Apagando o Passado
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Mas agora estou de fêrias e o proximo capítulo saíra rapidamente eu garanto a vocês.
Estou morrendo de saudades de vcs, espero de coração que ainda animem em ler a fic desta baka aqui.
Sem mais delongas desejo boa leitura a todos!
O casal surgiu em meio a fumaça em frente a propriedade Uchiha, dois corações acelerados ritmavam o momento, o dela de evidente temor, o dele do mais puro ódio.
O Vingatore caminhou a passos lentos pelo centro do jardim recém plantado, mantinha a Hyuuga ainda presa em seus braços. A simples visão das estúpidas flores que ele escolhera para ela fizeram sua irritação triplicar, lembraram-no o quanto ele fora tolo em depositar nesta menina a esperança, ínfima, de que poderia ser feliz, de que conseguiria esquecer todo o passado e recomeçar.
Depois do choque inicial a jovem tentou pensar em algo para dizer ao estrangeiro. Qualquer coisa que o fizesse ver que não houvera em nenhum momento uma traição. Por mais distorcida que fosse a linha de raciocínio ela sabia, bem no fundo, que suas palavras desfizeram por completo a humanidade cativante que ela vislumbrara na estátua de cal.
— Bem vinda ao lar pequena Hyuuga.
A voz gélida a sobressaltou, retirando-a dos seus devaneios.
— De agora em diante este é o seu quarto, na verdade nosso quarto.
— Sasuke-sama...
— Não!
O italiano a cortou de uma vez, descendo seus pés lentamente ao chão e deslizando propositalmente toda a maciez acetinada no seu corpo. O timbre seco impregnou cada sílaba.
— Não use o “sama” comigo, farei coisas com você que não necessitam deste tipo de formalidade.
A mão áspera agarrou-se aos sedosos cabelos azulados e os puxou rudemente para trás, deixando a bela mulher a sua mercê.
— A única coisa que quero ouvir da sua boca é o meu nome e todos os seus gemidos.
O mar negro fitou as pérolas ansiando ver o pavor, o medo. Nascera para incitar o terror. A tentativa patética de provocar nela qualquer outro tipo de sentimento lhe trouxe apenas humilhação.
Os olhos de lavanda abriram-se assustados com a ameaça explicita. Mas de alguma maneira ela sabia que merecia aquilo, Kami a castigava por algo além do seu conhecimento. Sua fraqueza, sua fragilidade, sua falta de coragem a trouxeram para aquele ponto culminante onde a única coisa que iria conseguir ser era uma esposa falsa, de um casamento falso e nada mais.
Analisou os cílios longos fecharem lentamente, a boneca era delicada demais para se permitir fitar o monstro por muito tempo. Melhor assim, pensou com rancor. Apertou a cintura delgada fortemente, mas antes que sua boca capturasse os lábios rubros os orbes claros cintilaram com a mesma aceitação resignada que o fizeram hesitar e ainda sim querê-la mais.
Hinata umedeceu os lábios, inconscientemente se tornando mais tentadora para o Uchiha, e tocou com as pontas dos dedos a face de mármore.
Sasuke respirou profundamente, e por mais que sua mente estivesse nublada diante da expectativa de possuí-la e todos os seus músculos rígidos de excitação, um único pensamento lúcido lhe surgiu, estava condenado.
Beijou de forma ávida e feroz toda a docilidade daqueles lábios e percorreu a língua entre eles desejando estar cada vez mais ligado aquela mulher, tão exótica, tão frágil, tão boa. Ele era uma doença, um vírus maligno e por mais que fosse um homem amaldiçoado ele enxergou nela a cura e a condenação da sua alma.
A jovem sentiu a grande mão aperta-lhe as costas e o roçar inquietante da seda sobre a sua pele, o beijo do forasteiro era exigente, mas ela não ousou negar-lhe nada. Quando percebeu que o ar lhe faltava o homem quebrou o contato de suas bocas e a girou sobre os calcanhares, colando instantaneamente suas costas sobre o torso de pedra.
Os dedos longos agilmente desataram o nó apertado do obi, e com um único puxão a faixa de seda desprendeu-se do quimono o deixando parcialmente aberto.
O movimento brusco a desequilibrou e seus pulmões prenderam o ar diante da possibilidade próxima. Hinata tentou com todas as forças controlar as humilhantes reações do seu corpo, mas assim como seu coração descontrolado, suas mãos trêmulas e pernas que mal lhe sustentavam davam os primeiros sinais de fraqueza.
Ao perceber o mínimo desequilíbrio da moça um dos braços do italiano rodeou a cintura fina, apoiando o corpo curvilíneo e o apertando mais contra a sua excitação. A sensação da carne macia e farta sobre a sua virilidade fora abrasadora, travou o maxilar para não gemer diante de algo ridiculamente simples.
A respiração do forasteiro batia em sua pele de forma morna e suave, contrastando de forma inacreditavelmente deliciosa com os músculos rígidos e extremamente quentes que a prensavam de forma imprópria. A herdeira tentou colocar ordem nos seus pensamentos, mas era impossível. O medo, sentimento predominante até agora, dava lugar a uma gama de sensações desconhecidas, o calor, a dureza e o cheiro daquele homem a estavam deixando dormente a qualquer outro tipo de estímulo que não viesse dele.
Sem conseguir se segurar mais o jovem lambeu e mordiscou a pele alva do pescoço esguio. Estava tendo alucinações, pois por um momento fugaz achou que tivesse sentido o vibrar de prazer da boneca delicada e não o tremular de pavor. Então estava decidido, iria se enganar, fingir que conseguira o coração, corpo e alma desta mulher, por esta noite seria ele mesmo a sofrer com suas próprias ilusões.
Deslizou o quimono de seda pelos ombros frágeis e aguardou pacientemente que ele flutuasse ao chão. Permitiu-se apreciar por um tempo indeterminado a levíssima yukata marfim que tremulava com o vento, e de tão transparente e etérea escondia muito pouco ou quase nada as curvas harmoniosas da sua jovem esposa.
A herdeira tentou pensar em palavras para descrever a necessidade que a inundou, mas diante do pulsar de todo o seu corpo e das labaredas que ardiam no seu ventre, um único nome lhe surgiu, imponente e perigoso como o próprio dono.
— Sasuke.
O nome saíra sussurrado pela sua garganta e alquebrado pela respiração descompassada.
Fechou os olhos, atordoado com a sonoridade de seu nome proferido pela herdeira. Então quando acreditou que nada poderia pará-lo agora, que nada iria impedi-lo de devorá-la quantas vezes ele achasse possível, o mínimo estalar do assoalho o fez amaldiçoar a sua maldita sorte.
— Saiam das sombras, quero ver seus rostos antes de mandá-los para o inferno.
— Ora Uchiha, é assim que recebe seus antigos parceiros de organização? Aparentemente a vadia da sua mãe não lhe deu educação, tsk, tsk.
Encostou seus lábios na orelha de Hinata e segredou para que apenas ela escutasse.
— Não importa o que aconteça não se mexa. Eu vou te proteger.
Em um segundo sentia o toque do forasteiro e no outro estava só, olhou a sua volta buscando o estrangeiro e o dono da voz corrosiva. Homens de olhos cruéis e bocas escancaradas surgiam de todos os lados, como se saíssem das paredes ou brotassem do chão, tantos que ela não conseguiu contá-los rapidamente.
— Orochimaru-sama tem razão, por essa mulher eu também começaria uma guerra.
A jovem deu um passo tremulo para trás, quando ao final da frase, sonoras gargalhadas ecoaram por todo aposento, estava cercada e sozinha.
— Não tenha medo de nós princesinha, é o sannin das cobras que deve temer.
Seu corpo tremia compulsivamente e os joelhos cederam perante o peso do próprio medo. Uma das mãos deixava marcas de suor na madeira escura e a outra tentava inutilmente fechar a yukata e esconder seu corpo dos vários pares de olhos famintos.
— Isso é muito pouco, para tampar tudo que possui.
O estranho estendeu a mão em sua direção e deslizou-a pelo ar como se acariciasse ela própria. Lágrimas surgiram nas pérolas translucidas. A voz ruidosa continuava, carregada de humor e zombaria.
— Você é uma visão que povoará os sonhos de todos nós esta noite.
Deu mais um passo em direção a herdeira e percorreu seus olhos por todo quarto.
— O Uchiha é tão covarde que lhe largou aqui sozinha.
Ichiro analisou a figura diminuta no chão do quarto, percorreu a distância entre ele e a frágil criatura com apenas mais uma passada, estendeu a mão para sua vitima e ansiou desejoso tocá-la, infelizmente não como gostaria, mas o pouco permitido pelo mestre das cobras.
Hinata viu a mão nodosa vindo em sua direção e por mais que temesse o toque, a decepção de estar só, abandonada a sua própria mercê, tirou-lhe forças para se afastar. Ele não se importava, ela também não encontrou motivos para se importar.
O silêncio pesado e opressor do ambiente foi quebrado por shurikens cortando o ar e apagando de uma só vez todas as luminárias do aposento. Rodeada pela escuridão, a herdeira começou ouvir a sinistra melodia do assassinato e da carnificina.
O Vingatore desejava apreciar o terror que a expectativa da morte trás para os seus inimigos, mas manter o palco iluminado para o espetáculo de horrores que ele protagonizava só comprovaria a primogênita o quão monstro ele era.
O primeiro a sentir a lâmina foi Ichiro que teve a mão decepada antes que a mesma cometesse a injuria de tocar a sua esposa, a partir daí a única coisa que o rubi enxergou foram cabeças a serem decepadas e corações há serem arrancados.
A jovem tampou os ouvidos inutilmente quando gritos de dor e pedidos de misericórdia encheram o ar. Fechou os olhos no momento em que o brilho azulado de uma katana lhe deu o vislumbre de um homem tendo a sua cabeça arrancada. Ela só queria que tudo terminasse, parte dela sabia exatamente quem produzia tal som, a outra parte não queria admitir que o dono dos olhos profundos feito mar era capaz de tanto.
Então veio o silêncio sepulcral, levemente perturbado pela respiração pesada do ninja e pelo soluçar baixo e contrito da única platéia deste show macabro.
Ainda mergulhado nas sombras e cercado por corpos mutilados, Sasuke virou-se para comprovar o que já sabia, a primogênita tinha os olhos petrificados de terror, o corpo trêmulo de medo e infelizmente, infelizmente mesmo para ele, a face do mais puro asco por tudo que ouvira-o fazer e o pouco que conseguira ver.
Depois do choque inicial, um único fato se fez presente. A herdeira reconhecia a respiração pesada pelo esforço feito como sendo do forasteiro, mas será que ele estava bem? Eram muitos ninjas, talvez ele estivesse ferido, precisando de ajuda e cuidados, e ela fraca demais paralisada pelo medo.
Com essa resolução em mente, se pôs de pé mais rápido do que acreditou ser possível depois do que presenciara. Mas na intenção do primeiro passo foi parada pela voz rouca e imperiosa.
— Fique onde está.
— Eu quero ajudar.
A voz áspera trovejou numa ironia amarga.
— Em quê? Carregar corpos?
Seu estômago embrulhou diante de tal perspectiva, mas estava decidida em sua resolução anterior.
— Não, eu não tinha pensado nisso.
— Imaginei que não.
— Não posso te ver de onde estou, na verdade não vejo nada.
— Acredite, melhor assim.
Analisou o sentido da resposta, percebendo que ter a imagem de homens mortos elucidando os seus piores pesadelos, não seria nada agradável.
— É que eram muitos homens e...
— Não se preocupe, estão todos mortos, posso te garantir.
— Na verdade, estou preocupada com você. Eram tantos, talvez tenham lhe machucado.
O silêncio pairou desconfortável entre ambos. O Vingatore ficou sem palavras diante de uma preocupação amorosa e genuína direcionada a ele, a pessoa que tinha certeza não merecia esse tipo de consideração. Era um truque, uma ilusão, só não sabia se produzida pelo inimigo ou por ele mesmo.
Com um único movimento colou-se a ela para garantir que seus outros sentidos não fossem enganados como sua visão noturna e fatal estava sendo naquele momento.
Com arquejo audível a jovem tremulou diante do contato inesperado. A umidade e o cheiro de sangue gotejavam do estrangeiro, comprovando que ele estava terrivelmente machucado.
Aspirou de forma audível sobre os cabelos azulados, constatando incrédulo o cheiro de baunilha e jasmim que emanava de toda ela.
— Porque se preocupa comigo?
— Não desejo que ninguém se fira por mim.
Era a verdade, mas não toda. A moça, por algum motivo inexplicável não queria, e se pudesse não permitiria que ele sofresse de nenhuma forma. O pensamento veio com tanta fúria e paixão que a deixou desconcertada.
Apertou-a contra ele, para senti-la melhor sobre o corpo, para puni-la por não perceber que qualquer covarde do mundo encontraria coragem para defendê-la e ferir-se por ela. E ele definitivamente não era um covarde.
— Sente o sangue em minhas mãos? Sente o cheiro de morte e podridão do meu corpo? Sente o odor deste liquido vital escorrendo por minha pele?
Hinata encolheu-se diante do peso de suas palavras e sua vontade de curá-lo triplicou. Concordou com um leve acenar de cabeça.
— Não são meus, está entendendo? São desses homens que matei, são dos vários homens que eu já exterminei. Posso te garantir que nenhuma gota de sangue que molha a sua delicada pele agora, é minha. Não sou fraco para que precise dos seus cuidados.
Uma lágrima pequenina e solitária rolou pela face pintada, deixando um caminho aparentemente definitivo no rosto adornado pelo pó. O homem dentro dele desolou-se com a ferida que conseguiu abrir sem arma em punho.
Com a manga ampla de sua yakata agarrada a palma da mão a jovem ergueu seu braço em direção ao maxilar rígido banhado em sangue do italiano. Enquanto mantinha a tarefa silenciosa e delicada de limpar a face de mármore, seus olhos claros se prenderam sem querer nas profundezas do mar vermelho.
Ela sentia a força magnética do olhar, apesar de mal vê-lo devido a espessa penumbra. Ele sem conseguir se controlar mergulhou na lavanda liquida buscando alguma resposta para suas infinitas perguntas.
— Porque faz isso Hinata?
A frase saiu ridiculamente implorativa, quase humilhada.
Sem conseguir segurar, as palavras lhe escaparam tão baixas quanto o vento.
— Porque me importo...com você.
Suas defesas vieram abaixo, sua indiferença evaporou-se, sua mente estava em branco, oca, diante da enormidade daquela sentença. A pessoa mais bondosa que já conhecera se importava com ele, justo ele que tinha sangue nas mãos e inúmeros inimigos esperando ansiosos pela sua chegada no inferno.
Esperou pacientemente alguma reação ou resposta. O homem grudado a ela estava mudo, apenas o aperto em torno do seu corpo aumentava a medida que os segundo passavam, não de forma brutal, talvez possessiva, mas principalmente, acima de qualquer outra sensação, quente, agradável como o sol em um dia de inverno.
Notas finais
Bjos regados de afeto ao meus leitores
Bjin Ja ne
PS: Criticas e sugestões sobre a historia sou toda ouvidos.
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