Notas iniciais
Olá galerinha, tudo bem? Queria poder resumir todo esse sentimento que me invade agora... É MUITA SAUDADE! Eu já postei "Ao Seu Lado" aqui no Nyah! e ela acabou sendo excluída. Mas eu voltei! Agradeço o carinho de todos que pediram a minha volta, em especial a Kiany Chase: esse primeiro capítulo é pra você! Boa leitura!

Faltando pouco para eu completar meu décimo sétimo ano de vida minha mãe resolveu pôr um fim em todas as brigas dela com o meu pai que eu já estava acostumada a presenciar da hora em que levantava até a hora em que ia me deitar. Não... Eu não estou exagerando, tô falando sério. Foram anos de casamento, mas hoje não sobraram resquícios de confidência, afeto ou sequer um sinalzinho de confiança. Simplesmente... Acabou. Depois de muito tempo de conversa, de várias tentativas de reconciliação, o divórcio saiu. E esse é o motivo da minha mãe estar subindo e descendo as escadas daqui de casa sem parar com várias coisinhas na mão.

Gabriela: Se estivesse subindo agachando já estaria com uns 7cm de bunda a mais. – Segurei o riso.

Juliana: Você acha mesmo que eu estou brincando com você?! Essa é a última vez que eu te mando arrumar suas coisas. Amanhã já quero almoçar em Salvador. – Ela falou enquanto subia as escadas mais uma vez. Revirei os olhos. Af. O relógio marcava às 19h: 12min da noite de uma sexta-feira, e eu, jogada no sofá da sala, não tinha ânimo pra fazer nadinha de nada. Ainda curti umas cinco fotos no Instagram, mas levantei num pulo quando escutei os passos dela descendo as escadas mais uma vez.

Juliana: Af... – Minha mãe passou com a cara fechada quando percebeu que eu tinha acabado de levantar. E eu? Na maior maresia deste mundo... Ainda passei rapidinho na cozinha pra beber água antes de subir pro meu quarto. Na real, nem tinha muita coisa assim pra arrumar. A nossa casa em Salvador está mobiliada e o caminhão da mudança viajou hoje cedo levando tudo o que restava. E assim... Meu pai vai continuar morando nesta casa e eu sei que vou continuar frequentando-a pelo resto da minha vida. Eu não tenho ódio, nem rancor nem nenhum sentimento parecido pelo meu pai. As brigas eram dele com a minha mãe e eu não tenho NADA a ver com isso. Pelo contrário: eu entendi que eles foram a melhor coisa que já aconteceu na minha vida e que eles se esforçaram muito para serem o que são – os melhores pais do mundo! -. Eles capricharam demais! Desde o primeiro choro lá na CLIMECC, até o riso mais solto que eu posso dar hoje.

Eu, definitivamente, não tenho nada do que reclamar. Já passei dias melhores, claro. Acho que passei um tempo dentro de uma bolha, num estado de espírito sem que nada pudesse me tirar do sério. Eu me sentia verdadeiramente plena e feliz por sentir tanto amor depositado em mim vindo de diversas partes: meus avós, pais, tios, sobrinhos e amigos que colecionei nesses 16 anos de vida. E aí, alguns anos atrás, quando eu achava que nada podia melhorar, eu ganhei o verdadeiro motivo da minha felicidade: Luca. Meu irmãozinho só tem 3 anos de idade mas já me ensinou muito mais do que eu a ele. Ele me ensinou a dividir, a somar, a ser abrigo e entender que faço morada em outros corações. Luca me mostrou um amor que eu não fazia ideia que tinha. Tem como reclamar de algo? Não, né?

Separei um look para usar na viagem de amanhã e preenchi a mala com minhas roupas, cintos, acessórios e make já deixando algumas coisas para a próxima vez que eu vier pra cá. O barulho do zíper fechando foi confundido com os passos do meu pai entrando no quarto. A cena dele cabisbaixo, com a mão no bolso da calça surrada de escritório não vai sair da minha mente. Uma lágrima ousada escorreu pelo meu rosto e eu dei um passo largo até conseguir abraça-lo. Ele me abraçou forte, afagando meus cabelos.

Jorge: Você vai ser pra sempre minha pequenininha. – Eu conseguia sentir o pulso acelerado e a respiração funda em meu ombro e não consegui conter outra lágrima.

Jorge: Promete que vai vir sempre pra cá? – Ele segurou meu rosto com as mãos, e eu deixei escapar um sorriso bobo no rosto, assentindo.

Gabriela: Prometo pai. – Meu pai sorriu me olhando nos olhos e secou as lágrimas que rolavam pelo meu rosto.

Jorge: Eu vim te ver... Mas tem uma galerinha lá embaixo querendo fazer a mesma coisa.

Gabriela: Tem mesmo?!

Jorge: Tem! Eles acabaram de chegar. Corre lá! – Meu pai beijou a minha testa antes de sair do quarto, e eu só fiz colocar a mala no cantinho da porta e descer as escadas correndo. A família que eu escolhi – meus melhores amigos – me esperava lá embaixo. O som do carro tocava baixinho e não atrapalhava o papo deles ali: Álvaro estava encostado no carro e Ana Clara estava jogada no banco do passageiro conversando com ele e com Arthur, sentado no passeio. Faltava gente! Faltava muita gente! Inclusive Larissa, outra amiga minha que também tá indo pra Salvador. Quer dizer, já foi! Logo que ficamos de férias, ela foi embora. Isso já faz pouco mais de um mês.

Gabriela: UAU! A que devo a honra da visita? – Ri. Alvinho me puxou pra um abraço de urso.

Alvinho: É porque, dona Gabriela... Se eu não tivesse encontrado tia Ju no mercado, eu nem ia saber que vocês já vão viajar amanhã cedo. – Revirei os olhos, demonstrando o tamanho da vontade que eu tava de viajar amanhã. Aninha pulou em cima de mim, me abraçando forte.

Aninha: Af, Gabi... Quem vai fazer pipoca pra mim agora?!

Gabriela: Eu sei que vocês não vivem sem mim, pô.

Alvinho: Cala a boca, cocô.

Gabriela: Não vai levantar pra falar comigo, king Arthur?!

Arthur: Eu? Tô com preguiça. Senta aqui, vai? – Desfiz o abraço com Aninha e sentei no chão do passeio junto com Arthur, encostando minhas costas no muro. Ele esperou que eu me acomodasse para deitar no meu colo. É folgado? Sim ou claro? Foi com Arthur que eu dei o meu primeiro beijo. Isso já faz um tempo... Mas a gente não se larga. Não se assume, nem se larga. Ficamos conversando ali na frente de casa e eu custei a reconhecer as duas motos que pararam um pouco depois do carro de Alvinho. Só quando tirou o capacete eu vi que um deles era Luan e o outro, o entregador de pizza. Detalhe: Luan é meu primo. Primo, colega, amigo, irmão... E um infinito de adjetivos que também se encaixam nele.

Alvinho: ÊEEE! Achei que tu não vinha mais, viado!

Luan: Viado?! Pergunta a Aninha aí se eu sou viado.

Alvinho: Epa! – Alvinho fechou a cara. Aninha era irmã gêmea dele, tá? Ele a protegia como se fosse filha. Luan recebeu da mão do motoboy duas caixas de pizza e uma Coca-Cola de 2L.

Gabriela: Ô gente... Não precisava não. – Por um momento eu tinha sentido que essa ‘mini festa’ era de despedida pra mim, mas...

Luan: Não precisava?! Tu acha que tu ia embora e eu não ia comemorar?! – Ele riu alto. Filho de uma negociadora de corpo. Encarei-o incrédula.

Luan: Fui contratar o trio, mas já tava alugado. – Ele se fez de inconformado.

Gabriela: Eu ia oferecer a minha casa pra vocês entrarem e comerem melhor. IA. I-A. – Luan riu me mandando beijo no ar.

Luan: Eu tô brincando, amor da minha vida! Mas não precisa entrar não... Aqui tá fresquinho. – Luan falou já com uma fatia de pizza na boca. E eu ainda ajudei servindo o refri pra todo mundo. Ficamos comendo, conversando até pouco menos de 00h. Na verdade, Luan foi embora BEM mais cedo. Só comeu e foi atrás da sobremesa. Opa! Foi atrás da namorada. Alvinho saiu com Aninha um tempo depois e eu ainda passei um tempo na frente de casa com Arthur. Limpei a sujeira que tínhamos feito, coloquei tudo em uma sacola e depois na lixeira.

Arthur: Você já sabe quando vem aqui de novo?

Gabriela: Eta! Eu nem fui ainda, Arthur! – Ri, vendo-o levantar. Arthur deu um passo à frente, eu dei um passo para trás. Ele deu mais um passo a frente e eu dei mais um passo para trás, encostando-me no muro. Ele riu, repousando suas mãos em minha cintura.

Arthur: Não vai não... – Ele chegou ainda mais perto, colando nossas testas. Eu conseguia sentir o hálito quente e a respiração pesada já se misturando com a minha.

Arthur: Eu vou...

Gabriela: Você vai o que? – Arthur passou a mão pela minha cintura, apertando meu corpo contra o dele.

Arthur: Eu vou morrer de saudade desse teu cheiro. – Ele beijou meu ombro e foi subindo beijando meu pescoço, minha bochecha... E eu já estava de olhos fechados quando ele me beijou. Abracei Arthur pelo pescoço e beijei-o como se ainda fosse a nossa primeira vez.

Arthur: Eu vou ficar de olho em você, viu? – Ele falou baixinho entre o beijo. Ri, enchendo-o de selinhos. Arthur me olhou nos olhos, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

Arthur: Vamo lá em casa? – Ele mordeu o lábio, repetindo o convite que fazia minhas mãos suarem sem controle. Respirei fundo, desviando o olhar.

Arthur: Você confia em mim, não confia?

Gabriela: Confio, Arthur. Mas... – Mas eu não quero. Como eu já disse, Arthur foi o dono do meu primeiro beijo. Era aquela paquerinha boba de escola, nunca tinha rolado nada... Mas, quando rolou durou até um pouco mais do que eu imaginava. Não perdíamos uma oportunidade: ás vezes era na volta da escola, ou na volta de alguma festa... Ou qualquer outra situação que a gente ficasse a sós. Esse portão já foi cúmplice de várias situações parecidas com essa. Que rolava química eu não podia negar, o beijo dele é muito bom! Só que passa longe de ser amor. Eu não consigo sentir nada além dessa atração. Incrivelmente não sinto ciúmes nem essa confiança toda a ponto de me entregar de vez a ele. O que a gente sente um pelo outro não foi capaz de sustentar um relacionamento sério. Passou muitoooooooo longe!

Arthur: Então... Eu vou ao seu ritmo. – Fiz que não com a cabeça, ainda cabisbaixa. Ele assentiu, levando as mãos pra cima.

Arthur: Tudo bem. Faz de conta que eu não disse nada, tá? – Sorri sem jeito, assentindo.

Gabriela: Eu vou entrar... Já tá ficando tarde.

Arthur: Tá. – Arthur me selou com um beijo demorado e foi se afastando.

Arthur: Gabi? – Antes que eu pudesse fechar o portão, ele me parou mais uma vez. Olhei atentamente para ele, aí ele continuou.

Arthur: Caso a gente não se encontre mais amanhã... Boa viagem, tá? Se cuida.

Gabriela: Obrigada. Muito obrigada Arthur. – Falei baixinho, vendo-o se afastar de vez.