Ao Cair Das Penas
4 Cavalheiro De Ferro
Notas iniciais
Quando um caído encontra seu Vesper,é dito que eles irão responder um ao outro instantaneamente. Quando os dois fizerem o juramento, a verdadeira forma será revelada.
– Hmm.. Talvez você apenas estivesse se sentindo sozinho, já que você é o único aqui.
– É..
Ele encosta a cabeça na almofada, e enquanto olha para o teto, pergunta:
– Você acredita em karma?
– Karma? Você quer dizer, destino?
– Sim.
– Hmm..
Natasha anda ao redor da cama enquanto pensa.
– Acho que acredito.
– Você acha?
– É, eu acho, mas não tenho certeza.
– Por quê você “acha”?
– Hmm.. Eu acho que algumas coisas acontecem de propósito. Se são coisas boas, são como uma recompensa, e se são ruins, são como um desafio.
– Você tem um conceito interessante sobre destino.
– Pode soar como uma bobagem, mas é o que eu penso. E você? Acredita no destino?
– Eu só acho que o que quer que você faça, terá consequências, sejam elas boas ou ruins.
– Entendi..
Natasha anda em direção a janela, e para pra assistir a neve cair. Ela consegue ver o local onde o garoto estava dali. Enquanto olha fixamente para aquela área, ela sente um aperto no coração, o que a faz dar um passo atrás e pôr suas mãos em seu peito.
– Algo de errado? — O garoto pergunta enquanto se espreguiça.
– Não.. Eu só senti algo estranho.
O garoto se levanta da cama, e começa a andar em direção a Natasha.
– O que você está fazendo?! Você não deveria estar fora da cama! — Ela grita.
Com bandagens enroladas em seus braços, ele passa por ela e chega à janela. Natasha quer perguntar a ele o que há de errado, mas está estonteada pelo que vê. O vento balançando seu cabelo gentilmente, fazendo-o parecer um anjo. Com uma pele pálida, olhos azuis e cabelo loiro, Natasha acredita que o que está diante dela é um ser de pureza incomparável. Ele olha fixamente para a quadra do colégio. Parece que alguma coisa chamou sua atenção. Ele vira de volta para ela, e a expressão calma em seu rosto tornou-se um semblante de raiva.
– Há algo de errado? — Ela pergunta com um olhar preocupado.
– Eu.. Não sei. Eu acho que você deve ir embora.
– Ah.. Desculpe se eu estou te encomodando, mas eu preciso de uma aspirina.
O garoto anda até a sua cama, abre a gaveta ao lado dela e tira uma cartela de aspirinas.
– Toma. — Ele entrega a cartela para Natasha.
– Obrigada.
– Por nada.
– Então.. Eu vou indo agora.-Ah! Eu esqueci de perguntar. Qual o seu nome?
– Ikaros. Ikaros Blutschwarz.
– Hmm.. Que nome diferente.
– É estrangeiro.
– Ah, então você é de outro país?
– Você tem que ir.
– Hmpf.. Tá bom.
Natasha sai da sala resmungando sobre como Ikaros tinha sido rude com ela. Assim que ela chega às escadas do colégio, uma criatura estranha entra na enfermaria. Se parece com um humano, mas é grande demais para ser um. Todo o seu corpo, exceto pela face, é coberto por penas pretas. Tem um par de asas pretas, que parecem estar apodrecendo. Seus olhos são vermelho-sangue, como os de um zumbi. Uma aura de morte pode ser sentida ao redor de seu corpo. Também carrega um martelo com uma gema de cor púrpura no centro, e um espinho em cada ponta.
Ikaros olha rapidamente para a janela. Ele reconhece a criatura, mas não consegue se lembrar de onde ela é. Ele só consegue lembrar de que aquilo é um homem, e de que eles já se encontraram antes.
– Hmm.. Parece que estou atrasado. — Diz o homem.
Conforme ele adentra a enfermaria, as plantas a sua volta começam a secar.
– Então você veio.
– Ah-ham. Cadê ela?
– Não vou lhe dizer.
– Não torne isso difícil pra mim, Ikaros.
Ikaros olha atentamente para o martelo que o homem carrega. Ele sabe que tal martelo pertence a Byrma, um dos servos do caos.
– Eu sei que você é só um servo. Saia ou irei matá-lo.
– Hahah! Você acha que pode fazer algo nesse estado? — Ele aponta para os braços enfaixados de Ikaros.
– Não vou repetir.
Uma nuvem negra cobre a enfermaria enquanto Byrma gira seu martelo sobre sua cabeça. Ikaros sussurra algo irresolúvel, e começa a desenrolar as bandagens em seus braços, mas continua deitado na cama.
– Você não vai nem ao menos lutar? Não acredito que você desistiu tão facilmente.. Adeus, Ikki.
Byrma levanta seu martelo, e em um único golpe esmaga a cabeça de Ikaros contra a parede, deixando nela uma grande marca de sangue.
– Hahah! Essa foi rápida! — Ele comemora eufórico
Ikaros desenterra o martelo do seu rosto. Um sorriso pode ser visto no que sobrou de sua face.
– Você é patético.
– O-O quê?
Ikaros agarra a ponta do martelo e puxa-a para si, fazendo com que Byrma fique cara a cara com ele. O sangue ainda escorre de seu rosto. Byrma está completamente aterrorizado. Ele não sabia que Ikaros era tão forte.
– P-Porque você não- Antes que ele pudesse terminar, Ikaros levanta seu braço direito. Fragmentos de metal podiam ser vistos sendo projetados para fora de seu braço, e em alguns segundos, seu braço inteiro havia virado uma lâmina. Seus olhos brancos como mármore agora estavam reluzindo, como se algo estivesse queimando dentro deles.
Ikaros enfia seu braço violentamente na cabeça de Byrma. Ele consegue sentir os ossos quebrando e músculos sendo rompidos ao redor do braço. Ele gosta dessa sensação. Isso dá a ele um prazer quase sexual.
– Isso não é o suficiente. — Ele retira o braço de dentro do crânio de Byrma, e o enfia denovo, dessa vez de cima pra baixo. Ikaros sabe que Byrma já está morto, mas ele não consegue parar.. Ele quer mais.. mais..
Seu braço chega á coluna de Byrma. Ikaros pode sentir sua espinha. Ele a agarra e arranca para fora do corpo. Após removê-la completamente, ele a segura como um troféu, um prêmio por ter matado Byrma. Ikaros então esmaga a espinha com suas mãos e joga o corpo de Byrma pela janela. Sua cama está coberta de sangue, e ele ainda está em transe. Se alguém o visse dessa maneira, isso poderia causar problemas.. Ou não.. Ele sabe como consertar tal problema..
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