não tinha câmeras? Por acaso os donos são burros?
Caminhei até o campo onde eu e Brian nos encontramos. Agradeci porque a luz da lua estava clara e iluminava tudo.
Vi alguém sentado no chão.
Me aproximei e percebi que a pessoa havia me visto. Tinha que ser ele.
– O que faz acordado, Brian?
– Te pergunto o mesmo.
Sentei-me ao seu lado.
– Pensando em alguém é? – ele perguntou, brincando.
– Talvez. – sorri.
– Posso saber quem é?
– Está meio óbvio.
Ele me olhou, sério.
Deitei a minha cabeça em seu ombro, esperando uma reação dele. Mas ele só colocou a mão na minha cabeça e relaxou o corpo. Olhei para as estrelas novamente.
E pensei; será que ele sentia o mesmo que eu?
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