Apagando o Passado
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Não briguem comigo pela demora, eu sei que não tenho perdão, mas para compensar tenho duas boas noticias.
1ª como vcs devem ter notado a fic está de capa nova, um presente maravilhoso de um grande amigo meu o Leandro-Kun, muito obrigada Chu de verdade pelo incentivo.
2ª o capítulo ficou bem maior que o meu normal, para compensá-los pelo meu deslize e também para honrar a capa nova.
Um beijo enorme para os meus leitores e obrigada pelas doces reviews.
Bem, sem mais nada a ser dito, boa leitura a todos.
A noite já estava avançada, logo, logo o sol iluminaria o horizonte, dormir agora era a escolha mais acertada, mas era impossível. A expectativa e a ansiedade de tê-la, possuí-la como sua, mesmo que temporariamente tomava conta de cada fibra de seu corpo.
O ninja fez um som de desdém, parecia um adolescente nervoso com sua primeira vez. Ridículo. Virou a face buscando sua objetividade e raciocínio lógico. A testa franziu levemente analisando o amplo quarto principal, precisava de algumas modificações, infelizmente suas armas penduradas na parede não eram adequadas para um quarto de casal.
Os lábios finos formaram um pequeno sorriso cretino. Ali seria o quarto dos dois, prometera manter distância, mas nem por um segundo pensou em abrir mão de dormir no mesmo quarto que o dela, essa vergonha o Vingatore não passaria, deixar sua bela mulher dormir longe dele na sua noite de núpcias, acordar com o velhote rindo dele e aquele maricas indolente acreditando que ele não dá conta do recado, nem pensar, isto estava fora de cogitação.
Desceu as escadas em busca dos seus empregados, provavelmente estavam dormindo, pagaria um extra pelo trabalho a mais. O quarto precisava ser redecorado, a casa, o jardim, não haveria tempo para muita coisa, mas ele sabia que o dinheiro agilizava tudo.
Adormecer se mostrou uma tarefa árdua, mas o cansaço levou a melhor e Hinata acabou acordando um pouco dolorida na poltrona marfim ao canto do aposento.
Inspirou o ar profundamente, sentindo instantaneamente o aroma de menta e sangue impregnado na sua roupa, na sua pele, provavelmente por toda ela. O cheiro dele parecia ter a mesma personalidade dominadora que seu dono, oprimia e a marcava como sua.
“Não se preocupe, vou me manter afastado por enquanto, para que se acostume com a idéia de ser minha.”
Quanto tempo ele a daria para que se acostumasse? Se é que realmente daria algum. E acostumar exatamente com o quê? Estranhamente já se sentia pertencente a ele, seu pai a vendera, o estrangeiro a comprara, não havia mais nada que a diferenciasse de um objeto recém negociado, a entrega seria no casamento e depois deste lhe restariam duas únicas certezas, o seu dever estaria cumprido e sua felicidade eternamente enterrada.
Não acreditava ser culpa do forasteiro, nem tão pouco do seu pai. Poderia ser pior, não saberia dizer como exatamente a situação poderia ficar pior, mas havia sempre essa possibilidade. No fundo, bem no fundo mesmo agradecia por Sasuke ser um assassino frio e cruel, pois seria impossível o amor brotar entre eles, e sem amor as pessoas dizem que a dor é sempre menor.
As lágrimas molharam a face alva, talvez era com isso que deveria se acostumar, com sua triste sorte, o sonho infantil de encontrar o príncipe encantado e apaixonado deveria morrer.
A leve batida na porta foi ensurdecedora no quarto silencioso.
— Hinata-sama acorde, nós temos muitas coisas para fazer, o seu casamento é hoje à tarde!
Não houve resposta, apenas o leve tilintar dos sinos de vento mostrando que a janela acabara de ser aberta.
O tom animado transformou-se em um segredar de consolo.
-Vamos menina, você vai ver, vai dar tudo certo.
A voz suave de Kurenai continha uma mistura de sentimentos tão contrários quanto explicáveis. A excitação de ver a pequena menina que ela criou como sua casando-se e o receio desse casamento arranjado matar a delicada flor que Keiko deixara aos seus cuidados.
O giro da chave no trinco da porta demorou a acontecer, era a sua realidade que se encontrava do outro lado. A sua segunda mãe emocionada pela filha se tornar uma mulher, os preparativos para o casamento apressado, seu futuro como a mais nova senhora Uchiha, seu destino, sua sina e principalmente aquele homem.
A voz continha o tom do sopro, mas com a determinação da tempestade.
— Eu sei Kurenai, vamos logo, você tem razão, temos muito que fazer, quero que a minha oka-san tenha orgulho desse casamento.
A governanta analisou a jovem mulher por um instante. Havia a linha tênue, entre força e desamparo, e a doce criança segurava-se a ela como um equilibrista de circo que desafia a morte.
— Sabe menina, sua mãe já tem muito orgulho de você.
— Como você sabe?
— Por que Keiko faria o mesmo que você, não hesitaria em proteger o que lhe é mais caro.
A Hyuuga lhe lançou um sorriso triste.
— Arigato Kurenai-sensei!
A reunião já começara há mais de trinta minutos, mas nenhuma palavra havia sido proferida. Todas as atenções estavam voltadas para a figura ofídica que se encontrava com as mãos sob o queixo e os olhos fechados na ponta da grande mesa.
Os presentes começavam a ficar incomodados, pequenas tossidinhas, o farfalhar do tecido e o limpar irritante das gargantas eram indícios mais do que suficientes de que o silêncio já se prolongara demais.
A voz grossa e ressonante ridiculamente pingava covardia e fraqueza.
— Orochimaru-sama, o que estamos esperando para começar a reunião?
Os olhos amarelados abriram-se de uma vez, ofendidos e raivosos com a interrupção de seus pensamentos.
— Esperamos a minha vontade de querer começá-la.
O ninja Ichiro temido assassino de Konoha inconscientemente tremeu os lábios de pavor.
-...
— Espero que isso como motivo lhe basta, Ichiro.
— Desculpe-me mestre eu não quis aborrecê-lo.
O velho sannin pensou em matá-lo, não por ódio, nem por prazer, apenas para entretê-lo enquanto Kabuto não chegava com as informações que ele tanto queria ouvir. Ahh, como a espera era torturante, mas pela sua doce Keiko valia a pena esperar.
O ranger da porta roubou os olhares de todos da mesa, exceto o líder que voltou a fechar os orbes esperando ouvir suas tão aguardadas notícias.
Os grandes óculos escorregaram para a ponta do seu nariz enquanto ele fazia uma reverência respeitosa em direção ao ninja das cobras.
— Mestre! Tenho más notícias.
O dourado brilhou de forma assassina na direção do seu lacaio, a respiração de todos ficou suspensa, o jovem médico ajeitou a postura e os óculos e proferiu as palavras de forma mecânica.
— A primogênita Hyuuga irá se casar hoje, todo o clã está trabalhando para a festa que ocorrerá ao pôr do sol.
Percebeu que Orochimaru pretendia dizer alguma coisa ou rir desse pequeno contratempo, então de forma mais rápida e precisa terminou seu relatório.
— O noivo da herdeira é Uchiha Sasuke, o Vingatore italiano.
Por essa o lendário sannin não esperava. Deveria ter dado cabo do infeliz quando teve oportunidade, mas quando o bastardo do Uchiha resolveu sair da organização, acreditou que ele não sobreviveria muito tempo trabalhando nesse meio sozinho. Estava enganado, o subestimara e quando percebeu seu erro ele já estava fora do seu alcance de influência. Tornara-se um inimigo e uma forte concorrência, agora muito mais do que antes esse desgraçado precisava morrer.
Caminhava pelos empregados avaliando as reformas em andamento, não demonstrava, mas estava satisfeito com tudo, especialmente com o jardim recém plantado. Não sabia por que exatamente, porém a certeza de que ela gostava de flores foi tanta que inspecionou toda a área externa da casa umas três vezes pelo menos, para que nenhuma muda de flor estivesse fora do lugar.
— Sasuke-sama, Sasuke-sama!
A velha senhora Tomoyo vinha em sua direção com uma velocidade pouco aconselhável para uma pessoa da sua idade e principalmente do seu tamanho. Desapareceu do seu campo de visão e reapareceu de frente para a governanta da sua casa.
A pobre empregada derrapou sobre os pés e recuperou o fôlego antes de quase enfartar.
— Por Kami menino, não faça mais isso, assim você me mata de susto!
Todos os empregados pararam instantaneamente o que estavam fazendo, não era adequado um empregado se dirigir assim para o seu patrão, muito menos quando o patrão era um homem frio, dominador de armas, quase um senhor da morte.
Tomoyo deu um passo para trás, temendo as conseqüências do seu ato desmedido, não foi intencional, ela falaria as mesmas palavras para qualquer um da idade do seu patrão que lhe pregasse uma dessas, como uma mãe carinhosa que dá uma bronca sorrindo por dentro pela travessura.
Sasuke surpreendeu-se com as palavras, a última vez que ouvira algo meramente similar sua mãe o obrigara a limpar toda uma cozinha suja de farinha, a primeira tentativa dentre muitas outras de ajudar sua oka-san a cozinhar algo para o pai.
A lembrança lhe trouxe algo amargo e ao mesmo tempo doce, ignorou os sentimentos distintos e preferiu a indiferença sua fiel companheira de jornada.
— Vamos mulher, diga o que quer!
A senhora robusta hesitou diante da oportunidade de se ignorar um erro tão aparente.
O Vingatore entendeu a situação e teve vontade de girar os olhos, tentar ser um cara legal parecia não combinar mesmo com ele, as pessoas ficavam confusas. Fez um elegante gesto de mão, como se a convidasse a continuar.
— Sasuke-sama o seu banho para o casamento já está pronto, se demorar vai esfriar senhor.
— Hunf, isso tudo por um banho quente.
— Mas....o noivo não pode se atrasar para o próprio casamento.
Olhou a sua volta fitando seus empregados.
— Terminem com isso e estão dispensados, não quero ver ninguém até amanhã à tarde.
Desapareceu em uma nuvem de fumaça, estranhando a sensação de calor que sobre caiu no seu coração gelado.
Os olhos glaciais se encaravam mutuamente, ninguém pretendia ceder, as últimas horas tinham sido cansativas, da persuasão à ameaça, todas as cartas já estavam na mesa e o foco da conversa, se é que poderia ser chamada assim, não estava nem de longe resolvido.
— Hiashi, não é porque ela sua filha que deve ser tratada de forma diferente.
Pela milésima vez o líder tentava demover o conselho de um disparate sem tamanho.
— Hyoo, não é por ela ser minha filha, mas ela só tem dezesseis anos, não acha que é fora de propósito o que vocês estão pedindo.
— Ela é uma mulher, bonita até, terá que fazer o exame de virgindade, quer você queira ou não, não podemos arriscar toda uma tradição por causa de uma mulher como tantas outras.
Nesse momento a pose de líder foi esquecida, e o pai se revelou em um ataque de cólera.
— Minha filha não é uma mulher qualquer! Ela já esta passando por coisas demais, não vou obrigá-la a mais uma humilhação.
A voz pegajosa do ancião não possuía a mesma potência, mas destilava veneno e sarcasmo.
— Você quer falar de humilhação? Vamos falar então. Humilhação é um estrangeiro, traidor da pátria, assassino procurado estar de casamento marcado com a nossa futura líder, a única ainda em idade de perpetuar o sangue da família principal.
— Você sabe que é um casamento arranjado.
— Espere, ainda não acabei. De qualquer forma, isso de ser arranjado não importa, casamento é casamento e sujará a historia do clã Hyuuga para sempre.
— Não seja hipócrita Hyoo, você é velho, mas não é tolo. A união com o Uchiha é a única forma do clã sobreviver e sua última chance de se manter no poder, que como nós sabemos é o que realmente importa pra você.
O líder do conselho não se incomodou com a acusação, era a verdade, ele sabia, todos sabiam. A discussão deveria ser encerrada de forma definitiva.
— Mais humilhante que uma Hyuuga casar com um Uchiha é ela ser devolvida por um.
— Ah menina, você está tão linda, parece um sonho!
Hinata olhou para sua sansei e depois para sua imagem no espelho, estava irreconhecível, tocou com as pontas dos dedos a face mais pálida que o normal devido ao pó, os lábios pintados de carmim destacavam na máscara branca de olhos delineados pelo carvão negro.
A mulher refletida só não era uma completa estranha devido aos claros olhos opacos, tão incomuns quanto familiares.
— Já está na hora kurenai-sansei?
— Ainda não, seu noivo deve estar chegando agora, ele deve assinar o contrato de casamento primeiro e depois enviará um presente para você usar na cerimônia.
— Sasuke-sama não me parece um homem que dá presentes e nem que segue tradições.
— Não seja boba menina, presentear a noiva é mais velho que o tempo, o Uchiha não seria tão indelicado de não o fazer.
A jovem corou levemente lembrando que ele não era realmente indelicado, apesar de tudo, seu toque era macio e quente, tão quente que ela tinha certeza, mesmo ele sendo o seu primeiro o quão não convencionais eram suas caricias.
Parou no portal de entrada da casa principal e admirou por alguns segundos a bela decoração preparada para o casamento, tudo tão claro, tão branco, tão limpo, mostrava em cada detalhe o apego a perfeição e a simetria daquele clã rígido demais para possuir algo tão exótico e raro como ela.
Sentiu-se sujo, inadequado para aquele lugar, um lobo em meio as ovelhas.
— Sasuke-sama, o líder Hiashi e o conselho estão esperando o senhor.
O ônix recaiu sobre a figura gorducha e baixinha da velha Tomoyo, não sabia por que a trouxera e nem se a decisão tinha realmente partido dele, quando deu por si ela estava ao seu lado e por alguma razão apreciou a companhia, fingindo não notá-la caminhou a passos lentos até a propriedade Hyuuga.
— ...
Todo homem ficava nervoso antes do sim definitivo, seu patrão não era diferente. A mão roliça alisou a gola imaculada desnecessariamente.
— Vai dar tudo certo menino, você vai ver. Essa moça tem muita sorte, você está tão bonito.
Como as pessoas eram tolas, não enxergavam a verdade e não viam o futuro óbvio, que isso nunca daria certo.
Entrou no escritório e buscou a figura altiva do líder, sem nenhum interesse aparente perpassou os olhos sobre os velhos macabros que rodeavam seu futuro sogro.
— Sente-se Uchiha, chegou a hora de nós dois selarmos o nosso acordo.
— Não preciso me sentar, me passe os papéis, quero terminar logo com essa burocracia idiota.
— Veja Hiashi, eu te disse, essa é a escória que você está permitindo que entre na nossa família.
Sasuke apertou fortemente o cabo da sua katana embainhada na cintura e focou todos os seus pensamentos no que ele poderia perder, não ia deixar que um saco de ossos estragasse seus planos, não mesmo.
O rubro perscrutou o gelo, intimidando e mostrando do que ele era capaz.
— Eu vim buscar minha mulher, o resto não imposta e não saio deste lugar sem ela.
— A herdeira passará por uns exames, eu mesmo supervisionarei o procedimento e depois, e só depois os papéis serão assinados.
Em um abrir e fechar de pálpebras o vermelho se transformara em negro e sua atenção estava novamente voltada para o patriarca do clã. A indiferença lhe faltou por uma fração de segundo.
— Exames? Que tipo de exames? Ela está doente?
Lembrou-se da noite anterior, e da pele macia e sedosa da pequena Hyuuga, talvez ele fosse tão podre por dentro que de alguma forma seu toque a adoecera.
— Não, não é isso.
A voz sempre tão decidida do líder titubeava entre constrangida e contrariada.
— Uma junta médica e o líder do conselho irão fazer o exame para verificar se minha filha está apta e pura para o casamento.
Mesmo com sua inteligência e seu treinamento ninja para avaliar situações de forma rápida e precisa, não o ajudou em nada a achar a resposta de maneira eficaz. Quando dois segundos inteiros se passaram ele finalmente compreendeu o que eles queriam fazer.
— Hunf, não acho necessário.
— O conselho não se importa com o que você acha e sim o que deve ser feito. Chamem a menina, o escritório acoplado já está preparado para o exame.
Travou o maxilar de puro ódio, como ele queria arrancar com um único golpe o coração daquele infeliz, adoraria ver a dor estampada naquela carcaça cheia de rugas.
— Não se preocupe menina o exame é bem rápido, é tradição do nosso clã, você vai ver, quando der por si, ele já acabou.
— Mas...mas ninguém me falou disso, eu ...eu não sabia.
Era extremamente infantil ela estar abalada com um exame tão bobo, afinal coisa bem pior iria acontecer depois, mas a jovem sentia-se fragilizada, eram tantas coisas e mais uma para sua coleção não foi mais suportável, as lágrimas ameaçaram cair e borrar a bela maquiagem oriental.
— Eu sei que você consegue minha filha.
Olhou para Kurenai pedindo apoio e proteção e infelizmente a única coisa que recebeu foi um empurrão para entrar de uma vez no escritório do pai.
Não havia força desta vez no semblante delicado. A beleza estava lá, imutável. Ornada em um magnífico kimono de seda lilás, nem de longe o tom era misterioso e etéreo como seus olhos, mas de alguma maneira se completavam. O coque dos seus cabelos azulados estava mais elaborado, proporcionando uma visão mais ampla e privilegiada do pescoço alvo e esguio. Sua face maquiada não o agradou, estava bonita com certeza, mas sua pele de seda nua era muito mais convidativa ao toque do que o pó que a empalidecia.
Tentou caminhar pelo aposento, mas a coragem lhe faltou. Permaneceu parada junto a porta recém fechada e fez uma reverência graciosa para todos os presente.
Pela sua visão periférica o ninja viu a troca de olhares dos dois médicos que iriam fazer o tal exame. Uma única palavra lhe surgiu com aquele olhar, desejo.
Hyoo forçou sua voz pegajosa a um tom mais amável e estendeu a mão para Hinata.
— Venha senhorita Hyuuga, o exame será nessa sala ao lado.
Antes que a mão nodosa do conselheiro tocasse sua pele, o estrangeiro estava ao seu lado, tocando levemente seu ombro e restringindo seu movimento seguinte.
— Ora, ora Uchiha. Por acaso o noivo pretende estar presente no exame? Saiba que isso não é permitido.
O velho deu um passo em direção a pequena mulher, e o Vingatore ergueu o torço, endurecendo o semblante e a voz.
— Eu continuo achando que não é necessário. Eu acredito na pureza da minha noiva.
Sua voz acariciou a expressão “minha noiva” de uma forma tão zelosa que a Hyuuga não resistiu ao impulso de fitá-lo, a pele marfim contrastava com a roupa samurai negra, assim como os revoltos cabelos de ébano e os orbes ônix. Quase monocromático e ainda assim resplandecente com sua altivez e força saindo por todos os poros.
— O exame vai acontecer, quer você queira, quer não.
Mudou sua linha de ataque, para algo mais convincente.
— Senhor Hyuuga, tenho certeza que acredita na pureza da sua filha, nós podemos selar nosso acordo sem envolver esses vermes.
— Olha como você fala rapaz.
— Calado Hyoo, o que você sugere Uchiha?
— Eu assino o acordo e não importa o que aconteça eu honro a minha parte no trato.
— Hiashi, não se pode tratar sua filha diferente, ela merece ser tratada como qualquer outra.
— E será, o exame evita que o Uchiha a devolva, mas se ele me garante que cumpre o trato de qualquer forma, nós só precisamos da prova da virgindade após a noite de núpcias.
O leve tremular sob seus dedos lhe mostrou o tanto que ela estava apavorada em ser possuída por ele, talvez o seu ato possessivo tenha sido a sua pior escolha, não pretendia quebrar a promessa feita a ela, só precisava pensar em uma maneira de enganar esses velhotes tolos.
Hyoo estava enfurecido, mas assim como todos ali, ele sabia que o Uchiha era imprescindível para evitar o fim do grande clã Hyuuga.
— Tudo bem, se você quer entregar de bandeja a nossa herdeira e o futuro do nosso clã para esse homem, que assim seja feito. Zibo, traga o pergaminho.
Um senhor baixinho de cabelos extremamente brancos e ralos, desenrolou um pergaminho contendo símbolos japoneses sobre a mesa.
— Para que não haja truques e nem dúvidas sobre a honra de nossa herdeira, o sangue dela deverá marcar o papel selado com um jutso que identificara o sangue da primogênita nos lençóis após a consumação.
Seria mais fácil que roubar doce de criança. Esse velhote era um idiota.
— E não tente nos enganar senhorita Hyuuga, nos lençóis deverá haver o seu sangue, mas não um sangue qualquer o sangue próprio da consumação, este é um pergaminho especial elaborado por mim para desmascarar noivas espertinhas e nunca falha.
A jovem caminhou em direção ao punhal que um dos conselheiros lhe estendia e o segurou precariamente na mão direita, nunca manejara uma arma, e devido às circunstâncias parecia-lhe tolo hesitar em se cortar, mas era difícil machucar-se propositalmente.
Posicionou a ponta do punhal no dedo indicador e fechou os olhos por puro reflexo. Sentiu a dor, mas não o movimento e uma mão grande deslizando o seu dedo no papel. Antes de abrir os olhos ela já sabia que era ele, admirou o assassino concentrado na sua tarefa de marcar todos os símbolos com o sangue dela, o punhal estava cravado na mesa deixando danificada para sempre a mesa de reuniões do seu pai. De forma impressionante do pequeno corte saia muito sangue, essa era a arte dele, concluiu com pesar, fazer as pessoas sangrarem. A dor no dedo começou a ficar bastante incomoda, mas felizmente todos os símbolos já estavam rajados de vermelho, ao tentar retirar a mão do toque da estatua de cal, sentiu um leve aperto e os dedos longos brilharam azulados, assustada tentou com mais força retirar sua mão da dele e nesse exato momento seus olhos se encontraram.
O tom de promessa foi baixo, apenas para que ela lhe ouvisse.
— Eu já lhe disse. Não vou lhe machucar.
Por alguma razão desconhecida, Hinata teve certeza, que não era uma promessa apenas para ela, mas também para ele mesmo. E estranhamente acreditou.
Um calor abrasador queimou o seu dedo e depois não havia mais dor, nem marca, nem cicatriz, apenas a sensação inominável de ser tocada por ele.
Notas finais
Colocar outros personagens na historia foi um desafio pra mim, mas espero que tenham gostado.
Obrigada por lerem!
Bjin
Ja ne
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