Notas iniciais
Oi gente, tem alguém aí?Bem, se tiver, muito obrigada pela paciência.Mil desculpas pela demora da postagem, vou recompensá-los, o próximo não irá demorar, eu acho.Muito obrigada pelo carinho de todos vcs!Espero de verdade que gostem do capítulo.Boa leitura!

A cerimônia de casamento passou como um borrão. Em algum momento por trás da nevoa de palavras descartáveis do sacerdote, de baixo do gosto insosso do chá compartilhado entre ambos, a expectativa brilhou em seu interior no instante em que acreditou que ele ouviria de forma clara e definitiva o “eu aceito” dela.

Uma bobagem pensar assim, o sim dela não seria verdadeiro, não seria por ela, mas mesmo assim ele estava disposto a fingir e acreditar por um segundo fugaz que ela o aceitava como seu companheiro, independente de todo o resto.

Infelizmente a cerimônia japonesa era bem diferente da celebração católica do seu país. Não houve a esperada pergunta, a aliança da sua mãe permaneceu no seu bolso sem ser requisitada, não houve a permissão para ele beijar o que lhe pertencia pela primeira vez na frente de expectadores seletos. Não haver nada disso não foi tão decepcionante quanto não ver durante toda a cerimônia as pérolas translucidas, alvo de toda a sua atenção desde que pisara nesta terra.

— Sasuke-sama pode levantar-se, o ritual já acabou.

Olhou para todos os presentes e depois para a herdeira, encolhida e trêmula do outro lado da mesa baixa que os separava.

-Tomoyo, está tudo preparado na minha casa?

— Sim senhor.

— Está dispensada até amanhã a tarde.

— Mas senhor, o banho da noiva, o café da manhã e tem também...

Sasuke franziu o cenho para a velha gorducha e com um estalido ela se calou.

Levantou-se e ofereceu a mão para que a sua esposa aceitasse, antes que a porcelana tocasse sua pele a face pintada ergueu-se na sua direção, mostrando as belas pérolas vítreas tão cristalinas e úmidas que teve certeza das lágrimas não derramadas. Não poderia iludir-se diante desta realidade óbvia, a única coisa que conseguiria ser para ela era uma prisão, fria e obscura como ele próprio.

Sentiu a aspereza dos dedos do estrangeiro, mas o contato era tão sutil que duvidou da intenção do seu movimento, como na noite passada, ele não a achava digna de seu toque.

Durante toda a celebração não teve coragem de olhá-lo nos olhos, ficou com receio de ver aquela mesma mistura de repulsa, arrependimento, culpa e pesar que brilhou no ônix no último segundo em que seus orbes se cruzaram.

A verdade, é que ele também não queria casar com ela, se arrependera, talvez a idéia de ser a herdeira de um clã tenha o ludibriado, ansiou por uma mulher como sua Oka-san e obteve algo fraco demais para ser considerada uma esposa de verdade. Sentiu-se coberta pelo amargor da derrota, não pelo casamento forçado e sim por saber jamais ser o que ele ansiava ser exatamente o que nenhum homem anseia.

Caminhou pelos seus familiares segurando a mão do seu esposo o mínimo possível, não queria desagradá-lo com um contato íntimo e desnecessário.

Depois de dezenas e incansáveis felicitações pela união, alguns brindes longos demais para serem suportáveis, o Vingatore achou que já era hora de partir para a sua casa, senão podia tocar o que lhe apetecia ao menos poderia admirar o que era seu por tempo indeterminado e no sossego da sua casa.

— Uchiha, nós precisamos acertar mais um detalhe.

O velhote parecia querer adiar ao máximo o deflorar da sua filha.

— Nós já acertamos tudo senhor Hyuuga, quero ir pra casa com a minha esposa.

— É importante, estamos falando da segurança do clã e principalmente da segurança da herdeira.

Sasuke ergueu-se, mas antes de seguir o líder inclinou-se sobre a primogênita e sussurrou-lhe de forma possessiva.

— Não saia daqui, quando voltar iremos pra nossa casa, tenho uma surpresa pra você.

Fitou o ônix tentando encontrar repulsa ou desagrado, a única coisa que enxergou foi contemplação, pura e simples.

A viu corar de vergonha e pudor e não pôde resistir em tocá-la um pouco mais. Manteve os lábios próximos ao seu ouvido e soprou as palavras propositalmente.

— Não core pequena Hyuuga, assim não resistirei em devorá-la.

Mordiscou o lóbulo da orelha e desceu os lábios pela pele nua do pescoço delicado. Quando se afastou admirou a pele rósea por baixo da palidez mórbida e artificial.

Por um momento Hinata acreditou que seu coração iria sair pela boca, a sensação agradável e intoxicante de ser tocada por ele só perdeu o seu poder abrasador quando em um flash ela viu o que pensou não existir.

Um sorriso de lado com dentes brancos e perfeitos encheu seus olhos, possuía o toque da travessura, uma criança sapeca que sabia estar desobedecendo as regras. O ar juvenil e inocente desapareceu com a piscadela charmosa que deixou a Hyuuga atônita por alguns segundos.

Antes que pudesse dar conta ele já havia ido embora. A estátua de cal ganhara vida, talvez por baixo da dureza do belo mármore existisse algo pulsante e extremamente cativante.

— Hinata-sama.

A voz imperiosa lhe sobressaltou, mas os olhos glaciais muito mais frios que o normal realmente lhe assustaram.

— Neji....eu não te vi na cerimônia de.....casamento.

A última palavra saíra sussurrada, incrédula com a realidade que lhe abateu, agora ela era uma mulher casada, não pertencia mais ao seu pai e sim ao estrangeiro, um misto de temor e excitação lhe invadiu.

Se desse errado tudo o que planejara provavelmente seria expulso do clã, seu nome seria jogado na lama, isso se não fosse executado como traidor da família. Os olhos de nevoa rolaram pela frágil figura da prima. Ela valia todo e qualquer risco, nascera e fora criado apenas para protegê-la e não poderia suportar a vergonha de entregá-la tão pacificamente para um assassino, para um traidor, para o homem que ele tinha certeza, não a amaria como ele.

— Eu estava providenciando umas coisas.

A jovem tentou pensar em alguma coisa para dizer, mas antes que as palavras surgissem o Hyuuga voltou a falar de forma mais incisiva e estranhamente mais baixa.

— Você não precisa se sacrificar pelo clã. Não é tarde demais, você pode pedir a anulação do casamento amanhã.

— Mas Neji...

— Escute Hinata-sama. Eu li todos os pergaminhos do clã Hyuuga, e você tem uma brecha. O Uchiha mudou o contrato, e não importa o que aconteça daqui pra frente ele será obrigado a honrá-lo.

O jovem hesitou, achava indelicado tratar daquele assunto com uma pessoa tão pura e jovem como a sua prima, mas era necessário, para o próprio bem dela.

— Só há um porém, você não pode consumar o casamento, ele não pode tocar em você.

A voz imperiosa elevou-se um tom e os olhos de nevoa cravaram-se na lavanda liquida, como se fosse um carrasco em busca dos crimes de um condenado ele queria ter certeza que ela não deixaria a escoria estrangeira tocá-la e possuí-la.

A moça encolheu-se diante do olhar e da proposta. Será que isso era o certo a se fazer? Na sua consciência não haveriam mais desculpas, o seu clã estaria protegido e a salvo. Piscou algumas vezes, sem saber qual raciocínio seguir.

— Claro que levando em conta o caráter do Uchiha, provavelmente ele irá obrigá-la a tal ato repugnante.

A frase caiu como pedra no seu estômago, inconscientemente as palavras do estrangeiro brilharam em sua mente. “Eu já lhe disse. Não vou lhe machucar.”

Agora era a hora de falar tudo, segurou a mão pequenina entre as suas, numa intimidade ansiada e jamais experimentada, e falou de uma vez, sem pausas, nem hesitações, tudo o que ele sempre quis lhe falar.

— Fuja comigo esta noite, eu te protegerei dele, vou te proteger de tudo Hinata-sama, prometo que nada de mal irá lhe acontecer. Depois nós voltaremos e explicaremos tudo ao seu pai. E depois, bem depois, quando estiver pronta, e se quiser, só se realmente quiser irei lhe desposar por que....

— Neji, eu...

Levantou uma de suas mãos em direção a face delicada erguendo o queixo no mais leve toque, queria que ela visse a devoção nos seus olhos.

— Por que eu te amo, sempre te amei.

Assim como o seu hálito varreu o seu rosto pela proximidade de suas faces, suas palavras varreram seus sentidos, nunca se imaginou sendo alvo do amor de alguém, muito menos do amor do primo. Estava sem palavras, entorpecida pela verdade que ela conseguia ver e sentir de sua declaração.

— Espero não estar incomodando.

A voz grossa carregava a um só tempo zombaria e ódio.

— Sasuke-sama!

Hinata cambaleou para trás, fugindo do toque que incriminaria e traria a desgraça para ambos. Quando olhou para o seu esposo percebeu que já era tarde demais. A estátua de cal se desfizera, não havia o homem que ela chegou vislumbrar, agora existia apenas o assassino.

Seus olhos vermelhos analisaram perscrutadores toda a cena, a proximidade, a intimidade, a declaração infantil e o coração dela, ele ouviu e ouvia cada batida do pequeno coração, a aceleração pulsante, quase apaixonada ao ouvir o “eu te amo”, a parada instantânea quando percebeu a sua presença e o bater frenético e descompassado no qual se encontrava de puro pavor do monstro que acabara de chegar.

Num minuto rubi e gelo se encaravam e num piscar Neji era erguido pelo pescoço com uma só mão do Vingatore. Não adiantava lutar, o matador italiano era forte demais.

— Vou te mostrar o porquê de já ter sido chamado de demônio.

— Eu não tenho medo de você.

— Olhe mais atentamente Hyuuga, tenho certeza que irá mudar de idéia.

Vírgulas negras surgiram na íris vermelha, girando extremamente rápidas, jogando o Hyuuga em uma ilusão de dor e sofrimento sem fim e sem descanso rumo à morte.

Seu primo iria morrer, ela conseguia ver a vida deixando a sua face, e seria culpa dela, não podia deixar isso acontecer.

Ajoelhou aos pés de Sasuke e segurou seu punho cerrado que pendia ao lado do corpo. A voz trêmula e fraca saiu banhada em lágrimas.

— Onegai, Onegai Sasuke-sama, não faça isso, pare por favor, não o mate, ele não tem culpa de nada, ele só quis me proteger, a culpa é minha, eu....eu o seduzi, foi isso, eu seduzi e enganei para fugir do casamento, onegai....

Soltou o corpo inerte, mas ainda com vida de uma vez, o baque surdo assustou a moça fazendo-a ironicamente se agarrar mais ao seu punho cerrado.

— Pelo amor de kami, o que está havendo aqui?

— Não se intrometa Hiashi.

— Como não vou me intrometer, meu sobrinho está caído no chão, minha filha ajoelhada aos seus pés e você...

A aura assassina emanava de cada poro do vingador.

— Chega, o seu sobrinho queria roubar a minha esposa, não, não é essa a verdade, o que eu acabei de saber é que minha esposa pretendia fugir com ele, e esse é o único motivo para o seu sobrinho ainda estar vivo.

— Hinata, eu não acredito.

— A festa acabou senhor Hyuuga, vou para casa e levarei o que me pertence.

A face jovem adquiriu uma expressão cruel e o líder temeu pela vida de sua filha.

— O que irá fazer? Esqueça o contrato Uchiha, deixe-a. Você não a quer mais, ela é minha única filha, não a tire de mim.

Sasuke agarrou os pulsos finos e a puxou de uma vez para seus braços, como se ela não pesasse um grama sequer. Hinata pela primeira vez sentiu o pavor sufocante de temer pela própria vida.

Carregou-a como um marido carregaria sua esposa para entrada de seu lar. Mas ele não era o marido, seu passado era a prova que não lhe servia esse tipo de papel, desistira da idéia idiota, ele agora era seu dono e ela a boneca mais bela feita para o seu total prazer.

— Senhor Hyuuga, você tem a minha palavra de que amanhã ela estará viva. É a única coisa que posso lhe garantir.

Antes que o patriarca pudesse fazer qualquer movimento sua filha desaparecera em uma nuvem de fumaça. Só tinha uma saída, orar, orar por sua menina e pedir perdão a keiko.

Notas finais
Muito obrigada novamente pelo carinho de todos vcs, peço, se não for pedir muito algumas reviews. Sei que eu só tô merecendo cadeirada, mas vamos lá, tenho certeza que os meus leitores são pessoas de bom coração.BjinJa ne