Notas iniciais
Oi pessoal!!! Desculpa a demora, além da falta de tempo, tive uma crise de criatividade!! Mas espero que gostem do capítulo. Boa leitura a todos!!!

Ergueu levemente a ampla saia do vestido para subir os degraus da entrada do salão. Olhou para o estrangeiro ao seu lado uma última vez, como se para criar coragem para encarar tantas pessoas desconhecidas e deixou-se guiar pela mão máscula tocando possessivamente a base das suas costas.

– Uchiha, a que devo a honra? Não sabia que estava no país, que dirá na cidade.

O homem rechonchudo de meia idade falava de forma incisiva e ao mesmo tempo debochada, um inglês rápido que Hinata entendeu com dificuldade.

– Thompson, pensei que estivesse morto.

A herdeira não pôde deixar de admirar o inglês fluente do esposo.

– A morte ainda não bateu corretamente em minha porta.

Ao final da frase o homem gargalhou sonoramente chamando atenção de todos os convidados ao redor. O Vingatore rolou os olhos e amaldiçoou o seu azar, por colocá-lo cara a cara com uma criatura infeliz do seu passado.

– Vamos continuar aguardando ansiosos este momento.

Sasuke fez o movimento para dar as costas para figura redonda e rosada que ria da falsa piada escandalosamente.

– Uchiha, seja um homem educado e me apresente a bela dama que te acompanha.

O riso parou tão rápido quanto veio e a personalidade cômica tornou-se séria e imponente.

O assassino pesou suas opções e objetivos e infelizmente percebeu que a maldita festa era destinada única e exclusivamente para estreitar os laços entre compradores e vendedores. Destratar um general aposentado da guarda britânica não seria positivo para os negócios da família Hyuuga.

Sasuke virou para Hinata e declarou objetivamente.

– Thompson, essa é minha esposa Hinata Uchiha, herdeira do clã Hyuuga.

O velho general quase engasgou diante da informação, mas recuperou o tom brincalhão e deslizou sorrateiro os olhos pela beldade a sua frente.

– Você está de parabéns meu jovem, ela é uma beleza. Nunca vi uma oriental tão bonita.

Antes da má resposta sair pelos lábios italianos a jovem Hyuuga respondeu suave e corada, num inglês perfeito apesar do forte sotaque nipônico.

– Obrigada pelo elogio, senhor Thompson, é muito gentil.

– A bela ainda fala nossa língua. Deveria ter me avisado Uchiha, eu não seria tão impetuoso com o gracejo.

O Vingador não respondeu, admirou a mulher bonita e cheia de mistérios ao seu lado. O que mais ele iria descobrir sobre ela? O que mais ela escondia por baixo do corpo de ninfa e olhos de pérola?

Após o primeiro momento desagradável e de choque, a festa, felizmente, para Sasuke começou a correr razoavelmente bem. O casal circulou pelo salão e conversou com várias figuras importantes de inúmeros países. Fizeram excelentes contatos e praticamente fecharam alguns negócios.

O Vingador pensou que após mais uma hora de sofrimento o seu dever estaria cumprido e ele poderia finalmente sair daquele lugar infernal, onde todos os homens comiam a sua mulher com os olhos.

O capitão da guarda Uzumaki Naruto esquadrinhava o novo casal com atenção. Seus olhos azuis faiscavam raivosos ao analisar o famoso assassino perambular impune pela festa dada pela coroa britânica, a mesma que foi severamente prejudicada pelos atos da organização Uchiha. Naruto conhecia Sasuke desde o inicio da guerra e acreditou tolamente que havia esperança para o caçula da família Uchiha. Se enganou, é claro, e passou todos os anos seguintes tentando redimir o seu erro reunindo provas para incriminá-lo.

O capitão inglês estreitou os olhos no momento que visualizou a mão do Vingador se apertar fortemente sobre a cintura delgada da jovem que o acompanhava. Naruto quis rir diante do semblante assassino direcionado a todos os homens do salão que admiravam por um segundo a mais a moça de olhos prateados. Talvez não conseguisse incriminá-lo, mas com certeza daria uma lição no seu velho conhecido.

Hinata sentia-se mais e mais desconfortável com o passar dos minutos. Não estava acostumada a ser o centro das atenções, nem de receber tantos elogios, principalmente de pessoas desconhecidas. Enquanto Sasuke conversava com um sueco sobre importação e exportação, a jovem se permitiu apreciar a orquestra no fundo do salão.

O capitão Uzumaki admirou a pequena oriental se afastar distraidamente do Uchiha, chegara o momento.

A valsa vienense ressoava suave pelos ouvidos e inconscientemente a herdeira balançava levemente o seu corpo para frente e para trás, ao ritmo romântico de Chopin.

– Uma mulher como você deveria dançar com alguém e não sozinha.

A voz grave era aveludada e possuía o tom inconfundível da jovialidade e bom humor. A herdeira levantou os olhos para visualizar a face do grande homem a sua frente e paralisou diante do reconhecimento imediato.

O homem loiro era ainda mais bonito de perto. Quantas vezes a primogênita admirou o Capitão Uzumaki regendo a sua tropa no desfile da cavalaria britânica. O porte elegante e másculo, a pele bronzeada pelo sol, os cabelos rebeldes e os olhos azuis não eram nem de longe o real foco da sua atenção. O admirava simplesmente pelo prazer de vê-lo sorrir. Em um mar de homens sérios e rígidos como suas armas. O rosto do jovem capitão se destacava pelo ar travesso e hiperativo, deixando que os dentes brancos iluminassem a tez morena.

O rosto de porcelana tingiu-se de vermelho e os belos olhos prateados abriram-se em um misto de espanto e incredulidade. A figura frágil permanecia estática, apenas encarando o capitão britânico. Ela conhecia-o, isso estava mais claro que a pele alva que cobria os seus ombros desnudos. Naruto não a conhecia e tinha certeza disso. Uma mulher bonita como ela, apesar de jovem, jamais seria esquecida por ele.

Naruto deu um passo se aproximando mais da figura pequena e perguntou o que já sabia a resposta.

– Perdão, já nos conhecemos?

A oriental respirou profundamente como se tomasse fôlego e respondeu.

– Não.

– Claro, tem razão, eu não me esqueceria, se este fosse o caso. Mas, não sei, por um momento achei que você tivesse me reconhecido de algum lugar.

– Bem, eu na verdade...

Os olhos azuis pararam de fitar Hinata gentilmente e passaram a encarar de forma fria algo que estava atrás dela. Automaticamente a herdeira virou-se para mesma direção e deparou-se com o estrangeiro. Os orbes escuros mesclavam-se entre o negro e o rubro. A Hyuuga vacilou um passo para trás, se afastando da ira do marido e consequentemente se aproximando do capitão Uzumaki.

Foi como um soco no estomago ver a lavanda tremeluzir de pavor diante da sua presença. Mas o demônio em seu interior não se deixou comover e com os dentes trincados deixou as palavras saírem baixas e severas.

– Vamos embora Hinata, não temos mais nada para fazermos aqui.

A reação do Uchiha comprovava que o alvo escolhido pelo jovem capitão tinha sido certeiro. Riu abertamente voltando ao seu ar bem humorado e gentil.

– Uchiha, que sorte encontrá-lo aqui no Japão depois de tanto tempo.

– Realmente muita sorte.

Respondeu ironicamente, passando o braço por sobre os ombros da esposa.

– Estava conversando com essa bela mulher e até agora não nos apresentamos. Ela é a sua acompanhante?

A pergunta vinha carregada de segundas intenções. Se Hinata fosse a sua acompanhante o Uzumaki deixava claro que futuramente iria também ter o prazer de sua companhia. Estreitou o braço sobre o corpo da sua mulher e visualizou o loiro sorridente perdendo parte da sua anatomia masculina.

– Esta é Hinata Uchiha, minha esposa.

Sasuke direcionou o olhar para pequena Hyuuga completando a apresentação formal que a etiqueta exigia.

– Hinata, este é o...

– Naruto Uzumaki.

O nome escapou dos lábios femininos antes que o marido o pronunciasse. E neste momento a jovem percebeu que tinha cometido um erro. Naruto sorriu amplamente diante da cena e Sasuke respirou fundo tentando aplacar impulsos assassinos em ralação ao loiro idiota.

– Pensei que não se conheciam.

– É verdade, não... nos ... conhecemos.

Tentava não gaguejar diante do olhar negro e inquisidor que o italiano lhe lançava.

– Não é o que parece.

A resposta saíra contrita pela mandíbula cerrada. E então ele percebeu. Estava fazendo papel de idiota diante do Uzumaki, este mantinha em seus lábios o sorriso cínico de um expectador maravilhado. Como agente de elite que era enterrou todas as suas emoções, suavizando a expressão e o olhar.

– Bem, isso não importa Hina. Como vê eu já conheço o soldado Uzumaki há muito tempo.

– Capitão, agora eu sou capitão da cavalaria.

O Vingador fingiu espanto e admiração, apesar de saber do novo posto do rival há bastante tempo.

– Parabéns pela conquista.

O britânico decidiu testar os limites do oponente.

– Obrigado, vamos comemorar! Existe uma casa de diversão noturna próxima da embaixada.

– Não obrigado, vou levar minha esposa embora.

O azul deslizou por cada curva da Hyuuga propositalmente, para desafiar o Uchiha e sua diplomacia fingida, porém realmente apreciou a beleza delicada e o ar dócil que emanava da jovem mulher. Era uma brutalidade uma bonequinha ser casada com um assassino feito o Uchiha.

– Entendo, se possuísse uma mulher como a sua não sairia de casa.

O capitão curvou-se segurando a mão pequenina e macia entre as suas, apreciou o aroma adocicado por um instante antes de beijar o dorso da mão e piscar sedutoramente para a dona dos olhos prateados.

Ergueu-se novamente, já de costas para partir olhou por sobre o ombro, fitou apenas o lago prateado e segredou marotamente.

– Provavelmente nem sairia do quarto.

Hinata ouviu a última sentença em choque, suas bochechas estavam quentes e tinha certeza de estar tão vermelha quanto os olhos que a fitavam. Baixou a face tentando inutilmente esconder o rubor e as suas reações delatoras.

No passado Sasuke não hesitaria em destruir metade do salão para uma pequena desforra com o Uzumaki. Mas havia algo muito mais complexo nessa nova disputa entre o italiano e o inglês. Se antes a única coisa que ele podia perder era a vida, agora ele tinha a impressão que havia algo mais imprescindível a se perder do que o simples ato de respirar.

Ergueu a face de porcelana com a ponta dos dedos, apreciando a maciez e o calor que emanavam da pele rosada. Sem que pudesse se preparar foi arrebatado pela vontade avassaladora de possuí-la naquele momento, conteve o desejo mordendo os próprios lábios e ameaçando-a roucamente.

– Vamos pra casa, para que eu possa te lembrar a quem você pertence.

Um tremor repentino percorreu o corpo miúdo. E ela não soube dizer se pela ameaça ou pela promessa velada.

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O casal aguardava na entrada da embaixada a chegada da carruagem para levá-los embora daquela festa desastrosa. A noite fria de Tóquio fazia com que Hinata se encolhesse e abraçasse a si própria, enquanto Sasuke andava de um lado a outro do jardim praguejando a demora do cocheiro.

Não entendia as suas próprias reações, estava se apegando demais a pequena Hyuuga. Essa possessividade não estava nos planos, também nunca imaginou que outros homens olhariam a sua esposa daquela forma, ela era tão jovem, tão inocente, o que eles tinham na cabeça? Ao admirá-la do outro lado do jardim, com os belos cabelos negros balançando sob a brisa fria, a resposta veio. Era impossível para qualquer um resistir a ela, porque todo homem assim como ele era sujo e pecador, e a jovem Hyuuga era a personificação de uma divindade na terra, deixando alcançável a redenção e o perdão tantas vezes negado.

Mas ela não era alcançável para qualquer um. Ela era dele, o mais pecador de todos os homens. Não era amor esse sentimento que borbulhava no seu interior. Era algo primitivo e animal. O sentimento genuíno de posse e nada mais.

A carruagem parou em frente à primogênita e o estrangeiro começou a caminhar em direção a esposa. Antes que o serviçal soltasse a portinhola da entrada do coche, uma figura de capa negra saiu da carruagem e encarou deliciado a filha da sua querida Keiko.

A figura ofídica retirou o capuz negro de sobre os olhos e sorriu sinistramente confessando com a sua voz arrastada.

– Doce Hinata! Que prazer revê-la após tantos anos. Lembro-me de você ainda uma menininha e agora é uma mulher...

Ergueu a mão em direção à face pequenina e pálida. Estreitando os olhos ao súbito movimento de afastamento da moça.

– ... Uma bela mulher com certeza! Estou sendo tão indelicado, talvez não se lembre de mim. Eu era um antigo amigo da família Hyuuga, sou Orochimaru, mas todos de Konoha me chamam de Sannin das Cobras.

A jovem abriu e fechou a boca algumas vezes, porém em nenhum momento emitiu som. Estava aterrorizada com a presença do homem que exterminou clãs inteiros em apenas uma noite. O mesmo homem que fuzilou seus homens insubordinados em plena praça pública. O líder de uma organização mundialmente famosa que tentava à cinco anos destruir o clã Hyuuga e seus negócios.

Antes de mais algum movimento ou palavra, o Vingador puxou sua esposa pela cintura, afastando-a da cobra e aproximando-a da sua proteção.

Os olhos ofídicos de Orochimaru tornaram-se risonhos. E suas palavras enjoativamente doces.

– Ora, se não é o meu pupilo Sasuke que vejo diante de mim.

– Pupilo é uma palavra muito forte, que tal comparsa, ou melhor, ex-comparsa.

– Está vendo minha querida Hinata? Ele pode ser bem ingrato quando quer.

Hinata acompanhou os olhos de cobra se estreitarem como fendas ao perceberem a pequena mancha avermelhada que permanecia no seu ombro devido a mordida de Sasuke antes do baile. Mas antes de articular uma resposta, Orochimaru continuou com um falso ar de pesar.

– Parece que você já conheceu o seu lado sádico. E sinto em informar minha pequena Hinata, que você ainda não viu nada. Seu marido é um homem... temperamental, eu suponho.

– Não ouse falar com a minha mulher.

– Que insulto! Conheço a família Hyuuga há muito tempo. Mas vejo que infelizmente o clã perdeu seus altos padrões. Afinal, deixar a primogênita da família ser desposada por um assassino contratado, traidor do própria pátria, sem falar na linhagem amaldiçoada.

Sasuke cerrou os punhos e relanceou todos os grandes lordes ingleses na saída da embaixada. Não poderia matá-lo agora. Colocaria tudo a perder. E perder não era uma opção. Respirou profundamente e sentenciou de forma baixa e cortante.

– Os homens que você me mandou na outra noite, foram um belo presente de lua-de-mel. Eles esquentaram as coisas.

O Vingatore deslizou os dedos pela marca que ele deixara na base do pescoço feminino. Fechando os olhos negros com um suave sorriso de lado, ao abri-los estavam vermelhos como sangue. Porém a expressão e a voz mantiveram-se frias e desinteressadas.

– Todos os outros que você me mandar de presente terão o mesmo destino, mas não se preocupe Orochimaru, você logo, logo se juntará a eles. Veja Hina a nossa carruagem finalmente chegou.

Hinata respirou aliviada quando começou a entrar na carruagem, no entanto antes da porta se fechar, a voz enjoativa do velho Sannin lhe acertou como uma adaga.

– Eu não duvido da sua ameaça Uchiha. Você é bom em destruir e matar tudo que toca. Me pergunto até quando você irá participar desse teatrinho, antes de destruí-la. Quanto tempo, o grande Vingador, vai conseguir permanecer preso a uma menina?

A porta se fechou com um baque, na parca luminosidade do veículo, tendo as profundezas vermelhas quase lhe queimando a alma, Hinata sentiu uma verdade ser soprada na sua mente. Eles teriam pouco tempo. Não sabia se esse pensamento era bom ou ruim. Não sabia como ficaria quando ele a deixasse. Morta? Bem? Destruída? Não havia nenhuma certeza, a liberdade de escolha não parecia mais tão atraente.

Virou a face para a janela, não aguentando a intensidade dos olhos rubros sobre si.

Vê-la em sua fragilidade silenciosa o corroeu. O Uchiha sentia raiva, e até vergonha, pelas palavras do Sannin. Eram todas verdades, e essa verdades não podiam ser apagadas, nem perdoadas, por mais que ele acreditasse que Ela podia realizar esse milagre.

Segurou os ombros miúdos com a mão, inclinando o próprio corpo sobre a maciez morna. Quando os lábios masculinos tocaram o ouvido sensível, a respiração ficou suspensa por quase um minuto.

– Não vou te matá-la. E essa é a única coisa que posso te garantir.

Hinata virou seu corpo e encarou a figura imponente a sua frente. Tão forte, tão audacioso. Ele era quase um homem bom. Doía-lhe saber que não o era. Ele também não era para ela. Pertencia a uma mulher decidida e forte. Uma mulher bonita e sensual. Mas ter certeza disso e saber que o perderia, a fez querê-lo mais.

Em um impulso de coragem, as mãos pequeninas prenderam-se nas lapelas da casaca, e a voz de guizos tilintou decidida.

– Essa garantia me basta.

Quando os lábios do marido tocaram deliciosamente a sua boca, o sentimento de ter contado uma mentira ficou embotado pelas sensações que as mãos calejadas proporcionavam ao seu corpo.



Notas finais
Obrigada por lerem, muito obrigada a todos os leitores que deixaram reviews. Me desculpem de coração pela demora. Peço reviews, se não for pedir muito. Bjos Ja ne