Anything Could Happen: After the Happy Ending
2 Roots before branches of mistletoe - Parte II
Notas iniciais
Conforme os anos foram passando, Stiles acabou se acostumando com o ritmo agitado de Nova York, e por mais que durante esse tempo todo vivendo na “grande maçã” ele nunca tenha voltado pra casa nos feriados, ele sentia falta dos amigos. Conversava com Cora e Lydia todos os dias via Skype, e aos fins de semana com Scott e seu pai por telefone.
Pelo que ele sabia, as coisas estavam diferentes em casa. Derek havia reconstruído a mansão, mudando-a totalmente, antes de ir embora para o Alaska e deixar tudo sob a responsabilidade de Cora. A garota passou a administrar os bens da família Hale, enquanto Peter decidira comprar uma cobertura no centro. Sal tinha aberto seu bar — o Beacon Grill -, que havia se tornado um dos lugares mais badalados de Beacon Hills, com direito a shows com a bruxa cantando para o público. Segundo Cora, Sal havia sido a melhor coisa que a cidade já tinha recebido. Scott havia formado uma sociedade com Deaton na clínica, assim que se formou na faculdade de Zootecnia. O pai do amigo havia voltado para a cidade e tentado algo com Melissa, que o chutou e passara a sair com o próprio pai de Stiles, o que o deixara bastante feliz. Lydia estava se tornando reconhecida no MIT e pensava em voltar para a cidade quando se formasse, para que pudesse trabalhar em casa e ficar próxima dos amigos. Isaac estava prestes se formar em advocacia, para que pudesse exercer na área familiar e impedir que outras crianças passem pelo que ele passou. Allison estava cursando Direito Administrativo, mas só para possuir um diploma mesmo, pois a carreira da garota é e sempre será nos negócios da família. Danny estava quase se formando em Medicina e iria fazer residência no hospital de Beacon Hills – graças a ajuda de Melissa, que tinha alguns contatos importantes lá -, enquanto Ethan se formaria em Psicologia e Aiden em Educação Física.
O tempo passou e chegou o dia da formatura de Stiles. O garoto estava extremamente feliz por ter conseguido concluir o curso de Criminalística, e mais ainda por seu pai ter se casado com Melissa, assim Scott acabaria se tornando seu irmão. No dia da sua colação de grau, seu pai, Melissa e Scott vieram para prestigiá-lo, o que fez com que ele ficasse com aquele sorriso que ia de orelha a orelha, que geralmente só se era visto quando ele estava com Derek. O que ninguém imaginava, era que, por mais que Stiles não tivesse voltado para casa em nenhum feriado durante esses anos, ele sentia muita falta de sua família. E ver eles ali, na sua formatura, era algo que o deixava feliz, simplesmente.
Depois da cerimônia, eles saíram para comemorar. Decidiram comer em um desses restaurantes chiques de Manhattan, onde todos sempre falavam muito bem. O jantar foi maravilhoso e eles riram bastante, como uma família mesmo, sabe? E aquilo era maravilhoso.
No outro dia, todos eles arrumaram suas coisas, pois teriam que voltar pra casa. Já Stiles tinha outros planos. Por mais que estivesse com saudades de casa, ele tinha programado essa viagem pela Europa depois de sua formatura. Era um sonho antigo, que ele tinha. Quando seu pai e Melissa saíram, Scott decidiu ficar um pouco e conversar com o amigo. A desculpa era a de que ele havia pegado um voo diferente do de John e Melissa.
– Hm, agora que eles foram embora, você já pode me dizer – ele começou. – Como você está?
Stiles olhou para Scott com um sorriso confuso estampado no rosto.
– Como assim, cara? – ele perguntou.
– Você sabe do que estou falando, Stiles – cortou Scott.
O rapaz então respirou fundo e abaixou um pouco a cabeça.
– Como você acha que eu estou Scott? – ele perguntou. – Ele nem se deu ao trabalho de me ligar.
– Entendo – Scott disse. – Pelo que Cora me falou, ele não tem falado direito com ela também. Liga apenas três vezes ao ano. No natal, no aniversário dela e no seu, para saber se ela tem notícias.
Stiles então olhou nos olhos do amigo com aquela mesma velha tristeza.
– Se ele quer tanto saber, Scott – ele começou. – Por que diabos ele não me liga?
– Você sabe o quão orgulhoso ele consegue ser quando quer – respondeu Scott.
– Só que eu não entendo – o Stilinski continuou. – Depois de todo esse tempo, ele podia ter vindo pra cá comigo, não? Já que a primeira coisa que ele fez depois de reconstruir a mansão foi largar a Cora lá sozinha.
– Eu entendo – concordou Scott. – Mas isso você só vai conseguir saber mesmo quando encontrar com ele, Stiles.
– Hm, e quando isso vai acontecer? – perguntou Stiles. – Ele desapareceu, Scott! Eu não sei mais de nada da vida dele. Ele pode muito bem estar casado, pelo que eu sei.
– É, mas você não sabe – argumentou o amigo. – Você tem medo de que isso aconteça, mas você espera que ele volte pra você, Stiles. E eu te digo, para não pensar nisso. Pelo menos por enquanto. Lembra o que você me contou que ele te disse, antes de vir pra cá? Se for pra vocês ficarem juntos, vocês vão ficar.
Stiles apenas concordou com o amigo.
_._._._._
Dois meses após a partida de Scott, Stiles arrumou as malas e suas coisas. A próxima vez que voltasse a esse apartamento seria apenas para buscar suas coisas e voltar para a Califórnia. Ele empacotou tudo e deixou tudo pronto, para quando ele voltasse três meses depois e buscasse a mudança.
Ele saiu do apartamento e o trancou, seguindo para fora do prédio, onde um táxi esperava por ele. Um favor feito pelo zelador do prédio, senhor Ramirez. Ele passou pelo zelador e se despediu do mesmo, que o desejou boa viagem.
No táxi ele recebeu uma ligação da Cora, falando que o queria em casa para o natal, e que ele iria se arrepender de ter nascido caso não aparecesse. Ela daria uma festa na mansão e todos estariam lá. Stiles disse que iria, mas ficou apreensivo. Não sabia se devia ir, mas preferiu não pensar nisso por enquanto. Sua viagem estava apenas começando.
O taxista o deixou no aeroporto, e o rapaz seguiu para o check-in, indo em seguida para a área de espera dos passageiros. Ele havia chegado meia hora antes do voo. O tempo passou e o voo dele foi anunciado. Stiles então seguiu para o portão de embarque e depois para o avião, onde se acomodou na poltrona da janela — ele sempre gostou de sentar próximo a janela, seja em um carro, trem ou avião — e pegou a única coisa que ele se permitiu levar nessa viagem. Aquela foto que seu pai havia tirado na noite do Baile de Formatura do colegial. Ele com aquele sorriso maravilhado, e Derek impecável com o smoking, enquanto seus olhos brilhavam ao olhar pra foto. Era a única foto que ele tinha com Derek, e ele tinha escondido ela atrás do porta-retratos de sua mãe um ano antes, para que não tivesse que vê-la onde está agora, dentro de sua carteira.
O piloto então anunciou a decolagem e pediu para que os passageiros colocassem os cintos de segurança. Stiles atendeu de prontidão e guardou a foto de volta em sua carteira, passando assim a olhar a paisagem da maravilhosa Nova York pela janela. Agora era só esperar, em breve ele estaria chegando à Irlanda, onde começaria sua viagem pela Europa.
_._._._._
O avião de Stiles acabou de aterrissar em Nova York. Para o rapaz, nem parecia que já tinham se passado três meses de viagens por toda a Europa. Aquela tinha sido uma das experiências mais marcantes na vida dele. Ele pôde aprender sobre novas culturas, novas formas de magia — graças a ajuda de Deaton -, entre as várias coisas que ele viu por onde passou. Para aquela viagem ter sido realmente perfeita, só faltava uma coisa, ou melhor, só faltava alguém ao lado de Stiles. Um lobisomem ranzinza e extremamente gostoso, que era o verdadeiro dono do coração dele.
O rapaz, que estava dormindo, acordou com a aeromoça o chamando, avisando que haviam chegado. Ele limpou o rosto, que estava babado, e agradeceu envergonhado pela aeromoça o ter acordado. Em seguida, Stiles se arrumou como pôde e saiu do avião, pelo portão de desembarque. Foi até a área das malas e pescou a sua entre as outras, mas quase caiu ao fazer isso, atraindo a atenção de todos e fazendo com que ele revirasse os olhos.
Ao sair do aeroporto, Stiles pegou um taxi até seu apartamento, onde ele gostaria muito de poder dormir, para que tivesse disposição no outro dia, em que voltaria para Beacon Hills. Quando chegou ao apartamento, ele viu que as correspondências haviam se acumulado nesses três meses em que ficara fora, e no meio delas encontrava-se a “intimação” de Cora para a festa de natal na mansão Hale. E ela havia deixado claro na carta, que se ele não aparecesse, ela iria rasgar sua garganta com os dentes. E ler isso fez com que Stiles risse, por pensar no quanto ela era parecida com o irmão quando queria.
Ele largou sua mala em algum canto, ligou o aquecedor — já que o apartamento estava um gelo — e foi tomar um banho, aproveitando que o banheiro havia sido o único cômodo que ele ainda não havia desocupado e empacotado os objetos. Assim que tomou seu banho, o garoto foi dormir. Não estava com fome e nem com disposição para terminar de arrumar as coisas, apenas queria dormir.
No outro dia, ele acordou cedo e terminou de empacotar tudo o que precisava ser empacotado. A companhia que faria a mudança dele chegaria a qualquer instante, e ele precisava arrumar tudo logo. O dia era vinte e três de dezembro. Ele tinha dado sorte em encontrar uma empresa que prestasse serviços tão perto do natal. E iria pegar o primeiro voo que tivesse para a Califórnia, a fim de chegar a tempo de se organizar em casa e se preparar físico e psicologicamente para a festa de natal de Cora.
Os funcionários da transportadora chegaram e levaram as coisas de Stiles em apenas três viagens, deixando assim o apartamento vazio. O rapaz então arrumou as duas malas que havia separado para levar consigo no avião, e saiu do apartamento, fechando ele permanentemente. Na portaria, ele entregou a chave para o senhor Ramirez, que havia ficado encarregado pelo senhorio de pegar a chave quando Stiles saísse. Ele então chamou um taxi e quando o mesmo parou, tratou de seguir para o aeroporto, com o único pensamento em casa.
O voo até a Califórnia foi um pouco tenso, por causa do tempo frio que fez até chegar a ensolarada costa leste. Stiles deu graças a Deus por finalmente estar em casa. Scott havia ido buscá-lo no aeroporto, junto com Isaac, Allison e Lydia, que receberam o amigo com abraços e beijos de saudade.
– Que saudade que eu ‘tava desse desengonçado! – dizia Lydia enquanto distribuía beijos por todo o rosto de Stiles, finalizando com um abraço apertado.
Stiles riu. Era bom estar em casa, independente de tudo.
Os quatro seguiram o caminho de volta até Beacon Hills, rindo bastante e se divertindo com as histórias de cada um. Scott contou da vez em que teve que ajudar no parto de uma vaca, enquanto estava na faculdade, e que escorregou no curral fazendo a maior lambança e arrancando risos de todos os amigos. Stiles contou de quando estava em Paris comendo um prato típico francês e vomitou ao descobrir que eram caramujos, o que fez com que Allison — que é de uma família francesa — caísse na risada a custa do amigo. Lydia contou de quando chegou no MIT e todos pensaram que ela era uma espécie de “legalmente loira”, só que ruiva. E fez com que todos rissem, imaginando a cena da garota entrando na sala cheia de nerds da matemática. Isaac e Allison contaram da vez em que o garoto foi ajudar uma velhinha a literalmente atravessar a rua e a mulher começou a bater nele, achando que o mesmo fosse um ladrão querendo roubar sua aposentadoria.
E assim eles seguiram até a casa dos Stilinski, que agora era também de Melissa. Scott havia ficado na antiga casa, com o intuito de ter mais privacidade, embora sua mãe insistisse que ele passasse para ver ela pelo menos uma vez ao dia, já que ela era uma típica mãe coruja. Quando chegaram a casa, Stiles foi recebido pelo pai e a madrasta com um grito de “bem vindo”, e sendo puxado para uma espécie de abraço grupal extremamente apertado. Os amigos ficaram ali até a noite, quando resolveram ir embora. Stiles arrumou suas coisas que chegaram algumas horas depois que ele, em seu antigo quarto. E no final de tudo, ele estava novamente exausto.
No outro dia, vinte e quatro de dezembro, ele acordou se sentindo melhor do que nunca. Talvez tenha sido o fato de que ele estava finalmente em casa, não se sabe, mas ele se sentia bem naquela manhã. Ele tinha essa sensação, de que aquele dia seria um ótimo dia. Então tratou de levantar cedo e tomar um bom banho, se vestindo em seguida e indo para a cozinha, com a intenção de ajudar Melissa a preparar o que for que ela fosse preparar para levar pra festa de Cora.
O dia acabou passando rapidamente, já que todos estavam muito ocupados organizando os preparativos para a festa de Cora. Quando anoiteceu, Melissa expulsou Stiles da cozinha, mandando o garoto ir tomar banho, já que ele iria buscar Scott em casa. Ele então subiu para o quarto e entrou no banheiro, passando direto para o banho. Foi um banho rápido, então ele logo estava se vestindo e se arrumando para sair.
– Mel, liga pro Scott e fala pra ele se apressar que já estou indo – gritou Stiles saindo de casa e entrando em seu velho Jeep.
O trajeto até a casa dos McCall foi rápido. Stiles sabia aquele caminho com a palma de sua mão, desde pequeno. Quando ele chegou a casa e buzinou, viu um Scott aparecendo na porta, trancando-a e vindo pulando até o carro, enquanto calçava um dos pés do tênis. Era uma cena cômica demais para Stiles ficar apenas olhando, então começou a rir ali mesmo do amigo.
– Mesmo depois de cinco anos, você continua a mesma toupeira de sempre, Scott McCall – ele disse zombando de Scott.
– Eu tive um problema na clínica, cara – ele explicou. – Uma cadelinha dando a luz a uma ninhada de filhotes. Por isso acabei demorando a vir pra casa.
Stiles riu.
– Tudo bem – ele respondeu. — Até porque é só contigo que acontece umas coisas desse tipo.
Scott tentou fazer cara feia para Stiles, mas só conseguiu arrancar mais risos dele. O rapaz então arrancou dali com o Jeep, enquanto Scott finalmente terminava de amarrar seu cadarço. Ele seguiu o caminho para a reserva, onde ele se lembrava dos destroços da antiga mansão Hale, da luta com Axel Hunter e do primeiro beijo dele e de Derek. Ele suspirou e continuou a dirigir.
“Fique calmo, é só uma festa” – ele disse para si mesmo.
Ao entrar na reserva, ele fez o caminho que conhecia e se deparou com uma visão totalmente diferente que ele tinha daquele lugar. Não havia ali mais aqueles destroços queimados, mas sim uma bela mansão toda branca, com um jardim muito bonito a frente da casa, que estava decorada com vários pisca-piscas e outras decorações típicas do natal.
Stiles então estacionou o Jeep ao lado do carro de Lydia, que reconheceu no meio dos que estavam ali. Ele e Scott saíram do Jeep e pegaram os presentes que o xerife havia deixado no porta-malas de manhã, sabendo que eles iriam se esquecer. Os dois pegaram tudo e seguiram para a porta da frente. Scott tocou a campainha e de repente ele parecia estar mais atento, como se estivesse tentando identificar algum cheiro ou presença.
A porta então se abriu, e a visão que Stiles teve o deixou imóvel. Era ele.
– Oh, meu Deus! – disse Cora passando por Derek, que também havia ficado imóvel, e pulando pra cima de Stiles o abraçando. – Você veio mesmo!
Stiles não conseguiu retribuir o abraço da amiga, porque ainda estava naquele transe junto com Derek, um olhando para o outro, sem esboçar reação alguma.
– Vamos, entrem – disse Cora puxando o garoto pela mão e fazendo-o passar por Derek, que o olhava nos olhos com aqueles olhos maravilhosamente verdes, parecendo mais assustado que ele.
Foi então que ele entendeu. Por isso que Cora queria tanto que ele fosse para a festa, por isso que ela inclusive chegou a ameaça-lo, caso ele não fosse. Era por causa dele. Derek havia voltado a Beacon Hills e ela havia bolado um plano para que eles se encontrassem.
Aquela seria uma longa noite de véspera de natal.
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