Apagando o Passado
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Sinto muito pela demora, mas ultimamente estou mais sem tempo que o normal. Alguns problemas pessoais também surgiram, mas não quero incomodar vocês com a minha ladainha.
Bem, siceramente acho q esse capítulo não ficou grandes coisas. Mas são vocês que vão ter que me dizer.
Sem mais nada a ser dito, desejo boa leitura a todos.
Abriu os olhos vermelhos com o menor ranger dos portões principais da sua propriedade. Todos os seus sentidos ninja em alerta para um possível ataque inimigo. Quando a sua audição sensível lhe trouxe a conversa arrastada dos inconvenientes intrusos os rubros imediatamente se tornaram negros e o corpo relaxou sobre os travesseiros.
Deixaria os anciões esperando na sua porta por dois motivos simples.
Primeiro, queria apreciar a jovem Hyuuga ressonar no seu sono tranquilo, absorvendo o calor da sua pele e a fragrância deliciosa dos lençóis, uma mistura única de baunilha, jasmim e sexo.
Segundo, o prazer de deixar o grupo macabro e grotesco aguardando a sua boa vontade de levantar, que dificilmente viria, combinava perfeitamente com o seu humor.
Escorregou sobre a seda dos lençóis grudando-se mais ao corpo macio, deslizando os lábios pelo ombro delicado. Sorriu internamente ao vê-la remexer nos seus braços e aconchegar-se mais a ele.
Quando pensou em ousar mais nas carícias, batidas na porta do seu quarto o interromperam.
Levantou-se de uma vez sentindo todo o calor agradável que dominava seu corpo ser substituído por uma onda de fúria. Vestiu uma calça preta caminhando rapidamente para a saída. Antes de girar a maçaneta percorreu os olhos pela mulher adormecida e nua sobre o colchão. Era perjura, alta traição, deixa-la naquela cama sozinha.
Saiu do quarto deparando-se com a velha Tomoyo.
– O que faz aqui?
A pobre senhora engoliu com dificuldade, respirou fundo e respondeu em um só fôlego.
– Os anciões do clã Hyuuga estão na sala exigindo a sua presença senhor Uchiha. Tentei explicar que o senhor estava dormindo mas ...
– Quero saber o que você faz aqui na minha casa? Deixei ordens expressas de que todos os empregados estavam dispensados por hoje, e isso inclui você.
A governanta tentou articular uma resposta diante da fúria do seu patrão, porém nada saía.
Aguardou a explicação e suspirou frustrado no fim de alguns segundos em silêncio.
– Esqueça, já que está aqui prepare o café da manhã pra mim e minha esposa.
– Uchiha-sama, devo levar chá para os convidados na sala?
A pergunta temerosa recebeu uma resposta incisiva.
– Não! Eles não são os meus convidados e irão embora imediatamente.
Sasuke percorreu os corredores pisando duro. Como ousavam vir a sua casa há essa hora atrapalhar a sua lua de mel, privá-lo do prazer de permanecer na cama com sua esposa.
Atravessou o portal da sala correndo os olhos pelas figuras arcaicas sentadas confortavelmente na sua sala de estar.
– Então?
O velho Chyo remexeu-se na cadeira. O Uchiha era realmente um bastardo petulante. Apresentava-se ao Conselho Hyuuga apenas de calças e sem nenhum apego a qualquer tipo de formalidade.
Tentando evitar uma situação desagradável o servo de Chyo tossiu brevemente aconselhando de maneira branda.
– Acredito que chegamos em má hora Uchiha-sama, aguardaremos que o senhor suba e troque suas roupas.
– Estou confortável, não se preocupem. Desejo apenas que vão embora.
Chyo ameaçou iniciar uma discursão, mas antes de abrir a boca o italiano prosseguiu de forma ameaçadora.
– Eu sei o que vocês vieram buscar! Tenho plena consciência de que a minha afirmação de que o casamento foi consumado e a existência da pureza da minha mulher, não irá convencê-los, mas no momento ela está dormindo e eu não irei acordá-la para entrega-los um pedaço de pano que qualquer um dos meus servos poderá lhes apresentar mais tarde.
O líder dos anciões levantou-se com dificuldade, apontando um dedo acusatório na direção do estrangeiro. A raiva forçou sua voz à um tom mais elevado e sua postura superior e distante havia desaparecido.
– Seu verme! Você nos deve respeito.
– Não me lembro dessa clausula no contrato.
– Bastardo! A prova da consumação faz parte do acordo.
– Darei com prazer, assim que minha esposa acordar, mas não sou obrigado a recebê-los sob o meu teto. A reunião...
As vozes alteradas ecoavam por todas as paredes.
– Sasuke.
A voz feminina o impediu de continuar. O chamado baixo veio da entrada do aposento e todos voltaram sua atenção para bela figura coberta por uma yukata de seda champanhe. Segurava firmemente embolado entre seus braços, um tecido claro.
Hinata corou diante dos olhares acusadores. Sabia que a vestimenta era inadequada, porém ao ouvir tamanha discursão a única coisa com que se preocupou foi em findá-la o mais rápido possível.
– Hinata-sama, uma reunião é necessária para o conselho averiguar a consumação do casamento e a sua validade.
O Uchiha estava possesso, queria matar todos aqueles vermes, não precisava de sua katana, com as mãos seria muito mais divertido. Cerrou os punhos diante do formigamento assassino e apareceu diante da herdeira estendendo-lhe a mão, solicitando de forma silenciosa o lençol manchado.
Hinata mordeu os lábios em dúvida sobre acatar ou não o pedido do seu marido. Temia o que ele podia fazer.
O olhar negro exigia a entrega do tecido. Sua mão estendida aguardava pacientemente.
No momento em que sentiu a seda por entre os dedos, seus olhos deslizaram pelo lençol marcado a sangue. Um estranho sentimento de orgulho, de posse e principalmente de honra não merecida o invadiu. Ela era sua, nunca seria de mais ninguém como foi dele.
Fingindo um descaso inexistente deu-lhes o que tanto queriam.
– A prova que o meu casamento é válido esta aqui!
Lançou o pano de forma ágil, abrindo-o totalmente sobre a tapeçaria oriental do assoalho. No centro do tecido a mancha vermelha gritou sobre o fundo branco.
Virando as costas para os “não convidados”, rodeou um braço pela cintura delgada da esposa. O timbre zombeteiro finalizou a reunião infeliz.
– Acredito que é o suficiente, mas se quiserem algo mais dinâmico estarei no meu quarto dando continuidade a minha lua-de mel.
A ousadia da revelação emudeceu a todos. Tornando a face rosada da jovem Hyuuga, escarlate de tanta vergonha.
Voltaram para o quarto sem nenhuma palavra entre eles ser dita.
A herdeira mantinha-se em pé no centro do quarto. Estava claramente deslocada no novo ambiente e sem saber qual deveria ser sua próxima atitude.
Sasuke não possuía este tipo de questão. Ele sabia exatamente o que queria e o que iria fazer. Aproximou-se por trás de Hinata de forma sorrateira. Quando a jovem sentiu a sua presença já era tarde demais. Os braços do estrangeiro a circundavam completamente, uma gaiola.
O aroma do italiano parecia-lhe ainda mais pungente do que na noite anterior. As grades quentes se moveram devagar pelo seu corpo, causando o formigamento conhecido, porém, ainda longe de familiar.
Apertou-a mais contra o seu peito, sentindo-se imediatamente rígido e pronto. Rapidamente sua mão direita desatou o laço de seda que mantinha a yukata fechada, enquanto a outra se preenchia com o farto seio esquerdo.
Hinata sentia-se quente, quase febril. Quando o toque de dedos longos beliscou o bico intumescido um gemido aveludado e sonoro atravessou a sua garganta.
O ronronar de prazer da sua esposa incendiou sua consciência, como fósforo na pólvora, houve a explosão e depois não havia nenhum resquício de humanidade em seu ser, não havia nada. Apenas enormes chamas de desejo e ela, somente ela.
A Hyuuga sentiu-se erguida abruptamente por um dos braços do seu marido enquanto o outro derrubava com um único movimento tudo que se encontrava sobre a cômoda de carvalho.
Colocou-a sentada no móvel e se encaixou entre as suas pernas macias. Sua audição sensível trazia o batimento frenético do coração dela, batendo tão forte e tão alto que parecia que eram dois corações ao invés de um. Com um choque de realidade e um arquejo alto, ele percebeu que não era apenas o coração dela que martelava nos seus tímpanos e sim o de ambos, juntos, no mesmo ritmo avassalador e sem controle.
Enroscou as mãos trêmulas nos cabelos revoltos, puxando-o para baixo para que pudesse ver os olhos negros e profundos como o mar. Mas eles não eram ônix brilhantes e sim rubis vermelhos e obscuros. Hinata assustou-se com o olhar sanguinário e por puro instinto tentou afastar-se daquela aura inumana que emanava dele. Largou os fios rebeldes e espalmou seu torço com ambas as mãos.
O rubro mergulhou na lavanda buscando o brilho de luxuria. O desejo era denunciado pelo cheiro almiscarado de feminilidade que pairava no ar e pela respiração descompassada que batia na sua pele. Mas ele queria ver a lasciva refletida nas pérolas. Em vez de desejo encontrou terror, um pavor puro e genuíno. A bela mulher a sua frente era apenas uma pequena menina assustada e ele era novamente o monstro de seus pesadelos.
Não houve movimento de nenhum dos dois lados. Encaravam-se silenciosos. Sasuke sentia sua excitação fluir abaixo da sua pele, lava derretida, quente e inabalável correndo por todo o seu corpo. O par de olhos exóticos o prendia no lugar, um espelho mostrando a sua verdadeira face assassina.
A jovem mordeu os lábios receosa, abaixando a face.
O Vingatore suspirou cansado diante da imagem refletida nas esferas vítreas. Respirou fundo algumas vezes para dissipar a nuvem espessa de excitação que lhe encobria os sentidos. Não sabia como agir, não sabia o que estava realmente errado. Aquele infelizmente era ele. Quando os seus instintos dominavam a sua mente, seus olhos irremediavelmente se tornavam vermelhos, sem propriamente haver algum comando da sua parte. Um dom, nas palavras do seu pai, para Sasuke uma maldição, a maldição Uchiha.
Por alguns momentos acreditou em um querer recíproco. Agora estava diante de uma situação totalmente nova para ele. Saber o que quer, ter total ciência de como conseguir e, no entanto abrir mão do seu objetivo em consideração a outra pessoa.
Quando as mãos do estrangeiro apoiaram-se na cômoda rente ao seu corpo o calor da aproximação foi substituído pela brisa fria da manhã. Algo dentro da herdeira quis gritar em protesto. Uma parte dela estava com medo da estátua de cal, mas outra parte queria acreditar, e usufruir novamente, na docilidade das carícias do seu marido na noite anterior.
Precisava se afastar dela. Treinar, correr ou simplesmente matar alguém parecia uma ótima distração. Quase viro-lhe as costas, mas a pretensão da separação queimou lhe o interior. E sua mão sem nenhuma ordem tocou delicadamente o queixo pequeno, erguendo totalmente a face de porcelana para si.
Os olhos negros estavam novamente lá. Misteriosos e profundos. Buscavam uma resposta. Ela tinha apenas perguntas, infinitas perguntas. Perguntas tolas, como por exemplo: “Ficou satisfeito com a noite passada, assim como eu?” ; E perguntas extremamente importantes, que ela nunca faria: “Acha que um dia você pode chegar a me amar?” .
Deleitou-se novamente com a beleza da sua esposa. Os lábios cheios, a pele clara, os cabelos escuros como a noite e os olhos, ah os olhos. A eternidade não seria suficiente para admirá-los corretamente. A lavanda líquida transbordava um turbilhão de sentimentos indecifráveis, os orbes lembravam nuvens de chuva prestes a relampejarem.
A voz cristalina sussurrou de forma incerta.
– Eu ainda não sei exatamente o que você quer de mim.
Talvez, ele também não soubesse exatamente o que queria. Tocou-lhe os lábios devagar, ainda de olhos abertos. Não era um beijo, era um teste. Queria ver a reação da esposa.
Ela o fitou, esperando por algo mais profundo. No momento em que ele se inclinou para beijar-lhe novamente, cerrou as pálpebras para apreciar melhor o toque.
– Não faça isso! A única coisa que quero é que não esconda nada de mim.
A voz era rouca, baixa. “Deliciosa”, quase ousou pensar.
Abriu os olhos instantaneamente. E foi recompensada com os seus lábios sendo tomados de uma vez. Com língua e dentes ele saqueou sua boca. Ela não ousou fechar novamente os olhos e pôde admirar bem de perto a íris negra emoldurada de cílios longos e também negros contra a pele de marfim.
O sabor dos seus lábios pareceu-lhe melhor do que antes. Tão úmido e doce que ele acreditou nunca mais reconhecer o amargor.
Suas mãos voltaram a deslizar pela cremosidade alva de sua pele. Apertou o quadril arredondado com ambas as mãos, prendendo as pernas delgadas em torno do seu corpo. Ela estava exposta a ele, totalmente exposta, não havia nenhuma barreira, nenhum tecido cobrindo a maciez acetinada, nada que protegesse a delicada boneca de porcelana da sua libido, da sua sede, da sua fome pelo seu corpo.
O tempo todo Hinata permaneceu de olhos abertos. Não por que ele ordenara que ela os mantivesse assim, e sim porque ela não podia deixar de fitar a grande imensidão negra e brilhante. Temia perder essa imagem, temia perder o homem atado a ela e de forma totalmente ilógica temia-o.
Sasuke degustava o suor da pele clara, lambendo dos ombros delicados até o lóbulo da orelha. Queria parar o tempo, respirar e ir mais devagar, para aproveitar mais e infinitamente. Não era possível, mas ele ainda era ele. Seu instinto permanecia atrelado a sua consciência, e assim ficaria. Não perderia o controle, não seria mais um monstro da família Uchiha.
Hinata prendeu os lábios contra os dentes para segurar um novo gemido, sua franja estava colada à testa porejada de suor, devido ao nervosismo, a excitação e a tudo que estava sentindo. Um misto de vergonha e desejo tingia de calor a sua pele fria. Suas mãos antes restritivas contra o peito nu passaram a desenhar padrões desconexos sobre as cicatrizes salientes.
A palma calejada antes apoiada na cômoda abriu-se sobre o colo alvo, pressionou levemente, percebendo que ao menor toque a pele clara se avermelhava brevemente. Deslizou suave pelo vale entre os seios, contornando com o polegar o umbigo bonito e fundo. Por todo o caminho pôde apreciar a maciez da pele jovem e intocada. Quando os seus dedos resvalaram a feminilidade úmida selou os lábios sobre a boca carnuda, engolindo o seu gemido melodioso.
Num segundo estava sendo beijada e no outro o italiano lhe cobria com um kimono negro, descendo rapidamente seus pés trémulos ao chão. Antes da jovem conseguir processar os movimentos extremamente ágeis, a porta do quarto bateu abruptamente contra a parede, revelando o seu intruso.
Notas finais
Desejo uma feliz páscoa a todos, cheia de amor, renovações e claro chocolate.
Bjin
Ja ne
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