Aos olhos de Alasca
7 Acorda Gordinho!
i já eram nove horas já tinha me atrasado para ir comer bufrito então decidi ficar o dia todo no quarto. Fiquei com saudade de Jack então decidi ir até o orelhão no qual costumo sempre ligar para falar com ele. Então apenas vesti um short e uma blusa amarela e fui até o orelhão. Quando finalmente cheguei liguei para Jack quando ele atendeu eu disse:
–Oi, Jack.
–Fala Alasca!
–Tudo bem?
–Claro e ai?
–Sim, mais dá pra acreditar que um garoto não riu de minha piada?
–Claro que não, você não bateu no garoto não né?
–Não, só abaixei o calção dele.
–Nossa.
–Mais Jack quando você vem me visitar?
–Não sei Alasca, talvez em algum feriado.
–Bom Jack acho que vou desligar vou fumar enquanto vejo há algum filme.
–Você vai acabar morrendo de tanto fumar.
–Essa é minha vontade.
–Nossa! Bom Alasca também tenho que desligar. Tenho aula agora.
–Tchau.
–Tchau.
Desliguei o telefone e então me encaminhei para meu quarto, sentei no sofá e então peguei um maço de cigarros e liguei a tevê e acabei aos poucos adormecendo.
Acordei com alguém batendo em minha porta, olhei as horas já eram uma e vinte da manhã. Fui até a porta então abri. Era o Gordo ele estava todo molhado então fui logo dizendo:
–Pois não?
Ele não respondeu nem uma palavra, apenas entrou todo molhado e sujo de areia então dei um sorriso malicioso e disse:
–Foi nadar, foi?
Novamente ele não me respondeu então fiquei furiosa e disse:
–Ah, me poupe! Quer saber? Tem gente com problemas de verdade. Eu tenho problemas de verdade. A mamãe não está aqui, então deixa de ser chorão.
Então ele saiu sem dizer nem uma única palavra, então fechei a porta e fui me deitar. Antes de me perder no sono fiquei pensando como Miles era um filhinho de mamãe.
Acordei ainda era de manhã troquei de roupa e fui até o pátio para tomar café da manhã, quando alguém chegou e sentou ao meu lado.
–Oi, Alasca.
–Fala Takumi.
–Porque você foi tão grosseira com o Gordo?
–Já o conheceu?
–Já.
–Bem, ele é um bebê chorão, ontem a noite eu estava dormindo quando ele bateu na minha porta, eu abri e ele ficou lá só tremendo, quase chorando, com certeza foi jogado na água como todos nós fomos, então ele ficou lá sem dizer nada quase chorando. Ele é um bebê chorão isso sim, a mamãezinha dele não está aqui para defendê-lo deve ser por isso.
–Ele tem motivos Alasca, acho que eles estavam irritados com o Coronel, então jogaram o Gordo na água imóvel, passaram fita crepe para que ele não conseguisse nadar.
–Nossa! Isso é horrível, coitado do Gordo nunca pensei em uma coisa dessas.
–Ele está triste com você.
–Eu também ficaria no lugar dele.
–Bom Alasca tenho que ir encontrar com eles, até mais.
– Até.
Depois que Takumi saiu voltei a tomar Café, fiquei triste em ter sido tão dura com o Gordo, mais já passou.
Depois de um tempo me encaminhei até a sala de aula, depois de me sentar um velho entrou pela porta e começou a dizer:
–Meu nome, é Sr. Hyde. Tenho um prenome, é claro. Mas, para vocês, é ‘Senhor’. Seus pais pagam muito caro para que estudem aqui, e espero que retribuam esse investimento lendo o que eu mandar ler, quando eu mandar ler, e comparecendo regularmente às minhas aulas. Enquanto estiverem em sala, terão de me ouvir. Este ano, vamos estudar três religiões: o islamismo, o cristianismo e o budismo. E, ano que vem, mais três. Nas minhas aulas, vou falar a maior parte do tempo e vocês vão ouvir. Vocês podem ser espertos, mas eu sou esperto há mais tempo. Estou certo de que muitos não gostam de aulas conferenciais, mas, como vocês provavelmente já devem ter percebido, não sou mais tão jovem. Adoraria gastar o que me resta de fôlego conversando com vocês sobre os aspectos mais interessantes da história do islã, mas nosso tempo é curto. Preciso falar e vocês precisam ouvir, porque estamos lidando com a coisa mais importante de todas: a procura de um sentido. O que significa ser uma pessoa? Qual é a melhor maneira de ser uma pessoa? Como passamos a existir e o que será de nós quando deixarmos de existir? Em suma: quais são as regras deste jogo e qual é a melhor maneira de jogá-lo?
Fiquei desenhando no final do meu caderno margaridas, eu odiava aquela aula e principalmente odiava aquele professor velho e tosco. Depois que a aula terminou voltei para meu quarto e fui ver um pouco de teve. Uma hora depois decidi ir visitar o Gordo. Encaminhei-me para seu quarto então o encontrei dormindo abraçado a um livro de religião então gritei:
–ACORDA, MEU GORDIIIIIIIIIIIINHO!- Percebi que ele se assustou com meu grito pelo simples gesto de apertar o livro contra seu peito.
–Isso foi horrível, o que preciso fazer para garantir que isso não se repita?
–Não há nada que possa fazer! Sou imprevisível. Credo, você não odeia o Sr. Hyde? Ele é tão arrogante.
Ele se sentou na cama e disse:
–Acho que ele é um gênio.
Sentei-me ao seu lado na cama.
–Sempre dorme de roupa?
–Durmo. – Então porque estava quase sem ontem, pensei.
–Engraçado, ontem à noite você estava com menos roupa.
Ele olhou para mim com uma cara de furioso.
–Sai dessa, Gordo! É brincadeira. Você precisa ser durão aqui. Eu não sabia que tinha sido tão difícil, sinto muito, eles ainda vão se arrepender mas você tem de ser durão.
Levantei-me abri a porta e sai.
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