Notas iniciais
Oi gente,
mais um capítulo.
Nossa, esse foi complicado, mas me dediquei em cada linha.
Espero ter acertado na medida, se errei, podem me avisar.
Peguei o nome da mãe da Hina emprestado de uma fic da linda flor Fran Hyuuga, obrigada pelo emprestimo Fran.....rsrsrsrsrs
Obrigada a todo mundo que está acompanhando a fic, eu não mereço tanto carinho, mas fico radiante em recebê-lo.
Sem mais nada a ser dito.
Boa leitura a todos!

As luzes bruxuleantes dos candelabros iluminavam uma ampla sala subterrânea, a pintura de uma bela moça sentada na grama destacava-se por sua total contrariedade ao local sinistro. A imagem retratava os cabelos escuros soltos ao vento e a pele clara de marfim camuflando-se em um belo quimono branco, tudo envolto a uma nuvem mágica de pétalas de cerejeira que dançavam em volta da jovem de olhos claros.

Entrou no seu escritório e como sempre admirou a pintura margeada de fitas negras. Como era linda aquela mulher, ela transpirava tanta vida congelada naquele papel que às vezes duvidava que estivesse morta há tanto tempo. Caminhou vagarosamente para figura e confessou-lhe carinhosamente.

— Minha querida Keiko, finalmente chegou a hora de possuir o que eu sempre quis. Ela é igual a você, Kami não permitiu que os genes do seu amado arrogante estragassem a sua pequenina flor.

O homem passou a língua ofídica pelos lábios de forma asquerosa.

— A pequena Hyuuga já pode ser colhida.

O vingador ergueu a katana e deu um golpe preciso no ar, girou sobre o próprio eixo e em um chute alto liquidou o inimigo invisível. Fazia uma hora que chegara em casa e sua fome por sangue não diminuíra, derrotar rivais imaginários no dojo de treinamento não aplacavam sua ira.

Na verdade, ele estava frustrado. Tudo dera errado. Não era para ser assim. Obrigar uma menina a casar com ele não fazia parte dos seus planos. Sasuke queria que ela fosse a reunião exatamente por isso. Analisaria a sua reação e daria a resposta ao velhote depois.

“Como pôde fazer isso com sua própria filha, ela só tem dezesseis anos.” Em meio a um movimento rápido de luta a frase o fulminou, a lâmina brilhou azulada e antes que pudesse conter a força, destruiu uma das grandes pilastras que rodeavam a área de treinamento.

Dezesseis anos, ela só tem dezesseis anos. Deslizou suas costas pela parede e sentou-se no chão. Estava tão cansado, não fisicamente, pois poderia ficar dias guerreando sem cessar e sem descanso, o problema era todo o resto.

Veio em busca de paz, de algo bom por menor que fosse, mas para alguém como ele, essa opção parecia não existir. A Hyuuga seria mais um erro a atormentá-lo a noite. Quem ele estava enganando? Queria possuí-la mesmo, de todas as formas possíveis e acreditava ser difícil se arrepender disso, mas por um segundo fugaz achou que ela não se incomodaria com a idéia de brincar de casinha com ele por uns tempos.

A idade o pegou desprevenido, pensou que era jovem, mas não tão jovem. Com certeza era virgem, cerrou as pálpebras e umedeceu os lábios com a perspectiva de ser o primeiro dela. O moreno não ligava muito para esse tipo de coisa, mas na atual circunstância era algo a se pesar. Em todos esses anos de combate o sexo era pra ele o que dormir era para as pessoas normais, uma forma fácil e rápida de relaxar, necessária quase que diariamente.

A sombra de um sorriso surgiu nos lábios finos. Foram tantas mulheres e de tantos tipos que ele não se lembrava especificamente de nenhuma, putas, viúvas e vadias que serviram unicamente para lhe proporcionar prazer.

Acordou um pouco zonza, colocou as mãos na cabeça tentando se orientar. Estava no seu quarto, mas não se lembrava de ter ido dormir. A realidade lhe atacou violenta e flashes envolvendo seu pai e o estrangeiro lhe afogaram sem piedade.

Queria poder acreditar que era apenas uma brincadeira de muito mau gosto, mas tudo que vinha do seu pai deveria ser prontamente levado a sério.

Ainda deitada em sua cama, repassando as cenas de algumas horas atrás, teve um único pensamento coerente, por quê? Ela sabia que era infantil pensar assim, mas, porque justo com ela? Não merecia esse destino cruel, não foi uma pessoa ruim a ponto de Kami castigá-la dessa forma.

Lágrimas rolaram pela face pálida, em todos esses anos, desde a morte da sua mãe, nunca quis tanto que ela estivesse ali como agora. Além de confortá-la, ela nunca permitiria esse casamento arranjado.

Hinata ainda chorava quando ouviu passos e sussurros no corredor, apurou os ouvidos e percebeu que se tratava do seu Oto-san e de seu nii-san.

— Não tente me convencer tio, esse casamento, essa loucura, não trará nada de bom para o clã.

— Não seja idiota, o bastardo do Uchiha possui muito dinheiro e influência no exterior. Ele é exatamente o que precisamos para reerguer o nome Hyuuga.

— Então, o senhor irá vender a Hinata em troca de dinheiro e poder?

A voz do líder endureceu.

— Não, priorizo o clã. Sem esse casamento as famílias morrerão de fome antes do próximo inverno e se não for de fome, será pelas mãos dos capangas do Orochimaru, que irá pressionar os conselheiros até conseguir o que quer, e você sabe o que ele quer.

O silêncio pairou sobre os dois e fez Hinata pregar o corpo contra a porta para poder escutar melhor.

— Eu não vou permitir!

— Não esqueça qual é o seu lugar. O casamento é a melhor solução, na verdade a única. Para alimentar o clã, protegê-lo e de certa forma poupar Hinata de um mau maior.

— Poupá-la casando-a com um assassino?

— Não, poupá-la de um casamento permanente.

— O senhor aceita que seja temporário, mas de acordo com a lei é o Uchiha que tem que abrir mão da esposa.

— Ele é um homem sem raízes, não se prenderá a minha filha.

Neji duvidou disso, não conseguia imaginar um único homem na face da terra que abriria mão da doce Hina assim, de forma tão fácil.

A moça respirava com dificuldade apertando fortemente o tecido de seda que cobria seu coração descontrolado. Era difícil processar tantas coisas ao mesmo tempo. Sasuke-sama era um assassino, quantos morreram por sua mão? Quantos ainda iam morrer?

Concordava com Neji, não acreditava estar sendo poupada de nada, mas Orochimaru também estava envolvido na historia, e temeu pelo seu povo.

Imagens nítidas de sua família, amigos e vizinhos mortos pelas ruas do clã encheram a sua cabeça, a dor foi tanta que precisou se convencer de que por enquanto eram apenas fantasmas, frutos da sua imaginação.

O jovem saiu do banho e vestiu o tradicional quimono branco Uchiha. Deslizou a mão calejada de anos de exercícios sobre o espelho embaçado de vapor e contemplou sua imagem.

Ele via um guerreiro, não um cavaleiro honrado, mas ainda sim, um combatente. Visualizou asH cicatrizes no peito nu e no pescoço alvo e já não fazia idéia de quantas outras estavam escondidas sob a roupa, não se importava, elas eram o preço mais baixo a pagar por toda uma vida de guerra e sangue.

Não esperava o rumo que levou os acontecimentos desde que chegara ao Japão. Casar? Ele se casaria amanhã. O velhote nunca o deixaria comer a preciosa primogênita sem o bendito casório, então amanhã há essa hora ele estaria entrando firme e fundo na sua inocente esposa.

Com o simples pensamento Sasuke começou a sentir o leve formigamento no baixo ventre. Fechou os olhos e deixou que a imagem da bela Hyuuga invadisse sua mente. A pele, as curvas, a boca e os olhos. Quando as pérolas se tornaram o foco de sua atenção a idéia de tê-la triplicou o seu desejo.

Abriu os olhos, e refletido no espelho seu pai o brindava com o mesmo olhar de orgulho que era lançado a ele nas inúmeras vezes em que ele não hesitou em matar, tão novo, nas raras vezes onde matar os inocentes mostrava ser uma opção necessária, tão fraco.

Com um simples jutsu explodiu o espelho, não seria como seu pai. E não buscaria novamente o seu aval. O moreno sabia o que era certo, apesar de sempre fazer o errado. Com tantas mulheres caindo na sua cama, não chegaria ao fundo do poço de obrigar uma criança a dormir com ele.

Desapareceu em meio à fumaça, sabia exatamente onde precisava ir.

Vestiu a yukata de forma mecânica, seu corpo estava tentando se preparar para dormir, mas sua alma e coração estavam buscando forças para seguir em frente no que acreditava ser o correto.

Uma lágrima escorreu solitária e ela a aparou com a ponta dos dedos. Não ia conseguir. Estava sendo tão egoísta. Seu povo não merecia uma herdeira tão fraca.

— Seque as lágrimas Hyuuga. O monstro assassino desistiu do contrato.

Ofegou sem ar antes de se apoiar vacilante na penteadeira do seu quarto. A cena que ela presenciava era quase surreal.

O estrangeiro se mantinha agachado com os pés apoiados no parapeito da sua janela, sem nenhuma expressão na face de cal. Depois do choque inicial, sua atenção foi roubada pelos bagunçados cabelos negros, o nariz aristocrático inspirando poder e os olhos ônix profundos como o mar.

Em um movimento gracioso o jovem colocou-se para dentro do recinto, com certo pesar percebeu todos os músculos dela se contraírem de pavor. A voz aveludada saiu seca.

— Eu não vou te machucar.

Buscou de alguma forma sua voz, apertou as mãos contra a madeira escura para sentir mais segurança e fitando apenas os pés do intruso soprou as palavras.

— Não pensei que fosse.

Antes que pudesse piscar ele estava na sua frente, tão próximo que a respiração regular fazia sua franja tremular.

— Não minta pra mim!

Cerrou os orbes claros com força, esperando acordar de um pesadelo. Ao abri-los novamente viu o homem indo em direção a janela.

— Já lhe disse, não vou te machucar. E não se preocupe, o contrato está desfeito, avisarei ao Hiashi amanhã.

As pérolas fitaram- o atônitas, e ele deleitou-se novamente com o leve tom lilás da retina quase sem cor.

— Todo o contrato?

— Sim, não haverá casamento.

Queria ir embora de lá o mais rápido possível, tudo nela estava minando seu alto controle pouco a pouco. Antes que pudesse desaparecer a voz cristalina o deteve.

— Mas, o senhor não irá ajudar meu clã?

Apesar da tensão do ambiente, o vingador não conteve o tom zombeteiro.

— Olha garota, eu já estou fazendo a minha boa ação do dia. Não sou filantropo, a única coisa que me interessava nesse contrato era você, mas não quero aprisionar uma menina comigo por longos meses, então, respondendo a sua pergunta. Não, não vou ajudar.

Fechou os olhos e fez uma pequena prece, pedindo a mãe um pouco da sua coragem. Ao abri-los se viu sozinha, mas não se sentiu assim. Respirou fundo e decretou a sua própria sentença.

— Sasuke-sama, eu quero me casar com você. Serei uma esposa dedicada e farei tudo que o senhor quiser. Onegai, ajude o meu clã, minha família.

Esperou a reação, por alguma razão desconhecida, tinha certeza que ele estava lá, não o via, mas sabia que o homem estava a espreita, rodeando-a como uma cobra pronta para dar o bote.

Mesmo na expectativa do movimento, o hálito quente na sua orelha a pegou despreparada, a pele de porcelana arrepiou-se visivelmente.

— Olhe pra você, sente tanto asco que não consegue ficar a dez centímetros de mim. Eu não quero uma esposa para cuidar da minha casa, quero uma mulher para servir-me em minha cama.

A luz da lua iluminava o quarto parcialmente, mas o rubor nas bochechas da jovem era tão acentuado que ele teve uma leve vontade de rir. Ela era tão inocente, chegava quase a se compadecer do sacrifício que ela tentava se impor, quase.

— Esqueça menina, não quero perder meu tempo.

— Onegai Sasuke-sama.

Seu nome proferido pela voz de seda, implorando por ele, fez imagens extremamente impudicas inundarem a sua cabeça, no instante seguinte já estava ereto. O grande vingador refém de uma criança. O ódio o invadiu com a mesma velocidade que a excitação, não gostava de perder o controle sobre si mesmo. Queria vê-la recuar, voltar a fragilidade inofensiva.

Rodeou a cintura delgada com apenas um braço e comprimiu as costas delicadas em seu peito descoberto. Ela era tão macia e quente que instintivamente forçou seu quadril contra as curvas bem desenhadas.

— Essa é sua chance Hyuuga, convença-me que quer casar comigo e que será uma boa esposa.

Respirava em arquejos altos, sentia o cheiro de menta e sangue invadindo todas as suas células, a virilidade do Uchiha pressionava sobre partes extremamente intimas. Uma dúvida jamais experimentada tomou conta de cada fibra, parte dela queria mais daquele calor, da firmeza daqueles músculos a outra parte queria distância, ele era um assassino.

Não importava o que queria, e sim, o que tinha que fazer.

Com a face extremamente corada ela deslizou as unhas sobre o antebraço que a mantinha cativa, em um pedido mudo para que ele afrouxasse o aperto. Girou nos calcanhares e depositou as mãos pequeninas sobre o tórax desnudo. Levantou o rosto e mordeu os lábios, indecisa com o próximo passo.

Sasuke riu internamente, ela parecia perdida sobre o que fazer, mas suas mãos delicadas tocando sua pele eram puro bálsamo para os seus sentidos.

— Eu assumo daqui, pequena Hyuuga. Mas não desmaie se não vou comprovar que não é capaz de ser minha companheira.

— Sasuke-Sama, eu...

O ônix brilhou em repreensão, gostava de dar sempre a última palavra com as suas amantes. O controle do ato era imposto por ele naturalmente.

Prendeu as mãos calejadas nos cabelos exóticos da nuca e os puxou rudemente para trás. Ela estava a sua mercê, umedeceu os lábios diante da expectativa de provar daquela boca intocada.

A cada movimento do estrangeiro seus olhos abriam-se mais em total espanto e temor. Imaginava o que aconteceria agora, só não sabia o que esperar exatamente.

Percorreu seus olhos pelas maçãs coradas, mergulhando nos olhos vítreos de lágrimas não derramadas. Concluiu que era um caminho sem volta, profanaria um templo e não haveria retorno, tão pouco acreditou que optaria em retornar.

Cosi bella.

Sussurrou antes de beijá-la intensamente.

Notas finais
"Cosi bella" significa "tão linda" em italiano.
Obrigada por lerem e peço reviews, se não for pedir muito.....rsrsrsrsrsr
Bjin
Ja ne