O sol começa a se por em Himmelsund. Natasha ainda está confusa e pensativa sobre seu sonho. Ela quer saber o significado dele, e o que aquela voz quis dizer com “a sua vida”.


– Ei Angela, você sabe alguma coisa sobre interpretar sonhos?

– Não.. Por que? É sobre aquele seu sonho denovo?

– É, Ele foi bem estranho.. Quero saber o que ele significa.

– Você deveria perguntar à sua mãe. Adultos normalmente entendem dessas coisas.

– Certo. Vou falar com ela quando chegar em casa.

Enquanto isso, na enfermaria, as enfermeiras discutem o estado do garoto.

– Ele está bem? — Pergunta Anna.

– Bem, ele está dormindo já faz um tempo.

– Ele estava dizendo umas coisas estranhas, sobre proteger alguém, pouco antes de eu deixá-lo dormindo.

– Hmm.. Talvez ele estivesse alucinando. Você sabe, ele perdeu muito sangue.

– É, pode ser.

Eu tenho algo a fazer aqui.. Eu vim por um motivo.. Por quê não consigo encontrar... Ela..

Em o que parece ser algum tipo de deserto, duas criaturas gigantes conversam. São altos demais para serem humanos. Com correntes enormes, aparentemente quebradas, presas em seus pulsos e tornozelos, os pálidos gigantes aparentam ser algo como prisioneiros.

– *Boceja*.. Ei, Naz. Viu o que aconteceu com o pequeno Ikki?

– Ah? O que tem ele?

– Invocado! O pequeno bastardo foi invocado!

– Ein?! O que você quer dizer com invocado!?

– Seu Esper respondeu, Então ele foi enviado ao outro plano.

– Merda! Que moleque sortudo.. Eu estou aqui há séculos e ninguém me respondeu ainda..

– Hehe, Eu te disse, você tem um azar terrível, cara.

– Hmpf!

Você que ostenta a silhueta angelical.. Você que foi capaz de transcender as barreiras que o destino pôs em seu caminho.. Cumpra a profecia.. E ascenda!

– Minha cabeça tá me matando.. — Diz Natasha, enquanto se prepara para ir pra casa com Angela.

– Você devia ir pedir uma aspirina à Anna.

– É, vou fazer isso. Você pode ir na frente, te vejo amanhã.

– Tchau!

Natasha chega a enfermaria e bate na porta, apesar de ela já estar meio aberta.

– Olá? Enfermeira Ana?

A enfermaria está vazia, e o único som que ela pode ouvir é o barulho do vento forte balançando as cortinas. Natasha anda pela enfermaria, procurando pelas aspirinas. Sem conseguir encontrar nenhuma, ela decide esperar pela enfermeira. Enquanto anda pela sala, ela percebe que uma das camas está em uso, e se aproxima para ver quem está lá. Ela percebe que tem um garoto ali.

– Será que é ele? Natasha fica chocada ao perceber que o garoto diante de seus olhos é o mesmo que estava na quadra mais cedo. Ela começa a se aproximar dele, estava curiosa sobre sua aparência. Natasha não conseguiu ver detalhadamente como era o garoto, já que seu corpo estava coberto de sangue, mas ela pode ver claramente agora. Ele era caucasiano, parecia meio pálido, e tinha o cabelo longo e loiro. Apesar disso, sua aparência não é nada feminina. Seu rosto tem uma expressão bruta, como se estivesse com raiva de algo. Natasha não sabia o que,mas algo no garoto a assustava. Ela se aproxima dele, e tenta tocar seu braço esquerdo. Assim que seus dedos o tocaram, ele imediatamente acordou.

– D-Desculpa! Eu não queria te acordar!

O garoto a olha fixamente,sem dizer nada.

– Eu não fiz de propósito, eu juro!

– Tá tudo bem.

Enquanto eles se olhavam, ela nota algo de estranho nos olhos do garoto.. Eles não tinham reflexo.

O garoto permanece quieto, olhando para ela sem expressão.

– Então.. Err.. Você tá bem?

– Sim.. Não dói mais.

– Que bom! As enfermeiras devem ter cuidado bem de você.

– Não..

– Não?

– Parou de doer.. Depois que você tocou meu braço.