Notas iniciais
Desculpem pela demora!! Espero que gostem

Brian estava em prantos, em cima do meu corpo mole e sem vida.

– Faça parar! – ele gritava. – Ela vai voltar mais forte em outra vida, Lúcifer! Pare!

– Eu posso mata-la quantas vezes eu quiser. Tudo para um dia poder ver Brian Folks se matar por tomar a única pessoa a quem eu amei em toda a minha vida.

Brian se afastou do meu corpo e se ajoelhou, enterrando a cabeça nas mãos. Anne chorava silenciosamente.

– Fale a verdade, Brian. Você sabia que isso iria acontecer. Sabia que eu a mataria. Ela te escolheu. Te escolheu.

Brian levantou a cabeça, o rosto e os olhos ensopados e vermelhos.

– Eu vou estar com ela durante a próxima vida dela. Você não vai encostar um dedo nela.

Lúcifer gargalhou; o som de pessoas gritando de repente me pareceu agradável.

E Brian apenas pegou algo que mais parecia uma adaga com detalhes que a faziam ser parecida com uma estrela.

E virou contra o peito.

Sua mão tremia muito. E quando ele tentou enfiar a faca no coração...

Um vulto negro e encapuzado tomou a adaga da sua mão e esfaqueou a si mesmo, uma luz forte e branca vindo do corpo que caía sobre o chão.

Brian, ainda sem parar de chorar, se aproximou do corpo e viu quem acabara de se suicidar.

– Eu não aguento mais ver ela renascer e você se apaixonar por ela de novo. Eu te amo, te amei desde A Queda. Eu sinto muito, Brian.

E essas foram as suas últimas palavras.

– Oh, Deus! — Anne gritou, correndo para cima da pessoa.

E quando o capuz ia ser retirado...

– CLAIRE!

Levantei num pulo. Anne estava do meu lado, a cara inchada e borrada da maquiagem que ela sempre usava, mas se esquecia de tirar.

Me aborreci.

– Você quer me matar?

Ela levantou as sobrancelhas.

– Você fala dormindo. Mas fala, tipo, muito. Chega a ser irritante. Você estava gritando que nem uma doida agora...

– Eu estava gritando o quê?

– Sei lá. Só estava gritando, e isso irrita quando uma pessoa que ronca e tem insônia acaba de conseguir dormir.

Corei, e ela deu um sorriso.

– Mas tudo bem. Me falaram que te viram com Brian ontem, de noite, lá no campo.

O meu coração estava acelerado. O sonho onde eu estava morta e Brian estava falando em Lúcifer (o Satã) e chorando que nem um maluco me deixou meio perturbada.

– É...- murmurei.

– É...? Vocês já se beijaram, ou coisa do tipo?

Olhei para baixo. Ela gargalhou.

– Você fica engraçada quando está constrangida.

Sorri de leve.

– O que você quis dizer com “já se beijaram” ? Ele fala de mim para você?

Anne se esparramou na sua cama e virou a cabeça para mim. Tocar no assunto de Claire+Brian fazia os olhos dela brilharem. Sério, todas as vezes que eu tocava no assunto isso acontecia.

– Eu não posso te falar muita coisa, mas depois de ontem as coisas vão ficar meio tensas. Se você não falar com ele, eu vou zoar os dois para sempre. E as brincadeiras vão ser pesadas, não brinco em jogo.

– Ah, eu não duvido de você. Mas acho que as brincadeiras são mais fáceis de acontecer e enfrentar. Eu iria congelar assim que chegasse na frente dele.

– Claire, está óbvio que você está a fim dele.

“A fim”? “A fim”? Eu não estou “a fim” dele. Estou apaixonada.

– É, estou mesmo. Não posso fazer nada.

– Não pode mesmo. O que pode fazer e não ser retardada na frente dele e mostrar ser inteligente. – ela olhou para mim. – É brincadeira. Ele sabe que você é inteligente. Só seja... Você. Já é o bastante.

– Você meio que parece uma especialista nisso.

– Não, eu não sou. Mas eu sei o que ele sente e sabe.

Reclamei e fechei os olhos com força.

– Vamos descer. – falei.

Abri os olhos e vi Anne se levantando da cama dela, ajeitando o short e abrindo a porta. Saímos do quarto, e logo senti uma brisa gelada. Os meus olhos deslizaram pela sala e andei desajeitadamente.

Descemos os degraus das escadas silenciosamente. Eu ainda não havia me acostumado à ideia de um internato sem câmeras, mas tudo bem.

Avistei um garoto ao longe. Puxei Anne para trás de uma pilastra.

– Brian não está apaixonado por Claire. – o garoto falou para alguém cujo cabelo ruivo tinha cor de sangue na noite escura; Luna.

Aquilo doeu. Pensar que Brian pode não estar apaixonado por mim fazia com que os meus olhos ardessem e o meu coração doesse. Era como estar sendo enforcada, só que respirando, mas sentindo aquela dor vinda de algum lugar, mas de lugar nenhum.

Anne arquejou. Ela parecia ter visto alguma coisa que a assustou, porque o seu rosto perdeu toda a cor bronzeada. Saiu de perto da pilastra e me levou com ela, respirando fundo e diversas vezes.

– Acho melhor ficarmos no quarto.

– Você viu quem era? – perguntei, sussurrando.

Ela não respondeu e me puxou consigo.

– Anne! – falei mais alto do que deveria. Ela se virou para mim. – Quem é que falou isso?

– Não sei. Mas eu reconheço a voz dessa pessoa.

Olhei para o rosto dela. Os seus olhos estavam arregalados e brilhantes.

Entramos no quarto novamente, ofegantes por ter vindo tão rapidamente.

***

Anne me acordou e bateu um travesseiro na minha cara. Espirrei com a poeira, já que eu era alérgica.

Ela parecia ansiosa. Assustada, na verdade. Seus olhos ainda brilhavam do mesmo modo que brilhavam quando viu aquele alguém misterioso.

– Hoje não tem aula! – resmunguei, me lembrando que era sábado. – Me deixe dormir, sua quenga!

– Já são 13:00, garota. Precisa acordar, senão vai estar sem sono de noite e vai ficar me incomodando.

– Não vou te incomodar. – falei. – Prometo.

Ela suspirou e me deixou dormir. Mas a curiosidade me fez acordar. Ela estava lendo outro livro, um diferente do que estava lendo, o de psicologia. Era muito mais grossa, amarelado, e a cada de couro cheirava a mofo.

Puxei dela, desta vez com mais força, e pude ver o nome do livro, logo estranhando.

“Aquele Anjo Que Causou A Queda”

Mas o que me deixou assustada foi o nome da autora do livro, logo abaixo do título.

Claire Houlden Springfield.

O meu nome.