Anyway, The Darkness Is Coming...
10 Wednesday - The last night of peace (PART 3)
Notas iniciais
Tinha que dar umas enroladas, desenvolver a história, se não vira um Higurashi ¬¬
Que droga.
Eu quero matar alguém.
Leia ou vai ser você.
Eu nunca tinha me sentido uma pessoa normal.
Desde pequena, sempre fui diferente. Sempre fui excluída, reclusa, aquela que ninguém gostaria de ter como amiga.
Não me lembrava dos meus pais, não sabia nada sobre eles. Não tinha ao menos uma mísera foto. Eles deviam ter bastante dinheiro, pois me deixaram aquele apartamento e uma quantidade rasoável no banco para que eu vivesse dos júros.
É claro, só morava sozinha há dois anos, quando consegui na justiça esse direito. Não aguentava mais o orfanato, e eles também não me aguentavam mais. Pronto, perfeito.
Pode parecer um absurdo uma pessoa de 11 anos ter sua própria vida independente, mas sempre fora eu que cuidara da minha própria vida. Eu arrumava meu quarto, eu arranjava meu próprio dinheiro para comprar o que precisava. A única diferença era que ali a casa era minha mesmo, então ninguém podia reclamar de nada.
Uma garota com olhos vermelhos. Essa sempre foi minha maior marca. "Não vá falar com ela, não viu os olhos dela?". "Ouvi dizer que se olhar diretamente nos olhos dessa menina você é amaldiçoado". "Sai daqui, sua assustadora, pare de olhar para mim".
Foi realmente estranho andar por um lugar onde as pessoas não ficam te olhando pelas costas e murmurando.
-- Aqui tem tanta gente vestindo cada coisa estranha, que ninguém vai te notar — comentou Heiko, enquando andávamos pelo centro cultural da cidade.
Cada coisa estranha era pouco. Tinham cosplays, fantasias bestas, verdadeiros góticos, punks, tudo. E eu juro que vi um cara andando na rua de terno, mas com uma cabeça gigante de bode.
-- Isso aqui é o inferno ou o que? — perguntei.
-- Você só conhece o caminho da sua casa pra escola e vice-versa. Aproveite mais a vida.
-- É extremamente irônico você dizer isso quando todos nós estamos num risco de morte.
Heiko sorriu. Pegou o celular, e ligou para os outros. Combinamos de nos encontrar em algum lugar que eu não ia saber chegar, quando começasse a anoitecer.
Foi divertido. Tá, eu não sou de dizer esse tipo de coisa, mas até que gostei de andar descompromissada por aí, sem me preocupar com o futuro do mundo por um tempo.
Chegamos no tal lugar. Uma praça mais comum, sem toda aquela gente estranha. Sentamos num banco.
O sol começava a desaparecer no horizonte. Ainda havia luz, porém o céu escurecia rapidamente. As pessoas foram rareando, até não haver mais ninguém. Nem mesmo um simples guarda. Aos poucos, os pombos e outros bichos foram sumindo também.
As únicas formas de vida do lugar eram eu e Heiko.
Izanagi apareceu ao longe, seguido dos outros.
-- Vocês demoraram — eu disse.
-- Oi pra você também — Izanagi respondeu, sorrindo. Tirou um pingente de espada branco do bolso.
-- Olha só o que eu encontrei... — cantarolou.
-- Mas... — Heiko se surpreendeu, vendo a pequena espada ma mão do garoto.
-- É idêntico ao de Juno — murmurei.
Todos olharam com uma expressão estranha para nós.
-- Quando ela morreu, sua espada sumiu. — disse Heiko — Parece que voltou para Daiki.
O garoto pareceu confuso. De repente, não estava mais feliz por ter aquela espadinha. Olhou para ela e seus olhos ficaram marejados, sua expressão, dolorosa.
-- E-eu também encontrei uma — Mieko cortou o silêncio. Olhou para mim, depois para Izanagi, como se esperasse que algum de nós gritasse para ela calar a boca.
-- Deixe-nos ver — disse Heiko.
A garota tirou uma miniatura de espada que estava presa ao cinto. A lâmina era azulada, e o punho, cinza. Mas o estranho era que...
-- Isso não é uma espada como as outras — resmunguei — As nossas são espadas em estilo ocidental. Por que a sua é uma katana?
-- Talvez porque eu faço kendo. Tenho mais prática com espadas japonesas — ela sugeriu.
-- Então é a única que tem prática com espadas, parabéns.
-- É isso aí, Mie! — gritou Hiroko, dando um tapa de leve nas costas dela. A garota respondeu com um soco no estômago. Hiroko ofegou.
-- Agh! Dois no mesmo dia já é demais!
-- Quem manda você ser um babaca? — perguntou Mieko, dando de ombros.
Umeko parecia que ia explodir.
-- Tá, e eu? Eu quero uma também! A Yuuko tem, a Heiko, o Daiki, a Mieko e a Hotaru, porque eu não tenho? — reclamou.
-- A sua deve vir de noite. Aliás, isso me lembra uma coisa — me virei para Hotaru — como você conseguiu sua espada?
-- Sei lá. Eu não costumo ver muito jornal ou coisa assim, entende? Então eu saí uma vez de noite, porque tinha caído uma caneta da minha janela, e quando cheguei na rua tinha todo tipo de monstro estranho. Eu achei que estava com sono, peguei a caneta, e quando estava voltando para o prédio eles me atacaram. Eu imaginei que a caneta era uma espada. Ela virou uma espada. No começo eu fiquei brava, porque a caneta era boa e a espada me parecia totalmente inútil. Mas eu destruí os monstros com ela e voltei pra casa. De vez em quando saía de novo para dar uma volta, mas nunca tinha realmente sacado o que estava acontecendo. Só tinha especulações. Vocês que me disseram... Aquilo lá. Eu não sabia. — ela disparou.
-- Você poderia responder mais simplificadamente — eu disse — não precisa escrever um livro toda vez que alguém pergunta alguma coisa.
-- E você não precisa ser mal educada com todos toda hora — Hotaru retrucou — se bem que acho isso de você sempre ter um jeito de responder fascinante.
-- TOOOOMA! — gritou Umeko, e começou a rir. Izanagi seguiu o exemplo.
-- É por isso que eu odeio os humanos — suspirei.
-- Você fala como se não fosse uma — brincou Hiroko.
-- E se eu não for? — respondi, secamente.
-- Você não é. — disse uma voz masculina atrás de nós.
Nos viramos assustados. O sol ainda não terminara de se por. Já estava escuro, mas as sombras só surgiam depois que a última silhueta de luz desaparecesse.
Um garoto vestido todo de preto nos observava. Ele tinha o cabelo roxo, exatamente da mesma cor que o de Hotaru, e olhos azuis, idênticos aos de Hotaru. Segurava uma espada totalmente negra, assim como a de Hotaru.
Olhei para o garoto, para a menina, e mais uma vez.
-- Vocês são gêmeos por acaso? — perguntei, aturdida. Meu cérebro ainda não se decidira se o fato de ele ter dito que eu não era humana era um insulto, um elogio ou um comentário inútil.
-- Talvez — disse o garoto. — Meus pais disseram uma vez que eu tinha uma irmã gêmea — franziu a testa — mas disseram que ela morreu logo após ter nascido.
Hotaru arregalou os olhos.
-- Tio Keikashi sempre pediu que eu o chamasse de tio porque não era sua filha biológica. Ele disse que eu tinha sido abandonada.
-- Você é aquele tal de Shiori Yasuhiro — cortou Umeko — Era dele que eu estava falando para vocês! Vejam, os dois são idênticos! Eu preciso desenhar isso!
-- Calma aí. — disse Heiko — Um garoto misterioso, aparentemente gêmeo perdido da Hotaru, aparece segurando uma espada, dizendo que minha amiga não é humana. Tem algo errado aí.
-- Mas ela não é — insistiu o garoto — Eu vi eles falando sobre ela! Ela é uma filha da noite!
-- Hum... Do que diabos você está falando? — perguntei. Todos estavam me encarando, de vez em quando lançando olhares para o menino.
-- Eu vi... — ele parou para pensar — Eu tive vários sonhos, desde que isso tudo começou — corrigiu — Em um deles, eles falavam de uma garota de cabelos negros e olhos vermelhos, que não era humana. Eles disseram que essa garota era uma filha da noite. Não sei o que isso quer dizer — se desculpou — Mas parecia ser algo ruim pra eles. Uma voz... Mandou matar essa garota em especial e com requintes de crueldade.
-- E você acha que sou eu. — deduzi.
-- Você se encaixa perfeitamente nas descrições.
-- Certo, mas como assim você aparece do nada, sabendo de tudo isso? — insistiu Heiko.
-- Eu... Não tenho certeza... Eu saí de casa um dia, meus pais disseram para me "socializar" com os outros, e foi bem naquela noite que essa coisa começou... Eles me pegaram e me levaram pra um lugar que não lembro bem como era. Eu vi ela lá — me indicou com a cabeça — mas achei que isso não importava, tinha um monte de gente. Mas eu estava preso. Ela não. Eu pensei que ela tinha conseguido fugir, então procurei desesperadamente uma saída. Num canto, eu acabei encontrando essa espada...
-- E os monstros te libertaram com medo de você? — perguntei.
-- Não sei quanto ao com medo, mas me jogaram para fora assim que viram que eu empunhava uma espada. — confirmou.
-- Então, depois você teve esses sonhos e se tocou que a garota de quem eles falavam era a mesma que você tinha visto lá — completou Heiko.
Ele confirmou com a cabeça.
-- Que viagem — disse Umeko. — Mas agora já escureceu. As sombras não vão atacar?
Balancei a cabeça negativamente.
-- Elas estão planejando algo... Então vão dar um tempo para se organizar.
-- Elas estão planejando invadir o dia — murmurou Shiroi — mas eu não sabia que não iam atacar hoje.
-- Qual seria a graça se os dois soubessem de tudo? — riu Umeko — Agora sim eu PRECISO desenhar isso!
-- Invadir o dia — repitiu Hotaru, confusa — Eles poderiam deixar o dia mais curto? Escurecer mais rápido, para terem mais tempo de ataque? — sugeriu.
-- Não acho que seja isso — eu disse — As pessoas fugiriam para suas casas do mesmo jeito. As baixas seriam poucas.
-- Eles vão atacar durante o dia? — Mieko perguntou — Mas não são sombras? Como poderiam?
-- São monstros compostos de sombras, mas ainda assim são monstros — disse Hotaru — durante o dia devem ser mais fracos, mas ainda assim o bastante para matar os humanos.
-- Eles não vão ser mortos por armas normais, em seu estado enfraquecido? — questionou Hiroko.
-- Duvido — eu respondi — a única coisa que faz efeito contra eles são nossas espadas.
-- Falando nisso — disse Heiko — Eu vi algo entrando no seu bolso, Umeko. Veja se não é um inseto.
Umeko fez uma careta e colocou a mão no bolso. Sua expressão se suavizou quando retirou uma miniatura de espada brilhante. Parecia que alguém tinha colocado glitter na lâmina.
-- Legal! Bem psicodélico.
-- E a minha? — perguntou Hiroko.
-- Espere mais um tempo — sugeri — talvez só venha mais perto da meia-noite.
-- São cinco para a meia-noite — disse Izanagi.
-- Já?
-- Sua noção de tempo é péssima, Yuuko — disse Heiko — você sabe disso.
-- Ah, tanto faz.
Ficamos em silêncio por mais algum tempo. Era estranho, um grupo ali, sozinho, no meio da cidade, numa escuridão quase total, sabendo que não seriam atacados por mosntros nem por assaltantes.
-- Meia-noite. — disse Izanagi.
-- Ai! — gritou Hiroko, e em seguida pôde-se ouvir um barulho metálico.
Me virei, e ele havia caído no chão, uma espada com uma lâmina de algo que parecia platina ao seu lado.
-- Essa coisa tinha que cair na minha cabeça? — reclamou.
-- Veja pelo lado bom — disse Heiko, segurando a risada. Entrementes, Umeko, Izanagi e Mieko morriam de rir. — Ela caiu com o punho na sua cabeça. Podia ter sido com a lâmina.
-- Sim — eu disse, um sorriso sádico repuxando o canto dos lábios — você seria lembrado como o inútil que morreu recebendo a própria arma.
Hiroko se levantou e pegou a espada. O punho dela era diferente. Todos os outros eram mais simples, mas o dele tinha uma caveira encrustada, com detalhes de ossos.
-- Podem falar o que quiserem, a minha espada é muito mais da hora — ele disse, transformando-a em pingente.
-- O que a gente faz agora? — perguntou Heiko. Hotaru e Shiori estavam a um canto, conversando, e pareciam animados. Aparentemente gostavam de coisas parecidas. Se eles não fossem gêmeos, seriam namorados, escreva o que eu digo.
-- Agora, nós treinamos. — eu disse — e aproveitamos esses últimos momentos de paz.
Notas finais
*pega controle remoto que controla um mega-satélite com arma atômica*
Não se preocupem, ele é todo feito de platina com revestimento de diamante, totalmente inquebrável. É a última palavra em tecnologia da morte.
E eu não vou ter pena de usá-lo contra vocês caso não deixem review.
Ah, uma coisa. Ele consegue atingir um determinado alvo sem causar dano ao redor. E ele consegue seguir esse mesmo determinado alvo e atingi-lo não importa onde este se refugie. Só para constar.
E se deixar um review só de "gostei, escreve mais" eu vou ser obrigada a usá-lo também, viu? ^^
Obrigada por ler!
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