Apagando o Passado
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Podia sentir a brisa marítima desalinhando os fios naturalmente bagunçados do seu cabelo negro. Aspirou o ar profundamente e apesar de não gostar de clichês a frase lhe escapou antes que pudesse detê-la.
- Um novo começo.
A costa japonesa surgia no horizonte, magnífica e desconhecida para o seu contemplador, o jovem Sasuke Uchiha, mais conhecido pelos italianos, comoo vendicatore e pelos seus infelizes inimigos como o vingador.
O Japão não era o melhor lugar para recomeçar, mas o mundo inteiro carregava recentes marcas da guerra. Não haviam opções na Europa e tão pouco ele conseguira pensar em outro lugar. Na verdade o vingador sentia-se sortudo ou amaldiçoado por chegar em janeiro de 1919 ainda vivo e fisicamente intacto.
As línguas que ele sabia falar diminuíram consideravelmente as suas opções. O italiano, língua da sua terra natal estava fora de questão, continuar na Itália, morada do seu maldito passado. O motivo principal dessa viajem era fugir de lá, não fugir, pois não era um covarde, mas já estava cansado de todo o sangue que permanecer lá prometia.
Seu inglês era impecável, mas não simpatizava com o povo britânico e os americanos...Riu de forma amarga com a possibilidade de ir para os Estados Unidos, provavelmente seria preso e julgado por crimes de guerra, morreria enjaulado como um animal, a face adquiriu uma expressão taciturna, ele era pior que um animal, era um monstro. Balançou a cabeça levemente antes que rostos de homens desesperados viessem a sua mente.
Concentrou-se e retomou a linha de pensamento anterior, o que lhe restava era o japonês, língua falada e ensinada por sua mãe, a única parte doce de todo o seu passado amargo.
A verdade, a humilhante verdade é que pensou não sentir tão só ao caminhar por onde sua mãe também caminhara e chamar de casa o lugar que foi lar da única pessoa que realmente o amou.
Quanta bobagem! Estava só como sempre esteve. Foi uma tolice vir para o Japão, mas seria perda de tempo ir para qualquer outro lugar. Ele era um amaldiçoado, não tinha um lar para retornar.
- Senhor Uchiha, o navio já atracou e sua carruagem o espera no porto.
Admirou a casa por uns instantes, permanecia exatamente igual como a da pequena pintura desbotada que carregava sempre consigo. Sua mãe sorria na imagem com um belo quimono florido, feliz por estar casada com o crápula do seu pai. Era engraçado pensar como a vida do seu pai foi rodeada de mortes, mas por alguma razão desconhecida o amor da sua mãe nunca foi morto. Ela o amou até último segundo da sua vida. Boa demais para se deixar envenenar por suas maldades, acabou ironicamente morrendo envenenada no lugar dele, o líder do clã Uchiha o famoso clã de assassinos da Itália.
Suspirou pesadamente, remoer essas coisas sempre o esgotavam.
- Uchiha-sama?
Retornou da viagem ao passado extremamente abalado, mas os traços esculpidos no mármore não delatavam nada, ele era um ninja, agente secreto do auto-escalão, a frieza infelizmente na sua vida se tornou fundamental.
Analisou a figura simples, porém altiva do homem de olhos incomuns.
- Quem quer saber?
- Hyuuga Hiashi, dono das terras que fazem divisa com as suas Uchiha.
O jovem fez um som de desdém, o homem com certeza era o fazendeiro falido do qual seu contador o alertara. Nem por isso perdia por um segundo sequer o semblante e a postura de alguém acostumado com o poder, na certa líder de um grande clã ou próximo disso.
- Como tem tanta certeza que sou o senhor Uchiha?
- Tive o desprazer de conhecer o seu pai, e me parece que além da aparência você também puxou a arrogância.
Sasuke estreitou os olhos, odiava ser parecido com seu pai, mas odiava mais ainda ser ofendido por um velho. Com um único movimento poderia matá-lo, seria fácil como respirar. Ao analisar o fazendeiro e vê-lo como morto travou o maxilar e lembrou-se do motivo de estar no Japão.
- Se era o que tinha a me falar então já pode se retirar, tive uma longa viagem e quero muito descansar.
- Não era só isso, infelizmente tenho negócios a tratar com você Uchiha.
- Eu não tenho negócios a tratar com o senhor.
- Pensei que estava interessado em minhas terras, o seu contador me fez entender que estava.
- E o senhor fez meu contador entender que não iria vendê-las nem por todo dinheiro desse mundo.
- Talvez não vendê-las, mas podemos discutir outras formas.
Seus olhos negros não perdiam nada, pois apesar da voz firme do homem a sua frente, ele viu seus olhos brilharem de forma culpada. Franziu o cenho, sem conhecê-lo ele percebia que o Hyuuga não era homem de se sentir culpado, e afinal, culpa pelo quê?
- Outras formas?
Se não podia comprar as terras, então faria o que com elas?
- Gostaria de conversar isso com mais calma, darei um jantar na casa principal da minha fazenda, apareça por lá assim que o sol se pôr.
A idéia não o agradou e tinha certeza que apesar de estar sendo convidado, agradava menos ainda ao fazendeiro. Por pura curiosidade e por saber não ser bem vindo resolveu aceitar, a voz séria adquiriu um leve tom zombeteiro.
- Será um prazer jantar com o senhor.
Hiashi fechou a cara, esse moleque na certa era pior que o pai. Fez uma reverência rápida e saiu do local a passos duros.
A mão delicada acariciou a grande pintura pendurada no dojo principal da família Hyuuga. Um pequeno sorriso brotou na face de porcelana. Todos lhe falavam que ela era igual a sua falecida mãe, não acreditava nisso, mas gostava de pensar que tinha algo parecido, por menor que fosse, com a mulher mais bonita e corajosa de todo o clã.
- Oka-san, eu estou com medo. O Oto-san anda estranho, as famílias passam fome, mas não sei como ajudar. Queria que a senhora estivesse aqui.
O sorriso se foi tão rápido quanto veio, porém as lágrimas não lhe dominaram como antes. Fez uma reverência graciosa para a pintura, como se sua própria mãe estivesse a sua frente e saiu em busca do seu pai.
- Hinata-sama.
Estava tão concentrada nos problemas do clã que assustou-se com a voz imperiosa.
- Neji-nissan, você me assustou.
Virou-se corada para a figura imponente e levantou a face para poder fitar os olhos de nevoa, tão parecidos com os seus e ao mesmo tempo tão diferentes.
- Hinata-sama, eu não sou seu irmão, quantas vezes tenho que te falar isso.
A moça encolheu-se instantaneamente, e ele se arrependeu de imediato por falar de forma rude.
- Des...culpa Neji-sama, é só força do hábito.
Gostava de ouvir seu nome pronunciado pela voz de guizos da sua prima, apreciava a maneira como a sua boca abria e fechava para formar seu nome, as bochechas sempre vermelhas, os olhos de lavanda doces demais para serem confundidos com o cinza opressor.
- Seu pai me mandou avisar que dará um jantar hoje, e que teremos um convidado. Providencie tudo com as empregadas e...
- E...?
Percorreu seus olhos pelos longos cabelos azulados, pela face tão clara como a neve, pelos lábios vermelhos e úmidos e como um viciado deslizou sua atenção pelas curvas perfeitas, como se já não as soubesse de cor. Franziu o cenho e disse uma coisa que para ele não tinha o menor sentido, mas ordens eram ordens.
- E depois vá para seu quarto se arrumar, seu pai a quer bonita ou pelo menos apresentável esta noite.
Abaixou a face para que a franja negra escondesse sua decepção. Nunca conseguiria ser tão bonita como a sua mãe, seu pai nunca ficaria satisfeito.
- Hai.
Queria poder dizer que ela já era bonita, mas seria perda de tempo, o gênio do clã vinha da família secundária e ela era a herdeira do clã Hyuuga, primogênita do líder Hyuuga Hiashi.
Fingiu ignorar a tristeza palpável, saindo do dojo antes de ser fisgado novamente pelos olhos de lavanda.
Visualizou a entrada majestosa das terras Hyuuga, tudo simétrico e bem elaborado, apesar de possuir um certo ar decadente, como se o que visse agora fosse uma sombra da magnitude do que já foi um dia.
Caminhou pela propriedade com um mal pressagio, sendo acompanhado por um dos guardas da entrada. Nada poderia feri-lo ali, ninguém era páreo para ele, mesmo assim a sensação de caminhar para uma armadilha não o abandonava. Riu internamente, o que estava pensando? Eles eram apenas um bando de agricultores, e ele era o Uchiha Sasuke o vendicatore.
- Uchiha-sama, seja bem vindo a minha casa.
A cordialidade saiu forçada pela garganta do líder, mas Sasuke achou que ele merecia um ponto pelo real esforço que estava fazendo em recebê-lo. Se não o queria lá, porque o convidara?
- hum.
O jovem não possuía uma gota de educação, sua vontade era expulsa-lo de suas terras, mas precisava dele, pela sua família, pelas pessoas que dependiam dele, pelo seu clã.
- Entre, antes do jantar conversaremos no meu escritório.
Não gostava desses joguinhos, queria resolver logo isso e ir embora apreciar o silêncio sepulcral da sua casa.
Sentou-se incomodado em sua poltrona e indicou com a mão uma poltrona em frente a sua mesa para seu convidado. Não sabia como começar, como barganhar sua filha em troca do seu clã. Sua falecida esposa jamais o perdoaria.
O homem parecia refém de seus pensamentos, seus olhos claros estavam vidrados em algum ponto qualquer e a cada segundo sua face se tornava mais torturada. Não se comoveu com a cena, nada o comovia, e o seu tempo era muito precioso.
- Hyuuga-sama.
O senhor piscou algumas vezes e finalmente voltou sua atenção para o Uchiha.
- O que você quer me propor?
Seria objetivo, não poderia deixar seu povo passando necessidades.
- Quero que se case com a minha filha.
- O que?
Nesse momento, por mais inadequado que parecesse, foi tomado por uma vontade louca de gargalhar, não o fez é claro, mas a idéia era tentadora. Um pai queria oferecer a mão de sua filha para ele, um assassino, traidor da sua pátria, procurado em vários países por crimes de guerra, cruel e sanguinário. Deveria ser uma brincadeira de mau gosto, ou não, mas de qualquer forma o certo seria levantar e ir embora de lá o mais rápido possível. Quando ergueu o tronco para fugir do velho maluco, olhos de súplica e uma voz embargada o fizeram retroceder em sua idéia.
- Espere, explicarei tudo e depois você irá me dizer se aceita.
Notas finais
E pede a bondade dos leitores, então REVIEWS!!!!!
Críticas e sugestões sou toda ouvidos.
Obrigada desde já por lerem
Bjin
Ja ne
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