Apagando o Passado
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Bem, nem sei como começar, sinto muito pela demora, me parece um bom começo, pelo menos razoável.
De verdade galera, não queria demorar tanto, mas tempo se tornou artigo de luxo em minha vida, mas escrever entra na minha lista de prioridades, então cá estou com um novo capítulo.
Espero de verdade que gostem, pois possui uma das cenas que tive em um sonho maluco e que me fizeram escrever toda a fic.
Obrigado pelo carinho e apoio de todos os leitores, vocês são muito fofos.
Chega de papo, boa leitura a todos.
— Cosi bella.
Sussurrou antes de beijá-la intensamente.
Hinata esperava frieza do gesto violento do vingador, mas o toque foi tão quente que chegou a queimar. A língua ágil deslizou sobre seus lábios de forma erótica em uma ordem clara para que os abrisse. Por puro mecanismo de alto-defesa a jovem travou o maxilar, temendo ser ainda mais invadida pelas sensações desconhecidas. Em represália ao seu gesto infantil sentiu o aperto sobre a cintura apertar, beirando a dor.
O jovem provava daqueles lábios avermelhados para sanar parte de sua curiosidade e quem sabe assim minar de uma vez por todas esse estranho poder que ela exercia sobre ele. A boca carnuda tinha sabor de baunilha e era morna como uma caricia. Quase como um adolescente se pegou imaginando se toda ela era tão doce e morna quanto aqueles lábios. Aprofundou o beijo para sentir a textura da sua língua, mas percebendo a mínima resistência comprimiu o corpo delgado em seus braços punindo a desobediência impensada.
Buscando apoio para o corpo trêmulo a herdeira agarrou-se a gola do quimono branco e cedeu a vontade de seu algoz.
Mergulhou nela, como um viajante do deserto lança-se a água, sem pensar, sem medir as conseqüências, apenas sedento por mais. Retirou uma das mãos dos cabelos azulados e deslizou sobre a lateral do seio farto, a yukata jazia aberta e a camisola era tão fina que podia quase sentir os poros da pele de seda. Cingiu os pés pequeninos do chão e com um único movimento prensou o corpo delicado contra a parede. A maciez e o aroma do seu corpo o arrebataram, sua excitação pulsava dolorosamente antecipando o grand finale.
A Hyuuga não sabia o que pensar, primeiro veio a dor, física e emocional de estar recebendo o seu primeiro beijo de forma tão brutal de um completo desconhecido, depois veio o calor lascivo derretendo todo seu corpo traidor e a fazendo apenas uma marionete das vontades do estrangeiro. Por mais que o calor brotasse nela de forma extrema e indevida, um simples pensamento a fez verter novas lágrimas. “Isso não é amor, nunca será amor.”
Em um lapso de sanidade ele abriu os olhos esperando contemplar os longos cílios escuros contrastarem com a clara porcelana. No lugar disso ele viu lágrimas, silenciosas e brilhantes sob a luz da lua. Soltou-a de uma vez, temendo ter sujado de sangue a boneca imaculada. Sem o apoio devido ela escorregou ao chão, quebrando instantaneamente o frenesi carnal do ambiente. Estava atordoado, nunca em sua vida havia perdido tanto o controle de si mesmo como agora e era tudo culpa dela. A garota parecia ter nascido apenas com um único propósito, enlouquecê-lo. A voz controlada elevou-se assustadoramente.
— Chega Hyuuga, cansei desse jogo, o contrato está cancelado eu não quero mais nenhum acordo.
A moça parecia alquebrada, estava encolhida, ofegante e pálida. Levantou os orbes claros para Sasuke tentando pela primeira vez ver algo através do monstro. Não via nada além da beleza imperiosa e expressão de cal. Hinata sempre acreditou que todo mundo tivesse algo de bom, por menor que fosse, mas parecia-lhe que a regra não se aplicava a ele. Como se admitisse uma derrota a pergunta escapou pelos seus lábios.
— Então...é apenas por minha causa que vai desistir do contrato?
A resposta simples e até verdadeira seria, sim, é apenas por sua causa. Mas o Vingatore sabia que daria a entender a resposta errada. Ela serviria para sua cama, ela seria com certeza uma ótima esposa, temporária claro, mas ainda sim, perfeita. Era necessário desistir, não queria obrigá-la a dormir com alguém como ele, nunca precisou fazer isso, das muitas idiotices que cometeu na vida, essa foi uma que ele nunca fez e pretendia permanecer assim, mas convivendo com a menina todos os dias seria impossível manter-se afastado.
— É.
A resposta veio curta e seca, mas a primogênita achou que ele queria falar mais alguma coisa. Talvez o fato de ser tão nova e inexperiente não o agradasse. A voz melodiosa saiu incerta.
— Eu-eu posso apren-der a servir na sua.....cama.
O rosto antes pálido corou furiosamente e ela abaixou a face odiando-se por ser tão patética.
Sasuke aproveitou a desatenção da moça para passar a mão nervosamente sobre os próprios cabelos, buscando uma saída para que as palavras dela não partissem de uma vez por todas a linha tênue de autocontrole na qual se agarrava. Adoraria ensiná-la tudo que sabe da maravilhosa arte do sexo. Mas ela fazia isso pelo clã, não por ela e muito menos por ele. Era tão nobre e pura que deflorá-la entraria para o topo da sua lista de atrocidades. E não haveria desculpas dessa vez. Seu pai apodrecia em uma tumba qualquer, tentar conquistar o seu amor ou orgulho agora seria ainda mais infrutífero do que antes, seu clã estava finalmente vingado e possuía mais dinheiro e terras do que podia contar.
Desejava-a demais, desconfiava que o seu querer não era por ela, e sim o que ela representava. Um ser inteiramente puro e bom, seu oposto em todos os sentidos da palavra. Via a idéia de possuí-la como uma forma de apagar parte dos seus pecados, ela seria como água lavando do seu corpo o sangue de seus inimigos.
Hinata soluçou baixinho o retirando de seus devaneios tolos. No fim das contas era um demônio e não adiantava procurar desculpas para o que estava prestes a fazer. Daria uma última chance para que ela desistisse dessa loucura, um resquício de humanidade vivente no assassino sanguinário.
— Acha que pode aprender a servir-me em minha cama?
A voz baixa e sedutora carregava o tom da descrença, zombava da afirmação pueril. Se fosse sincera com ele, diria que não. Não acreditava nem por um segundo ser capaz de agradar aquele homem. Mas a segurança de sua família estava em cheque e pela primeira vez na vida a fraca herdeira acreditou poder ser realmente útil.
Temendo que a voz falhasse, ela apenas acenou positivamente com a cabeça. Sem nenhuma hesitação aparente.
O ninja estreitou os olhos duvidando da determinação repentina. Caminhou despreocupadamente em direção a grande cama baixa em estilo japonês e sentou-se em posição de lótus.
— Então, mostre-me.
A primogênita o encarou sem entender, buscando as palavras corretas sussurrou fracamente.
— Mostrar o que Sasuke-sama?
— Sasuke, já lhe disse, quero que me chame apenas de Sasuke. Encare isso como sua primeira lição pequena Hyuuga. Mostre-me tudo, eu não quero perder nada.
— Mostrar o que Sasuke-sa....Sasuke?
— Você...............Quero vê-la nua e quero vê-la já.
Sua voz grossa e decidida não dava margem para contestação e tão pouco para escapatória. Mesmo assim, por um segundo interminável ela desejou correr e se esconder no quarto do primo. Levantou vacilante, os joelhos negaram a ela firmeza necessária para se colocar de pé com dignidade. Concluiu que não era apenas a sua consciência que não permitia que fugisse, seu corpo fraco também não permitiria que sua covardia destruísse seu povo. Subitamente lembrou-se da mãe, do sacrifício que ela fez por amor, e percebeu deliciada que elas eram verdadeiramente iguais, havia a força de sua Oka-san correndo nas suas veias, nada de músculos, mas a bravura insolúvel do alto sacrifício.
A mínima probabilidade de vê-la realmente retirar suas roupas nublou a maioria de seus pensamentos. Contrariando todas as suas suposições a jovem mulher a sua frente deslizou graciosamente a yukata pelos braços finos, acompanhou hipnotizado todo o movimento até vislumbrar a peça translúcida flutuar ao chão lentamente. Apreciou a mão extremamente pequena e alva tocar a alça fina da camisola de seda e nesse exato instante ele não enxergou a beleza daquela mulher estonteante, inconscientemente observou sua rendição resignada e admirou o que pensou nunca encontrar em nenhuma mulher, principalmente nela, coragem.
A menina tremia dos pés a cabeça e estava tão pálida de pavor como corada de vergonha, mas permanecia desnudando-se pra ele, se tornando conscientemente a cada batida de seu coração acelerado, mais vulnerável para seu inimigo. Era uma demonstração de coragem que ele nunca tinha presenciado, nem nas batalhas mais difíceis, havia a angustia, o terror inundava os olhos claros, mas ela prosseguia lutando contra seus próprios medos sem hesitar.
As pessoas nascem com um propósito, o destino é traçado no dia em que vêem ao mundo. Hinata acreditava tanto nisso que desistiu de lutar contra a sua sina. A realidade de nunca amar alguém ou sentir-se amada estraçalhou seu coração, mas a satisfação melancólica e obscura de finalmente conseguir fazer algo de bom para seu clã deu-lhe a confiança que faltava para escorregar as alças da camisola pelos ombros miúdos.
Sasuke engoliu em seco, faltava apenas mais um movimento da herdeira para que a visse nua. Ao contrário da expectativa da visão da perfeição, encontrou-se frustrado por não conseguir fitar as pérolas exóticas. A voz máscula saiu rouca de desejo.
— Olhe pra mim Hyuuga.
Não queria olhar para o estrangeiro, temia perder a coragem se o fizesse. Levantou a face bem devagar, mas antes que seus orbes encontrassem o profundo mar negro a delicada fita de seda escapuliu pelas pontas dos dedos. Abaixou instantaneamente a face corada vendo a peça de seda champanhe parar sobre os pés descalços.
Piscou algumas vezes, acreditando estar em um sonho ou numa ilusão produzida pelo inimigo. A bela mulher iluminada pela lua não desaparecia. Sua pele acetinada tocada pela dama da noite resplandecia uma aura etérea, quase mágica, seios fartos com bicos rosados e arrepiados pelo frio clamavam seu toque, a cintura fina terminava no quadril um pouco largo e bem desenhado prometendo encaixe e calor, a calcinha apesar de branca não o incomodou, na verdade, achou a cor adequada para ela e seu ar virginal. Depois de alguns segundos percebeu felizmente que a imagem era real.
— Vamos Hyuuga, eu quero ver tudo, olhe pra mim.
O pavor golpeou seu corpo, não conseguia respirar, seus olhos encheram novamente de lágrimas, seria hoje, seria agora. Ainda não estava totalmente preparada, suas mãos tremeram descontroladamente tentando retirar a última barreira entre ela e os olhos do assassino.
Ergueu-se de uma vez, seus 1,90 de altura sobrepujando-a visivelmente. Agarrou a mão pequenina entre seus dedos calejados, sem força dessa vez, lembrava um afago e não um impedimento como deveria ser.
— Pare, eu quero que você olhe pra mim.
Não conseguia falar, tão pouco se mexer, a coragem esvaía rapidamente.
A mão livre do vingador contornou o maxilar delicado e apertou levemente a nuca sedosa.
— Eu preciso ver seus olhos Hinata.
Estremeceu nitidamente ouvindo seu nome saindo daquela boca, proferido por aquela voz. Não era um pedido, tão pouco uma ordem, mas possuía o tom inconfundível da necessidade.
Ergueu a face, esperançosa que a máscara de cal, pelo menos dessa vez, contivesse alguma expressão legível.
Finalmente Sasuke conseguia ver seus belos olhos claros, uma ínfima parte do seu cérebro ria e amaldiçoava sua estupidez. Ela estava linda, nua e desprotegida, mas eram as pérolas o foco de toda sua atenção. Como um suicida o vingador se jogou na névoa lilás, buscando a causa, o motivo, o objetivo, qualquer coisa para tanta coragem, para tanta obstinação. Chocado, percebeu que a menina também estava em sua própria busca, ela também tentava entendê-lo ou então encontrar algo dentro dele além da escuridão. Não havia nada a ser encontrado, mas a esperança dela que houvesse uma mínima faísca de luz o tocou mais profundamente que uma espada cravada em seu peito.
— Eu deveria ir embora, mas é tarde demais.
O tom era de quem se desculpa por algo imperdoável, mas contrariando suas palavras ele apenas se abaixou e recolheu a yukata do chão, cobrindo cuidadosamente a boneca voluptuosa.
Os dedos longos mal a tocaram, como se ela não fosse digna do seu toque. A vergonha e a humilhação comprimiam seu coração e esquentavam sua face. Por puro masoquismo e por saber nunca mais o vê-lo depois dessa rejeição, permaneceu procurando expressões na face de cal e sentimentos nos olhos escuros.
Depois de adequadamente coberta o Vingador admirou as esferas vítreas, a pior armadilha de todas. Coragem e força escondidas por baixo de docilidade e bondade.
Hinata assistiu decepcionada, o estrangeiro dar as costas e caminhar rumo à janela. Era uma inútil, não salvaria sua família, não possuía os atrativos necessários para agradá-lo. O gosto deste pensamento foi particularmente amargo. Iludiu-se achando que era como a mãe, não era nada, não valia nada. Deveria estar aliviada, mas não, uma pequena parte dela queria que ele permanecesse, só não sabia se por alto afirmação ou pelo seu povo. A voz de guizos se fez presente na noite gélida.
— Vai embora?
— Deveria ir para sempre, mas não possuo esse tipo de integridade. Te vejo amanhã no casamento pequena Hyuuga. Como um futuro marido eu deveria te fazer promessas de felicidade e amor, mas tais coisas há muito tempo ficaram fora do meu alcance. Não se preocupe, vou me manter afastado por enquanto, para que se acostume com a idéia de ser minha.
Nesse instante ela pôde vislumbrar não o monstro, nem de longe o príncipe, mas certamente o homem por traz do assassino.
Notas finais
Obrigado por lerem e sem querer abusar de vocês peço uma review, com elogios, criticas ou dicas. Estou sempre aberta a opnião dos meus leitores e eternamente em busca de melhora.
Bjin
Ja ne
Fale com o autor