Apagando o Passado
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Deixou cair os olhos negros sobre a figura feminina adormecida nos seus braços. Enrolada em sua grande casaca e encolhida sobre o seu colo ela parecia ainda mais nova do que seus poucos dezesseis anos.
O Vingador suspirou frustrado. Era a primeira vez que via sua jovem esposa como a criança que realmente era. Parecia uma menina adormecida no colo do pai após uma longa festa de adultos.
Hinata remexeu-se no seu sono tranquilo e Sasuke pôde vislumbrar a pele nua sendo revelada pela casaca negra. Riu amargo diante da realidade monstruosa. Ela poderia ter a aparência e a inocência de uma criança, mas os sentimentos dele para com ela, e tudo que lhe impunha, estavam longe de serem fraternais.
O italiano tombou a cabeça para trás, apoiando-a no encosto da carruagem fechada. Cerrou os olhos tentando adormecer no balançar ritmado imposto pelo cocheiro, mas como um insaciável doentio seus pensamentos se aqueceram com a imagem dela. Uma lembrança deliciosa de algumas horas atrás.
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As mãos pequeninas prenderam-se nas lapelas da casaca masculina, e a voz de guizos tilintou decidida.
– Essa garantia me basta.
O assassino sabia que não bastava, mas não tinha mais nada a oferecer. E no vão dessa verdade opressora beijou-lhe os lábios, para que não houvesse espaço para mais mentiras.
Analisou o destemor fugaz abrilhantando a face delicada após o fim do beijo. A pequena Hyuuga parecia-lhe surpresa com a própria ousadia. Sasuke estava deliciado, sabia que ela era corajosa, mas apreciava ver essa bravura borbulhar para superfície.
– Já avisei ao cocheiro que vamos para casa. Não acho mais seguro permanecermos em Tóquio.
– A viagem demora quase duas horas.
Sasuke agarrou a cintura fina com ambas as mãos, erguendo-a e encaixando-a sobre o seu colo, com uma perna de cada lado do seu corpo. Hinata soltou um gritinho de espanto e encarou corada um Vingador de ar zombeteiro.
– Está com pressa para chegar em casa esposa?
A voz grossa era sugestiva e o sorriso ladino. As maças coradas tingiram-se de vermelho vivo e a voz feminina tropeçou nas palavras.
– Não!...quer dizer...acho que vou estar dormindo quando chegarmos em casa. E...E você disse...
O italiano interrompeu as palavras vacilantes forçando os quadris bem desenhados sobre o seu colo. O gemido suave lhe fisgou a virilha e sem o seu comando as mãos adentraram por baixo das várias camadas de vestido volumoso.
– Que te lembraria a quem você pertence quando chegássemos em casa.
O tom de voz tornou-se frio pelo ódio reavivado, mas a face pequenina antes rosada, empalideceu. Imediatamente se arrependeu e tentou suavizar o semblante e o tom.
– Decidi que não vou mais esperar à chegada ao nosso quarto.
Os olhos de lavanda miravam as próprias mãos sobre o colo. Porém as palavras do estrangeiro lhe fizeram fitá-lo.
– Não?
– Não.
– Mas, como...?
Hinata olhou a sua volta e para onde estavam, e como estavam. Sasuke a admirou arrogante, com os olhos negros faiscando em tons de vermelho.
– Você vai gostar. É como cavalgar. Já cavalgou Hinata?
Enquanto falava suas mãos rasgaram de forma quase suave a peça intima da esposa.
A mulher enrubesceu com o contato e por alguns segundos ele acreditou que ela não responderia, mas a jovem inspirou o ar profundamente e ao soltá-lo soprou a resposta.
– Já, eu tinha um potro quando era mais nova.
As mãos calejadas tocaram com habilidade o ponto sensível e o corpo miúdo vibrou antes de tencionar. Mãos trêmulas se agarraram aos ombros largos, como se temesse cair em meio ao prazer.
– Ótimo, é a mesma coisa. A diferença é que eu não sou um potro. Algo mais arisco talvez.
Beijou os lábios carnudos de forma sedenta enquanto os seus dedos a estimulavam contrariamente devagar. Os gemidos vieram, como música para os seus ouvidos. E ele apreciou cada nota enquanto a mão livre libertava a masculinidade ereta.
Largou os lábios vermelhos em busca de ar e desceu os dentes levemente pela garganta exposta. O cheiro e o sabor adocicado estavam enlouquecendo os seus sentidos aguçados. Não poderia esperar mais, precisava estar dentro dela.
Livrou uma das mãos do mar de tecido flutuante e agarrou-se a face rosada. Ao menor toque a lavanda o admirou profundamente. Os olhos de pérola estavam obscurecidos de desejo, alagados em sentimentos. Se acreditasse merecedor, quase podia cogitar sendo amado por ela.
– Sasuke.
A voz cristalina chamou o nome como uma súplica, enquanto o quadril feminino movimentava involuntariamente sobre a rigidez dolorida. O assassino trincou os dentes para não urrar de prazer e dor. Mas permaneceu brincando com todo o calor e umidade que a bela lhe oferecia.
– Diga Hina, o que você quer?
A jovem ergueu o corpo apenas o suficiente para selar os seus lábios e aferrar-se com mais fervor aos rebeldes cabelos negros.
Sasuke apreciou a doçura dos lábios carnudos poucos segundos antes de afastá-la alguns centímetros da sua boca. Lavanda e Rubi transbordavam de algo deliciosamente lascivo e doce. A mão calejada deslizou possessivamente até a cintura fina e os dedos atrevidos passaram a pairar sobre o ponto sensível.
–Eu quero que me fale. O que você quer Hina?
A resposta veio em um estalo, suave e arrebatadora.
– Você!
Não era o que ele esperava escutar. Esperava ouvir algo sórdido e vulgar. Mas ao ouvir tamanha heresia forçou o corpo pequeno contra o seu. Duro e certeiro, sentiu-se completamente dentro dela com um único movimento. Tão apertada, tão quente que beirava o seu limite para o orgasmo. Se manteve parado, tentando recuperar o alto controle, quando acreditou ser capaz sussurrou quase constrangido.
– Desculpe, não queria te machucar.
– Não, não me machucou. Eu só, ...só não sei o que fazer agora.
A travessura dominou os traços másculos enquanto se ajeitava melhor embaixo do corpo pequeno.
– Faça o que quiser, só me leve com você.
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Um forte solavanco da carruagem fez a memória dissipar instantaneamente. O Uchiha respirava com dificuldade. Sua ereção pulsava dolorosa desejando novamente mergulhar no calor da esposa. O que estava acontecendo com ele? Não possuía mais controle sobre a sua mente, sobre o próprio corpo.
Chegara a hora de se perguntar o que ele esperava disso tudo. O que aconteceria se ele se deixasse levar? Tragédia, tragédia com certeza. Não era mais tolo para acreditar que poderia ter um final feliz. Há muito tempo já aceitara o seu destino de homem amaldiçoado, nascido de um clã que vendera a própria humanidade para algo bestial e faminto. Magia antiga, ligada a inúmeros jutsus proibidos.
Os Uchihas possuíam força, olfato, visão e habilidades de uma fera. Mas para Sasuke ele sempre seria um monstro, o último maldito monstro. E sendo o último, morria sozinho e levava para cova toda essa desgraçada existência.
– Sasuke.
A voz feminina chamou dentro do sonho, cortando a linha obscura de raciocínio e memória.
Os olhos negros buscaram quase irracionalmente alguma falha na criatura alva, doce e exótica adormecida sobre si, pois talvez ele pudesse merecer algo defeituoso e quebrado. Mas não haviam rachaduras, só havia ela, perfeita, e suas pequenas mãos agarradas a ele. E por alguma razão ele sabia, que nem toda sua força conseguiria mantê-la assim por muito tempo.
Não! Não dessa vez! Não importava o que ele merecia e sim o que ele queria. E ele a queria tanto. Era um pecado querê-la, uma blasfêmia possuí-la. E contra todas as probabilidades, o desgraçado Sasuke Uchiha recebera a pequena preciosidade nas mãos.
Apertou a esposa contra si, como um amuleto, uma relíquia fadada a ser perdida pelo dono.
– Não!
A voz grossa rebelou-se contra o próprio destino.
A parada suave da carruagem, indicou a chegada em casa. O próprio cocheiro abriu a portinhola com uma mesura elegante, já que a noite corria avançada e todos os empregados se encontravam dormindo.
O Vingador atravessou o jardim e o hall de entrada da casa com a Hyuuga adormecida em seus braços. Depositou a pequena sobre os lençóis e apreciou o prazer de lhe retirar a casaca sobre corpo. Algo morno e desconhecido preencheu o seu peito quando inspirou o aroma de baunilha e jasmim dos seus cabelos, mas a sensação durou apenas um abrir e fechar de olhos.
Um punhal prateado cravado na cabeceira da cama transformou as esferas negras em poças de sangue. O cabo em forma de serpente denunciava o remetente. A letra elegante presa ao metal carregava a ameaça explícita:
Caro Uchiha,
Aproveite a flor enquanto pode.
Pois logo irei colhê-la de você.
Do seu eterno Sensei
Orochimaru.
Uma nova sensação preencheu seu corpo, e essa era extremamente conhecida. A fúria fluiu dentro de suas veias como raio e seus punhos cerraram-se de forma raivosa. Não adiantava tentar fugir da sua verdadeira natureza. Ele não nascera para ter uma vida pacífica, era um assassino e como tal faria o que sabia fazer de melhor.
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Os olhos azuis analisaram a própria mão, tentava relembrar a maciez de outra mão sobre a sua, inspirou entre os dedos e quase pôde sentir o aroma adocicado de flores e baunilha.
– Ela é boa demais para o Uchiha.
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