Iria fazer três anos que eu estou no colégio, já fazia quase três anos que eu namoro Jake, em todo esse tempo eu apendi muita coisa e eu também virei simplesmente virei uma bêbada infeliz com um namorado gostoso.

Não sei o que aconteceu com Lara, ela era uma garota extrovertida, animada, mais agora não passava de uma garota tímida, ao contrário de mim, eu simplesmente me transformei, eu passei de uma garota tola inocente para uma garota esperta e nem um pouco inocente, mais quer saber uma coisa em mim não mudou, eu sempre fui e vou continuar sendo uma garota profundamente infeliz. Acho que era por isso que eu amava ultimas palavras, toda noite eu pensava em como seria minhas ultimas palavras.

Eu estava pensando em isso tudo até que bateram em minha porta, eu sabia que era Coronel então gritei:

–Entra logo, baixinho, porque tenho uma história das boas para contar.

Então o Coronel entrou e percebi que havia um garoto magro junto a ele, o garoto estava virado, ele estava fechando a porta, mais o coronel o interrompeu dizendo:

–Depois das sete temos de deixar a porta aberta se estivermos no quarto de uma garota.

Não sei quem era ele mais por algum motivo me senti nervosa, então assim comecei a falar novamente, mais dessa vez mais rápido:

–Certo. Primeiro dia de férias, eu estou lá na boa e velha cidade de Vine Station, na companhia de um garoto chamado Justin. Estamos sentados no sofá da casa dele, vendo tevê, olha que eu namoro o Jake , ou melhor, ainda namoro, milagrosamente, mas o Justin é meu amigo desde criança. Estávamos vendo tevê e conversando sobre o vestibular ou algo assim, e senti que ele estava passando o braço por cima dos meus ombros. Pensei: Ah, não tem importância, somos amigos há tanto tempo. Isso é absolutamente aceitável. Continuamos conversando. Eu estava no meio de uma frase sobre analogias, eu acho, e ele baixou a mão com uma águia e deu uma buzinada no meu peito. FON-FON. Uma buzinada forte que durou uns dois ou três segundos. FON-FON. Na hora, pensei: Certo, como faço para tirar essas garras de cima do meu peito antes que deixem hematomas? Depois: Santo Deus! Mal posso esperar para contar para o Takumi e o Coronel.

Usei aquilo como uma piada mesmo falando a verdade então Coronel começou a rir sem parar, por outro lado o garoto estava quieto, praticamente sem ação, e isso me deixou muito irritada então acabei dizendo:

–Quem é esse cara que não esta rindo da minha história engraçada?

–Ah, certo. Alasca, esse é o Gordo. Ele coleciona últimas palavras. Gordo, essa é a Alasca. Buzinaram o peito dela nas férias.

Fui até ele com a mão estendida e de repente puxei o seu calção. Não aguentei e tive que comentar:

–Esse é o maior calção do estado do Alabama!

–Gosto de andar assim, folgado.

Um tempinho depois Coronel se intrometeu dizendo:

– Desde que nos conhecemos, Gordo, já vi suas pernas de galinha muito mais vezes do que gostaria Alasca, não quer nos vender uns cigarros?

Eles me pagaram cinco dólares e depois coronel veio logo perguntando:

–Vamos lá fumar com a gente?

–Preciso achar o Takumi para contar sobre a Buzinada. Viu o Takumi por aí?

Ele fez que não com a cabeça.

–Certo. Então nos encontramos no lago daqui a pouco.

Coronel fez que sim com a cabeça e saiu.

Sai procurando Takumi pelos corredores, então sem sucesso fui procurar o Coronel e o Gordo.

Corri então observei só o Gordo se levantando do balanço provavelmente para ir devolta para o quarto então vi a hora perfeita para fazer uma pergunta a ele:

–É verdade que você coleciona últimas palavras?

–É, sim, quer fazer um teste?

–JFK.

–Mas isso é óbvio.

–É?

–Não. Essas foram suas últimas palavras. Alguém disse: ‘Sr. Presidente, Dallas ama o senhor’, e ele: ‘Mas isso é óbvio’, e tomou um tiro.

Dei um sorriso.

–Credo, que horror! Eu não devia estar rindo. Mas vou rir, mesmo assim. Então está bem, Sr. Garoto-das-Últimas-Palavras, tenho uma para você.

Tirei um livro de dentro de minha mochila e disse:

–Gabriel García Márquez. O general no seu labirinto. É um dos meu prediletos. É sobre Simón Bolívar. É um romance histórico, então não sei se é verdade, mas no livro, sabe quais foram as últimas palavras dele? Não, não sabe. Pois, então vou lhe dizer, Señor Últimas-Palabras.

Acendi um cigarro e dei uma tragada profunda, soltei a fumaça e comecei a ler:

–’Ele’ ‘estremeceu diante da revelação de que a corrida arrojada entre seus maltes e seus sonhos estava chegando ao fim. O resto eram trevas. ‘Droga’, ele suspirou. ‘Como sairei deste labirinto?’

Ele olhou para mim com cara de confuso e disse:

–O que é o labirinto?

Cheguei mais próximo a ele a ponto de dar para ouvir e sentir minha respiração e disse:

–Esse é o mistério, não é? O labirinto é a vida ou a morte? Do que ele está tentando escapar do mundo ou do fim do mundo?

–Hm, não sei, você realmente leu todos aqueles livros em seu quarto?

Dei uma risada.

–Não, claro que não! Talvez tenha lido um terço daquilo. Mas vou ler todos. Eu os chamo de a Biblioteca da Minha Vida. Desde pequena, percorro as vendas de garagem em busca de livros que pareçam interessantes. Então sempre estou lendo algum livro. Mas há tanta coisa para fazer: tantos cigarros para fumar, tanto sexo para fazer, tantos balanços para balançar. Terei mais tempo para os livros quando ficar velha e chata.

Comecei a contar para ele como eu conheci o Coronel, também expliquei que o Coronel era inteligente, e não tinha vivido muito antes de chegar aqui para o colégio, e finalmente completei dizendo:

–Mas resolvi esse problema rapidinho. Em novembro, eu já tinha arranjado uma namorada para ele, sua primeira namorada, uma garota bem legal que não tinha nada a ver com os Guerreiros de Dia de Semana. Chamava-se Janice. Um mês depois, ele terminou o namoro porque ela era rica demais para sua origem pobre. Que seja. Naquele ano, fizemos nosso primeiro trote – cobrimos o chão da Sala 4 com uma camada bem fina de bolas de gude. Mas, desde então, evoluímos, é claro. Você é inteligente como o Coronel, só que mais calado. E mais bonitinho, mas não me ouviu dizer isso, porque gosto do meu namorado.

–É, você também não é feia, mas não me ouviu dizer isso, porque gosto da minha namorada. Ah, não. Espere. Não tenho namorada.

–Certo. Não se preocupe, Gordo. Se tem uma coisa que posso arranjar para você é namorada. Vamos fazer um acordo: você descobre o que é o labirinto e como fazer para sair dele, e eu lhe arranjo uma transa.

–Fechado!

Demos as mãos e selamos o acordo.

Depois Gordo me acompanhou até meu quarto. Quando estávamos no corredor o perguntei:

–Quando você está caminhando assim, de noite, às vezes não bate um medo de uma vontade de voltar correndo para casa por mais bobo e embaraçoso que isso seja?

–Bate sim.

Então fiquei quieta, mais depois peguei o braço dele e corri dizendo:

–Corre! Corre! Corre! Corre! Corre!

Quando cheguei à porta do meu quarto paramos, então começamos a rir, como era tarde me despedi do Gordo e entrei em meu quarto. Saltei na cama e acabei dormindo pensando naquelas ultimas palavras que acabara de ouvir.