Anyway, The Darkness Is Coming...
7 MIDNIGHT - Who's that girl?
Notas iniciais
[ E FIQUE BEM LONGE, SE NÃO EU VOU ZOAR SUA COISA INTEIRA AQUI! ]
O que disse..? * pega típico machado ensanguentado *
[ N-nada não, amore, te amo, tchau! *foge* ]
Huhuhu... Espero que gostem...
Eu não ouvia nada. Não ouvia sequer minha respiração. Não ouvia um único ruído. O mundo havia parado de produzir sons.
Eu não via nada. Não via sequer minhas próprias mãos. Não via um único vulto. O mundo estava imerso em escuridão.
Eu não sentia nada. Não sentia minhas roupas sobre meu corpo. Não sentia nem mesmo o chão sob meus pés. O mundo ficara vazio.
Vazio, sem significado. Não havia mais o que fazer. Teria largado a espada e caído ao chão, se existisse espada, se existisse chão. Nada existia. Nada.
Então, a dor. Uma dor alucinante, de dentro para fora, que rasgava meu corpo. Mais dor. Essa era a única consciência que eu tinha. A única prova de que ainda existia.
Tentei me lembrar de quem eu era. Não, aquilo era doloroso. Nunca gostei do passado. Tentei me lembrar das pessoas que eram importantes para mim.
Minhas amigas, as pessoas que eu mais gostava. Minhas amigas.
Heiko. Juno.
Juno.
Não.
Tudo voltou como uma pancada. Eu vi, ouvi e senti muito mais do que queria. Caí de joelhos no chão, largando a espada, sendo corroída. Minha culpa. Era minha culpa. Se eu não tivesse sido tão atrevida, Juno ainda estaria ali.
Mas não estava.
Um grito agourento ecoou na rua. Ergui lentamente a cabeça, procurando a origem do som. Fora eu mesma.
Me atrevi a ver realmente o que acontecia. Foquei minha visão, com muita dificuldade. Eu vi Juno, estirada no chão, encarando o céu que não mais podia enxergar. Eu vi Heiko, abraçando as pernas, parecendo desconsolada.
Eu vi mais uma pessoa.
Isso está errado, pensei. Não pode ter mais uma pessoa ali. Era perigoso demais sair de noite. Nós fomos as únicas tolas o bastante para arriscar.
Olhei de novo naquela direção. Desta vez, não neguei. Havia realmente uma pessoa lá.
Não era muito alta, e parecia ser bem magra. Tinha cabelos roxos. Era visivelmente uma garota, pois usava um vestido preto cheio de rendas.
Ela estava segurando uma espada negra.
Nesse momento meu cérebro deu uma pane, e voltei ao estado do nada.
Não havia o que ver, o que ouvir, o que sentir. Minha existência se esvaía enquanto aquela dor me destruía. Minhas memórias, meu eu, já não mais estavam aqui.
Alguém sacudiu meu ombro.
Me assustei tanto que deixei escapar outro grito. Virei lentamente, como se meu pescoço fosse quebrar se fizesse um movimento brusco.
A garota de cabelo roxo estava parada, de pé, ao meu lado. Com a mão no meu ombro, Heiko, aquela que um dia eu conhecera, chamava por um nome que devia ser o meu.
-- Yuuko. Vamos. Vamos embora daqui.
-- Não — minha voz saiu, com muita dificuldade, como se pretendesse ficar adormecida até o fim dos tempos. — Juno...
-- Não podemos fazer mais nada. Se ficarmos aqui, também vamos morrer. O sa... — os olhos da menina se enxeram de lágrimas — o sacrifício dela terá sido em vão. Vamos.
-- Quem... você? — perguntei para a de cabelo roxo. Meu cérebro parecia ter tomado uma dose de sonífero. Se recusava a trabalhar direito. Morrer. Nós. Também morrer. A única coisa que consegui deduzir disso foi: Ruim.
-- Melhor deixar apresentações para depois! — disse a garota, com uma voz estridente, olhando em volta. — Eles já estão vindo.
Vindo. Morrer. Ruim. Concordei e me coloquei de pé. Minhas pernas bambearam. Tentei me firmar, mas não consegui. Arrastei os pés, um depois do outro, seguindo a estranha que nos estava ajudando.
Como pensar sobre o que estava acontecendo e o que iria acontecer depois só piorava o meu estado, me foquei em coisas bobas.
A menina. Como ela era?
Era mais baixa do que eu. O cabelo dela era roxo, e estava preso numa trança terminada com um laço. O vestido era preto, e ia até os joelhos. Tinha alguns babados, com desenhos de rosas. Também tinha alguns laços. Pelo que lembrava de mim mesma, eu odiava aquele tipo de roupa. Não nos outros, em mim.
Ela tinha um rosto de criança, mas tinha um ar inteligente. Como se fosse mais velha do que aparentava.
Heiko andava do meu lado, segurando duas espadas, uma em cada mão, a minha e a dela. Me senti mal por fazê-la carregar minha arma, mas achei que o peso seria demais para o meu estado débil.
Quando me dei conta, subíamos por uma escadaria de um dos poucos prédios residenciais daquela rua. Subimos, viramos e entramos num apartamento. A menina trancou a porta enquanto eu me arrastava até o pequeno sofá e me sentava. Deixei todo o meu peso cair sobre ele, inclusive o peso mental.
Heiko se sentou do meu lado, abalada. Ao contrário de mim, que estava numa espécie de topor, ela parecia ter ficado chocada daquele jeito em que não conseguimos parar quietos. Se balançava para frente e para trás, resmungando uma música.
A menina tinha ido até a cozinha. Nos trouxe chá, e se sentou numa poltrona. Só aí reparei que o apartamento estava decorado num estilo ocidental. Não que isso fizesse diferença.
-- Mas... corpo... lá? — tentei perguntar, mas as palavras saíam soltas e sem sentido.
-- Acho que se tivéssemos trazido o corpo, teríamos problemas. Já é bastante ruim esses monstros, você quer a polícia atrás de nós também? Estão doidos atrás de um bode expiatório. O governo está pondo a culpa toda nas organizações de segurança — disparou Heiko — Eu não gosto disso, sinto como se fugíssemos do dever de velar uma amiga, mas se formos presas vai acabar tudo.
-- Certo — disse a garota de cabelo roxo — concordo com você. Tio Keikashi trabalha na polícia. Ele estava falando de estarem levando a culpa. Mas não são eles. A lógica diz isso. Só não tenho certeza de que esses monstros estão sendo mandados por ETs ou por algo sinistro daqui mesmo.
-- Você tem teorias interessantes — disse Heiko.
-- Obrigada. Agora que tal nos apresentarmos? Meu nome é Hotaru Takako.
-- Eu sou... Yuuko... Katsuze.
-- Certo, e eu sou Heiko Chinatsu. Hotaru, posso te chamar assim?
-- Claro.
-- Hotaru, podemos passar a noite aqui? Não acho que seria seguro sair. Principalmente com a Yuuko vegetando.
-- Vege que? — perguntei, alheia. Minha atenção estava voltada numa mosquinha que voava em círculos sobre um vaso de flor.
-- Ela está sofrendo com o choque. — disse Hotaru — Vai passar logo. Você também não está lá essas coisas, Hei-chan.
Heiko sorriu.
-- Há quanto tempo não vejo alguém usando sufixos. Tem como dormirmos aqui?
-- Tenho um colchão que dá pra por aqui. E tem o sofá.
-- Não tem problema?
-- Não. O tio Keikashi aparece só de vez em quando. Prefere dormir perto do quartel da polícia. Acho que seria até bom se ele visse vocês aqui. Pararia de pegar no meu pé para começar uma vida social.
-- Então, está ótimo. Deixa que eu te ajudo a buscar o colchão — Heiko se levantou do sofá. Imediatamente, desabei, sem nem tocar no chá.
O desespero me engoliu, juntamente com o topor, e caí num sono sem sonhos.
Notas finais
Espere capítulos cada vez mais sangrentos, porque agora eu tô começando a ouvir heavy metal, huhuhu...
E SE NÃO DEIXAR REVIEW, VOCÊ VAI SENTIR COMO É QUE EU FICO QUANDO SOU IGNORADA... TOME CUIDADO COM AS SOMBRAS À NOITE.
MWHAWHAWHAWHAWHAWHAWHA!!!
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