Anyway, The Darkness Is Coming...
8 Wednesday - RECRUITMENT (PART 1)
Notas iniciais
[ PERA DESDE QUANDO ? ]
Cala a boca, otária, eu mando nessa porra. Leiam logo o capítulo antes que meu espírito serial killer volte.
Uma coisa: Aquela menina era irritante.
Ela conseguiu me acordar cinco vezes durante a noite, e toda vez que percebia que eu estava na vigília, disparava a falar, sem parar para respirar, com sua vozinha estridente.
Hotaru era demasiado inteligente. Conseguia falar sobre absolutamente qualquer coisa que tivesse a ver com ciência. Incluseve sobre magia, afinal, de acordo com a garota, "a magia é apenas a ciência que os seres humanos não entendem e blá blá blá". Foi isso que eu ouvi, juro.
E o pior: Ela era muito otaku. Quando acordamos, nos remoendo por tudo, ela estava vestindo um cosplay e insistia que nos vestíssemos assim também caso fôssemos sair novamente.
Perguntamos sobre sua escola, e ela informou que eles haviam suspendido as aulas por causa de um acidente. Aparentemente metade dos alunos tinha morrido, ou algo assim, e encontraram a cabeça de uma professora numa manhã, sem nem sinal do resto do corpo.
Com essas informações animadoras, mais o fato de que Juno havia morrido, eu estava extremamente disposta. Disposta a trucidar qualquer um que passasse na minha frente e depois voltar a dormir.
Mas era obrigada a ir para aquele inferno chamado escola. Quem foi o estúpido que não suspendeu minhas aulas? Quem foi? Eu quero fazer ele engolir uma garrafa de querosene e depois jogar um fósforo aceso.
A polícia não encontrou o corpo de Juno, porque ele havia sumido. Saímos do apartamento de Hotaru bem cedo, mas não econtramos nada, nem uma mísera mancha de sangue.
É claro que eu ainda estava abalada. Mas não podia deixar de pensar que ficar assim só nos atrapalharia. Veja Heiko: Sua irmã fora levada, e ela não precisara ser internada num hospício.
Pegamos um ônibus até o meu apartamento. Perguntei a Heiko se ela não queria ir para a casa dela, mas ela apenas resmungou "acham que eu fugi" e me pediu para emprestar um uniforme.
Hotaru insistira em ir conosco, dizendo que ninguém ia reparar nela, devia estar tudo uma zona, e também pegou um uniforme meu emprestado. Demônios, eu não tinha tantos assim, ia ter que usar um sujo no dia seguinte. Não vou nem comentar que ele era muitos números maior e ela ficou parecendo ainda mais uma pirralha.
Que dia tedioso. Realmente, depois de lutar, sofrer e tudo mais, não sei como ainda aguentava a monotonia do dia-a-dia. Chegamos na escola, e todos estavam com a mesma cara de sempre: cara de idiotas. Ei, eu sou meio anti-social, fazer o quê?
Entramos na classe e nos sentamos no tédio abitual. Ok, hora de desligar o cérebro. Não estava nem aí pras notas, eu estava correndo um risco de vida e tinha perdido uma amiga de um jeito horrível. Minha motivação era nula.
Os professores haviam desistido de tentar acalmar a classe. Ninguém reparou que Juno não estava, tampouco que havia uma outra garota diferente (bota diferente nisso) na sala.
O intervalo teria sido tedioso como as aulas. Teria, caso não fosse aquele único garoto que havia notado a falta de alguém. O nome dele, eu acho, era Daiki Izanagi. Ele era um ano mais velho, mas deu por falta de uma menina que nem parecia conhecer. Era daqueles garotos populares, que andavam com milhares de pessoas conversando alto e enchendo o saco de gente como eu.
-- Ei, vocês — ele disse, chegando perto de nós — Onde está Juno?
-- E por que você quer saber? — perguntei ríspida.
-- Nossa, calma aê garota! — o menino levantou as mãos, num gesto de rendição — Ela estava aqui falando com vocês ontem. Cadê ela?
-- Você gostava dela? — disparou Hotaru, sem vergonha alguma.
-- Hein? Quem é você? N-não sei do que está falando... — respondeu, mas ficou ligeiramente vermelho. Ótimo. Um garoto apaixonado por uma menina que havia morrido. Eu não ia ficar com pena dele. Meus instintos sádicos eram fortes demais.
-- Ela morreu — eu disse, a voz macia, como o corte lento de um machado bem afiado.
-- Como assim ela morreu? — o garoto parecia desesperado. Segurou meu ombro, e repitiu — Como assim ela morreu?
-- Morrendo. Agora me largue.
Ele me sacudiu. Depois deu um grito de dor, porque o acertei com a mão bem no diafragma.
-- Yuuko! — repreendeu Heiko — Não seja tão dura!
-- Me deixe em paz — resmunguei, ainda descontrolada. O sadismo me corrompia, e eu desconfiava que tinha algo a ver com a noite anterior.
-- Daiki... Izanagi, não é? — perguntou Heiko, dirigindo-se ao garoto no chão.
-- É, sou eu... — ofegou — Dá pra deixar sua amiga gótica-punk longe de mim?
-- Babaca — resmunguei. Ah, era essa a imagem que eles tinham de mim, é? Que eu era uma gótica misturada com punk? Bom saber. Um dia desses eles iam ver a violenta.
-- Sinto muito, Izanagi. O que a Yuuko disse é verdade. Yuno morreu, ontem à noite. — suspirou Heiko, me ignorando.
-- Como vocês podem falar tão friamente sobre isso? — Izanagi questionou, tentando esconder a vontade de chorar. Um garoto que tinha sentimentos. Que saco. Posso matar ele agora?, pensei.
-- Ela morreu... De uma maneira honrosa. Lutando contra as sombras que vêm nos atacando. — explicou Heiko — Nós todas lutamos. Ela sucumbiu. Também estamos tristes, chocadas e tudo mais. Porém temos uma missão a cumprir, e não podemos nos deixar levar pelo pesar.
Olhei para ela com a minha melhor cara de "O que você pensa que está fazendo?". Ela pretendia chamar o garoto para se juntar a nós, por acaso? Nem a pau. Afastei essa possibilidade da minha mente. Aquele garoto nunca ia aceitar, mesmo que oferecêssemos. Era do tipo que se coloca em primeiro lugar.
-- Vocês conseguem lutar contra as sobras? — perguntou, arregalando os olhos.
-- Sim... Se bem que estamos em grande desvantagem.
-- Que se juntar a nós? — perguntou Hotaru, atrapalhando tudo de novo. Como. Eu. Odeio. Essa. Garota.
-- Se juntar? A vocês? Lutar por uma causa pela qual a pessoa que eu... Quero dizer, Juno apoiava? — ele emendou, fazendo tudo parecer um absurdo. Bom, muito bom. -- É claro que sim!
Caí do banco em que estava sentada.
-- NEM A PAU! NEM A PAU QUE ESSE MAURICINHO DOS INFERNOS VEM COM A GENTE! PODE IR MANCANDO DAQUI, OTÁRIO! — gritei.
-- Yuuko! Pare! Você está dizendo disparates! — Heiko me cortou.
-- Dispa o quê? — perguntei, abobalhada. Eu sou muito burra. Tudo bem, não preciso saber explicar droga nenhuma de escola pra matar monstros. Eu acho.
-- Disparates — Heiko suspirou — Bobagens. Besteiras. Idiotices.
-- Tá, já saquei. — resmunguei. Não tinha jeito, o moleque estava decidido a vir conosco. Sinceramente, isso era o fim.
-- Eu posso ou não? — Izanagi interrompeu, impaciente.
-- Vai logo, então. Heiko, conta as drogas pra ele antes que eu mude de ideia.
-- Pode deixar. Então, Izanagi, é o seguinte... — começou a explicar todo aquele maldito segredo macabro dos infernos. Hotaru também se ajeitou, interessada. Entrementes, eu simplesmente fazia um plano para nos livrarmos dele ainda naquele dia.
§
-- Eu mandei vocês matarem a maldita de cabelo preto! — disse uma voz áspera vinda da escuridão.
As sombras se retraíram, parecendo assustadas, como se sombras pudessem ter tal reação.
-- Ela se defendeu — tentou justificar um monstro, que se destacava das demais sombras. Sob uma luz cálida, era possível ver sua cabeça de alguma critatura reptiliana, o corpo desproporcionalmente pequeno de ave, com braços compridos e garras afiadas. Repugnante.
-- Eu não quero saber! — rugiu a voz áspera, provocando calafrios. A voz parecia o som da própria morte. — Não me importa se ela se defendeu ou havia um capo de energia em volta dela. O que me importa é que vocês falharam, matando a única que deveriam trazer-me viva. Alguém precisa ser responsabilizado por isso...
-- Não! Não, meu senhor, não! — suplicou o monstro, inultilmente porém. Algo surgiu na escuridão, cortando o ar como pura treva, abrindo feridas horríveis no ser, que gritou em agonia.
-- E não falhem novamente — a voz continuou — ou serei obrigado a mostrar-lhes a minha verdadeira ira.
§
-- Yuuko! Yuuko! — alguém me sacudia.
-- Ô guria metalera! — uma voz masculina chamou — Acorda!
-- Ei, você está bem? O que houve? Você caiu do nada! Parece que o intervalo acabou, não temos que ir? Tente se levantar! — disparou uma voz aguda.
Levantei, e abri os olhos. Aparentemente, havia caído de novo do banco para o chão, e tinha visto uma coisa muito estranha. Não era como se eu estivesse presenciando algo que acontecia no momento, era como se visse o passado.
-- Estou bem — respondi, pondo-me de pé. — Vamos. Eu... vi uma coisa. Estranha.
-- O que? — perguntou Izanagi, esboçando um sorriso — Você tem visões? Cara, eu sabia que tinha algo estranho com você.
Tentei dar um soco no estômago dele, mas ele se desviou.
-- Por que não me deixa em paz, caramba?
-- Eu odeio gente que se exclui — ele deu de ombros — só estou tentando ver se você tem senso de humor.
-- Ha, ha, ha — ri secamente. — Vamos, vamos voltar para a classe. Falamos sobre tudo isso, depois.
-- Ei, eu estava pensando — começou Hotaru, após no separarmos do ser idiota, em meio caminho à sala — Seria bom recrutarmos mais pessoas, não acha?
-- Seria bom você calar a boca, não acha? — respondi.
-- Yuuko, ela está certa. Estamos em desvantagem. O jeito mais fácil de melhorar nossas chances é chamarmos mais pessoas.
-- Eu já disse que não quero expor os outros a esse perigo? — perguntei sarcasticamente.
-- Sabe... — disse Hotaru — Você não é tão sádica quanto parece. No fundo, deve ter um bom coração.
-- Isso foi um elogio?
-- Talvez.
Sorri, desta vez mais sinceramente. Um bom coração, é? Vamos ver até onde isso vai durar.
Notas finais
E, não, eu não estou sendo feliz, estou sendo irônica.
Esperem o próximo capítulo ansiosamente. Ou com muito tédio.
PS: A segunda opção vem com uma machadada grátis na cabeça. Nada de mais, só estou te ajudando a escolher.
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