Aon
4 O castelo dos oito reinos
Notas iniciais
Era noite enquanto Paloma, Sadi e o outro rapaz caminhavam por dentro da floresta, A garota se sentia desconfortável na presença do homem que a salvou, algo nele fazia seu coração palpitar. Sadi os fez parar e decidiu que seria melhor descansarem por ali, Paloma desceu de sua montaria retirou a cela e as bolsas que o animal carregava.
Paloma – Sadi, pode me ajudar a montar a barraca?
Sadi – Espera eu voltar, primeiro vou fazer uma busca aos arredores para ver se não há ninguém aqui.
Sadi saiu logo em seguida deixando Paloma encarando as barras de madeira em sua mão, o guerreiro loiro retirou as ombreiras, a espada, o peitoral e a malha de ferro, ficando somente com a parte de baixo da armadura. Ele caminhou até Paloma se oferecendo para montar a barraca para ela a menina ficou agradecida e lhe entregou as coisas.
Paloma – Ei você ainda não me disse seu nome.
Victor – Desculpe alteza, me chamo Victor sou um guerreiro em treinamento.
Paloma – Victor de que?
Victor – Meus pais são camponeses e eu ainda não completei meu treinamento então não posso receber um sobrenome.
Paloma – Entendi.
Victor – Pronto Milady,está pronto.
Paloma – Ah... obrigada. Disse sorridente enquanto o rapaz se afastava.
Sadi já havia voltado, trazendo lenha para fogueira e um cervo morto, mas sem qualquer tipo de ferimento.
Victor – onde você encontrou esse animal.
Sadi – Um pouco mais adiante, próximo a um pequeno lago.
Victor – Ele pode estar envenenado.
Sadi – Por que diz isso?
Victor – bom ele não tem nenhum tipo de ferimento do abatimento, ou seja, você o encontrou morto.
Sadi – Pelo visto você não sabe nada sobre Elfos não é mesmo?
Victor – O que quer dizer com isso?
Sadi – Nada, vamos comer é seguro eu garanto.
Enquanto isso Carol, Rodrigo e Guilherme já haviam descido o cume da sombra e se aproximavam de uma pequena vila de agricultores. O grupo caminhava por uma estrada cercada pela floresta, Carol acabou chamando a atenção de todos com o ronco vindo de sua barriga, que despertou a fome em Guilherme também.
Rodrigo – Milady se tivesse me dito que estava com fome teria caçado algo para lhe alimentar.
Carol – Hauorin, já disse que não precisa me tratar assim enquanto estamos sós.
Guilherme – Que cheiro é esse?
Carol – É mesmo tem alguém cozinhando algo.
Carol saiu em disparada para dentro da floresta fazendo com que Rodrigo e Guilherme corressem atrás dela. Rodrigo parecia um animal correndo por entre as arvores, apoiava as mãos nos troncos caídos impulsionando o corpo e se lançando para frente, hora escorregava por baixo de algumas arvores caídas, pulava buracos, às vezes se impulsionava com as duas mãos no chão. Já Guilherme apenas corria derrubando tudo a sua frente até alcançarem um local um pouco mais aberto na Floresta, onde um elfo, um guerreiro e uma dama estavam sentados comendo alguma coisa. Todos se espantaram com as presenças ali, a garota se levantou e correu em direção a Rodrigo.
Paloma – Haourin. Disse enquanto o abraçava.
Rodrigo – Paloma o que está fazendo aqui?
Paloma – ora, estamos em peregrinação lembra?
Rodrigo – Sim, mas por que você não está com seus serviçais e sim com. *correndo os olhos pelos homens próximo a fogueira* Sadi?
Sadi – Olá Hauorin. Th’ahash. Disse fazendo uma reverência tocando a testa com um dos dedos.
Rodrigo fez o mesmo.
Rodrigo – Olá Karnos. Th’ahash.
Paloma – Th’.. th’ahas? O que isso quer dizer?
Rodrigo – É um cumprimento Elfo, é como se eu o chama-se de meu irmão espiritual.
Carol – *espera um pouco se o sadi ta aqui e o gui também, isso não é bom.*
Do meio das arvores aparece Guilherme.
Guilherme – e ai encontraram a comida?
Sadi – Guilherme!
Guilherme – Sadi!
Guilherme não pensou duas vezes sacou uma arvore com o dobro de seu tamanho e a lançou em Sadi, o elfo fora mais rápido e rolou por debaixo do tronco já correndo em direção ao gigante.
Carol – Esperem, por favor, não destruam nossa comida. Disse a menina desesperada.
Sadi subiu pelo corpo de Guilherme apoiando pelas pernas levemente curvadas do gigante e o acertou uma joelhada no queixo, o fazendo cambalear para trás, mas Guilherme se recompôs rapidamente segurando Sadi com uma das mãos e o lançou contra uma das arvores e pegou uma enorme pedra e a jogou na direção de Sadi. Carol estava se aproximando do cervo para retirar um pedaço quando a pedra caiu logo encima da fogueira a destruindo e fazendo a carne rolar pelo chão. A menina explodiu em fúria e com uma velocidade impressionante se aproximou de Sadi e Guilherme que lutavam freneticamente ela segurou os punhos de Sadi facilmente e apenas parou o ataque de Guilherme, os dois ficaram atônitos a cena.
Carol – Eu disse para não destruírem a comida. *possuída pelo ódio*
A menina fez um movimento e fez os dois se chocarem, o deixando desacordados no chão e depois saiu chorando para próximo da fogueira. Algumas horas depois tudo estava tranquilo novamente Rodrigo havia lavado a carne do animal e feito um tempero para deixa-lo saboroso novamente. Carol comia com um largo sorriso no rosto, Paloma havia se retirado para a barraca, Guilherme e Sadi estavam comportados sentados próximos a Carol. Rodrigo estava sentado próximo ao guerreiro que agora usava apenas uma roupa pesadas de pano para o frio.
Rodrigo – Desculpe lhe atormentar, mas, ainda não o conheço.
Victor – Eu sou Victor estou em treinamento.
Rodrigo – E por que não está com os milicianos?
Victor – Já cheguei ao ultimo estagio do meu treinamento, agora tenho que ficar um ano vagando pelas cidades trabalhando pela justiça de Rei.
Rodrigo – Entendi. Mudando de assunto, Sadi como chegou aqui tão rápido pensei que nos encontraríamos no cume da sombra!
Sadi – Eu vim um tempo antes para cá a pedido de meu pai, estava indo em direção ao cume da sombra quando me encontrei com a Paloma.
Guilherme – A Carol também estava mais próxima de nós, sendo que ela saiu direto do castelo.
Carol – é que eu vim entregar uma carta ao Lorde de um pequeno povoado próximo à floresta de thanos.
A conversa durou por mais algumas horas até todos decidirem dormir, antes de dormir Rodrigo aproveitou para lavar a pele do animal que Sadi havia retirado levando-a próxima do lago, terminando o serviço o garoto voltou o acampamento e subiu em uma das arvores onde Sadi estava.
Sadi – e ai?
Rodrigo – Quer trocar a vigília?
Sadi – Não tá tranquilo por aqui! Estamos próximo a um destacamento de segurança, então vai ser difícil encontrar inimigos por aqui!
Rodrigo – Mas é bom ficar atento!
Sadi – Ei fugindo um pouco do assunto, até hoje eu não entendo por que temos que fazer isso!
Rodrigo – Ah...
Sadi – O Rei tem um exercito enorme, por que não o manda para as conquistas.
Rodrigo – O rei precisa dar espaço aos outros lordes e Reis, para não perder o poder Sadi e assim da o direito dos outros reinos que fazem parte de AON para conquistar suas próprias terras fora da jurisdição de AON.
Sadi – Isso eu sei, estou dizendo que era mais fácil enviar o exercito e depois separar terras por reinos.
Rodrigo – Isso poderia causar desavença contra o próprio Rei dependendo de suas decisões.
A conversa continuou noite adentro até eles se retirarem para dormir.
Horas depois em um castelo abandonado por entre as arvores.
Rodrigo – Sua puta de bordel barato!
Glauber – seu enrustido!
Rodrigo – Velho caquético!
Glauber – Bicho do mato!
Rodrigo – Rato de muralha!
Carol – Como fomos chegar nisso?
Horas antes.
Eles haviam acordado antes do nascer do sol, alguns minutos antes somente. Victor já havia desmontado a barraca de Paloma e a ajudava a montar no cavalo. Rodrigo havia enrolado as peles que conseguira dos animais. Carol seguiu a frente com Paloma com os cavalos, Sadi estava meditando antes de sair assim como fizera Rodrigo um tempo antes.
Guilherme – Por que será que eles rezam tanto pela manhã?
Victor – Eu não sei muito sobre Elfos, mas eles são seres de sabedoria, certo? Então devem pedir algum guia para os Deuses.
Guilherme – é provavelmente seja isso.
Paloma – Se está querendo saber por que não pergunta pra eles?
Guilherme – nunca que perguntaria algo para aquele Elfo maldito.
Carol – Se não quer falar com o Sadi é só perguntar para o Rodrigo.
O grupo já estava na estrada a alguns minutos quando Rodrigo para subitamente de caminhar fazendo Sadi esbarrar no garoto.
Sadi – Ah.. que droga Rodrigo não para assim do nada pô!
O garoto não respondia.
Sadi – Ei Rodrigo, o que foi?
O garoto não respondeu. Sadi começou a sacudi-lo o fazendo despertar.
Rodrigo – Que foi?
Sadi – eu que pergunto, tu entrou em transe por nada!
Rodrigo – hã como assim?
Sadi – deixa pra lá vamos indo.
O grupo começou a andar, mas em alguns minutos Rodrigo entrou em transe de novo só que desta vez sacou a espada e correu em direção de Victor que vinha logo atrás sendo o ultimo da fileira. O guerreiro colocou a espada a sua frente para proteger de qualquer ataque, para sua surpresa Rodrigo passou por ele e esfaqueou o nada. Carol e Paloma desceram assustadas de suas montarias, Paloma foi até Victor vendo se ele estava bem e Carol se aproximou calmamente de Rodrigo e pode ver seus olhos vermelhos.
Carol – Rodrigo o que aconteceu?
Rodrigo – Não sei, mas tem algo estranho aqui!
Carol – Estranho mesmo você está atacando o ven... to...
Carol quase perdeu a voz quando percebeu que o caminho a sua frente estava se distorcendo, a estrada tomava uma nova forma.
Sadi – Magia temporal, como eu não percebi!
Rodrigo — por que isso é magia de elfo do leste, por isso você não percebeu.
Quando a magia se dissipou revelou um velho portão de ferro contorcido, mas estava aberto ao fundo nos campos estava um homem alto, moreno com uma armadura do castelo de AON, e um longo arco de seu lado. O grupo se reuniu e adentrou os portões do antigo castelo, Rodrigo abaixou-se a beira do caminho e pegou um tomate podre olhou para o homem que estava distante, mediu com o olhar e se preparou para lançar.
Carol – Rodrigo espera o que você vai fazer?... não...
Rodrigo lançou o tomate que acertou em cheio a cabeça do arqueiro o homem se virou enfurecido sacando o arco e disparando contra uma das arvores fazendo inúmeras frutas caírem, Rodrigo se corroeu de ódio e começou a lançar as frutas na direção do homem o atingindo varias vezes enquanto um xingava o outro.
Rodrigo – Sua puta de bordel barato!
Glauber – seu enrustido!
Rodrigo – Velho caquético!
Glauber – Bicho do mato!
Rodrigo – Rato de muralha!
Glauber – Arqueiro de meia tigela.
Rodrigo – Seu idiota você também é um arqueiro! Sua besta sem cabeça.
Glauber – Sua besta é você seu –
Carol – CHEGAAAAAAAAAAAA! Disse lançando uma fruta na cabeça dos dois os derrubando.
Gui/Sadi/Paloma/Victor – *Medo*
Carol – Será que ninguém aqui é normal?
Rodrigo – é só olhar pra você sua louca! Disse baixinho.
Carol – O que você disse? Levantando Rodrigo pela roupa.
Rodrigo – Não foi nada, não foi nada.
A menina bufou e começou a arrastar o garoto até próximo do outro, mas um barulho vindo do chão despertou a atenção, inúmeras caveiras se erguiam a menina deixou Rodrigo cair e sacou o arco disparando cinco flechas de uma só vez derrubando a cabeça de cinco caveiras.
Rodrigo – Carol mire na coluna cervical onde está o selo mágico.
Carol – Okay.
Guilherme havia derrubado o chão do lado esquerdo fazendo inúmeras caveiras caírem dentro do buraco, Sadi já havia destruído vinte caveiras que vinham por de trás, Rodrigo, Carol e Glauber faziam um ótimo grupo de arqueiros um cobrindo o outro disparando flechas sem parar. Não importava quantas derrubassem elas não paravam de aparecer até que Rodrigo percebeu uma movimentação no alto da torre esquerda do castelo e pediu a ajuda a Sadi. Ele lançou uma corda para Sadi que pediu para Guilherme o lançar para cima, Sadi alcançou metade da torre e ficou parado sobre um suporte de madeira reuniu forças e puxou Rodrigo o lançando para cima que aproveitou o impulso e puxou Sadi junto e os dois chegaram ao topo da torre. Um shaman com uma cabeça de cavalo, corpo de homem e pés de cabra. Não passava de uma armadura, mas ainda sim era uma visão aterrorizante, Rodrigo deixou o arco nas costas e sacou as duas laminas curtas, cada um foi por um lado Sadi cruzou de lado com Rodrigo indo pela direita os dois chegaram ao homem juntos, mas este desapareceu e reapareceu, Rodrigo aproveitou a velocidade e segurou Sadi pelo braço girou sobre o próprio eixo e o lançou contra o shaman que aparecia do outro lado da torre, mas ele desapareceu novamente e Sadi fora lançado para fora da torre, mas conseguiu se segurar no suporte girar sobre ele e se lançar para dentro novamente em direção a Rodrigo que lançava varias facas de atirar para todos os lados possíveis que o shaman fosse aparecer, o homem então apareceu no centro da torre ergueu o cetro para atacar Rodrigo, porém Sadi que já estava a meio caminho o atingiu o derrubando girando sobre o corpo e o colocou deitado sobre o solo apoiando o joelho sobre seu pescoço e enterrando a faca em seu peito. As caveiras que caminhavam no campo caíram e os amigos puderam parar de lutar. Victor estava protegendo Paloma, a mesma mantinha sua espada sagrada sobre as mãos, mas não havia tido necessidade de usa-la. Carol estava com as mãos machucadas de tanto dispara flechas, Glauber havia enfaixado seus dedos para evitar o sangramento. Rodrigo e Sadi se lançaram do alto da torre com o corpo do Shaman.
Guilherme – Um Shaman? O que será que ele fazia aqui?
Glauber – quer um lugar melhor para achar discípulos mortos do que um cemitério de guerra?
Rodrigo – Então esse era o castelo Vladislav?
Paloma – O castelo sacrificado na Guerra?
Glauber – Sim... minha casa e de minha família.
Sadi – Glauber como entrou aqui?
Glauber – eu tenho a chave, a única que pode abrir a magia feita pelo pai do Rodrigo.
Carol – O pai do Rodrigo selou esse lugar?
Rodrigo – Sim meu pai tem uma forte amizade com a família Vladslav!
Glauber – Sou muito agradecido a seu pai por ter estado presente na guerra e protegido meu pai.
Rodrigo – Sinto muito por sua mãe Glauber.
Glauber – Tudo bem, eu só vim para lhe enterrar direito.
Paloma – Pera você está dizendo que sua mãe morreu aqui?
Glauber – Sim!
Paloma – e Porque ninguém veio salvá-la.
Glauber – O selamento não permitia que ninguém entrasse ou saísse do castelo permanecendo aqui até que ele fosse quebrado ou aberto, mas minha mãe já estava morta muito antes disso devido a uma doença.
Rodrigo – Você veio para enterra-la.
Glauber – Sim.
Victor – Pera vocês estão dizendo que este lugar está selado há dez anos? Então aquele Shaman era o único sobrevivente aqui?
Guilherme – Ele pode ter vindo de fora, o selamento pode ter enfraquecido!
Sadi – Também pensei a mesma coisa, mas veja ele tem o símbolo do castelo quer dizer que era um morador daqui.
Paloma – Então matamos um aliado.
Rodrigo – Sim, mas ele já estava louco Paloma não tinha outro jeito.
Paloma – Vocês já sabiam que ele fazia parte desse castelo antes de mata-lo?
Rodrigo – Sim!
Paloma levou as mãos contra o rosto e começou a chorar.
Rodrigo – ei, espera ai não precisa chorar. Não tinha como nós o salvarmos Paloma.
Paloma – Eu sei, mas isso é muito cruel.
Shaman – Tudo bem Milayd, agora eu posso ver as coisas como eu mesmo, eu os agradeço por terem me libertado do meu tormento.
Sadi – Ele estava vivo, temos que ajuda-lo.
Shaman – Não... cof... não é necessário, eu já estou indo.... obrigado...
Rodrigo – Devemos queima-los, todos...
Sadi – irei preparar o ritual Rodrigo.
Glauber – Se vocês puderem fazer um ritual especial para minha mãe ficarei agradecido.
Algumas semanas haviam se passado desde que o grupo se reuniu naquele castelo, o lugar fora todo limpo e organizado, o grupo havia enviado mensagens para suas casas pedindo por serviçais. O castelo fora reformado e uma nova bandeira fora erguida junto à bandeira de AON. A bandeira dos oito reinos.
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